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Súplica Cearense

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sábado, 19 de junho de 2010

Idade Média


As Espadas da Fé
Quando os nobres começam a se armar, a Igreja busca uma aproximação entre estas duas partes tão importantes no status quo medieval. Começa, então, a história de uma ligação perigosa que vai trazer a legitimação do poder pela força militar.
Por James Andrade


"[...] A Casa de Deus, que acreditam uma, aqui embaixo está, pois dividida em três, sendo, portanto, tripla: uns oram (orant), outros combatem (pugnant), outros, enfim, trabalham (laborant). Estas três partes que coexistem não suportam ser separadas [...]" (Adalberón, bispo de Laon).
Foi dessa maneira, estabelecida nas famigeradas Três Ordens, que o pensamento cristão concebeu, no início do século XI, a sociedade medieval, na qual cada um ocupava o seu devido lugar e executava aquilo que lhe foi previamente designado por Deus, deixando implícito que a aceitação da condição social de cada um era um preceito religioso imprescindível para a manutenção da paz e da harmonia, sendo essas as condições ardorosamente desejadas e, se preciso, ferozmente defendidas. Um mundo pacífico e ordeiro, capaz de agradar a Deus em sua mansidão sempre foi o ideal buscado.
Não convém, entretanto, pensarmos que a sociedade medieval fosse, devido a esse preceito ordenador, uma sociedade estática, em que não houvesse mobilidade social. Muito pelo contrário, havia sim e muita, sendo os orant o principal elo desta mobilidade, uma vez que o clero era composto tanto daqueles que vinham das famílias mais abastadas, geralmente os filhos bastardos e aqueles muito distantes das linhas sucessórias, quanto dos filhos daqueles que se dedicavam ao comércio e outros serviços, os laborant.Após o século X, pressionada por fatores muitos, de que se destaca o crescimento populacional, que demandará uma busca por novas áreas cultiváveis para atender a demanda de alimentos, esta mobilidade será ainda mais sentida. As Três Ordens não foi, propriamente, uma novidade, uma criação específica do período, a busca por uma hierarquização da sociedade, uma estruturação clara e precisa, capaz de explicar convincentemente a realidade, com todas as suas mazelas e diferenças gritantes com base na Bíblia Sagrada. Portanto, em conformidade com a Vontade Divina, desde sempre esteve presente no imaginário cristão, tanto que já no período Carolíngio (843-987) era possível perceber certa divisão das funções sociais, em que se destacavam os monges, os clérigos e os leigos.Notar que neste início de ordenação ideal da sociedade o clero, intermediário da Vontade Divina, respondia por dois terços das obrigações estruturais, denotando a sua importância. De encontro com as pretensões dos representantes da Igreja, a realidade, porém se interpôs.
Essa estreita relação de mútuos interesses, sempre conturbada e violenta, será a dinâmica predominante nas relações de poder do período medieval
A igreja criada por Pedro, representada pela figura do papa, que no de correr do período torna-se uma instituição, não era capaz de, por si só, garantir sua defesa. A todo o momento, acossada por inimigos mais poderosos, a Igreja foi obrigada a buscar alianças junto àqueles que, detentores do poder das armas, eram capazes de garantir sua segurança. Grosso modo, estes senhores das armas são os nobres.A nobreza se origina e se justifica pelo uso das armas e da violência. Isto posto, é lícito dizer que noções como honra, coragem e audácia, em muitos momentos, calaram mais fundo do que aquelas relacionadas à descendência para a caracterização de nobreza, o que sugere a possibilidade de mobilidade social por outros elementos que não só aqueles de origem sanguínea; nem todo nobre nascia nobre, era possível tornar-se nobre. Não poucos mercenários, aqueles que, de origens muitas, viviam do ofício de soldado oferecendo seus serviços a quem pudesse pagar, acabavam por obter títulos de nobreza. Este fato é melhor observado quando da formação da nobreza carolíngia, mas igualmente se repetiu por todo o período medievo.
Nobreza Armada
A Igreja, para garantir sua existência, buscou se aproximar desta nobreza armada e acercada de mercenários, sendo que o inverso também foi válido, a nobreza, buscando sua autoafirmação também se aproximou do clero. A Igreja necessitavada força militar da nobreza e esta, por sua vez, carecia de legitimar sua posição de poder, legitimação esta, reticente no início, viria a ser dada pelo reconhecimento, por parte da Igreja, da origem divina do direito da nobreza ao exercício do poder."[...] Nada havendo de maior sobre a terra, depois de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele estabelecidos como seus representantes [...]" (Jean Bodin).
A conversão do franco Clóvis (466-511) em 496, feita por Rémy (440-533) - São Remígio - bispo de Reims, e a coroação de Carlos Magno (747-814) como imperador dos romanos em 25 de dezembro de 800, pelo papa Leão III (795- 816) - São Leão III - são exemplos claros desta aproximação de via dupla.
Essa estreita relação de mútuos interesses, sempre conturbada e violenta, será a dinâmica predominante nas relações de poder do período medieval. De um lado, a busca por um mundo pacato e ordeiro, reflexo de uma Vontade amorosa, e de outro, a necessidade mundana da defesa da própria existência, levou o clero medievo a se debruçar sobre a questão da violência, e de sua expressão máxima, a guerra. Desde os primórdios do cristianismo, com severo agravamento nos séculos que se seguiram à conversão do imperador romano Constantino I (c 280-337) ao cristianismo, foi colocado para o mesmo manso exaltado nas palavras de Jesus: "Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra" (Mateus 5:5) - tanto a difícil tarefa de seguir fielmente os preceitos ditados pelo Cristo para a salvação da alma, dentre eles a não violência, quanto o dever de defender sua Fé (em um sentido mais prático, a instituição chamada Igreja Cristã Medieval) dos seus detratores.
Em meio a esta situação, sob o ponto de vista contemporâneo dicotômico, a Igreja se debaterá em busca de uma solução que garanta ser tudo aquilo a que o mundo está sujeito, uma expressão da Vontade Divina.
Na elaboração da sua "sociedade perfeita", a Igreja não poderá ignorar a existência dos combatentes, nem daquilo que eles representam, que é o poder das armas, restará então buscar formas de integrá-la e dar a ela uma função, definir um parâmetro de ação na estrutura social em que os pugnant pudessem exercer sua violência, sem que com isso arriscassem suas almas imortais.Ao reconhecer a função de combatente, portanto de homem de armas, indiretamente se estabeleceu que alguns homens poderiam, legitimamente, portar armas, enquanto que outros deveriam andar desarmados.
Guerra Justa
"[...] Justas são as guerras que vingam injustiças, quando aqueles contra quem a guerra deva ser feita deixou de punir os erros dos seus ou deixou de restituir aquilo que foi tomado em meio a estas injustiças [...]"
(Santo Agostinho).
Quando o bispo de Hipona (região da atual Argélia), Santo Agostinho (354-430), discorreu sobre a "Guerra Justa"; definindo seu antônimo, a "Guerra Injusta"; estabeleceu o preceito básico que viria a figurar no direito canônico: "Uma guerra é justa quando travada com intenções honestas, comandada por uma autoridade legitimada, com objetivos de promover a defesa ou a retomada da posse de algo usurpado ilicitamente". A guerra servirá então para corrigir injustiças, sendo que quaisquer outros motivos serão considerados indignos.Os "Ideais de Cavalaria" (devoção, honra e defesa dos oprimidos), observados em especial nas obras literárias a partir do séc. X, têm suas raízes nessa noção de violência justificada.A elaboração de um conceito no qual a guerra é justificada mostra o esforço da Igreja em integrar um elemento real, a violência, dentro de parâmetros controlados, de modo a não comprometer a estrutura perfeita que era a sociedade cristã por ela idealizada, em última instância, harmoniosa. A guerra era inevitável, portanto, que ela se desse sob a égide da Igreja, que fosse feita em seu nome, em defesa dos seus interesses; que, claro, também incluíam os interesses papais. Deste modo, a chamada Legio Christiana - Legião de Cristo - assumia cada vez mais uma conotação militar, engendrava-se a noção de "Soldado de Cristo".Este processo foi feito não sem encontrar resistência, no seio do clero sempre existiram aqueles contrários à ideia da violência, para quem a guerra não tinha nenhuma justificativa, merecedora somente de reprovação.
Grosso modo, durante todo o período denominado Idade Média, sendo mais sentido a partir do séc. X, a figura do combatente medievo - um cavaleiro por excelência devido à importância que a cavalaria assumiu desde as batalhas travadas na época carolíngia - foi hostilizada pelo clero, sempre vistos como sendo rudes e indisciplinados, mas úteis para a defesa dos seus interesses.Eram comuns os ajuntamentos de combatentes, geralmente a soldo, para a proteção de bispados e conventos, sempre lutando sob a bandeira de algum santo padroeiro, eram, porém, combatentes e não clérigos, ainda estavam integrados na estrutura social das Três Ordens, executando sua função de pugnant.Devido à sua natureza hostil e por serem indispensáveis para a proteção do clero e de suas posses ("propriedades de Cristo"), os combatentes sempre figuraram como alvos da conversão e de tentativas de submetê-los, por meio de juramentos feitos sob a Santa Cruz, a regras de conduta capazes de amenizar, ou pelo menos direcionar, seus hábitos belicosos. Discutidas em diversos concílios, o evoluir dessas regras, sempre impulsionadas pela necessidade de se estabelecer um controle efetivo da violência disseminada pelos combatentes, darão origem, no raiar do séc. XI, no Concílio de Narbonne (1054), de um conjunto de normas conhecido como "Paz de Deus".
Ordens militares religiosas
Os grupos mantidos pela igreja originaram-se da necessidade de proteger os peregrinos cristãos que se moviam por algumas regiões e eram alvos constantes de ataques de ladrões e assaltantes. A Terra Santa, em especial, envolveu muitos conflitos de peregrinos que eram incomodados por muçulmanos. A tabela abaixo traz um resumo das principais ordens religiosas criadas e mantidas com o paio da Igreja:


A Paz de Deus
"Que nenhum cristão mate outro cristão. Aquele que mata um cristão saiba que verte o sangue do próprio Cristo"
(Concílio de Narbonne).
O Ocidente Europeu no período medievo foi um mundo onde o poder estava dividido e sempre instável, sendo exercido de forma independente pelos chamados senhores feudais, geralmente possuidores de grandes extensões de terras, cujas relações entre si eram parcialmente regidas por relações feudo-vassálicas, em que se destacavam as figuras do vassalo (aquele que prestava homenagem) e do suserano (aquele que recebia a homenagem) e que envolvia a cessão do direito, por parte do suserano, de uma atividade de geração de ganho para o vassalo em troca de alianças de cunho estratégico-militar, que visavam justamente uma consolidação de poder, sempre ameaça do por outros senhores.
O objeto de onde provinha esta geração de ganho era chamado "feudo". Erroneamente identificado como sendo somente uma porção de terra, na verdade, o feudo podia assumir vários aspectos, podendo ser, por exemplo, uma ponte ou uma estrada onde se cobrava pedágio.
Em fins do séc. IX, é possível constatar um aumento significativo desses senhores, que se observa também nos séculos seguintes devido ao grande número de castelos construídos nesta época (entre os séculos IX e XII), o que provocou uma fragmentação ainda maior de um poder já tão fragilizado. Os castelões (senhores dos castelos) se valiam dos serviços prestados pelos combatentes tanto para defenderem suas posses quanto para garantirem a arrecadação de seus servos. Uma atividade de prestígio, uma vez que, como forma de pagamento, esses combatentes, em alguns casos, vieram a ganhar seus próprios feudos.Nesse cenário, a figura dos combatentes, muito associada à atividade de mercenário, tornou- se ainda mais presente no cotidiano, uma presença sentida de forma cada vez mais negativa, tanto que, em pouco tempo, muitos clérigos passaram a culpá-los por tudo o que acontecia de errado, dizendo que as atividades que eles desempenhavam, de achaque, intimidação, espancamentos, roubos e assassinatos, desagradavam a Deus e do desagrado provinham as punições.
A noção de "Guerra Justa", por si só, não foi capaz de enquadrar os pugnant na ordem "natural" das coisas, era preciso mais, e os bispos, conhecendo mais de perto o resultado trágico dessas agressões, iniciam um movimento para proteger da violência os indefesos, dentre estes estavam os próprios clérigos.
Em 1054, no Concílio de Narbonne, as muitas regras de conduta foram listadas em forma de proibições da atividade de combate em dias específicos, ficavam assim proibidas as agressões às sextas-feiras (dia da crucificação), bem como em datas festivas, tais como a Páscoa, o Natal, a Quaresma, e assim por diante. Para que a proibição surtisse efeito, foram previstas sanções eclesiásticas, tais como expiação por jejum, orações, podendo chegar até a excomunhão, à época punições duras, mas que de imediato não surtiram o efeito desejado. Para um policiamento efetivo das regras, em muitas localidades, foram criadas então milícias armadas para fazer cumprir as proibições; milícias essas que estavam livres das proibições, podendo travar combate nos dias proibidos sem nenhuma sanção.
No geral, a Paz de Deus, que tinha por objetivo a diminuição dos atos de violência cometidos pelos combatentes contra, principalmente, os mais pobres, os servos, acabou por incitar ainda mais combates, desta vez entre "combatentes do bem" contra "combatentes do mal".Reafirmava-se assim a ideia de "Guerra Justa", o da violência permitida, aquela que tinha um objetivo justo, e nada era mais justo, no período medievo, do que a defesa da Igreja. Se a guerra contra a injustiça era "justa", a guerra para a preservação da "santidade" (e do poder) da Igreja só podia ser "santa".
Guerra Santa
A relação de mútuos interesses, quase sempre tácita, entre a Igreja e a nobreza armada nunca foi plenamente satisfatória para nenhum dos lados, pois muitas questões de fundamental importância para a plena integração de ambos ou demoraram a ser respondidas, ou nunca o foram. Questões que fatalmente levaram a disputas armadas envolvendo a Igreja e os imperadores.Uma destas questões ficou conhecida como a Disputa das Investiduras2, que, tangencialmente, girava em torno da pergunta:
"O papa outorga poderes aos imperadores para que estes governem, ou são os imperadores que outorgam poderes ao papa?".
Em 1076, o desacordo quanto a resposta levou o papa Gregório VII3 (1073-1085) - São Gregório VII - a excomungar e a depor o imperador do Império Germânico Henrique IV, que para buscar reconciliação foi obrigado a fazer penitência pública em Canossa, depois de ter passado três dias esperando para ser atendido pelo papa.Para fazer valer sua decisão de primazia do Poder Espiritual (do papa) sobre o Poder Temporal (dos imperadores), o papa Gregório VII montou um verdadeiro exército, do qual faziam parte tanto combatentes mercenários, que lutavam a soldo, quanto senhores feudais, atraídos para junto da Igreja por meio da vassalagem. A prática da formação de um "Exército Eclesiástico" tinha sido iniciada com o papa Gregório VI (1045-1046), o diferencial ficou por conta daquilo que se defendia. No primeiro caso, o papa Gregório VI usou o exército para a defesa do território da Igreja, a região central do que hoje é a Itália (os Estados Pontifícios), já no caso de Gregório VII, a intenção era defender não mais o território da Igreja, mas sim a própria Igreja, a convocação do exército tinha como objetivo, em última instância, a defesa da Fé. Uma mudança aparentemente sutil, mas que alterou por completo a forma como a guerra e a violência eram até então encaradas.Da "Guerra Justa", que tinha um caráter defensivo (até então entendido como "proteção" contra uma agressão), surge a noção de "Guerra Santa", feita não mais para punir um agressor, mas sim para derrotar um adversário (o inimigo da Fé e também do papa). O soldado de Cristo tem agora, além da incumbência da defesa do território, o dever de levar o combate para onde quer que a Fé esteja sendo ameaçada.
Dessa alteração, surgiu aquilo que seria apontada como solução quase que definitiva para a questão do "encaixe" dos combatentes na estrutura social das Três Ordens. A função dos pugnant era a de fazer a guerra contra os inimigos da Fé, pouco importando onde esses inimigos estavam.Portanto, quando o Papa Urbano II (1088-1099) no Concílio de Clermont (sul da França), em 27 de novembro de 1095, conclamou:
"[...] Que se dirijam, portanto ao combate contra os Infiéis [...] aqueles que até esta data se envolviam em guerras privadas e abusivas somente para prejuízo dos fiéis [...] que lutem agora contra os bárbaros aqueles que se batiam contra seus irmãos e seus pais [...]".
Aqueles que o escutavam, responderam com um sonoro "Deus vult!" (Deus quer!), o brado de guerra da Primeira Cruzada (ou Cruzada dos Barões). O pedido para a defesa da Fé por meio da violência foi ouvido e entendido. Desse concílio, saíram os soldados de Cristo, que em 1099 retomaram a cidade de Jerusalém.
Templários Os "Pauperes Comitiones Christi Templique Salomonici"
"[...] Para a edificação, ou antes para a confusão de nossos próprios cavaleiros, os quais guerreiam não por Deus, mas pelo Diabo, falaremos da maneira como vivem os Cavaleiros de Cristo [...] isso mostrará toda a diferença entre a Cavalaria de Deus e a deste mundo [...]".
São Bernardo De laude novae militiae - Elogio da nova cavalaria
Os Pobres Companheiros de Combate de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecidos como Templários, foi uma ordem religiosa-militar fundada no decorrer do ano de 1120, de cuja fundação pouco, ou nada, se sabe com certeza.
O que sabemos é que seguiam a uma regra, a Regra de São Bento, obedeciam a um mestre e se comprometiam a defender os peregrinos que se aventuram nos caminhos que levavam para Jerusalém e os locais sagrados citados na Bíblia. Foram reconhecidos pelo Concílio de Troyes (1129), tornando-se uma ordem autônoma, que respondia somente ao papa.Acusada por agentes do rei francês Felipe, o Belo, a ordem foi processada pela Santa Inquisição e suprimida em 22 de março de 1312, na bula papal Vox in Excelso do papa Clemente V (1305-1314). No processo inquisitório que sofreram constam, entre outras, as acusações de renegarem Cristo, de serem idólatras e praticarem atos sodomitas. Seu último mestre, Tiago de Molay, foi preso na França em 13 de outubro de 1307. Condenado à morte na fogueira, foi executado nos jardins do palácio do rei francês, na Île de la Cité, na noite de 18 de março de 1314.

No momento em que a Igreja pegou em armas, sua tão almejada sociedade perfeita, harmoniosa, perene, em que cada um exercia sua função diligentemente, sem procurar mudar aquilo que lhe foi incumbido por uma Vontade Divina, ruiu

Os quase dois séculos de história dos Templários está envolto em um emaranhado de lendas e contradições, sendo que o aspecto mítico dos feitos da ordem e de suas práticas supera em muito as verdades sobre a ordem.Os Templários foram a primeira ordem religiosa- militar a ser criada, sendo seguidos por outras como os Hospitalários, os Teutônicos, a Ordem de São Lázaro (dos leprosos) e outras. Sua origem está intimamente ligada à Primeira Cruzada e à vitória alcançada em Jerusalém (o nome "Templário" vem do fato de utilizarem as ruínas do Templo de Salomão como base de operações). Eram combatentes que, após a retomada da Terra Santa, tornaram-se monges, porém, monges armados. Uma força militar que surgiu no seio da Igreja, totalmente devotada à defesa da Fé. Desde os primórdios, esta era a primeira vez que a Igreja contava com um exército formado não de mercenários como antes, mas de seus próprios membros. Religiosos e militares. Um orant que era também um pugnant. Alguém que exercia, ao mesmo tempo, duas funções dentro da estrutura social. Como estava estabelecido no princípio das Três Ordens: "[...] Estas três partes que coexistem não suportam serem separadas [...]". Do mesmo modo que não suportam serem separadas, também não suportam estarem incorporadas.No momento em que a Igreja pegou em armas, sua tão almejada sociedade perfeita, harmoniosa, perene, em que cada um exercia sua função diligentemente, sem procurar mudar aquilo que lhe foi incumbido por uma Vontade Divina, ruiu. Não havia mais nenhuma justificativa para que cada um ficasse restrito à sua função primordial. Se aquele que nasceu para orar também podia combater, aquele que nasceu para trabalhar também podia almejar fazer outra coisa.Com o nascimento dos Templários, as Três Ordens desaparecem.
Os nove bravos
Essa designação foi utilizada para definir as figuras históricas que serviram de inspiração para os cavaleiros medievais de diversas ordens, religiosas ou não. O curioso é verificar que muitas delas são figuras míticas, ou seja, de existência duvidosa ou ligadas a histórias, enquanto outras são figuras que de fato existiram. O primeiro a agrupar esses modelos foi o cantor de gestas (baladas) francês do século XVI, Jacques de Longuyon, que os descreveu em sua obra Voeux du Paon, de 1312. A tabela abaixo mostra essa divisão em trios, com destaques para figuras do paganismo, do judaísmo e do cristianismo.

Para saber +
DEMURGER, Alain. Os Cavaleiros de Cristo: as ordens militares na Idade Média (sécs. XI a XVI). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2002.
DUBY, Georges. A Sociedade Cavaleiresca. São Paulo: Martins Fontes, 1989.______. Guilherme Marechal ou o Melhor Cavaleiro do Mundo. São Paulo: Editora Graal, 1988.
SILVA, Pedro. História e Mistérios dos Templários. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

História - Aula 11 (2 de 2)

O Império Carolíngio e a Idade Média

Material complementar em vídeo e texto sobre a formação do feudalismo. Este material se relaciona com as primeiras aulas da 5ª série (6° Ano) - Livro Volume 2. Assista ao vídeo e leia o texto e venha preparado para as aulas ou utilize como material de revisão.
Os objetivos dessas aulas são:
► Compreender a origem do feudalismo;
► Caracterizar o feudo como elemento fundamental para o estabelecimento das relações de suserania e vassalagem.
As aulas 14 (1 e 2) completam essa aula (n°11-2)


Império Carolíngio - origens
Das bases da dinastia Merovíngia a Carlos Martel
Gilberto Salomão*Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
O reino que deu origem à França atual nasceu da invasão dos francos, um dos vários povos bárbaros germânicos que, a partir do século 4, penetraram no espaço do antigo Império Romano do Ocidente.Desde o final do século 3 a historiografia registra ações de pirataria dos francos na costa do Mar do Norte, adentrando regiões da Gália romana. Incapaz de detê-los, vivendo um processo de enfraquecimento, o Império Romano havia estabelecido acordos com eles, admitindo-os dentro de seu território, chegando mesmo a conceder, a alguns chefes guerreiros francos, postos de comando no exército, como Merobaudo, que se tornou general do imperador Valentiniano.A intensificação das invasões bárbaras e o conseqüente enfraquecimento definitivo do império abriram espaço para que todas as regiões da Gália fossem sendo ocupadas pelos francos. Coube a um chefe legendário, chamado Meroveu, impor-se sobre os demais chefes francos, estendendo sua hegemonia sobre toda a Gália. Tal poder, entretanto, não foi aceito sem reação dos demais chefes. Foi somente o neto de Meroveu, chamado Clóvis, que conseguiu impor, no final do século 5, sua autoridade efetiva sobre todos os demais chefes, sendo reconhecido como o primeiro rei dos francos. Sua origem, enquanto neto de Meroveu, que teria dado início a esse processo de unificação, deu nome à dinastia por ele fundada, a mais antiga dinastia monárquica da França: a merovíngia.
Conversão ao cristianismo
A unificação das terras ocupadas pelos francos sob o poder de Clóvis só foi obtida em função de um dado fundamental para que se compreenda a própria natureza do reino franco e sua importância ao longo da Idade Média. O povo franco, notadamente Clóvis, foi o primeiro entre os povos germânicos a compreender que seria impossível sua fixação nas regiões do antigo Império Romano sem o apoio - ou ao menos a aceitação - das populações nativas, majoritárias em termos numéricos. Para obter essa aceitação, Clóvis viu-se obrigado a compor politicamente com uma das poucas instituições remanescentes do império, a qual já detinha uma forte ascendência sobre grande parte de sua população: a Igreja Católica.A mitologia cristã salienta um episódio no qual Clóvis teria tido um sonho, decisivo para sua conversão ao cristianismo. O que existe de fato é a certeza de que a conversão de Clóvis ao cristianismo, em 496, e a conseqüente aliança que ele estabeleceu com a Igreja, foi, essa sim, decisiva para a afirmação de sua autoridade. Foi a partir do apoio da Igreja e dos cristãos da Gália que Clóvis pôde derrotar os demais guerreiros francos, impondo-se como rei.
Organização social dos povos germânicos
Entretanto, a partir daí, uma série de características dos povos germânicos foram decisivas para que a monarquia não conseguisse manter um mínimo de centralização efetiva ao longo das décadas seguintes. Mas para uma melhor compreensão dessa situação temos de, primeiramente, compreender a forma original de organização desses povos. As sociedades germânicas haviam evoluído de uma estrutura tribal para a formação de agrupamentos guerreiros, centrados na figura de um chefe que comanda guerreiros livres, os quais se submetem por vontade própria à autoridade daquele que é reconhecido como o indivíduo com maiores condições de comandá-los. Sendo fundamentalmente guerreiros, seus vínculos eram basicamente militares. Não conhecendo uma estrutura institucional de Estado, esses vínculos assumiam um caráter estritamente pessoal, forjado em juramentos de fidelidade e obediência por parte dos guerreiros, em troca da proteção que lhes era concedida pelo chefe. Essa forma de organização chamava-se comitatus, ou grupo de guerra, e teve importante influência na formação da sociedade feudal.A necessidade militar, ligada às conquistas que fazem parte do processo de destruição do Império Romano, levou a um processo de organização desses agrupamentos guerreiros. Longe de um Estado, tal como é concebido atualmente, o que se formou, de um modo geral, foi uma autoridade central, fundamentalmente militar, caracterizando um poder que, em termos genéricos, chamamos de "monárquico". Entretanto, esse poder real era exercido com fortes limitações, submetido ao prestígio pessoal do monarca e à Assembléia de Guerreiros, detentora, em última análise, do poder efetivo.A manutenção desse princípio pessoal de relacionamento faz com que o vínculo entre o rei e os chefes guerreiros mantenha as mesmas características herdadas do comitatus. Os guerreiros submetem-se ao rei pelos mesmos juramentos de fidelidade e obediência, enquanto o rei se obriga a garantir proteção e comando militar.
Bases da nobreza feudal
Esses traços mesclam-se a um aspecto econômico comum aos vários povos germânicos: o fato de terem na agricultura sua atividade básica, sendo o comércio praticamente desprezível. Assim, a questão militar assumiu um papel de sobrevivência cotidiana, ligada à defesa da terra geradora do alimento do qual eles necessitavam. Mais que isso, os chefes guerreiros, num processo de conquista, assumiam uma condição de conquistadores da própria possibilidade de sobrevivência, o que colocava as massas de trabalhadores não guerreiros sob sua direta dependência. Com isso, criou-se uma situação na qual a posse da terra articulou-se necessariamente à capacidade de defendê-la, relegando a massa de não guerreiros à condição de trabalhadores braçais, produtores do alimento em troca da terra e da proteção recebida. Essa relação gerou uma nítida diferenciação social, entre aqueles que trabalham e aqueles que guerreiam, constituindo estes últimos uma elite social e econômica, detentores da terra e do que havia de força militar. Estavam lançadas as bases para a constituição da nobreza feudal.
Descentralização política
Por outro lado, as relações entre esses guerreiros e as autoridades superiores também se fundaram nessas mesmas necessidades e princípios. Considerando-se o rei como autoridade militar suprema, sua condição, em última análise, é a de detentor de todas as terras. Para efetivar a defesa, ele concedia a outros chefes guerreiros o comando de parte dessas terras, além da proteção, mas exigindo, em troca, um juramento de fidelidade, obediência e serviço militar às necessidades do rei. Supondo-se que esse juramento inclua, apenas como um exemplo, que este chefe militar apresente-se ao rei com o auxílio de um determinado grupo de guerreiros armados, ele terá de ter esses guerreiros submissos a ele, da mesma forma que ele é submisso ao rei. Daí a necessidade de ceder-lhes parte de suas terras - e assim sucessivamente.Com isso, criou-se uma estrutura de verticalização das relações políticas e militares. No topo da hierarquia encontra-se o rei, vinculado a chefes guerreiros, os quais se vinculam a outros e assim por diante, num processo cujo efeito final é o estabelecimento de inúmeros domínios pessoais sempre submetidos a uma autoridade superior. Foram esses vínculos que deram origem às relações de suserania e vassalagem, base fundamental das relações entre a nobreza medieval. O próprio Clóvis dividiu o reino em províncias às quais ele o deu nome de condados, nomeando nobres guerreiros, condes, para administrá-las. Com isso, verificou-se uma tendência à descentralização política, tendência essa que se acentuou nas décadas seguintes.Outro aspecto a ser considerado é que, com base no velho costume, segundo o qual o rei é o detentor de todas as terras, o reino passava a ser considerado um bem pessoal, passível de herança como qualquer outro bem. Assim, era natural que o rei dividisse seus domínios entre seus filhos, quando se aproximava da morte.
Os major domus e as invasões islâmicas
O hábito franco de que o herdeiro fosse coroado aos 12 anos de idade, portanto ainda inexperiente para governar, levou ao surgimento dos Administradores do Palácio, ou Prefeitos do Palácio, os Maires du Palais, uma espécie de primeiro-ministro, oriundos de ricas famílias aristocráticas e homens fortes do poder real. Esse título, já num momento posterior, em que a herança da influência romana voltou a ser forte, passou a ser conhecido em sua forma latina: major domus.Dessa forma, tendo seu poder esvaziado pela dispersão entre os chefes locais e pela autoridade crescente dos major domus, o poder do rei tendeu a se tornar meramente decorativo, tanto que os últimos reis merovíngios ficaram conhecidos pela designação de reis indolentes. Seu poder era meramente formal, como chefe militar supremo, condição que numa época de paz não lhe granjeava qualquer autoridade efetiva. Ao mesmo tempo, ao manter vínculos com a nobreza guerreira, coletar tributos e controlar o pouco que havia de administração do reino, o major domus passava a ser a autoridade efetiva. Tal situação atingiu seu ponto mais agudo nas primeiras décadas do século 8, tendo como elemento impulsionador a invasão árabe sobre o território franco.Como sabemos, impulsionados pela religião islâmica, os árabes haviam iniciado, desde o século 7, um amplo processo de conquistas. Contando com a decadência dos impérios Persa e Bizantino, e com a fragilidade dos reinos bárbaros - descentralizados no sul da Itália, no norte da África e na península Ibérica -, os muçulmanos conseguiram, num intervalo de um século após a morte de Maomé, conquistar um gigantesco domínio, que culminou com a conquista da península Ibérica, em 711. A partir daí, o alvo inevitável seria o reino Franco, situado logo a norte. A liderança dos exércitos francos contra os árabes coube, no entanto, não ao rei, mas sim ao major domus Carlos Martel.
Império Carolíngio - apogeu e declínio
Pepino, Carlos Magno e as invasões bárbaras
Gilberto Salomão*Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
A ascensão de Carlos Martel ao cargo de major domus já evidenciara uma situação de dualidade de poder na França. Embora, em princípio, tal cargo fosse uma indicação real, seu pai, Pepino de Heristal, havia conseguido impor seu nome como sucessor, tornando o cargo hereditário, numa estrutura de poder paralelo ao poder monárquico.De qualquer modo, foi sob o comando de Carlos Martel, e sua inequívoca liderança sobre os guerreiros francos, que estes conseguiram derrotar os árabes na batalha de Poitiers, em 732.A vitória teve múltiplos significados para o reino franco. Em primeiro lugar, ela consolidou a aliança entre os francos e a Igreja Católica, já que foram eles os únicos capazes de deter os infiéis que ameaçavam a Cristandade. Em segundo lugar, efeito básico da guerra para um povo germânico, verificou-se um fortalecimento da autoridade central, com a nobreza guerreira unida em torno de um comando centralizador. Por outro lado, lembramos que esse comando está nas mãos não de um rei formal, mas sim de seu major domus, cujo poder, prestígio e liderança sobre a nobreza suplantavam em muito o poder do rei.
Pepino, o BreveFoi o filho de Carlos Martel - chamado de Pepino, o Breve - quem representou a conclusão desse processo. Alegando ser portador de sangue real (afirmava ser filho de Carlos Martel com a rainha Batilde) e contando com o apoio dos nobres e da Igreja, ele depôs o último rei merovíngio, Childerico 3º, e fez-se coroar rei da França no ano de 751. Surgia aí uma nova dinastia, chamada de carolíngia, pelo fato de se originar em Carlos Martel.Foi durante o reinado dos reis carolíngios que os francos atingiram o apogeu de seu poder na Europa. Pepino ampliou a aliança que existia, desde Clóvis, entre os francos e a Igreja. O elemento mais forte dessa ampliação foi a luta movida por Pepino contra os lombardos, que ameaçavam Roma. Detentores de domínios ao norte da Itália, os lombardos, um dos povos germânicos que havia invadido as terras do Império Romano durante o século 5, vinham penetrando cada vez mais para o centro da península, ameaçando Roma e, conseqüentemente, a Igreja. O próprio papa, Estevão 2º, ante o risco de invasão de Roma, fora forçado a se exilar na França. Foi ali que ele coroou Pepino, o Breve como rei dos francos. Foi com apoio militar dos francos que o papa pôde retornar a Roma, com a derrota do rei dos lombardos, Astolfo, e com a Igreja tendo suas propriedades restituídas. Três anos depois, entretanto, Astolfo voltou a atacar Roma. Pepino, o Breve ordenou nova invasão da Itália, derrotando definitivamente os lombardos. Como resultado, os lombardos cederam os territórios de Ravena e de Pentápolis a Pepino, que, juntando-os ao ducado de Roma, doou ao papa Paulo 1º, que substituíra Estevão 2º, originando o Patrimônio de São Pedro, ou Estados Pontifícios.A ação de Pepino, o Breve foi decisiva para a ampliação dos domínios francos. A irreversível aliança estabelecida com o papado foi o fator de justificação ante os fiéis para que aceitassem a dominação franca. Tanto que as conquistas francas, ampliadas de modo drástico no reinado do filho de Pepino, o Breve, Carlos Magno, foram todas elas obtidas com o apoio da Igreja.
Renascimento CarolíngioCarlos Magno assumiu o trono em 768. Empenhou-se em expandir seus domínios, anexando o norte da Itália, em mãos dos lombardos, submetendo a Saxônia, a Baviera e a Bretanha, estabelecendo o controle franco sobre o nordeste da península Ibérica, derrotando os ávaros e obtendo a submissão de boêmios, morávios e croatas. Fez do Reino Franco a mais extensa unidade administrativa da Europa ocidental.Todas essas conquistas foram feitas, repetimos, tendo a Igreja como principal avalizadora e justificadora. Essa condição consolidou-se definitivamente quando, na missa de natal de 800, o papa Leão 3º coroou Carlos Magno Imperador dos Romanos. O título tinha uma conotação essencialmente religiosa, significando o imperador daqueles que seguiam a religião de Roma. Entretanto, acabou assumindo um significado muito maior, de uma ressurreição do Império Romano do Ocidente. Claro que essa ressurreição dava-se em direta aliança com a Igreja Católica, a qual passaria a gozar de uma estrutura política forte para amparar seu crescente poder. Criava-se ali a dicotomia e a complementaridade entre o poder espiritual - representado pela Igreja e centrado na figura do papa - e o poder temporal, terreno, que tinha no imperador sua expressão máxima.A administração do Império seguiu o modelo franco da divisão em condados (cerca de 200), passando os bispos também a exercerem um poder condal em suas cidades. Nas regiões fronteiriças Carlos Magno criou as Marcas, sob o controle de um funcionário, o que originou o termo "marquês". Estas medidas favoreceram o desenvolvimento dos poderes jurídico-militares regionais localizados. Numa tentativa de manter algum controle central, Carlos Magno criou os missi dominici, funcionários que percorriam o império, fiscalizando a administração de condes e bispos. Mais do que eles, entretanto, o verdadeiro responsável pela manutenção de um mínimo de centralização foi o estado de guerra constante que caracterizou o governo de Carlos Magno. Ele multiplicou os domínios e as relações de vassalagem, colocando o rei no alto de uma estrutura minimamente organizada em termos político-militares.A centralização política que parcela da Europa ocidental conheceu depois de mais de três séculos favoreceu um modesto desenvolvimento econômico, incapaz de reverter a ampla organização rural, e promoveu o chamado Renascimento Carolíngio. Escolas foram fundadas, os aristocratas estimulados a alfabetizarem-se, a corte tornou-se um centro de homens sábios e algo do passado cultural romano foi recuperado. O chamado Renascimento Carolíngio foi um fenômeno essencialmente cultural, diretamente apoiado na Igreja Católica.
Fim da dinastia carolíngiaCom a morte de Carlos Magno, em 813, o poder passou para seu filho Luís, o Piedoso, que governou até 840. Fortemente influenciado pela Igreja, Luís foi um monarca fraco. Terras da Igreja e domínios senhoriais conseguiam livrar-se do controle do poder central, tornando-se autônomos e livrando-se do cumprimento de suas obrigações para com o poder central.Seu governo coincidiu também com uma nova onda de invasões, que caracterizaram toda a Europa ocidental do século 9. Vindos da Escandinávia, os vikings e seus navios de quilha rasa subiam os rios, espalhando a morte e a destruição por vastas áreas. Os sarracenos, piratas muçulmanos do norte da África, assolaram as zonas litorâneas da Itália e da França. E os magiares (ou húngaros), cavaleiros nômades das estepes da Ásia central, submeteram o norte da Itália e a Alemanha a contínuas incursões de pilhagem.A morte de Luís significou o fim da unidade imperial. Seus três filhos repartiram o Império no Tratado de Verdun (843). Carlos, o Calvo, ficou com a França Ocidental (que deu origem ao Reino da França); Luís, o Germânico, com a França Oriental (a futura Alemanha); e Lotário, com a França Central, repartida após a sua morte, em 870, entre Carlos e Luís.A autoridade real esfacelou-se rapidamente. Condes, duques e marqueses usurpam os poderes reais e passam a exercê-los em nível local. Em 877, os domínios, chamados então de feudos, tornam-se hereditários. Em 911, o rei Carlos, o Simples, incapaz de deter os ataques vikings, cedeu-lhes o ducado da Normandia, origem de sua outra denominação, normandos. O ano de 911 viu também o fim do ramo germânico dos carolíngios, com a morte de Luís, o Jovem. Em 987, morrendo o último soberano carolíngio da França Ocidental, Luís 5º, os aristocratas escolheram Hugo Capeto, Conde de Paris, como rei.Essa data assinala o fim da dinastia carolíngia sobre a França, dando origem à dinastia capetíngia, que governou o país até o século 14.
Fontes: UOL Educação

Sociedade medieval

Desafios
A ilustração abaixo nos mostra, algumas personagens, que caminharam na Europa durante a Idade Média, onde as relações sociais eram definidas, em sua maioria, em torno da questão da posse da terra. Para compreendermos melhor esse período nada mais interessante do que começar pelas pessoas que lá viviam.
O nosso desafia consiste em:
1) Traçar três linhas (imaginárias) horizontais para destacar os diversos grupos sociais que viviam na Europa da época;
a) Que grupos sociais são esses?
b) Qual era a função de cada um desses grupos sociais na Europa Medieval?
2) Agora trace uma linha vertical, no meio do desenho, e tente descobrir quais grupos viviam no campo e quais viviam nas cidades. Justifique.
3) Escolha um personagem de cada grupo e faça uma pesquisa sobre eles.



4) Escreva um pequeno texto sobre o esquema-resumo abaixo.


Samurai

O vídeo e o texto abaixo tem como objetivo complementar as informações analisadas em sala de aula, sobre o "feudalismo" japonês.


O que é um samurai?
Os samurais desempenharam muitos papéis no Japão: coletores de impostos, servidores do império, arqueiros, militares. Mas se tornaram mais conhecidos como guerreiros.
O que torna um samurai diferente de outros guerreiros em outras partes do mundo? Vestir uma armadura e usar uma espada não é suficiente para transformar-se em um. Apesar dos costumes terem mudado ao longo dos séculos, há quatro regras que sempre definiram um samurai:
o samurai é um guerreiro bem treinado e extremamente habilidoso;
o samurai serve seu daimyo, ou senhor, com absoluta lealdade, até a morte. Esse é o próprio significado da palavra samurai: "aquele que serve";
o samurai é um membro de uma classe de elite, considerado superior a cidadãos comuns e soldados ordinários de infantaria;
a vida do samurai é regida pelo bushidô, um rígido código de guerreiro que coloca a honra acima de tudo.
O tipo e a freqüência dos treinamentos de um samurai dependiam da riqueza de sua família. Em famílias de classe baixa, os filhos eram geralmente enviados às escolas dos vilarejos para receber instrução básica, mas a maior parte de seu treinamento era dado pelos seus pais, irmãos mais velhos ou tios.
Treinar artes marciais era considerado muito importante e o treinamento, freqüentemente começava muito cedo, por volta dos cinco anos. Filhos de famílias ricas eram enviados a academias especiais, onde eram tutelados em literatura, artes e habilidades militares.
A imagem mais familiar que se tem dos samurais é, provavelmente, a de um mestre espadachim empunhando a sua katana com extrema habilidade. Entretanto, nos primeiros séculos de sua existência, os samurais eram mais conhecidos como arqueiros a cavalo. Disparar uma flecha ao mesmo tempo que se monta um cavalo é uma tarefa muito difícil e dominá-la requer anos de prática. Alguns arqueiros praticavam em alvos amarrados a um poste, que poderiam ser balançados para criar um alvo móvel. Por um certo tempo, cachorros vivos eram usados como alvos móveis, até que um xogum (tinha poderes de governante e líder militar) aboliu essa prática cruel.
A arte da espada era ensinada de uma maneira igualmente implacável. Conta-se que um certo mestre atingia seus alunos a qualquer momento do dia ou da noite com uma espada de madeira, até que eles aprendessem a nunca relaxar sua guarda.
Além da habilidade de guerrear, esperava-se que os samurais fossem bem educados em outras áreas, como literatura e história. Durante o período Tokugawa, uma era pacífica, quando os samurais não eram muito necessários como guerreiros, os seus conhecimentos acadêmicos foram especialmente úteis. Entretanto, alguns mestres samurais advertiam seus alunos para não se aterem muito às letras e à pintura, para que não enfraquecessem a mente.
A História dos Samurais
Ninguém sabe com certeza quem foi o primeiro samurai. Historiadores contam que nos séculos V, VI e VII d.C., havia rivalidades entre príncipes e clãs, bem como guerras de sucessão quando um imperador morria. Todavia, a maioria das lutas ocorria contra os nativos das ilhas do Japão, aos quais o Japão Imperial se referia como emishi, ou bárbaros.
Alguns imperadores perceberam que os emishi eram bons lutadores e os recrutaram para lutar em batalhas contra outros clãs ou ordens religiosas rebeldes. Algumas das táticas militares e tradições dos emishi foram incorporadas pelos soldados japoneses e, mais tarde, usadas pelos samurais.
O status do samurai como uma classe de elite vem da proliferação das famílias poderosas que viviam longe da capital, transferindo suas terras e seu prestígio de uma geração para outra por centenas de anos. Os membros dessas famílias de guerreiros ou clãs alcançaram o status de nobreza.
Tradições militares bárbaras se combinaram com o status de elite e o código do guerreiro kyuba no michi para formar o molde do antigo samurai. De acordo com algumas fontes, a palavra samurai apareceu pela primeira vez no século XII. Por um longo tempo, os samurais constituíam a principal força militar usada contra os emishi e outros clãs.
Em 1100, dois poderosos clãs serviam ao Imperador do Japão: o clã Taira e o clã Minamoto. Estas duas famílias se tornaram rivais e, em 1192, Minamoto Yoritomo liderou seu clã à vitória sobre o clã Taira. O imperador, chefe tradicional do governo japonês, declarou Minamoto Yoritomo como xogum, o chefe militar. Mas Yoritomo usou seu novo cargo para tirar do imperador todo o poder político, tornar permanente sua posição de xogum, e montar uma ditadura militar conhecida como bakufu. Assim, os samurais passaram de servos dos daimyos proprietários de terras a regentes do Japão, sob o xogum.
Depois que Yoritomo morreu, sua esposa, Masa-ko, procurou manter o xogunato. Embora não fosse completo, os Hojos, sua família, mantiveram o controle do Japão por mais de 100 anos.
O clã Ashikaga arrancou o controle dos Hojos em 1338. Os Ashikagas falharam ao tentar impor uma autoridade central forte no Japão e os clãs entraram em decadência devido às lutas constantes. Durante esse período, o daimyo construiu castelos impressionantes, com muros, portões e fossos que os tornavam inexpugnáveis.
Este sengoku, ou período de guerra civil, durou até que Tokugawa Ieyaso tomou controle do Japão em 1603. Tokugawa aplicou uma rígida política isolacionista e manteve o controle sobre os daimyos ao forçar suas famílias a viverem na capital, enquanto o próprio daimyo vivia na sua propriedade. Cada daimyo era obrigado a visitar a capital pelo menos uma vez ao ano (daimyos que caíam em desaprovação recebiam propriedades longe da capital, tornando a viagem mais cara e demorada). Isso garantia o controle sobre os daimyos porque suas famílias eram mantidas basicamente como reféns, e as caras viagens anuais os impediam de conseguir demasiado poder econômico.
Tokugawa também proibiu o porte de espadas, exceto pelos samurais. Todas as espadas possuídas por aqueles que não eram samurais eram confiscadas e derretidas para fazer estátuas. Isso marcou os samurais como uma classe muito distinta, acima dos cidadãos comuns.
Durante a paz forçada de Tokugawa, os samurais raramente entravam em combate. Foi durante esse período que os samurais assumiram outras funções, acompanhando seus senhores na ida e na volta da capital, trabalhando como burocratas no bakufu e cobrando tributos em arroz dos vassalos do daimyo.
Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/samurai7.htm

Para saber mais
http://www.ronin47.xpg.com.br/
http://www2.uol.com.br/ohayo/v2.0/anime/materias/jun20_feudal.
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/467/mes/Abril2003