Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

Mostrando postagens com marcador Trabalhos - C.E. Rubens Farrula. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalhos - C.E. Rubens Farrula. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2009

CAMINHO DO OURO

Essa é uma atividade interativa para os alunos/alunas do 1º Ano do Ensino Médio (1º Turno) do Colégio Estadual Rubens Farrula e tem como objetivo inserir as novas tecnologias na prática pedagógica e proporcionar um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e interessante para você aluno/aluna. Contribuindo assim para uma aprendizagem mais eficaz e quem sabe mais divertida.
Tema principal: A Expansão Territorial e a Descoberta das Minas
Tema secundário: A Entradas e Bandeiras e a Região Mineradora.
Iniciaremos a nossa viagem com a leitura de alguns textos. O dois primeiros retirados da Revista de História da Biblioteca Nacional e o terceiro da Revista Nova Escola que analisa as Bandeiras e os Bandeirantes. E os outros dois do site História por Voltaire Schilling sobre a descoberta do ouro.
1ª Etapa
Aprofundamento.
Reportagem publicada na Revista Superinteressante em abril de 2000, sobre novas pesquisas referentes aos bandeirantes.
2ª Etapa

Agora que os textos, da primeira etapa, foram lidos e analisados, responda:
1. Quem eram os bandeirantes?
2. Como era a vida dos bandeirantes?
3. Quais os motivos para as bandeiras?
As respostas deverão ser enviadas para o e-mail: wsshist@gmail.com
Data a combinar.

Após analisar os textos e responder as perguntas, avalie se você concorda com a frase abaixo, extraída do site: http://www.suapesquisa.com/historia/bandeirantes/apesquisa.com/historia/bandeirantes/.
Justifique.
"Os Bandeirantes foram os homens valentes, que no princípio da colonização do Brasil, foram usados pelos portugueses com o objetivo de lutar com indígenas rebeldes e escravos fugitivos".
Esta resposta deverá ser entregue ao professor em folha separada em data a ser combinada.

HISTÓRIA E IMAGEM


Tendo como base as suas leituras qual dessas imagens representam mais fielmente os bandeirantes? Justifique.
Resposta nos comentários.
CURIOSIDADES
A corrida do ouro
Veja como ocorre o processo de formação do metal precioso.
Dinheiro não dá em árvore, mas pepitas de ouro podem brotar no seu jardim, se você tiver paciência para esperar uns 100 mil anos. Esse é o tempo que leva para microorganismos dissolverem o ouro de sua fonte original e condensar o mineral no quintal mais próximo. Segundo Frank Reith, geomicrobiologista da Universidade Nacional Australiana, há muito tempo se pensava que o ouro só era encontrado junto de rochas como o quartzo. Mas o mineral começou a aparecer a quilômetros das jazidas e a despertar a curiosidade de pesquisadores como ele. Reith pegou amostras de três diferentes tipos de solo da Austrália e colocou microorganismos para interagir com a terra. Descobriu que, nas jazidas, bactérias e fungos separam o ouro de outros minerais e fazem com que pequenas quantidades se dissolvam em água. Assim, o ouro pode viajar por lençóis freáticos. Esse ouro pode chegar à superfície se for absorvido pela raiz das plantas. Ou ser atacado novamente por bactérias que vão, dessa vez, formar pepitas. "Estou pesquisando o DNA que encontramos nas pepitas para saber quais organismos atuam", diz Reith. A boa notícia é: "Pepitas de ouro cobertas por fósseis de micróbios foram achadas na Venezuela. É provável que também ocorram no Brasil, em regiões de chuva e altas temperaturas". Agora é correr para o jardim e cavar.

terça-feira, 7 de abril de 2009

EXERCÍCIOS - SÉCULO XIV

Segue abaixo uma série de exercícios sobre a crise do feudalismo.
Exercícios elaborados pela profª: Camila C. Flausino UNED-CEFET MG
Exercícios sobre “A Crise do Feudalismo”
1)Quais foram as razões naturais da crise do feudalismo a partir do século XIV? E as razões de ordem social e econômica?

2)O relato a seguir descreve o funcionamento de uma escola medieval. Leia o texto para depois discutir as questões propostas:
Eu vejo uma reunião de estudantes; seu número é grande, há de todas as idades; há crianças, adolescentes, moços e velhos [...]. Seus estudos são diferentes; uns exercitam sua língua inculta a pronunciar novas palavras e a produzir sons que lhes são insólitos. Outros aprendem, em seguida, ouvindo, as inflexões dos termos, sua composição e sua derivação [...]. outros trabalham com um estilete em tábuas revestidas com cera. Outros traçam com mão sábia, sobre membranas, diversas figuras de cores diferentes. [...] Outros, a tanger uma corda esticada sobre um pedaço de madeira, tirando dela melodias variadas. Outros, explicando certas figuras de geometria. Outros, com o auxílio de certos instrumentos, o curso e a posição dos astros e a revolução dos céus. Outros tratando da natureza das plantas, da constituição dos homens, das propriedades e virtudes de todas as coisas.
Huges de Saint-Victor. De vanitate mundi. In: Jaime Pinsky. 100 textos de história antiga. São Paulo: Contexto, 1989. p. 125.
a)Identifique o tipo de pessoa que freqüentava essa escola e as várias atividades (profissões) ali realizadas.
b)Você considera que essas informações reforçam a idéia de “Idade das Trevas” relacionada por alguns ao mundo medieval ou acha que se contrapõem a essa visão? Por quê?

3) “Ao nosso muito querido amigo, o glorioso conde Hatton: ... Um dos vossos servos, de nome Huno, veio à Igreja dos santos mártires pedir mercê pela falta que cometeu contraindo casamento, sem vosso consentimento, com uma mulher de sua condição que é também vossa serva. Vimos pois solicitar a vossa bondade para que useis de indulgência (perdão) em relação a este homem.”
A carta acima, escrita por um monge que viveu entre os anos de 770 e 840, expressa relações de poder na sociedade medieval. Após a leitura do trecho, responda:
a) Apresente e explique a condição do servo na estrutura de poder da sociedade feudal.
b) Cite e explique o mais pesado imposto devido pelos servos a seu senhor.
c) Apresente e explique o papel da Igreja nessa hierarquia.

4)A oitava e última Cruzada realizou-se em 1270 e resultou em fracasso. Apesar do enorme número de mortes que provocaram as Cruzadas não alcançaram os objetivos pretendidos. Entretanto, seu significado para a história econômica e social da Europa foi muito importante. Comente esse significado.

5)Leia o trecho a seguir e em seguida:
“No ano do Senhor de 1349 houve em quase toda a superfície do globo uma tal mortalidade como raramente se terá conhecido outra. Com efeito, os vivos mal chegavam para enterrar os mortos ou evitavam-nos com horror.”
(De um texto do papa Clemente VI. Em: Gustavo Freitas. 900 textos e documentos históricos. Lisboa: Plátano, s.d.v.1, p.174.)
Responda: A que conjunto de acontecimentos se refere esse documento e como ele contribuiu para a dissolução do feudalismo?

6)Em um breve parágrafo, estabeleça a relação entre o surgimento das cidades medievais e da burguesia.

7)Leia o texto sobre a Burguesia e o trecho da música “Burguesia” de Cazuza (Anexo). A seguir responda:
a)Compare o significado que a palavra “burguês” tinha no período medieval ao que ela passou a ter após o século XIX.
b)Com relação a letra da música, qual crítica social o compositor apresenta?
c)Na sua opinião, quem é a “burguesia” que a letra da música apresenta? Por quê? Em que ela se distingue do “bom burguês” para o compositor?

8)Leia o texto abaixo e em seguida responda:
Entre meados do século XII e meados do século XIII, o aumento das condenações da usura é explicada pelo temor da Igreja ao ver a sociedade abalada pela proliferação das práticas usurárias. O terceiro concílio de Latrão (1179) declara que muitos homens abandonam sua condição social, sua profissão, para tornarem-se usurários. No século XIII, o papa Inocêncio IV e o grande canonista Hostiensis temem a deserção dos campos, devido ao fato de os camponeses terem se tornado usurários ou estarem privados de gado e de instrumentos de trabalho pelos possuidores de terras, eles próprios atraídos pelos ganhos da usura. A atração pela usura faz aparecer a ameaça de um recuo da ocupação dos solos e da agricultura, e com ela o espectro da fome.
(Jacques Le Goff. A bolsa e a vida: a usura na Idade Média. 2.ed. São Paulo: Brasiliense, 1989. p. 25).
a)O que é usura?
b)Por que a Igreja medieval condenava a prática da usura?
c)Relacione a prática da usura com o desenvolvimento do pré-capitalismo no final da Idade Média.

Burguesia
No século XIII com o fim das Cruzadas ocorreu uma grande alteração no quadro econômico europeu que resultou na abertura do Mar Mediterrâneo e no chamado Renascimento Urbano e Comercial. Todas estas mudanças ajudaram a colocar um ponto final no já decadente Sistema Feudal.
Com as Cruzadas surgiram as primeiras rotas comerciais formadas pelos antigos cavaleiros que, ao retornarem a Europa, iam saqueando as cidades orientais e vendendo as mercadorias adquiridas (jóias, tecidos, temperos, etc.) pelo caminho. Durante esse período, estes mesmos mercadores, como forma de proteção, começam a construir cidades protegidas por muralhas, conhecidas como burgos. Os burgos abrigavam também os camponeses, que com a decadência do feudalismo e consequente perda de poder dos senhores feudais, deixam os feudos e buscam refúgio nestas fortalezas. Originalmente, o termo burguês era usado para se referir a estas pessoas que residiam nos burgos. Mas aos poucos o termo passou a ser usado para designar um grupo que começava a se estabelecer como força econômica, a transformar os meios de produção e que se dedicava às atividades comerciais. Esses comerciantes tinham o lucro como objetivo, chamado também de usura, prática que por muito tempo foi condenada pala Igreja Católica, a maior instituição da época. Do ponto de vista ético, a prática da usura também era vista como desonesta pela maioria das culturas e civilizações da época.
Nos séculos XVII e XVIII a burguesia teve grande importância no declínio do sistema absolutista apoiando diversas revoluções, que ficariam conhecidas como revoluções burguesas, como, por exemplo, a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa, deixando assim, o caminho livre para a expansão do capitalismo e para a propagação da “filosofia burguesa”, da qual se originaram os conceitos de livre comércio, liberdade pessoal, direitos religiosos e civis.
Conforme o comércio e a economia se expandiam, crescia também o poder e o domínio desta classe, fato que foi consolidado com a Revolução Industrial no século XVIII; a partir deste ponto o capitalismo industrial se afirmou como sistema econômico mundial, e a divisão da sociedade entre burguesia e proletariado se tornou ainda mais evidente.
Com a aparição da doutrina marxista, a partir do século XIX, a burguesia passou a ser identificada como a classe dominante do modo de produção capitalista e, como tal, lhe foram atribuídos os méritos do progresso tecnológico, mas foi também responsabilizada pelos males da sociedade contemporânea. Os marxistas cunharam também o conceito de "pequena burguesia", que foi como chamaram o setor das camadas médias da sociedade atual, regido por valores e aspirações da burguesia.
Pela forte carga ideológica que o termo hodiernamente acarreta, falar em burguesia para períodos anteriores ao século XVII constitui, senão um erro, pelo menos uma inexatidão histórica que convém precisar. Se desde o século XII há burgueses (os habitantes dos burgos), e estes paulatinamente vão fazendo do comércio a sua fonte de receitas, no entanto, para este grupo é preferível usar expressões neutras do ponto de vista ideológico, como mercadores ou comerciantes.
A ascensão do elemento burguês também se verifica através, por exemplo, do estudo - o acumular de riquezas possibilita aos filhos dos mercadores estudar nas universidades, instruírem-se, tornarem-se no corpo de letrados que auxilia o rei numa época de restauração do direito e de fortalecimento do poder real, conduziu mais tarde ao que se chamou de absolutismo. Muitos destes letrados, filhos de burgueses, que servem devotadamente o rei, são recompensados por vezes com títulos de nobreza.
ANEXO
Burguesia
Composição: Cazuza/ Ezequiel Neves/ George Israel
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras

Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal (2X)

A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos (2 X)
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses (2 X)

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si (2X)
A burguesia é a direita, é a guerra

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua (4 X)
Pra rua, pra rua

Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo

A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia

Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados


Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal (2X)

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Para correção das resposta. Postar nos comentários com endereço de e-mail para resposta.
Um abraço.
Alexandre.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

RESISTÊNCIA NEGRA

ZUMBI



Curta do Barão do Pirapora (Rodrigo Ayres de Araújo)sobre a saga de Zumbi de Palmares comemorando o Dia da Consciencia Negra, 20 de novembro
Fonte: http://www.youtube.com/user/acmestudio

INSTRUÇÕES PARA A ATIVIDADE
1. Onde se localiza a Serra da Barriga?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_da_Barriga
http://www.palmares.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=99
http://www.overmundo.com.br/overblog/serra-da-barriga-historia-que-a-terra-conta
2. Qual a sua importância, geográfica, para a construção do Quilombo?
http://www.quilombodospalmares.org.br/index.php?sec=historia_serra_barriga
3. Tendo como fonte de consulta o site abaixo, o vídeo acima, o que foi trabalhado em sala de aula, o texto da revista veja e a crítica ao artigo, postado abaixo, argumente contra ou a favor da ideia de uma república palmarina.
http://www.unicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/arq_hist_estrat/rep_palmares.html
4. Utilizando as mesmas fontes de informação da questão de número 3, escreva um texto argumentativo e critico sobre a questão Palmarina.
Como fazer um texto argumentativo. http://www.pucrs.br/gpt/argumentativo.php
OBS. O(s) endereço(s) em baixo de cada pergunta é para, se necessário, utilizar como fonte de consulta.
História
O enigma de Zumbi
Estudos recentes sobre o herói da luta contra a escravidão mostram que ele próprio pode ter sido dono de escravos no quilombo dos Palmares
Idéia exóticaNegro retratado no Brasil do século XVII pelo pintor holandês Albert Eckhout: na época, o conceito de igualdade entre os homens não existia na África


Idéia exótica
Negro retratado no Brasil do século XVII pelo pintor holandês Albert Eckhout: na época, o conceito de igualdade entre os homens não existia na África

Na próxima quinta-feira, 262 cidades brasileiras comemoram o Dia da Consciência Negra, data que evoca a morte de Zumbi dos Palmares. Último líder do maior dos quilombos, os povoados formados por negros fugidos do cativeiro no Brasil colonial, Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, quase dois anos depois de as tropas do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho praticamente destruírem Palmares. Ao longo dos séculos, Zumbi se tornou uma figura mítica, festejado como o herói da luta contra a escravidão. O que realmente se sabe dele, como personagem histórico, é muito pouco. Seu nome aparece apenas em oito documentos da época, incluindo uma carta do governador de Pernambuco anunciando sua morte. Como ocorre com Tiradentes e outros heróis históricos que servem à celebração de uma causa, a figura de Zumbi que passou à posteridade é idealizada. Ao longo do século XX, principalmente nos anos 60 e 70, sob influência do pensamento marxista, Palmares foi retratada por muitos historiadores como uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado entre os habitantes dos povoados. Uma série de pesquisas elaboradas nos últimos anos mostra que a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares ensinada nos livros didáticos tem muitas distorções. Muito do que se conta sobre sua atuação à frente do quilombo é incompatível com as circunstâncias históricas da época. O objetivo desses estudos não é colocar em xeque a figura simbólica de Zumbi, mas traçar um quadro realista, documentado, do homem e de seu tempo.
Os novos estudos sobre Palmares concluem que o quilombo, situado onde hoje é o estado de Alagoas, não era um paraíso de liberdade, não lutava contra o sistema de escravidão nem era tão isolado da sociedade colonial quanto se pensava. O retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séquito de escravos para uso próprio. "É uma mistificação dizer que havia igualdade em Palmares", afirma o historiador Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense e autor do Dicionário do Brasil Colonial. "Zumbi e os grandes generais do quilombo lutavam contra a escravidão de si próprios, mas também possuíam escravos", ele completa. Não faz muito sentido falar em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus. Nas culturas africanas, eram impensáveis. Desde a Antiguidade e principalmente depois da conquista árabe no norte da África, a partir do século VII, os africanos vendiam escravos em grandes caravanas que cruzavam o Deserto do Saara. Na época de Zumbi, a região do Congo e de Angola, de onde veio a maioria dos escravos de Palmares, tinha reis venerados como se fossem divinos. Muitos desses monarcas se aliavam aos portugueses e enriqueciam com a venda de súditos destinados à escravidão.

A caça e o caçador
Zumbi e o bandeirante Domingos Jorge Velho, que destruiu Palmares: a escassez de documentos favoreceu versões romantizadas de como era a vida no quilombo

"Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo na cultura da África", diz o historiador carioca Manolo Florentino, autor do livro Em Costas Negras, uma das primeiras obras a analisar a história do Brasil com base nos costumes africanos. Zumbi, segundo os novos estudos sobre Palmares, seria descendente de uma classe de guerreiros africanos que ora ajudava os portugueses na captura de escravos, ora os combatia. Quando enviados ao Brasil como escravos, os nobres africanos freqüentemente formavam sociedades próprias – uma delas pode ter sido Palmares. Para chegar a esse novo retrato de Zumbi e do quilombo, os historiadores analisaram as revoltas escravas partindo de modelos parecidos que ocorreram em outros lugares da América e da África. Também voltaram às cartas, relatos e documentos da época, mostrando como cada historiografia montou o quilombo que queria.
O principal historiador a reinterpretar o que ocorreu nos quilombos é o carioca Flávio dos Santos Gomes. Ele escreve no livro Histórias de Quilombolas: "Ao contrário de muitos estudos dos anos 1960 e 1970, as investigações mais recentes procuraram se aproximar do diálogo com a literatura internacional sobre o tema, ressaltando reflexões sobre cultura, família e protesto escravo no Caribe e no sul dos Estados Unidos". Atendo-se às fontes primárias e ao modo de pensar da época, os historiadores agora podem garimpar os mitos de Palmares que foram construídos no século XX.
O novo quilombo dos Palmares
Estudos recentes mudam a visão que predominouno século XX sobre os povoados
O que se pensava
• O quilombo era uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado
• Zumbi lutava contra a escravidão
• Zumbi foi criado por um padre, recebeu o nome de Francisco e aprendeu latim
• Ganga-Zumba, líder que antecedeu Zumbi, traiu o quilombo ao fechar acordo com os portugueses
O que se pensa hoje
• Havia em Palmares uma hierarquia, com servos e reis tão poderosos quanto os da África
• Zumbi e outros chefes tinham seus próprios escravos
• As cartas em que um padre daria detalhes da infância de Zumbi provavelmente foram forjadas
• Ao romper o acordo com Portugal, Zumbi pode ter precipitado a destruição do quilombo


HISTÓRIA EM PROJETOS
Domingo, 23 de Novembro de 2008
A Veja realmente enlouqueceu: Zumbi, "caçador de negro"
Caros professores, transcrevo a leitura crítica do professor Mário Maestri sobre mais uma matéria da Veja travestida de jornalismo. Será que a Veja criará algum dia limites para tantos absurdos? Fonte. História em Projetos.
Zumbi caçador de negro
Escrito por Mário Maestri
19-Nov-2008
A proposta de existência de escravidão em Palmares foi apresentada enfaticamente pela grande mídia quando das celebrações do terceiro centenário da destruição da Confederação e morte de seu último dirigente, em 1995. Seus objetivos eram encontrar gancho para a abordagem do transcurso e dessacralizar o sucesso referencial do movimento negro e do mundo do trabalho, naturalizando a opressão através da idéia de que os oprimidos também oprimem, logo e quando podem.
Em 1995, a discussão sobre a escravidão palmarina gorou apenas devido ao sucesso midiático do bate-boca sobre a eventual homossexualidade de Zumbi. Desde então, a afirmação retorna intermitentemente na mídia e em estudos historiográficos, sem que documentação histórica probatória seja apresentada. Continuamos a contar somente com frágeis referências a cativos que, libertados à força pelos palmarinos, adquiririam a plena cidadania apenas após recrutarem outros cativos para os quilombos.
Contribui igualmente para essa despropositada afirmação a frouxidão conceitual e epistemológica atual das ciências sociais, devido à quase geral renúncia à idéia do passado como fenômeno objetivo capaz de ser reconstituído essencialmente pela ciência histórica. A historiografia tem sido reduzida à mera reconstituição literária do ocorrido, e o passado à realidade maleável segundo os interesses do presente.
Saltos lógicos
Na falta de documentação, apóia-se a tese da escravidão quilombola na provável retomada de práticas escravistas africanas nos mucambos da serra do Barriga. A equação é simples: se na África tinha, por que diachos não teria também aqui? Destaque-se que a equação traz imbricada a velha apologia de que os negreiros apenas transferiam os homens e mulheres de uma escravidão de bárbaros para a servidão cristã e civilizada na América. E sem nem mesmo pagarem a passagem!
O artigo "O enigma de Zumbi", de Leandro Narloch, publicado na indefectível Veja (19 de novembro), após lembrar que a idéia de Palmares libertário surgiu nos anos 1960 e 70 sob "influência do pensamento marxista", afirma que, nos "novos estudos", o "retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séqüito de escravos para uso próprio". Folga dizer que o jornalista se cuidou em não citar os referidos "novos estudos".
A defesa da escravidão palmarina apoiou-se no silogismo de que não haveria sentido em falar "em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus" e seriam "impensáveis" nas culturas africanas. Corroborando a proposta, o historiador Manolo Florentino, autor de livro de título sugestivo – Paz das senzalas –, reconstrói o passado a partir de pinote lógico apoiado em premissas fajutas: "Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural [sic] que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo [sic] na cultura da África.".
Servidão doméstica
Por ignorância e oportunismo, os negreiros europeus identficaram como escravidão as múltiplas formas de servidão doméstica da África pré-colonial. Prisioneiros de guerra, condenados da justiça, indivíduos sem famílias, estrangeiros etc. eram incorporados às famílias extensas, com obrigações e direitos delimitados. Casavam, tinham bens, integravam a comunidade e, em poucas gerações, extinguia-se a lembrança da origem inferior. A posse comunitária da terra e o caráter semi-natural da economia impediam que tais formas de dominação se degradassem na exploração escravista americana, regida pelo açoite de mercado de fome pantagruélica. Identificar servidão africana e escravidão colonial é procedimento analítico inaceitável.
O caráter relativamente benigno daquela servidão devia-se em boa parte à incapacidade e falta de sentido nas sociedades domésticas africanas em investirem substancialmente recursos na subjugação desses agregados. Fenômeno ainda mais premente em comunidades de resistência, como os quilombos, que dependiam do consenso para furtarem-se aos ataques permanentes dos escravistas. É até interessante imaginar os mocambeiros ocupados no combate aos escravistas e de olho nos seus cativos, para que não fugissem e se ... aquilombassem!
E, mesmo que a África tivesse sido sociedade escravista – então, por que exportaria cativos? –, deduzir instituições do Novo Mundo de instituições da África Negra é outro tropeço epistemológico primário. Os quilombos palmarinos e todos os demais foram instituições americanas, e não africanas, nascidas da oposição à escravidão. Quando muito, e nem sempre, eles reelaboraram elementos culturais africanos, já que era materialmente impossível restaurar, no Brasil, a vida do continente negro.
Um Novo Mundo
Os próprios títulos angolanos utilizados em Palmares – nzumbi, nganga nzumba etc. – ganharam no Brasil conteúdos diversos aos que tinham na África. Nesse sentido, como já foi exaustivamente proposto, fenômenos como o kilombo dos yagas, nos sertões da atual Angola, muito pouco têm a ver, no essencial, com o fenômeno identicamente nomeado no Brasil escravista.
Entre as inúmeras sandices do jornalista da Veja, destaca-se certamente a pérola de que o palmarino "não lutava contra o sistema da escravidão". Proposta que reduz aquela população e todos os quilombolas à situação de verdadeiros energúmenos, já que viviam, apenas por querer, metidos na mata, em cima dos serros, por entre cobras e lagartos, longe das maravilhosas praias de areias brancas das Alagoas da época!
Desde os anos 1950, autores como Benjamin Péret, Clóvis Moura, Édison Carneiro, José Alípio Goulart, Décio Freitas empreenderam detidos estudos sobre as comunidades quilombolas que realçaram as inevitáveis contradições entre os mocambeiros e o interesse que tinham em manter-se distante dos escravizadores, sem perder a possibilidade de estabelecer trocas com os mesmos. Tudo isso tem, no mínimo, meio século de vida.
Sobretudo, esses e tantos outros autores sugeriram e apontaram o que foi essencial e único na experiência quilombola, nos limites determinadas pelas condições materiais da época: seu caráter necessariamente libertário, já que eram comunidades em contradição insuperável com a opressão escravista – desculpem- a formulação marxista. Uma liberdade que se materializava nas solas dos pés dos fujões e nos braços armados dos quilombolas, e não em discussões conceituais sobre a igualdade e a liberdade cívica entre os homens, em quimbundo ou latim!
Mário Maestri é historiador e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net
FONTE: http://historiaemprojetos.blogspot.com/search?q=zumbi

domingo, 21 de dezembro de 2008

Trabalho 1º Bimestre - C.E.Rubens Farrullla (1º Ano)

Assunto: O absolutismo monárquico.
Atividades
Leia as instruções
a. Avaliação individual;
b. As respostas deverão ser entregues na sala até a data combinada;
c. A avaliação em questão é parte da avaliação do 1º bimestre e tem o valor de 2 pontos;
d. As respostas também poderão ser enviadas via email - wsshist@gmail.com - até a data combinada.
Três razões fazem ver que este governo (o da monarquia hereditária) é o melhor. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por si próprio. (....) A segunda razão (...) é que esse governo é o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem: o príncipe, que trabalha para o seu Estado, trabalha para os seus filhos, e o amor que tem pelo reino, confundido com o que tem pela sua família, torna-se-lhe natural. (...) A terceira razão tira-se da dignidade das casas reais. (....) A inveja, que se tem naturalmente daqueles que estão acima de nós, torna-se aqui em amor e respeito; os próprios grandes obedecem sem repugnância a uma família que sempre viram como superior e à qual se não conhece outra que a possa igualar (...).O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus (...). Os reis são deuses e participam de alguma maneira da independência divina. O rei vê de mais longe e de mais alto; deve acreditar-se que ele vê melhor, e deve obedecer-se-lhe sem murmurar, pois o murmúrio é uma disposição para a sedição.
BOSSUET, Jaques B. Política Tirada da Sagrada Escritura.

O rei sábio deve governar harmonicamente o seu reino, entremeando suavemente os nobres e os plebeus, os ricos e os pobres, com tal discrição, no entanto, que os nobres tenham alguma vantagem sobre os plebeus, pois é bem razoável que o gentil homem, tão excelente nas armas e nas leis quanto o plebeu, seja preferido nos estados (empregos) da judicatura ou da guerra; e que rico em igualdade das demais condições seja preferido ao pobre nos estados que têm mais honra que lucro; e que ao pobre caibam os ofícios que dão mais lucros do que honra; assim todos ficaram contentes (....).

Nada havendo de maior sobre a Terra, depois de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele estabelecidos como seus representantes para governarem os outros homens é necessário lembrar-se de sua qualidade, a fim de respeitar-lhes e reverenciar-lhes a majestade com toda obediência, a fim de sentir e falar deles com toda honra, pois quem despreza seu príncipe soberano despreza a Deus, de quem ele é a imagem na terra.
BODIN, Jean. Seis Livros sobre a República.

ATIVIDADE
1. Após ler os textos, identifique:
a) Como é ou deve ser o rei para esses autores;
b) O que o rei deve ou pode esperar de seus súditos;
c) O que os súditos devem esperar de seu rei.

Obs. Este material também se encontra na locadora.