Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

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sábado, 19 de junho de 2010

A copa de 70: o uso político do futebol

Abaixo encontra-se um texto retirado da obra, Para Viver Juntos: História, da editora Edições SM, páginas 218 e 219. Esse texto juntamente com os site, tem por objetivo ser um guia para o trabalho: Futebol e ditadura no Brasil.





Em plena ditadura militar, o Brasil venceu a Copa do Mundo realizada no México em 1970.
A seleção canarinho tomou-se tricampeã mundial, um feito inédito na história do futebol
As relações entre esse esporte e a política sempre alimentaram muitas polêmicas. Para alguns intelectuais, o futebol serviria para mascarar a realidade e pôr em segundo plano violência praticada pelo Estado policia.
A vitória da seleção poderia ficar restrita às discussões sobre a eficiência do time de Pelé, Tostão, Carlos Alberto e Rivelino. Porém, durante o governo Médici, havia a campanha ufanista do "Pra frente, Brasil", que pretendia divulgar a ideia de um Brasil em pleno desenvolvimento, para a qual contribuíam a construção da Transamazônica, das usinas hidrelétricas e outras obras. A seleção vitoriosa era a personificação desse sonho de "Brasil grande".
Em meio às perseguições aos opositores e à prática da censura, a propaganda oficial apresentava os resultados econômicos da era do "milagre econômico". O êxito na economia e a conquista da Copa foram capitalizados pela ditadura.
Como não podia haver crítica nem existia liberdade de opinião e expressão, alimentou-se o ufanismo. Defender o país e o governo era quase obrigatório, no passo do slogan mais repetido à época: "Brasil: ame ou deixe-o".
A televisão
No início da década de 1970, a televisão era um veículo popular nas classes médias dos centros urbanos. Os jogos da Copa do México foram os primeiros a ser transmitidos pela TV, em rede nacional, embalados pelo hino:
Noventa milhões em ação,
Pra frente Brasil,
Do meu coração...
Todos juntos vamos,
Pra frente Brasil,
Salve a Seleção!
De repente
É aquela corrente pra frente,
Parece que todo o Brasil deu a mão...
Todos ligados na mesma emoção...
Tudo é um só coração!
Todos juntos vamos,
Pra frente Brasil!
Brasil!
Salve a Seleção!!!

Aparentemente singela, essa canção composta por Miguel Gustavo reforçava a noção de país unido com um único objetivo, numa mesma emoção. A propaganda ditatorial tinha uma mensagem semelhante: os que divergiam governo eram considerados inimigos. A “corrente pra frente" do futebol vinculava-se "Brasil grande" dos militares que governavam o país. O autoritarismo pegava carona na euforia festiva.
Uso político
É importante observar que o uso político de um esporte popular, como o futebol, não ocorre por uma só via. Torcer pela seleção brasileira não significa alienação das diculdades do país. E, inversamente, ser consciente dos problemas nacionais não implica torcer pelo fracasso do time brasileiro.
Todavia, no caso do governo Médici, o uso político foi facilitado por estarmos numa ditadura e o governo ter o controle total dos meios de comunicação. O país de Terceiro Mundo que se transformava numa potência futebolística podia, por associação, tornar-se uma potência militar, política e econômica.
O presidente Médici recebeu o time campeão em Brasília e começou a apoiar a Confederação Brasileira de Desporto (CBD), a atual CBF, que a partir de 1971 passou a organizar o campeonato nacional. Em 1979, 94 times disputavam o título nacional. O próprio presidente da CBD, Heleno de Barros Nunes, ao explicar o crescimento da competição, sintetizou a aproximação entre o governo e os dirigentes esportivos: "Onde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional".
Se a Arena, o partido governista, perdia apoio e seu poder eleitoral diminuía, à medida que a ditadura caminhava para o fim, o governo investia na construção de estádios e no fortalecimento dos clubes de futebol de todo o país.
O futebol a serviço da ditadura
(...)
Embalada pela conquista no México, a ditadura organizou em 1972 a Taça da Independência para comemorar o sesquicentenário da emancipação política do Brasil. (...) Com o sucesso da seleção, a CBD organizou cinco amistosos em 1971, dez em 1973 e nove em 1974, considerando apenas os jogos contra selecionados nacionais. Articulada à política de integração nacional a CBD passou a organizar o campeonato brasileiro (...) com vinte clubes. Foram construídos trinta estádios entre 1972 e 1975. Mas a elevação dos preços do petróleo no mercado mundial em 1974 trazia de volta a inflação e o endividamento externo, revelando os limites do "Milagre Econômico" e tornando visíveis os sinais e desgaste da ditadura. (...) Justamente porque a economia e o futebol nacional não iam bem em 1974.
Franco Júnior, H. A dança dos deuses: futebol, cultura e sociedade. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 144 In: Para Viver Juntos: História, 9° Ano - 1° Ed. - São Paulo: Edições SM
Sites:
Filmes:
O ano em que meus pais saíram de férias.
Pra frente, Brasil.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cinema e História - A Guerra de Tróia.

O texto abaixo foi extraído da Revista Superinteressante é será utilizado para que possamos fazer uma comparação com o filme assistido em sala, as discussões surgidas em sala e os textos postado no blog - abaixo.
http://ateliedehistoria.blogspot.com/2009/11/troia.html
Trabalho individual
Valor: 3 pontos.
Data de entrega: 18/03/2010
Turma(s): 2° e 3° Anos do Ensino Médio

Tróia
A Guerra de Tróia não foi travada por deuses e semideuses,como diz a lenda. Mas, embora não tenha passado de um combate duro entre homens que sangravam e morriam, pode ter significado a destruição de um mundo e o nascimento de outro
por Reinaldo José Lopes
Na imaginação dos gregos, o destino do mundo foi decidido diante das muralhas de
Tróia. Até os deuses desceram do Olimpo e derramaram seu sangue na tentativa de defender ou arrasar a cidadela do rei Príamo. Como nós fazemos hoje com o nascimento de Cristo, a história humana passou a ser medida em anos antes e depois da Guerra de Tróia. Aquiles, Heitor, Ulisses, Enéias viraram a medida do que é ser um herói, os nomes que toda criança aprendia a admirar e imitar.
Claro, não há a menor garantia de que esses sujeitos tenham existido, muito menos a linda Helena, o sedutor Páris ou o marido traído Menelau. No entanto, cada vez mais fica claro que algo grande realmente aconteceu naquela esquina da
Europa com a Ásia, onde hoje está a Turquia – talvez o estopim de uma explosão que pôs fim ao mundo como os povos antigos o conheceram por milênios e deu origem ao mundo no qual vivemos. Uns 50 anos depois que
Tróia caiu, praticamente todas as grandes cidades na orla do Mediterrâneo oriental ou tinham virado cinza ou passavam pelo pior aperto de sua história. A confusão encerrou de vez a longa Idade do Bronze e o poderio dos impérios da época. Há quem diga que a catástrofe tenha sido mais marcante que a queda de Roma. O que sobrou no lugar continha, entre os escombros, as sementes das idéias que formaram nossa civilização – a filosofia grega, o judaísmo e o cristianismo, a noção de democracia, a valorização do indivíduo. Enfim, a cultura ocidental.
A lenda
Reconstruir a
guerra depois de 3 200 anos (ela deve ter acontecido no fim do século 13 a.C.) é tarefa para semideuses. Melhor avisar logo: não se sabe o que aconteceu lá. A Ilíada de Homero, um dos grandes livros da história, no qual foi baseada a superprodução Tróia, que estréia no cinema este mês, não ajuda muito. Homero, se é que existiu (veja o quadro na página 54), nem viu o conflito. Ele teria composto a Ilíada e a Odisséia (outro épico, que narra a jornada de volta de um soldado após a guerra) mais de 400 anos depois dos combates, baseando-se em relatos orais. Ou seja, a Ilíada não é um documento histórico confiável – além de se limitar a 40 ou 50 dias de um conflito de dez anos.
Para benefício de quem não está com pique para encarar os milhares de versos da Ilíada, aqui vai um resumo. Tudo começa no casamento do herói Peleu com a deusa Tétis, ao qual compareceram em peso as divindades do Olimpo. Éris, a deusa da discórdia, foi à festa com uma fruta de ouro que levava a inscrição “à mais bela”. Instaurou-se a ciumeira entre as três principais deusas: Afrodite (do amor), Atena (da sabedoria e da
guerra) e Hera (a mulher do chefão Zeus). Todas queriam a fruta e acabaram escolhendo como juiz um mortal, o pastor troiano Alexandre, que tinha fama de honesto.
O trio tentou subornar o coitado. Hera lhe ofereceu o domínio sobre a Ásia, Atena prometeu sabedoria e Afrodite, o amor da mulher mais bela do mundo. Alexandre, que não era bobo, escolheu esta última e conquistou o coração da sensacional Helena. Ganhou também o ódio das duas poderosas preteridas, que infernizariam sua vida. Outro problema: Helena era casada. E casada com um rei, Menelau, de Esparta. Alexandre, que descobriu ser o filho desaparecido de Príamo, rei de
Tróia, e adotou o nome de Páris, deu um jeito de visitar Menelau e, quando o marido saiu do palácio por uns dias, convenceu Helena a fugir com ele. Acontece que Helena tinha sido a mulher mais disputada da Grécia. Antes que seu pai decidisse com qual homem ela iria casar, todos os nobres que a cortejavam juraram proteger a honra dela e de seu marido, fosse ele quem fosse. Menelau e seu irmão, o poderoso Agamêmnon, rei de Micenas, inflamados pelas deusas ciumentas, se aproveitaram do juramento para arrastar os gregos para a briga. Todos os gregos.
Assim começou a
guerra. Depois de uma década de cerco e da morte de muitos heróis, Tróia parecia inexpugnável. Aí os gregos deixaram um cavalo de madeira às portas da cidade, que os troianos aceitaram como uma proposta de paz. Dentro do cavalo estavam os melhores guerreiros gregos, que abriram os portões da cidade. Os troianos foram massacrados.
Óbvio que a história não é 100% verdadeira. Ainda assim, há alguma verdade nela. Parece que o autor que compôs o texto estava em contato com tradições orais que vinham desde a época da
guerra. O poema menciona capacetes feitos com presas de javali e escudos com a forma do número 8. A arqueologia mostrou que os gregos do tempo da guerra realmente usavam esses instrumentos, já abandonados na época de Homero. Mas a Ilíada mistura esses acertos com referências à cremação e ao uso do ferro, inexistentes entre os gregos de 1200 a.C.
De quebra, apesar de três grandes escavações no local onde ficava
Tróia, uma das quais em curso enquanto você lê este texto, só foi achado na cidade um mísero documento – e não é dos mais esclarecedores, já que a inscrição se limita a dois nomes de pessoa. O jeito é comer pelas beiradas, usando cada caco de informação confiável das regiões vizinhas para entender o mundo em que Tróia se encaixava.
O mundo
Dá para definir o período anterior à
Guerra de Tróia com uma palavra: “estável”. Vigorava a Idade do Bronze, período cujo início se confunde com o aparecimento das civilizações urbanas e letradas do Oriente Médio, uns 3 500 anos antes de Cristo. Alguns impérios dividiam entre si o controle do mundo civilizado. No lugar onde estava Tróia, os donos do poder eram os hititas. Bem mais ao sul, quem mandava eram os faraós egípcios. Entre hititas e egípcios, onde hoje é a Palestina, havia, para variar, uma zona de litígio, disputada pelos dois impérios (naquela época, ela devia obrigações aos faraós). A oeste, pessoas que falavam uma forma arcaica de grego viviam sob o domínio de alguns reinos, sendo o maior o da cidade de Micenas, perto de Esparta – daí o fato de esses gregos anteriores à Grécia serem conhecidos por “micênicos”. A leste estava a Mesopotâmia, disputada entre assírios e babilônios.
Esses eram os Grandes Reinos. E todos eles tinham algumas coisas em comum. Para começar, eram privilégio para bem poucos. Soberanos inatingíveis viviam em meio ao luxo, protegidos por um punhado de guerreiros de elite que lutavam sobre carros de
guerra – uma versão antiquada das bigas romanas. Esses senhores dependiam de uma casta burocrática, a dos escribas, os únicos capazes de decifrar os complicados sistemas de escrita da época. Os escribas controlavam toda a contabilidade dos reinos e regiam o comércio de trigo, azeite, cerâmica e, claro, dos metais – cobre e estanho, usados para fazer o bronze das armas, que acabou dando nome à era. Fora das capitais suntuosas e de seus palácios, a população miserável se espalhava por territórios mal demarcados. Para as elites, esses pobres quase não eram considerados gente. Para os pobres, a elite tinha um quê de divina.
No que dependesse da vontade dos governantes, essa situação podia durar para sempre. No entanto, à medida que o século 13 a.C. se aproximava do fim, a destruição se espalhou pelo Oriente Médio.
Tróia foi só a primeira a cair. “Todos os sítios importantes que conhecemos na Anatólia sofreram algum grau de destruição nessa época”, afirma o historiador americano Robert Drews, pesquisador da Universidade Vanderbilt e autor de The End of the Bronze Age (“O Fim da Idade do Bronze”, sem versão em português).
Mas a destruição não se limitou à Turquia. Os palácios de Tebas, Micenas, Pilos, Tirinto e Iolcos, supostamente os vencedores da
Guerra de Tróia, queimaram em seguida. Idem para Canaã, vassala do Egito, onde depois surgiria o reino de Israel. Os próprios faraós escaparam por um triz várias vezes e nunca se recuperaram do baque. Era o fim da Idade do Bronze e o começo da Idade do Ferro. Não foi só o metal que mudou – mudou tudo. Se a Idade do Bronze foi a dos aristocratas, a do Ferro foi a do homem comum. O que contava não eram mais os guerreiros de elite em carros puxados por cavalos, mas bandos de soldados a pé, que dependiam da coesão e do número para vencer. O mundo deixaria de ser dos nobres, escribas e guerreiros para dar lugar a novos personagens. Com o tempo, a democracia surgiria na Grécia e as nascentes religiões semíticas iriam voltar-se para a salvação do indivíduo, em vez de cuidar apenas das elites de escolhidos, como faziam as antigas crenças, das quais a egípcia é o exemplo mais famoso.
Sabe-se que a Idade do Ferro nasceu no rastro de uma devastação, mas os historiadores ainda discutem o que a teria causado. Uma tese antiga mas que tem ganhado força recentemente é a de que uma horda de invasores tenha sido o fator preponderante. Nas inscrições dos faraós egípcios Merneptah e Ramsés III, representantes da velha ordem, esses invasores são identificados como “estrangeiros, de todas as terras do Norte”. Eram povos com nomes aterrorizadores como Lukka, Shardana, Shekelesh, Tursha... E Ekwesh, que muitos pesquisadores consideram equivalente a “aqueus” – o nome mais usado por
Homero para designar os gregos que foram a Tróia.
Os troianos
Até não muito tempo atrás, havia quem questionasse a própria existência da cidade. Na falta de qualquer indício confiável, a
guerra era assunto mais para estudiosos de literatura que para historiadores. Foi só na segunda metade do século 19 que um alemão apaixonado pelas duas coisas – história e literatura – revelou que poderia haver verdade por baixo da lenda. Heinrich Schliemann (1822-1890), fanático por Homero e arqueólogo autodidata, foi buscar pistas da localização de Tróia nos versos da Ilíada. Leu também relatos de turistas famosos, como o imperador macedônio Alexandre Magno, que visitou as ruínas atrás de inspiração no século 4 a.C., antes que elas fossem esquecidas. Em 1871, ele descobriu que uma pequena elevação chamada Hisarlik (“forte poderoso”, em turco), não muito longe da atual Istambul, era o local mais promissor para encontrar o palco da guerra. Dito e feito. Schliemann encontrou Tróia.
O alemão talvez tenha posto a perder material valioso ao rasgar uma trincheira no monte que havia se formado depois de milênios de ocupação. Mas valeu a pena: nove cidades sucessivas, uma embaixo da outra, surgiram na trilha da picareta. Os historiadores batizaram as cidades com números romanos, contados de baixo para cima desde a mais antiga –
Tróia I – até a mais nova – Tróia IX (veja mais detalhes no infográfico da página 52). As escavações continuaram com Carl Blegen, da Universidade de Cincinnati, Estados Unidos, nos anos 1930. E quem retomou o trabalho desde 1988 foi o alemão Manfred Korfmann, da Universidade de Tübingen.
A sexta cidade em Hisarlik,
Tróia VI, que a maioria dos estudiosos de hoje identifica como a Tróia da guerra, parece ter sido fundada por volta de 1600 a.C. Os arqueólogos que escavaram o local encontraram ossadas de cavalos e representações artísticas desses animais. São indícios de que os troianos foram guerreiros temíveis – os cavalos eram uma arma de guerra importante no mundo antigo e Tróia parece ter sido uma das primeiras cidades da Ásia Menor a domesticá-los. Não foi à toa, portanto, que o apelido dado por Homero aos troianos e a Heitor, maior herói deles, era hippodamoi, “domadores de cavalos”.
As ocupações e reocupações sucessiva do lugar desde 3000 a.C. são prova da sua importância. “A posição de
Tróia era estratégica para a navegação que atravessava do Mediterrâneo para o mar Negro”, afirma a arqueóloga Elaine Hirata, da USP. As costas do mar Negro eram excelentes para o plantio de trigo. “Era muito difícil para os barcos fazerem a travessia, em razão das correntezas e do regime dos ventos, que sopram na direção contrária justamente na época em que o clima está propício à navegação, de abril a setembro”, diz o historiador brasileiro Rivan dos Santos, da Universidade de Grenoble, França, especialista na derrocada da Idade do Bronze. Provavelmente, o único jeito de cruzar era procurar abrigo em Tróia até os ventos ficarem favoráveis. É de se imaginar que os troianos cobrassem caro por esse valor estratégico – e que outros povos, como os gregos, exportadores de cerâmica e compradores de trigo, invejassem aquela posição privilegiada.
Tróia ficava próxima da capital hitita, Hattusas – e é possível que fosse um reino vassalo desse império poderoso. Um tratado do rei hitita Muwattalli II, que governou entre 1290 e 1272 a.C., menciona uma tal “terra de Wilusa”. Para Korfmann, esse nome poderia ser uma versão da palavra grega Wilios – ou Ílios, outro nome de Tróia (daí é que vem “Ilíada”). Mais do que isso: o documento hitita se refere ao rei de Wilios, um certo Alaksandu. O nome pode designar Alêxandros – ou Alexandre. Ou seja, o mesmo nome do príncipe Páris, raptor de Helena.
Nos últimos anos, Korfmann diz ter encontrado cada vez mais vestígios de que
Tróia VI era mesmo uma potência regional. Além das muralhas de imensos blocos de rocha e torres de 20 metros que protegiam a residência do soberano e dos nobres, conhecidas desde as escavações de Schliemann, Korfmann achou uma cidade baixa, com casas mais humildes, mas também defendidas por um fosso e, talvez, uma segunda muralha. Sinais de que Tróia era importante e bem defendida.
Ou seja, é plausível imaginar que os micênicos estivessem mesmo interessados em conquistar aquele entreposto estratégico e, com isso, dominar as rotas comerciais que iam até a Ásia. E, se eles se aventuraram nessa briga, é bem provável que tenham tido que enfrentar uma longa e desgastante
guerra, tal o poderio militar da cidade atacada. Tudo do jeitinho como Homero contou.
Os Gregos
Sabe-se que o contato dos troianos com os gregos deve ter sido freqüente. Os micênicos exportaram sua bela cerâmica para
Tróia por gerações – como comprovam cacos dela encontrados nas escavações – e, segundo Rivan, há indícios de uma rivalidade entre os dois povos. “Cartas diplomáticas encontradas em Hattusas mencionam um país chamado Ahhiyawa. Esse termo pode designar Acaia, a terra dos aqueus – como Homero chama os gregos. Os documentos mencionam combates entre os vassalos hititas e o rei desse país”, afirma o pesquisador.
Uma possibilidade, portanto, é que
Tróia tenha caído numa escaramuça entre dois povos palacianos, típicos da Idade do Bronze. Robert Drews discorda. Ele acha que os gregos que chegaram à Ásia não tinham muita relação com os palácios ou com os reis. Quase ao mesmo tempo em que Tróia, o palácio micênico de Tebas também foi arrasado e queimado. E uma geração depois foi a vez de Micenas e dos outros centros gregos de poder. Ou seja, os micênicos tinham seus próprios problemas internos, não é de se esperar que eles estivessem em condições de guerrear do outro lado do mar.
Mas, se os palácios da
Grécia não estavam em condições de guerrear, quem invadiu Tróia? Drews propõe uma explicação: pode ser que os agressores não fossem os aristocráticos moradores de Micenas e Pilos, no sul da Grécia – os reis, os nobres, os guerreiros de elite. Os invasores podem ter sido gregos bem diferentes, vindos das periferias dos reinos, o norte e o oeste da Grécia. Esses homens, incultos e analfabetos, falavam um outro dialeto, viviam num estado quase bárbaro, indiferentes à elite e à ordem da Idade do Bronze, e talvez fossem parte de uma grande onda migratória que fugia da pobreza. Como os bárbaros que demoliram Roma dois milênios depois, eram homens pouco sofisticados. E, como eles, podem ter começado a encerrar uma era. Se acreditarmos na tese de Drews, os gregos eram a Idade do Ferro chegando.
A
Guerra
Na história de Homero, os heróis se encaravam, faziam desafios e tentavam atingir o inimigo à distância, atirando suas lanças. Às vezes a arma enganchava no escudo, às vezes atravessava com tudo os dentes e a boca do adversário, deixando-o no chão antes que pudesse reagir. Volta e meia algum dos lutadores, quase sempre troiano, dispara seu arco, mas Homero gosta mesmo é da batalha com armas de mão. Quando não tinha outra lança à mão para brigar no corpo-a-corpo, o guerreiro desembainhava a espada. Foi o que fez Heitor, o mais corajoso dos troianos, ao enfrentar sozinho Aquiles quando todos os seus conterrâneos haviam corrido para dentro da muralha. Conta a Ilíada que o escudo do herói grego rebateu o golpe. Aí Aquiles enfiou a lança no pescoço de Heitor, na brecha entre o capacete e a couraça, e encerrou as aventuras do troiano.
O importante nisso é que, no geral, gregos e troianos da Ilíada lutam do mesmo jeito. Nos dois exércitos, os carros servem apenas para levar ou trazer os combatentes, que se enfrentam a pé, usando pesadas armaduras, escudos redondos, lanças e espadas de bronze. Para Drews, essa é uma das imprecisões de
Homero – ele está convicto de que havia mais diferenças entre gregos e troianos do que o poeta podia supor. A vitória grega seria a primeira de muitas causadas por uma revolução na arte de guerrear. Os Grandes Reinos e seus satélites, como Tróia, tinham dependido dos seus carros de guerra em combate: enquanto um guerreiro controlava os cavalos, outro usava a carruagem como uma plataforma móvel que lhe permitia despejar uma chuva de flechas sobre o inimigo. Era assim que tanto os faraós quanto os reis hititas eram retratados em combate. Provavelmente foi assim que os troianos enfrentaram os gregos – daí sua fama de “domadores de cavalos” e a história de que Páris teria matado o quase invulnerável Aquiles com uma flechada no calcanhar.
Acontece que os carros de
guerra logo se mostraram frágeis diante das novas armas que os “bárbaros” se puseram a usar contra eles no fim do século 13 a.C., quase todas vindas do norte, do interior da Europa. Eram espadas longas de gume cortante, que serviam não só para espetar, mas também para fatiar o inimigo; escudos redondos que eram a combinação perfeita entre mobilidade e proteção; dardos leves e mortíferos, para qualquer homem lançar, sem a necessidade de um carro de guerra. Pode ser que os gregos lutassem assim. E, o que é importante, eles talvez brigassem em grandes bandos – já não vigorava mais a velha ordem da Idade do Bronze, na qual apenas uma elite de guerreiros combatia. Não dá para saber se um cavalo de madeira sacramentou a vitória ou não – sobre esse assunto a arqueologia não tem nem sequer um indício que sirva para confirmar ou derrubar a história de Homero. Mas é provável que a nova forma de lutar e de se organizar tenha pesado mais que qualquer artifício para decidir a guerra.
Homero não fala disso. Ele fala de amor, de honra, de vaidade e do poder dos deuses. A Ilíada não é documento histórico, mas virou a peça mais importante da cultura grega – e, como tal, acabou fazendo história. “A Ilíada e a Odisséia tornaram-se uma espécie de enciclopédia e guia. Eram a Bíblia dos gregos”, afirma André Malta Campos, professor de língua e literatura grega da USP. Os heróis homéricos inspiraram a ética e a filosofia que nasciam. O filósofo Sócrates, 800 anos depois da guerra, ao enfrentar a condenação à morte, invocou a sombra de Aquiles, o guerreiro que preferiu a morte gloriosa à vida vergonhosa. E, das cinzas da Canaã egípcia, não mais que dois séculos após a queda de Tróia, Davi cantou seus salmos e os profetas de Israel anunciaram um novo Deus, aquele mesmo que conduziria judeus, cristãos e muçulmanos rumo aos dias de hoje. A guerra pode não ter sido travada pelos deuses, como cantou Homero. Ainda assim, os destinos do mundo parecem ter mesmo sido decididos diante das muralhas de Tróia.

Para Saber mais
Na livraria:
Tróia, Claudio Moreno, L&PM, 2004
A Ilíada,
Homero (trad. de Haroldo de Campos), Arx, 2003
The End of the Bronze Age, Robert Drews, Princeton University Press, EUA, 1996

Gente que fez
Os principais personagens da Guerra de Tróia
Helena
A linda rainha tinha sangue divino – era filha de ninguém menos que Zeus, que virou um cisne para se unir à mãe dela, Leda. Helena virou a cabeça até do velho Teseu, o matador do Minotauro, que a raptou quando menina, mas seus irmãos conseguiram salvá-la
Páris
Na infância, um oráculo predisse que o príncipe seria a destruição de
Tróia, e por isso seus pais o abandonaram para morrer. No entanto, um pastor salvou o menino. Páris cresceu, meteu-se numa confusão com os deuses, raptou Helena e... acabou cumprindo a profecia
Heitor
Esse príncipe troiano, quase tão corajoso quanto o rival Aquiles, pôs uma pitada de drama familiar na Ilíada, por meio de seu tocante relacionamento com a esposa Andrômaca e o filho Astíanax. A morte heróica de Heitor, lutando contra Aquiles,é o clímax do poema
Aquiles
As vantagens do herói beiravam a covardia. Além de ter sangue divino, foi educado por um centauro, usava armadura forjada pelo ferreiro do Olimpo e ficou invulnerável ao ser mergulhado num rio mágico. Bem, quase invulnerável: o calcanhar ficou de fora do banho
Odisseu
Se Aquiles era insuperável na porrada, ninguém vencia Odisseu (ou Ulisses) em esperteza. O rei da ilha de Ítaca até que se virava no campo de batalha, mas foi sua idéia do cavalo de madeira que fez sua fama. Seu retorno para casa é tema do poema-irmãoda Ilíada, a Odisséia
Príamo
Nobre e generoso, o rei de
Tróia pagou caro por ter esquecido os oráculos e acolhido Páris depois de descobrir que ele era mesmo seu filho. Quando Páris seqüestrou Helena, Príamo, assim como todos em Tróia, ficou tão encantado com a moça que nem questionou o rapto
Agamêmnon
O comandante da armada grega era rei de Micenas e, portanto, o soberano mais poderoso da
Grécia. Ele não hesitou em sacrificar a própria filha à deusa Ártemis para garantir ventos favoráveis na jornada. Sua ambição fez com que ele entrasse em conflito com Aquiles
Menelau
Não foi à toa que o pai de Helena escolheu Menelau como genro. O guerreiro vinha da família mais poderosa da Grécia. Apesar de ser retratado como um combatente corajoso na Ilíada, sua imagem mais freqüente é mesmo a de um banana – ou corno, se você preferir

Quem era quem
Assim era o mundo em 1200 a.C. quando estourou a guerra
PODER NO TOPO
Na
Grécia e nas ilhas do Egeu já se falava uma língua ancestral do grego. Os reinos eram comandados por palácios, quase sempre no alto de montanhas
PONTO-CHAVE
Tróia, estrategicamente posicionada, ficava na área de influência do império hitita. Mais ao sul era território egípcio
TROCA-TROCA
As famosas cerâmicas gregas eram vendidas na orla do mar Negro e os comerciantes traziam de lá produtos agrícolas. Essa rota comercial era controlada por Tróia

As nove cidades
Conheça as nove Tróias encontradas pelos arqueólogos
Quando o arqueólogo Heinrich Schliemann chegou a Hisarlik, na Turquia, viu um monte. Ao começar a cavar, comprovou o que já desconfiava: não foi a natureza que ergueu aquela montanha, foram os homens. Ao longo dos milênios, sucessivas cidades foram nascendo e morrendo naquele lugar, cada uma assentada sobre os escombros da anterior. Na ilustração acima, um corte do morro, você pode ver as nove Tróias, que estão representadas nestas duas páginas.
Tróia I
A primeira ocupação é de 3000 a.C. e corresponde a uma vila que acabou de sair da Pré-História. Já aparecem objetos de cobre e há um começo de muralha
Tróia II
Quinhentos anos depois, surge uma cidade digna do nome, com muralhas de 8 metros de altura.O tesouro encontrado levou Schliemann a acreditar que esta era a
Tróia de Homero
Tróia III
Sobre os escombros de
Tróia II, surgiu outro assentamento, que durou um século. As casas são mais simples, mas há abundância de carne de caça na dieta
Tróia IV
Uma cidade também mais simples que
Tróia II, porém não tanto quanto Tróia III. Frutos do mar e tartarugas entram no menu e os fornos tornam-se mais sofisticados
Tróia V
Uma cidade mais rica que as Tróias III e IV. E também mais limpa – os habitantes perderam a mania de jogar cerâmica e restos de comida no chão, como comprovam as escavações
Tróia VI – A da guerra
Hoje em dia, a maioria dos estudiosos concorda que esta é a Tróia da Ilíada. Há sinais de que ela tenha sido destruída num incêndio
Tróia VII
Parece ser na verdade a mistura de duas ocupações.
Tróia VII-a seria uma reconstrução mais humilde de Tróia VI, enquanto Tróia VII-b teria sido erguida por imigrantes europeus
Tróia VIII
Colônia fundada por gregos no século 7 a.C., que incluía um templo para Atena erguido no lugar onde o relato de
Homero dizia que havia um. Durou até o início da era cristã
Tróia IX
Cidade romana que pode ter se beneficiado de uma espécie de “turismo histórico” por causa da fama da Ilíada. Foi abandonada por volta do século 5 de nossa era
Casas vazias
Descobertas recentes mostram que havia casas fora das muralhas. Durante o cerco grego, os moradores delas devem ter se mudado para dentro da cidadela fortificada
Multidões de soldados
Segundo a Ilíada, mais de 100 mil gregos invadiram
Tróia. Esse número parece improvável – registros de grandes batalhas da mesma época raramente mostram exércitos de mais de 10 mil homens
Flechas contra lanças
Os troianos eram arqueiros famosos, e por isso lutavam à distância. Isso deve tê-los ajudado a proteger a cidade. Já os gregos lutavam com lanças e preferiam o combate corpo-a-corpo

Gênio inexistente?
Homero, o maior autor grego, pode não ter existido
Na Antiguidade, pouca gente duvidava da existência de
Homero. Segundo as tradições mais aceitas então, ele teria sido um rapsodo (literalmente “o que costura o canto”, em grego) cego e itinerante que cantou seus versos por todas as colônias gregas da Ásia por volta do século VIII a.C. A crítica moderna, no entanto, logo começou a notar no texto problemas de continuidade que deixariam corado qualquer roteirista de Hollywood. “Em certo momento um herói troiano morre, mas ele acaba reaparecendo lá na frente”, conta o professor de grego André Malta Campos. Essas incoerências davam a impressão de que o texto era uma colagem de várias narrações, talvez composto ao longo dos séculos por uma infinidade de autores. O indício mais forte disso veio nos anos 1920, quando o lingüista americano Milman Parry mostrou que os versos homéricos eram baseados sem fórmulas que se repetiam e que ajudavam na memorização. Ou seja, o texto não tinha um estilo pessoal único, era tributário de uma tradição oral antiqüíssima, que talvez remontasse até a época da guerra.
Fonte: http://super.abril.com.br/historia/troia-444496.shtml

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Governo Jânio Quadros

Segue abaixo, a carta renúncia de Jânio Quadros. É necessário imprimir o texto que será trabalhado em sala, na próxima aula.
Carta renúncia de Jânio Quadros
"Fui vencido pela reação e assim deixo o governo. Nestes sete meses cumpri o meu dever. Tenho-o cumprido dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções, nem rancores. Mas baldaram-se os meus esforços para conduzir esta nação, que pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, a única que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
"Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior. Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração.
"Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranqüilidade, ora quebradas, indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo que não manteria a própria paz pública.
"Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes, para os operários, para a grande família do Brasil, esta página da minha vida e da vida nacional. A mim não falta a coragem da renúncia.
"Saio com um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos companheiros que comigo lutaram e me sustentaram dentro e fora do governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade. O apelo é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios, para todos e de todos para cada um.
"Somente assim seremos dignos deste país e do mundo. Somente assim seremos dignos de nossa herança e da nossa predestinação cristã. Retorno agora ao meu trabalho de advogado e professor. Trabalharemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria."

Brasília, 25 de agosto de 1961.
Jânio Quadros

1. Explique as consequências das atitudes tomada por Jânio após a redação desse texto.

2. Destaque, no texto acima, um trecho que pode ser identificado ao populismo e justifique a sua resposta.

Aluno/Aluna:__________________________________________________n°______
Turma:______

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A REPÚBLICA POLPULISTA

DESAFIOS
Atividades
O exercício consiste em relacionar as charges postadas abaixo com o seu respectivo contexto social, político, econômico e cultural. Após ler as legendas e observar as imagens elabore uma dissertação sobre o período a que elas se referem.
Não esqueçam de identificar os personagens e destacar o exagero.
Dica:
IMAGENS
Imagem 1. Corrida presidencial (Eleições de 1945);
Imagem 2. Suicídio de Vargas;
Imagem 3. Realizações do Governo JK (“50 anos em 5”);
Imagem 4. As medidas de Jânio Quadros;
Imagem 5. Os poderes de Jango após a posse.

Imagem 1



Imagem 2


Imagem 3




Imagem 4



Imagem 5

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A República Populista e o Golpe de 1964

DESAFIOS
Atividades para o 3º Ano do Ensino Médio - Colégio Fluminense de Éden
1.
Ilustração de Egberto. Publicada no Jornal Última Hora, fevereiro de 1962.
Instruções:
1º. Atividade em dupla;
2º. Respostas nos comentários;
3º. Data de envio 22 de outubro;
4º. Valor a combinar.
Atividades:
1ª Fase: Pesquise e identifique os personagens da História do Brasil que aparecem na ilustração;
2ª Fase: Escreva um pequeno texto (mínimo de 10 linhas) sobre a relação desses personagens com o Golpe civil-militar de 1964.
Fontes:
Para se divertir e aprender
2.
O link abaixo dá acesso ao Google Books (versão digitalizada do livro Jango e o golpe de 1964 na caricatura)
Instruções:
1º. Atividade em dupla;
2º. No trabalho deverá constar a página que foi retirada a caricatura;
3º É necessário a descrição detalhada da caricatura antes da análise;
4º É importante descrever o contexto histórico.
Atividade:
Escolha uma das caricaturas e faça uma análise da mesma.

domingo, 6 de setembro de 2009

DESAFIOS - 2º ANO

3ª Etapa.
Esta é a terceira etapa, do desafio, abaixo temos uma edição de um trechos do filme Olga. Atividades.

Qual a relação entre a vida de Olga Benário e a História do Brasil?

Faça uma pesquisa biográfica sobre a filha de Olga Benário Prestes e Luís Carlos Prestes.

A data para envio da resposta é de uma semana após a postagem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

DESAFIO - 2º ANO

DESAFIO - 2ª ETAPA
Aos que chegaram até aqui meus parabéns.
Queridos alunos/alunas, estamos juntos novamente. A atividade abaixo é uma atividade extra, como na primeira etapa e é também de participação voluntária.

INSTRUÇÕES
1. O desafio e de caráter individual;
2. As respostas deverão ser enviadas via e-mail, até a data estipulada;
3. Nas respostas deverão constar as fontes, quando necessário;
4. O aluno/aluna terá maior pontuação de acordo com o tempo de envio das respostas;
5. Só seguirão para a próxima etapa os alunos que acertarem as respostas da etapa.

2ª Etapa.
Esta segunda etapa, do desafio, é uma análise de uma tele-aula (TV WEB ANGLO), postado no site do Curso ANGLO - a propósito, agradeço ao Colégio Curso Anglo, pela utilização do seu material - sobre a chamada "Revolução Constitucionalista de 1932". Para acessar a aula é necessário seguir a seguinte caminho: http://www.angloararaquara.com.br/araraquara/inicioar.asp e depois clicar na janela História ao Vivo, que se encontra a esquerda da sua tela e logo após clicar em anteriores, no alto da tela, e procurar a aula: 09 de Julho dos paulistas. Apresentada e comentada pelos professores Jucenir Rocha e Mark.
1. A atividade, consiste em fazer um comentário sobre a tele-aula, destacando a visão dos paulistas sobre os acontecimentos e relacionando, esta mesma visão, com o seu livro didático.

2. O cartaz abaixo é uma montagem da época, do movimento, que junta a imagem de um soldado convocando os paulistas para a luta com a foto de quatro jovens. A atividade consiste em descobrir quem são esses quatros jovens e qual a importância deles para a "Revolução de 30".
Fontes para consulta:
As respostas deverão ser enviadas por e-mail, até o dia: 25 de agosto.
Obs. Só poderão participar dessa atividade os alunos/alunas que tiverem passado na primeira etapa.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

DESAFIO - 2º ANO

DESAFIO
Queridos alunos/alunas, a atividade abaixo é uma atividade extra e de participação voluntária. Essa atividade será feita em etapas e que serão postadas ao longo do bimestre e cujo tema é: A Era Vargas.
INSTRUÇÕES
1. O desafio e de caráter individual;
2. As respostas deverão ser enviadas via e-mail, até a data estipulada;
3. Nas respostas deverão constar as fontes, quando necessário;
4. O aluno/aluna terá maior pontuação de acordo com o tempo de envio das respostas;
5. Só seguirão para a próxima etapa os alunos que acertarem as respostas da etapa.
1ª Etapa.
a) Qual personagem, da História do Brasil, se encontra dentro do carro?
Dica: Ele foi presidente do Brasil, durante a Primeira República.
b) O que representa e a qual contexto histórico pertence a imagem abaixo:
c) Quais fatores foram responsáveis para que a cena retratada acima ocorresse?
Respostas até o dia 18 de agosto, via e-mail.
PARTICIPE!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ATIVIDADE 3º BIMESTRE (3ºANO)

HISTÓRIA E IMAGEM
Trabalho individual.
A atividade abaixo se relaciona com a segunda parte do trabalho e que estará valendo, juntamente com outras atividades, como nota de teste.
Valor: 2 pontos




Questão 1
Faça uma pesquisa sobre as imagens acima e com base em suas pesquisas, crie uma legenda para as imagens e produza um pequeno texto (No máximo 12 linhas) e poste no blog - comentários - até o dia 20 de agosto de 2009.

RELACIONANDO PASSADO E PRESENTE

Charge de Rex Babin, publicada no Sacramento Bee.

Questão 2

Identifique as duas imagens sobrepostas, desenhadas pelo chargista, Rex Babin, e elabore uma hipótese estabelecendo uma relação entre ambas as imagens (No máximo 8 linhas) e poste no blog - comentários - até o dia 20 de agosto de 2009.

BOM TRABALHO! CONTO COM A PARTICIPAÇÃO DE TODOS!

ATIVIDADES - 3º BIMESTRE (3º Ano)

GUERRA FRIA
A atividade abaixo se relaciona com a primeira parte do trabalho e que estará valendo, juntamente com outras atividades, como nota de teste.
Componentes: 2 (dois) alunos;
Valor: 3 pontos;
Data para o envio da resposta: até 13 de agosto de 2009.

Questão 1

Charge de Brum. Fonte: Schmidt, Mario. Nova História Crítica. Ed. nova geração. p.595.
Após observar o desenho acima e analisar o texto, faça um comentário sobre o contexto na qual, as imagens e as suas respectivas legendas, estão inseridas. Em sua resposta privilegie as características de cada um dos modelos de organização da sociedade.

Questão 2
História em quadrinhos, Treasure Chest, publicada pel Igreja Católica americana, 1961.
Atividade extraída do livro: Schmidt, Mario. Nova História Crítica. Ed. nova geração.
A partir da leitura dos quadrinhos, responda:
a) Os comunistas diziam que na sociedade socialista as grandes empresas passariam a pertencer coletivamente a toda a sociedade. Nos quadrinhos, o que aconteceria com a propriedade em geral?
b) De que modo os quadrinhos apresentam a questão do direito das mulheres ao trabalho fora de casa?
c) De acordo com os quadrinhos, o que aconteceria com a religião?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Respostas do trabalho sobre Religião, messianismo e milenarismo.

Chave de correção__________
A) Podem ser apontadas como causas dos movimentos de cunho religioso:
Ø a pobreza das populações periféricas, que não têm condições mínimas de subsistência e se voltam para uma perspectiva mística em busca de resposta para seus anseios terrenos;
Ø a falta de uma educação sistemática dessas mesmas populações no sentido das reivindicações sociais, políticas e econômicas;
Ø o aproveitamento que alguns líderes fazem da ignorância, no sentido de conduzir um determinado grupo a realizar ações em nome de um messias;
Ø a segmentação social;
Ø a intolerância religiosa;
Ø o despreparo dos governantes no sentido de conduzir as questões referentes a movimentos de cunho messiânico.
Podem ser apontadas como conseqüências:
Ø o massacre generalizado das populações mais pobres;
Ø o fortalecimento da indústria bélica;
Ø o agravamento das questões de cunho social, econômico e político;
Ø o acirramento das diferenças entre as correntes e facções religiosas.
B) Diferença:
Ø Os movimentos messiânicos brasileiros sempre estiveram ligados ao surgimento de um líder carismático, oriundo da própria população periférica, cujo intuito não era ascender a nenhum cargo ou posição, enquanto que, em relação ao fundamentalismo, pode-se observar que há o uso de um poder religioso de um poder religioso no sentido de contrapor um inimigo, ou inimigo, que detém o poder político e econômico. Por exemplo, a guerra entre os terroristas islâmicos e os EUA.

sábado, 7 de março de 2009

MANIFESTO COMUNISTA - VÍDEOS (2)

O Manifesto Comunista.
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf
Trechos de o Manifesto Comunista com a ajuda dos cartoones da Disney, criado pelo o cineasta independente Jesse Drew.
Passo a cita-lo: "No desenho animado clássico, a força bruta e a artilharia pesada nunca conseguem derrotar a ironia e o humor, e no fim a justiça sempre vence. Para mim, era natural ligar o meu próprio conceito infantil de subversão com uma versão mais articulada (o Manifesto Comunista de Marx e Engels)."
Passei grande parte da noite tentando postar o material que está sendo descrito acima e que foi retirado da apresentação do vídeo no YouTube, mas não foi possível. Por esse motivo estou disponibilizando o link, juntamente com um vídeo sobre um debate na USP, sobre o Manifesto Comunista e duas partes.
Um abraço.
Alexandre.
Manifesto Comunista: Animação.
Manifesto Comunista: Debate (USP)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Para acessar o primeiro volume do capital em quadrinhos basta clicar na URL baixo.

http://www.esnips.com/doc/32eb5911-5e43-418a-b43d-13247be1a1f0/Karl-Marx.-O-Capital-(Vol_1)--Em-Quadrinhos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

DOUTRINAS SOCIAIS


O manifesto acima, está relacionado ao movimento punk.
De quais doutrinas sociais que suriram no século XIX, o movimento punk é "herdeiro"? Justifique.

Para responder, se necessário, consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Punk
Resposta via e-mail: wsshist@gmail.com

O RIO DE JANEIRO NO SÉCULO XX

MOVIMENTOS SOCIAIS URBANOS
O endereço abaixo e um vídeo sobre as reformas urbanas durante o governo Pereira Passos no início do século XIX.
http://cafehistoria.ning.com/video/o-bota-abaixo-de-pereira
Ou você pode clicar no quadro abaixo.

INSTRUÇÕES
Após assistir o vídeo e ler os comentários, responda:
a) Quais os motivos alegados pelas autoridades para as reformas?
b) Quais foram as consequências dessas reformas para a população do Rio de Janeiro?
c) O que o historiador, Milton Teixeira, quis dizer com essa oração "...mas não posso dizer que tenha sido a cidade ideal para os cariocas." - lembre-se, ao responder essa questão, de inseri-la no seu contexto histórico.
d) Enviar a resposta via e-mail: wsshist@gmail.com
e) Data a combinar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ATIVIDADE 1º BIMESTRE (2º ANO)

MANIFESTO COMUNISTA - VÍDEO
A URL abaixo é de um vídeo animado tendo como base, o Manifesto Comunista, escrito em 1848 por Karl Marx e Friedrich Engels.
http://www.youtube.com/watch?v=EaVbYyky-Bw
Atividade:
a) Assistir o vídeo;
b) Fazer uma análise pessoal do conteúdo do vídeo;
c) Analisar alguns comentários e relacioná-los com a sua própria análise;
d) Participar do fórum - sobre as doutrinas comunistas e o capitalismo no chat;
e) Data a combinar.

Obs. Algumas legendas não estão muito claras, mas isso, não impede o entendimento do texto.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ATIVIDADE 3º BIMESTRE (3ºANO)

Instruções:
a) Trabalho em dupla;
b) Imprimir as ilustraçõe e o artigo abaixo;
c) Valor: 2 pontos;
d) Data para a atividade: 03/09/09.













Israel não aprende!
A história tem mostrado que o colonialismo só sobreviveu intacto, quando a maioria dos nativos usurpados foram exterminados. Algumas vezes, como na Argélia ocupada, os colonizadores tiveram de fugir. A prosseguir a violência de Israel sem que nada a detenha, os palestinos não aceitarão nem a solução de um Estado igualitário, e os colonialistas de Israel serão forçados a sair.
Nir Rosen - Al-Jazeera, na CARTA MAIOR
Quando George Bush, presidente dos EUA, pisou pela primeira vez na Casa Branca como comandante-em-chefe, em 2001, os palestinos estavam sendo mortos na intifada de al-Aqsa. Oito anos depois, quando Bush prepara-se para sair de lá, Israel realiza um dos maiores massacres dos seus 60 anos como potência ocupante, na Palestina. Antes, como hoje, os EUA decididamente apóiam a ofensiva israelense, e dizem, até, que seria defensiva.Recentemente, um general israelense ameaçou usar força militar para obrigar Gaza a "retroceder décadas", a mesma linguagem usada antes de Israel invadir o Líbano, em 2006. Mas, apesar de Israel ter devastado o Líbano, o Hizbóllah emergiu vitorioso, e o movimento social e de resistência dos xiitas emergiu como herói do mundo árabe. Hoje, Israel está próximo de cometer erro idêntico, na luta contra o Hamás.
Israel, para assinar uma trégua com o Hamás, exige que os palestinos aceitem, mudos e imóveis, qualquer tipo de bloqueio ou sítio. Israel negou-lhes até os meios mais básicos para a sobrevivência e, isso, sem falar que sempre lhes negou qualquer chance de construírem uma sociedade funcional. E a cada movimento de resistência, Israel tentou esmagá-los.
Já no Líbano, há anos, Israel deveria ter aprendido, de uma vez por todas, que a força militar não basta, para destruir a resistência dos palestinos.
O papel da mídia
O exército israelense chacina, depois de ter aprisionado, a população de 1,5 milhão de seres humanos que vive em Gaza, e o Ocidente assiste ao sacrifício dos palestinos. A mídia opera para explicar, quando não para justificar, a carnificina em cores.
Até no mundo árabe houve noticiários e comentaristas para informar que o poder de fogo da resistência palestina - praticamente rojões, todos de fabricação caseira - seria grave ameaça à portentosa máquina militar que Israel é, mais do que comanda ou possui.
Pois nada disso é surpresa; os israelenses montaram uma campanha global de propaganda para obter apoio para o assalto, e até conseguiram, sim, a colaboração de alguns Estados árabes.Um jornal norte-americano convidou-me certa vez para uma discussão sobre se haveria caso ou circunstância em que se justificasse o terrorismo ou o ataque militar a populações civis. Respondi que nenhum jornal norte-americano deveria perguntar a mim sobre justificativas para ataques a civis desarmados. Que essa pergunta só poderia ser respondida por, e portanto só poderia ser feita a, civis que algum dia tivessem sofrido ataque militar: pelos índios nos EUA, há 150 anos; pelos judeus, na Alemanha Nazista; pelos palestinos, hoje.
Terrorismo é termo que se usa hoje, doentiamente, para descrever o que 'outros' fazem, não para descrever o que 'nós' fazemos. Nações poderosas, como Israel, os EUA, a Rússia ou a China, sempre descrevem como "terrorismo" a luta de resistência que seja feita, contra as nações poderosas, pelas suas vítimas.Estranhamente, não dizem que seria ato de terrorismo a destruição da Chechênia, o massacre lento do que resta dos palestinos, a repressão aos tibetanos e a ocupação, pelos EUA, do Iraque e do Afeganistão.As mesmas nações, porque são potências militares, definem o que seja legal e permitido, no que tange a matar em grande escala. As mesmas nações formulam o conceito de terrorismo, criam leis terroristas, e fazem parecer que alguma corte neutra houvesse definido alguma espécie de lei do opressor, do ocupante, do invasor, do assassino.
Assim se torna ilegal, por definição, que o oprimido, o ocupado, o invadido, o mais fraco resista.
O uso excessivo do jargão judiciário e legalista de fato mina os fundamentos do que é legítima e verdadeiramente legal e diminui a credibilidade das instituições internacionais como a ONU. A lei passa a ser inimiga dos que resistam.
Já é visível que os poderosos - os que escrevem as leis - insistem na legalidade apenas para preservar relações de poder que lhes sirvam ou para criar ou para manter relações de ocupação e de colonialismo.
Resistência desesperada
Os poderes coloniais sempre usam estrategicamente as populações civis. Sempre cabe a civis ocupar terras e deslocar as populações nativas, sejam as populações indígenas nos EUA, sejam palestinos no que hoje são Israel e os Territórios Ocupados.
Assim surgem os grupos civis armados, em movimento desesperado de resistência, porque a resistência local grupal passa a ser o único modo de enfrentar a ameaça sempre iminente da erradicação.
Os palestinos não atacam civis israelenses porque esperem que aquela violência derrote ou destrua Israel. Eles recorreram à resistência armada quando perceberam que há uma dinâmica poderosíssima, quase irreversível, que os quer extrair da própria terra e da própria identidade, apoiada num poder que parece ser incomensuravelmente maior do que qualquer resistência. Então, sim, recorreram às armas, como qualquer um recorreriam a qualquer meio que encontrasse.
OLP, depois Hamás
Em 1948, quando Israel implantou-se como um novo Estado, houve um processo de 'limpeza étnica' de 750 mil palestinos, deliberadamente arrancados de suas casas; centenas de vilas foram destruídas até serem reduzidas a pó.A terra que ali havia foi entregue a colonos judeus que até hoje negam que ali existissem palestinos e fazem guerra, há 60 anos, contra as populações nativas e contra todos os movimentos de libertação nacional que os palestinos organizaram por todo o mundo.Israel, seus aliados no Ocidente e vários países árabes na região conseguiram corromper as lideranças da OLP, com promessas de poder, ao preço da liberdade da Palestina. Assim, Israel neutralizou o poder legítimo da OLP de Arafat e surgiu a OLP que passou a colaborar com a Israel ocupante. Dos restos da OLP de Arafat nasceu então o Hamás. Imediatamente, Israel mudou seu foco: o alvo, então, passou a ser o Hamás.
E o Hamás passou a ser obsessão, para Israel quando, há três anos, venceu as eleições legislativas.
Ao apoiar o boicote e o sítio de Gaza, para atacar o Hamás, o Ocidente, de fato, declara os palestinos 'não preparados' para a democracia. Todas as ditaduras do mundo, até hoje, fizeram, sempre, igual 'avaliação'.
Isolamento e radicalização
Ao declarar aos palestinos que não são livres para votar e escolher seus líderes, líderes nos quais confiam, e têm de curvar-se e aceitar líderes que lhes sejam impostos, a comunidade internacional aprofunda o isolamento – e portanto os leva a radicalização cada vez maior dos palestinos.Essa radicalização já é hoje maior do que jamais foi, porque Israel continua a bombardear a já precaríssima estrutura de sobrevivência na Palestina ocupada, sob o pretexto falso, como se vê, de estar atacando estruturas do Hamás.
É mentira sobre mentira; as forças de Israel bombardearam instalações da Polícia palestina. Já assassinaram, dentre outros, Tawfiq Jaber, Chefe da Polícia, ex-oficial da OLP de Arafat, que permaneceu no cargo depois que o Hamás foi eleito.
Com o fim dos últimos vestígios de ordem e segurança debilitados ainda mais por sucessivos ataques militares israelenses, haverá caos, em Gaza. Com o Hamás muito enfraquecido, não haverá grupo moderador.
Então, assumirá o poder, não alguma Fatah debilitada, corrompida e impopular, mas um grupo extremista, persuadido pela violência do bloqueio e pela brutalidade dos ataques israelenses, de que nenhuma negociação se pode esperar, que não se pode confiar, porque todo e qualquer acordo sempre será rompido por Israel.
Políticas fracassadas
Nos últimos 60 anos, os políticos israelenses têm incansavelmente repetido que "a violência é a única linguagem que os árabes entendem." Mas Israel, muito mais que os árabes, tem feito da violência, rotina. Na Cúpula Árabe em Beirute, em 2002, a Liga Árabe, coletivamente, ofereceu meios a Israel para pôr fim ao banho de sangue e evoluiu para um acordo de paz regional amplo. Em resposta, Israel invadiu Jenin e matou centenas.Mês passado, a Fatah lançou campanha, pelos jornais, para reviver a Iniciativa de Paz de 2002. Israel, outra vez, respondeu com brutalidade.
Uma Israel sionista já não é projeto viável. E as colônias armadas, a expropriação violenta de terras e os muros de separação já tornaram impossível qualquer Solução dos Dois Estados.
Só pode haver um Estado, na Palestina histórica. Mais dia, menos dia, os israelenses terão de enfrentar a questão que decidirá seu destino: como construir uma transição pacífica e construir, afinal, uma sociedade de palestinos e israelenses, sociedade igualitária, na qual os palestinos tenham os mesmos direitos que os israelenses.
Mais alguns anos de violência desmedida, nem essa alternativa será possível.
A história tem mostrado que o colonialismo só sobreviveu intacto, quando a maioria dos nativos usurpados foram exterminados. Algumas vezes, como na Argélia ocupada, os colonizadores tiveram de fugir. A prosseguir a violência de Israel sem que nada a detenha, os palestinos não aceitarão nem a solução de um Estado igualitário, e os colonialistas de Israel serão forçados a sair.
Restaurar a Palestina
Apesar de nada fazer na direção de qualquer processo de paz para o Oriente Médio, a Casa Branca, nos anos recentes tem-se mostrado incapaz de resolver o nó da ocupação da Palestina por Israel, principal causa que põe em armas todos os militantes anti-americanos no mundo árabe e fora do mundo árabe.
O anti-americanismo é o denominador comum que modula todos os discursos populistas, no Oriente Médio. Invadir o Iraque ou oferecer vantagens a Estados aliados, não ajudará a resolver o problema em que os EUA converteram em problema quase insolúvel para todo o mundo.
Nas minhas viagens e pesquisas, tenho falado com jihadistas no Iraque, no Líbano, no Afeganistão, na Somália e em outros lugares: todos falam da luta dos palestinos como sua de suas principais motivações.O apoio a Israel custará muito caro aos EUA. Em breve, as ditaduras árabes, que os EUA consideram moderadas e que contribuem para manter a hegemonia dos EUA na região perceberão que, elas mesmas, estão em posição insustentável.
Perda de prestígio
Já se vêem aparecer novas tensões na região. Damasco retirou-se das conversações tripartites com Telavive. Muitos árabes já temem, não só Israel ou os EUA ou ambos, mas, mais, a própria instabilidade interna de seus governos e regimes, enfraquecidos por décadas de colaboração com Washington.Também em Israel, a opinião pública começa a apresentar tendências novas. Embora 81% dos israelenses estejam hoje apoiando a guerra, pesquisa recente mostrava que apenas 39% dos israelenses acreditam que o atual governo, com guerra ou sem, conseguirá enfraquecer o Hamás ou reduzir a violência.
Em editorial, há poucos dias, o jornalista Gideon Levy escreveu, no Haaretz, de Telaviv, editorial intitulado "The neighborhood bully strikes again" ("O delinquente do quarteirão ataca novamente" (28/12/2008).
Barack Obama, presidente eleito dos EUA permanece mudo, enquanto Israel assassina palestinos. A mudez é manifestação de cumplicidade.

(*) Nir Rosen é jornalista, professor do New York University Center on Law and Security, autor de "The Triumph of the Martyrs: A Reporter's Journey in to Occupied Iraq" (escrevendo de Beirute).
Publicado originalmente na Al-Jazeera, em 31/12/2008.