Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Brasil Recente - Blog de História do Brasil - "Eventos e memórias do Brasil após o golpe de 1964."

Dica do Café História.

Historiador Carlos Fico lança blog de História do Brasil
O historiador e professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lançou na última semana de dezembro o blog"Brasil Recente". Especialista em Ditadura Militar brasileira(1965-1985), Fico vai abordar no blog personagens, eventos e memórias do Brasil após o golpe de 1964.
"Brasil Recente" já conta com quatro textos publicados, que abordam temas do momento, como a abertura de arquivos sensíveise também a sucessão presidencial. O blog está dividido em várias seções, sendopossível encontrar artigos, dicas de leitura, documentos, vídeos e referênciasbibliográficas. Gostou? Então acesse:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

UMA PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A SALA DE AULA

“Toda vez que um segredo é descoberto, refere-se a um outro segredo num movimento progressivo rumo a um segredo final. Entretanto, não pode haver um segredo final.”
(Umberto Eco)

A sala de aula, espaço por todos chamado de minha, é onde nós nos realizamos.
Em um belo dia nela pela primeira vez entramos. Deslumbrados ficamos. O espaço tão sonhado que nos apontava a um mundo novo, a ser conquistado, a ser desnudado.
Avançamos por esse espaço com as lições que ali nos foram ensinadas. As pedras postas no caminho da vida foram, aos poucos, sendo retiradas com as ferramentas que nos deram dentro da sala de aula.
Outras ferramentas buscamos fora da sala de aula.
Admirávamos aquela pessoa meiga que de tudo sabia, a qual aprendemos a chamar de Tia mesmo sem sermos parentes. Depois de Professora pelas lições passadas. Olhávamos a pessoa meiga com o temor de ser castigado, ou de levarmos alguma “encomenda” direcionada a nossa mãe. Geralmente um pequeno pedaço de papel contendo o que havíamos feito naquela manhã ou tarde. Não sabíamos se era pior carregar o bilhete, escondê-lo, ou cumprir com a obrigação de entregá-lo a Mamãe arcando com as conseqüências do escrito.
Passavam os anos e nós passávamos de ano. Que felicidade. Estávamos na série seguinte. Sentíamos-nos adultos. Homens feitos.
Passavam as férias, viam as aulas.
Lá estávamos nós de volta ao nosso espaço: a sala de aula. Diferente este ano! Não havia em sua parede aqueles cartazes feitos por nós no ano que havia findo. Pelo contrário, eram paredes secas. Não tínhamos mais a professora meiga e o medo do castigo, ou do bilhete. Havia um monte de medos sem bilhetes: eram vários professores e professoras. O medo se multiplicava na proporção do aumento da responsabilidade. A cobrança em casa crescia.
Os grupos de amigos continuavam os mesmos, uma perda aqui ou ali sempre recuperada com uma nova contratação para recompor o elenco das brincadeiras. Havia aumentado o número de aulas junto com a quantidade de disciplinas. Haja tempo para estudar e estudar.
Surgiam os primeiros suspiros. Estes vinham acompanhados de grandes sonhos. Eram as fantasias do namoro nascendo em cada um. Logo se suspirava por uma, no ano seguinte por outra, porque a do ano anterior não tinha visto o suspiro, ou o tinha, simplesmente, ignorado.
Ano após ano aquele espaço chamado de sala de aula, agora minha classe, ia se tornando mais sério. Aumentava a idade, junto aumentava a cobrança paterna. Não mais existiam bilhetes para casa, íamos para casa com uma carta......de suspensão. Era na nossa mente a evolução: tínhamos saído do bilhete reclamatório à carta de suspensão. Alguns “evoluíram” demais: haviam recebido a Carta de Expulsão. Por um tempo cessávamos com as brincadeiras. Era o medo de evoluir mais um pouco.
Anos depois, sem que ninguém notasse, havíamos chegado ao 3º ano, do antigo científico, depois 3º ano do Ensino Médio. Deixemos as nomenclaturas de lado. Era a euforia de fazer o vestibular misturado a euforia de ter conquistado aquele suspiro de anos anteriores. O suspiro tinha virado namoro. Mas tínhamos de estudar para por à prova que a Tia, a Professora, os Professores e Professoras haviam feito o dever de classe, nos faltava fazer o de casa. Ou seja, eles e elas tinham nos ensinado. Passar no vestibular era dever nosso. Quem não passou por isso?
Minutos preciosos de televisão, de jogar bola, de namoro, foram trocados por horas a mais a frente dos livros, das apostilas e, agora com supervisão paternal.
Chegara o dia do exame vestibular. Antecedido que foi por um de angústia e uma noite de insônia. Saímos de casa para tentar um novo sonho: entrar em outra sala de aula. A sala de aula da Universidade. Cedo fomos acordados por uma mãe tensa, que na sua meiguice havia preparado algo leve para comermos antes de sair. A roupa passada nos esperava. Não podíamos sair tarde visto não poder chegar atrasado como nos dias de aula. Deixávamos uma família rezando e nos fazendo ter uma responsabilidade ainda maior. A única possível. Passar no vestibular. Claro que seria uma conquista nossa, mas faria todos da casa mais felizes.
Tensos escutamos pelo já antigo rádio, os nomes sendo lidos um a um, em ordem alfabética e por curso, por uma voz que não sabíamos de quem era. Nem chegava o curso para o qual tínhamos feito, nem chegava o nosso nome. Finalmente o locutor (palavra em desuso) falava em nosso curso. Os primeiros nomes aprovados, felicidades para muitos, tristeza para milhares. Festa em nossa casa. Festa na casa dos amigos. Mas havia alguém do grupo a não passar. Era um elo da corrente que ficava na estrada do tempo, que é a estrada da vida.
Choramos junto o ingresso na Universidade. Somente depois percebemos que todo aquele choro de felicidade, aquelas lágrimas de alegria, era a forma que a sala de aula a nos unir durante tanto tempo seria a mesma a nos separar. Havíamos ingressado na Universidade em cursos diferentes. Salas de aula diferentes. Olhamos-nos de repente: estávamos sós no meio de tanta gente. Esse era o sentimento compartilhado pelos velhos amigos de tantas salas de aula. No início do curso ainda conversávamos bastante. Com o tempo a nova sala de aula foi criando novos amigos, enquanto os velhos amigos tinham cada vez menos tempo para conversar. Eram trabalhos, provas, seminários. Eram novos grupos de amigos. A sala de aula do nosso futuro nos obrigava a conversar menos com nossos amigos de sempre.
Como é paradoxal essa sala de aula.
Era chegado o momento de glória da família. Havíamos terminado o curso universitário. Chegara o dia da aula da saudade, da colação de grau, do baile de formatura. Interessante, durante a aula da saudade se falou em saudade dos amigos feitos na Universidade. Não ouvimos falar dos outros amigos feitos na alfabetização.
Havíamos feito cursos na área de educação, mas basicamente licenciaturas.
Agora era chegada a hora de trabalhar. Trabalhar onde mesmo? Numa sala de aula.
Entrávamos em nossa primeira sala de aula como professores. Difícil dizer qual medo foi maior: o frio na barriga do profissional formado ou do menino que chorou para não ficar na sala de aula quando levado pela mãe.
Dilema nunca resolvido.
Mas estávamos realizados. Éramos profissionais. Éramos professores e agora tínhamos a nossa própria sala de aula.
Havíamos evoluído. De ocupantes de uma sala a proprietários de uma só para minha pessoa (e haja redundância para dizer que temos uma sala de aula).
A sala de aula é o espaço do homem. Do homem que se realizou. Pois todos os profissionais percorreram este caminho nestas linhas ditas. E mesmo aqueles que dizem não trabalhar em uma sala de aula – agradecendo a Deus, ainda por cima -, não sabem que vivem o tempo todo na maior sala de aula da alma humana: a vida.
Parabéns por sua existência sala de aula, obrigado por nos ensinar a viver.

sábado, 23 de outubro de 2010

OS DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR

"DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR"
Leandro Karnal
Primeiro
CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.
Segundo
SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.
Terceiro
PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense... Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.
Quarto
POSSIBILTAR O CAOS CRIATIVO!
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.
Quinto
INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.
Sexto
PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO!
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: "O Feudalismo" ou "O Relevo do Amapá"; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?Sétimo
VARIAR AVALIAÇÕES!
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.
Oitavo
USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.
Nono
ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.
Décimo
SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula...). Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência - este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Fonte: www.ime.unicamp.br In. FARIA, Ricardo de Moura. Estudos de História, vol 1.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

EDUCAR PARA CRESCER


Cartazes para escolas
Dicas simples para envolver professores, alunos e pais na melhoria da qualidade de ensino no Brasil. Imprima e exiba em sua escola






Esses e outros cartazes no site:
http://educarparacrescer.abril.com.br/cartazes/index.shtml

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Interdisciplinaridade

Era uma vez um prefeito que recebeu boa verba para instalar uma biblioteca pública. O prefeito pede ao secretário de educação e cultura que coordene a elaboração das listas de livros. Para bibliotecário, ele nomeia um senhor conhecido na cidade como pessoa muito organizada e controladora.
O bibliotecário assume e, logo em seguida, chegam as prateleiras. Dias depois, começam a chegar os livros, que são meticulosamente arrumados. Há poucos dias da inauguração, o prefeito, acompanhado do secretariado, vai visitar a biblioteca.
Ao entrar, todos ficam estarrecidos. O que se via era uma confusão danada de livros misturados pelas prateleiras. Três livros de Biologia, seguido de meia dúzia de romances, depois, três ou quatro livros didáticos de História. Tudo isso seguido de uma enciclopédia. Depois desta, livros de Geografia, mais romances, um livro de gramática...
O prefeito e os secretários se entreolhavam sem saber o que dizer. Foi o secretario de educação quem tomou iniciativa, olhando nos olhos do bibliotecário.
- Homem, você enlouqueceu?
- Claro que não, senhor secretário.
O secretário procurava manter a calma.
- Então, o que significa essa bagunça que você fez com os livros? Tem todo tipo de livro misturado nas prateleiras.
O bibliotecário, com cara de espanto.
- Ah! Não pensei nisso.
- E no que você pensou? Disseram todos, em uníssono.
O bibliotecário assume tom professoral, e dispara.
- Bem, esta biblioteca está perfeitamente organizada segundo a ordem de chegada dos livros que
recebemos. Naquela extremidade inferior esquerda encontra-se o primeiro livro que entrou nesta biblioteca. Ao lado dele o segundo, depois o terceiro, o quarto e assim por diante. Nada, repito, nada, encontra-se fora do lugar.
Essa é uma história inventada.
É bastante absurda, não acham? No entanto, um adolescente que está cursando o 1º ano do ensino médio chega na escola às 7:20 h e tem duas aulas de Matemática, seguidas de uma aula de Geografia e outra de Inglês. Após 20 minutos de intervalo, ele tem uma aula de Química e outra de Biologia. No dia seguinte, a primeira aula é de Língua Portuguesa, a segunda de História...
O que a escola oferece a esse aluno é aquela biblioteca, que ele, quando chega a ter condições, procura entender como foi montada e como pode ser reordenada. Na grande maioria dos casos, os alunos têm que descobrir por conta própria o que houve com a biblioteca. E haja memória para por tudo em ordem. Para superar essa estranha situação em que a escola de educação básica se encontra, por conta de uma organização curricular que hipertrofia a compartimentação do saber, precisamos pensar, entre outros desafios, na construção de propostas didáticas pluridisciplinares e interdisciplinares.
A abordagem interdisciplinar é um dos caminhos que pode levar a um ensino que proporcione
aprendizagens cada vez mais significativas aos nossos alunos. Aprendizagens nas quais os conteúdos disciplinares são organizados de modo a proporcionar aos alunos “as capacidades que lhes permitam responder aos problemas reais em todos os âmbitos de desenvolvimento pessoal, sejam sociais, emocionais ou profissionais”.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Revista: Careta


"Careta foi uma revista humorística brasileira que circulou de 1908 a 1960. Periódico de excelente padrão gráfico e editorial foi fundado por Jorge Schmidt e tiveram entre seus colaboradores alguns dos melhores chargistas do país, como Raul e J. Carlos (diretor e ilustrador exclusivo da revista até 1921)".
Fonte: Wikipédia.
A Biblioteca Nacional digitalizou todos os números da revista Careta. Transformando-se assim em uma excelente fonte de consulta de fontes primárias para nós professores, além de uma quase inesgotável fonte de análise da "realidade" política brasileira no período e também para a elaboração de uma série de atividades para e com nossos alunos.
Para acessar o anuário (1908-1960) é só clicar no link (abaixo) e depois escolher o ano e o número.
Abaixo temos um exemplo que pode ser utilizado como atividade em sala de aula, principalmente
os temas: Curral eleitoral, voto de cabresto.
Na imagem seguinte temos o editorial da Revista Careta do dia 16 de novembro de 1929 sobre a participação das mulheres na vida política. Uma excelente oportunidade para trabalhar às questões de gênero e também sobre preconceito. Observe a parte final do editorial, mas politicamente incorreto que isso impossível.
“Em alguns annos, talvez na próxima legislatura apparecerá uma nova bancada: a Bancada Hermaphrodita, para se oppor á dos Assexuados” Escrita da época.


Para ampliar as imagens é só clicar nas mesmas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

GUERRA FRIA

Em minhas andanças pela Internet, descobri no blog da professora Sonia Bertocchi - Lousa Digital http://lousadigital.blogspot.com/2009_08_30_archive.html uma ferramenta onde se pode elaborar uma linha do tempo. Como ela, fiz o meu teste e aprovei. A linha, que fiz, como teste, ainda não está 100%, mas eu chego lá. Para acessar a linha sobre a Guerra Fria e só clicar no link abaixo. Falta aprender a postar no blog.
Espero que gostem.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quadrinhos e História

Outro exemplo de parceria entre as histórias em quadrinhos e o ensino. Nessa "história" podemos trabalhar, por exemplo, a sociedade hierarquizada européia


Quadrinhos e História

Muitas vezes as histórias em quadrinhos é um excelente meio para trabalharmos algum conteúdo. A tirinha abaixo é do chargista Nilson e é um bom exemplo da parceria entre quadrinho e História.

Fonte: Jornal do Brasil 03/06/2006

A tirinha pode ser trabalhada, no conteúdo das Reformas Religiosas e mais especificamente nas diferenças entre as Igrejas Reformadas e a católica ou o Concílio de Trento.

sábado, 4 de julho de 2009

CRISE DE 1929

Material para utilização em aula sobre a Crise de 29.
http://www.esnips.com/doc/d99c9f38-507d-4c63-bbbe-2633fc3681dd/A-CRISE-DE-1929

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sugestões de atividades

Em minhas pesquisas pela internet, para melhorar as minhas aulas, encontrei essa página da Secretaria de Educação do estado de Minas Gerais. O Centro de Referência Virtual do Professor, onde os professores da Rede de Ensino do estado de minas e agora também dos outros estados, tem acesso a uma série de sugestões de aula e roteiros de atividades. Esse site tem contribuído muito para dinamizar as minhas aulas e espero que ajude a vocês também.
Abaixo segue um site, com sugestões de aula, para professores de sociologia. Vale a pena dar uma olhada.
Um abraço.
Alexandre.

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Charge de Bordalo. Publicada em O Mosquito em setembro de 1875, dom Pedro II dá a mão à palmatoria a Igreja. Trata-se de uma alusão à anistia concedida pelo imperador aos bispos de Olinda e Belém, protagonistas da "Questão Religiosa".
Fonte: Arruda e Piletti. Toda a História. História Geral e do Brasil. Ed. Ática, p. 293.
Essa imagem esta sendo postada pela sua dificuldade de ser encontrada na rede. Um abraço.

segunda-feira, 2 de março de 2009

DITADURA MILITAR BRASILEIRA


"Você corta um verso/ Eu escrevo outro.
Você me prende vivo/ Eu escapo morto.

De repente, olha eu de novo/ Perturbando a paz
Exigindo o troco."
(Pesadelo - Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro)


Vale a pena dar uma olhada no blog - http://historiaemprojetos.blogspot.com/ - da professora Maria da Conceição Carneiro Oliveira e acompanhar toda a discussão em torno do assunto: Folha afirma em editorial que não houve ditadura no Brasil.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

BIBLIOGRAFIA - EDUCAÇÃO



Professor, Não Deixe a Peteca Cair!: 63 Idéias para Aulas Criativas
Simão De Miranda Editora: PAPIRUS EDITORA ISBN: 8530807723 Ano: 2005
Esse livro tem como objetivo convidar o professor a refletir sobre seu papel e sua prática, incentivando-o a implementar, em sala de aula, estratégias que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e da afetividade do aluno. Como o autor destaca, o afeto é uma condição necessária ao desenvolvimento das habilidades intelectuais e acadêmicas. Desse modo, o aluno motivado, interessado e com autoconceito positivo tende a apresentar um desempenho mais criativo e empreendedor. Mais do que oferecer diversas idéias para tornar a aula mais atraente, o livro incentiva o professor não só a revisá-las, como também a elaborar suas próprias estratégias criativas e afetivas. Assim, além de resgatar o prazer de ensinar, estimula o educador a experimentar novas formas de pensar e atuar.

Fonte: http://simao-de-miranda.comprar-livro.com.br/livros/1853080772/

A nossa biblioteca - C.E. Rubens Farrulla - adquiriu recentemente esse livro. Vale a pena conferir.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL


O descobrimento planejado do Brasil
e a tomada de posse da terra prometida

Deus quer; o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste, desvendando a espuma.
(Mar Português – Possessio maris – I. O Infante Fernando Pessoa, Mensagem)

Versão meio louca sobre o "descobrimento" do Brasil.

Ao longo deste capítulo, serão abordadas questões extremamente importantes e, infelizmente, pouco conhecidas. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que o Brasil não foi "descoberto" em 22 de abril de 1500, conforme regularmente se ensina (e se comemora) e que a missa aqui celebrada em 26 de abril também não foi a primeira.
Em seguida, convém registrar que o "descobrimento" não se deu por acaso, como se costuma (ou se costumava) ensinar nos livros escolares; foi, ao contrário, cuidadosamente planejado pelos reis templários portugueses, que tinham conhecimento da existência destas terras do outro lado do Atlântico e sabiam das correntes marítimas para a elas chegar muito antes das primeiras navegações lusitanas.
Em terceiro lugar, é preciso retificar que o principal motivo para as grandes navegações não foi de ordem econômica, como costumeiramente se acre-dita; ao contrário, o projeto dos descobrimentos obedeceu, antes de tudo, a uma motivação espiritual - dentro do plano dos cavaleiros da Ordem do Templo ou de Cristo de chegar à Terra da Promissão, à Grande Ilha Sagrada ou Ilha Imperecível, onde seria feito, de acordo com as profecias , o Reino de Deus na Terra.
Em quarto, o nome Brasil não veio de pau-brasil (cor de brasa) como se ensina e, sim, é uma denominação que já existia antes da oficialização da descoberta, significando "terra abençoada".
Finalmente, quem nos colonizou não foram só bandidos degredados e gente da pior espécie, conforme se afirma injusta e inveridicamente; ao contrário, o Brasil foi povoado principalmente por uma elite constituída por cristãos-novos, cavaleiros templários e pessoas perseguidas ( degredadas) por questões ideológicas ou religiosas, como os festeiros do Divino.Vamos ver esses cinco aspectos um por um.
1343: Portugal Anuncia ao Papa a "Descoberta" da Ilha do Brasil
Oficialmente, sabe-se que os portugueses já no ano de 1343 ou antes dele aqui estiveram, enviados pelo rei de Portugal Afonso IV, filho de D. Dinis.
Afirma-nos Roberto Costa Pinho que "o primeiro registro da Ilha Brasil encontra-se na Carta Náutica do cartógrafo genovês Angel Dalorto, elaborada em 1325, onde ela figura a oeste da costa sul da Irlanda, 175 anos antes do Brasil ser oficialmente descoberto." 98
Como podia um cartógrafo genovês saber da existência desta terra, que os irlandeses da época passaram depois a chamar de Ilha de São Brandão? De duas maneiras: ou porque teve acesso a mapas existentes (como os dos templários) – assunto de que falaremos mais à frente - ou porque, já nessa época, navegadores portugueses, orientados por genoveses, cruzavam os mares e aportavam no Novo Mundo.
Esta última hipótese sem dúvida é plausível, pois convém lembrar que o rei D. Dinis, de Portugal, nascido em 1260 e considerado o pai do projeto dos descobrimentos, contratou navegadores genoveses para construção da primeira armada portuguesa, com vistas às navegações marítimas futuras. Foi este monarca que plantou pinhais pelo reino, para fornecer a madeira necessária ao feitio das embarcações.
O ano de 1325, em que apareceu a Carta Náutica de Ângelo Dalorto, foi também o ano em que morreu D. Dinis, subindo ao trono seu filho Afonso IV. Dezoito anos após a morte de D. Dinis, em 1343, foi oficiada ao papa a descoberta da Ínsula Brasil, conforme registra Felipe Cocuzza:
"Sancho Brandão foi o navegador português que, a mando de D. Afonso IV chegou ao Brasil na Idade Média, conforme atesta Assis Cintra, em seu livro "Revelações Históricas para o Centenário", em 1923. Essa navegação foi informada por D. Afonso IV ao papa Clemente VI em carta de 12 de fevereiro de 1343, acompanhada de um mapa com a inscrição de "Ínsula do Brasil ou de Brandam". O nome Sancho, de Sanctius, o mais santo, ajudou a convergência para São Brandão". 99
Segundo este mesmo autor, mapas e textos europeus da Idade Média, entre eles o célebre "The Canterbury Tales", de Geolfroy Chaucer (1380) ligam sempre o nome do Brasil ao de Portugal, às vezes dando idéia inequívoca de posse: Brasil de Portugal.
Esta "descoberta" de 1500 foi, portanto, uma "tomada de posse", uma vez que os reis templários de Portugal já sabiam da existência destas terras muito antes dessa navegação ordenada pelo rei Afonso IV, aliás preparada pelo seu pai, D. Dinis, chamado por Fernando Pessoa de "plantador de naus".
O Plano da "Descoberta"
Se quem conseguiu primeiramente sucesso nas navegações portuguesas foram os reis D. Dinis e Afonso IV, o monarca que ficou com a fama dos descobrimentos foi D. Manuel, o Venturoso, pois foi ele quem tratou da oficialização perante o mundo da descoberta do Brasil. O alegado "descobrimento casual" foi, na verdade, resultado de um plano cuidadosamente preparado durante séculos pelos reis templários lusitanos.
Foi esse plano que levou o rei D. Dinis a reflorestar Portugal, plantando os pinhais para fornecer madeira para as embarcações, duzentos anos antes do "descobrimento" oficial, e a criar a primeira armada portuguesa, com auxílio de navegadores genoveses. Depois disso, os reis dele descendentes continuaram o projeto de chegada à "terra prometida".
Os mapas e registros dessa terra e das correntes marítimas para a ela chegar (oriundos dos navegadores fenícios e hebreus), juntamente com profecias detalhadas sobre esse longínquo mundo, teriam passado ao poder dos cavaleiros templários quando, no século XII, fundaram a Ordem do Templo
em Jerusalém, no mesmo local onde antes se situara o templo de Salomão, conforme vimos nos capítulos 5, 6 e 7 deste livro.
A Origem Templário (Espiritual ) dos Descobrmentos
É do conhecimento das pessoas mais evoluídas que existem aspectos, ou mesmo fatos na História, ou ainda até a própria História que são deliberadamente omitidos ou ocultados por razões de quem tem o poder ou de quem quer se proteger dele.
Acreditar, como é ensinado por exemplo no Brasil, que seu descobrimento se deve a uma chegada fortuita e, mais, que o interesse pelo monopólio das especiarias motivou a expansão marítima portuguesa e os descobrimentos é ter, como diz Antônio Quadros, a visão limitada das pessoas que só enxergam até onde a miopia do dinheiro lhes permite.
Assim como o Império Romano se deveu ao estoicismo, Portugal do século XV ao XVI foi dono da metade do planeta e ainda invencível em terra e nos mares porque tinha um alvo muito além do mero interesse pelas riquezas, que certamente houve.
O Porto do Cálice ou Porto do Graal (Portugal), país templário por excelência, era naquele período um conjunto de forças e aspirações superiores condensados num só sentido: a expansão da fé de Cristo e a formação do Reino do Espírito Santo, baseado na tradição templária, com sua visão joanina, fundamentada na doutrina de Gioachino di Fiori sobre o advento da Terceira Idade - impelia-os a fé no destino de uma pátria messiânica portuguesa.
O principal móvel secreto dos descobrimentos, como bem assinalam Antônio Quadros e outros autores, foi de ordem espiritual: o desejo de construir o Quinto Império ou reino do Espírito Santo no mundo. Para tanto, conforme mostramos em nosso livro, ambicionavam chegar à Grande Ilha que, segundo as profecias, estaria destinada para tal propósito.
Rainer Daenhardt, historiador alemão, afirma que não é por acaso que os grandes navegadores portugueses dos séculos XV e XVI eram membros das ordens de Cristo e de Avis, nem é por motivos fortuitos que levavam em suas embarcações a cruz da Ordem de Cristo nas velas.
"A expansão do mundo português não foi o resultado ocasional de aventureiros que se lançaram à procura de conquistas de novas rotas marítimas para enriquecerem rapidamente e de qualquer maneira. Na História escrita por mãos portuguesas não houve a aniquilação sistemática de povos, religiões ou culturas, ao primeiro contato, como a extinção dos astecas, no México, dos Incas no Peru e dos Guanches nas Canários, por exemplo. Com a Ordem de Cristo foi tudo diferente. " 100
Para esse escritor, a expansão portuguesa não foi sempre pacífica, mas de qualquer modo, uma pequena nação pôde escrever páginas significativas i
na História da Humanidade, sem impor extermínio de populações. Foram cavaleiros iniciados que navegaram por todos os mares e levantaram padrões com símbolos da Ordem de Cristo, da Cruz de Avis e da Cruz das Quinas, circundada pelo escudo dos castelos.
Afirma Daenhardt que a orientação da Ordem de Cristo, que supervisionava toda a expansão marítima, imprimiu uma vontade férrea à atuação portuguesa, liderada por cavaleiros iniciados, vivos exemplos de uma interpretação da fé, bem diferente da missão que lhes estava destinada. Essa já era a força da "Fé de Portugal".
Brasil Não Veio de "Pau-Brasil"
Conforme foi afirmado anteriormente, o nome Ilha Brasil já existia antes do descobrimento oficial do Brasil por Pedro Álvares Cabral – quando, em 1343 o navegador Sancho Brandão representou o continente com o nome de Ínsula Brasil ou Brandam.
O pesquisador Felipe Cocuzza explica que "durante a Idade Média, a lendária Ilha Brasil povoou a poesia, os mapas, as tradições, as profecias e o folclore. A palavra Brasil tem duas etimologias convergentes: o germânico brasa, que passou ao Latim e ao Português, de onde veio a designação pau-brasil, devido à cor vermelha e o celta BRAS ou BRES, paralelo ao inglês BLESS que significa benção; prende-se ainda ao hebraico BRACHA (ch aspirado como em alemão) também com o sentido de benção e ao sânscrito BRHAMA da raiz BRITH, expandir, irradiar; brilhar, com o sentido de Deus, benção, suma ventura. Portanto, Ilha Brasil quer dizer Ilha Abençoada."101
Livres-Pensadores, não Degredados
Diversos autores apontam que uma das maiores injustiças feitas ao Brasil é dizer que foi povoado por degredados, gente da pior espécie. Ao mesmo tempo, a história ensinada nos bancos escolares salienta, é claro, que os Estados Unidos foram colonizados por pessoas da melhor espécie. Autores como Cocuzza, Varnhagen, João Francisco Lisboa, entre outros, desmentiram essas duas falsidades infelizmente arraigadas na mente do povo por força de um ensino errôneo.
Na verdade, a maior parte dos degredados não eram prisioneiros de crime comum, mas livres-pensadores perseguidos por motivos ideológicos (Inquisição) como cristãos novos e humanistas. Não nos podemos esquecer, em honra dos portugueses, do belo trabalho efetuado pelos jesuítas (Nóbrega. Anchieta) com suas missões, e pelos franciscanos da Ordem Terceira. As duas ordens religiosas trouxeram ao Brasil a tolerância racial, o culto ao Espírito Santo, a Festa do Divino e o sonho de realizar o Reino de Deus na Terra.
Saliente-se o povoamento feito por levas de famílias açorianas que se fixaram no Rio Grande do Sul - ou que fundaram, entre outros Estados, o do Espírito Santo, cuja capital, significativamente, chama-se Vitória.
Entre os degredados vindos ao Brasil, para felicidade de nossa terra, estavam os festeiros do Divino, que na Europa estavam sendo perseguidos pela Inquisição por anunciarem o futuro Império do Espírito Santo. Neste país, eles organizaram as festas que existem com pujança até os dias de hoje.
Constitui portanto uma insensatez dizer que foi má sorte para o Brasil ter sido colonizado pelos portugueses; que seria melhor termos sido colonizados pelos ingleses, franceses, holandeses, etc. É só ver o racismo, a intolerância e o clima insuportável existente nas terras colonizadas por tais países, para suspirarmos aliviados por termos sido um país descoberto e povoado por lusitanos.
Vespúcio descobre o Paraíso Terresre
Américo Vespúcio (1452 a 1512), cosmógrafo e navegador, é um dos nomes mais importantes da história da descoberta do Novo Mundo. Graças às suas cartas, que se difundiram em forma de folhetins de sucesso e encantaram a Europa renascentista, as terras descobertas receberam o nome de América. Das quatro viagens que Vespúcio realizou, esteve no Brasil em três delas, comparando nosso país ao "paraíso terrestre":
"(...) fomos à terra e descobrimo-la tão cheia de árvores que era coisa maravilhosa, não somente a grandeza delas, mas seu verdor e cheiro suave, que delas saía e dava tanto conforto ao olfato que grande recreio tiramos disso. E o que vi aqui foi uma feíssima coisa de pássaros de diversas formas, e cores, e tantos papagaios que era deslumbrante; alguns coroados como carmim, outros verdes, e cor limão, e outros negros, e encarnados, e o canto dos pássaros que estava nas árvores era coisa tão suave, e de tanta melodia, que nos acontece muitas vezes estarmos parados pela doçura deles. E a mata é de tanta beleza e suavidade que pensávamos estar no paraíso terrestre. (...) Naquele país tal multidão de gente encontramos que ninguém enumerar poderia, como se lê no Apocalipse: gente digo mansa e tratável." 102
Foi baseado nos relatos de Américo Vespúcio que Thomas Morus escreveu Utopia, que depois influenciou Jean Jacques Rousseau com a sua teoria do bom selvagem.

98 PINHO, Roberto Costa. Museu Aberto dos Descobrimentos – Portugal, Mito e História em Busca da Outra Banda da Terra. Editado por Fundação Quadrilátero dos Descobrimentos, FIESP, São Paulo, p.118.
99 COCUZZA, Felipe, A Mística da Amazônia, Zohar Editora, São Paulo, 1992, p.71.
100 DAENHARDT, Rainer. Missão Templário dos Descobrimentos. Edições Nova Acrópole, Lisboa, 1ª Edição, Maio de 1991, p. 26.
101 COCUZZA, Felipe. Amazônia Mística, op. cit, p. 71.
102 VESPÚCIO, Américo. Novo Mundo - Cartas de Viagens e Descobertas. (A Visão do Paraíso) – L & PM Ltda., Porto Alegre, 1984 (contracapa).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O instante eterno. Aprenda a usar os recursos da Semiologia para analisar uma fotografia em classe

Por Rosane Pavam
Boris Kosoy contesta a neutralidade fotográfica e expõe a manipulação histórica de imagens fugazes

A originalidade de um pensador como Boris Kossoy tem sido a de transformar a fotografia em assunto relevante para os estudos de história. Isso sem contar sua constatação, de repercussão extraordinária, segundo a qual a fotografia foi inventada no Brasil, em 1833, pelo viajante francês Hércules Florence. Em 1984, Kossoy ganhou da França a distinção de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, pelo conjunto da obra. Agora que tem um novo livro editado, este pesquisador paulista oferece um paradoxo ao pensamento sobre o tema. Em Os Tempos da Fotografia – O Efêmero e o Perpétuo (Atelié Editorial), ele afirma que as fotos funcionam como espelhos nos quais as memórias são guardadas. Mas os espelhos não refletem as imagens por um tempo fugaz?
Não este espelho, diz ele no livro em que são editadas palestras e conferências, o último de uma trilogia iniciada em 1999. O que parece ligeiro em uma fotografia revela-se, com o tempo, o patrimônio de uma cultura. Doutor em Ciências pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo que também atuou como fotógrafo, Kossoy crê que o historiador deve aprender a ver, nas fotos preocupadas em registrar o instante, sua porção de eternidade.
Apesar do intuito de retratar um momento, a fotografia guarda para sempre indícios da sociedade que a produziu. Essa crença de que se devem observar tais instantes com verdadeiro interesse historiográfico remete à escola dos Annales, criada por Marc Bloch e Lucien Febvre em 1929 como contraponto ao pensamento positivista do século XIX. Kossoy raciocina como os franceses e como um italiano que os sucedeu, o historiador Carlo Ginzburg. A história, para esses pensadores, é feita das grandezas de coisas miúdas, observadas fora do circuito da política e dos donos do poder. Interpretar certos aspectos da vida cotidiana a partir daqueles que a experimentaram anonimamente constitui uma ação de resistência.
Aos 66 anos, autor do Dicionário de Fotógrafos e do Ofício Fotográfico no Brasil (1840-1910), o professor da Escola de Comunicações e Artes da USP trabalha a partir dos indícios reivindicados por Ginzburg. Seguindo as lições do pensador italiano, Kossoy crê que os vestígios devem ser perseguidos, à moda do que faria Sherlock Holmes, até que a verdade, ou a possibilidade dela, sugerida por uma foto possa ser obtida.
Um vestígio é, por exemplo, o outdoor pendurado em um tapume do Largo do Arouche, no qual se oferece um miraculoso pó azul para matar baratas, preservado ao futuro em uma fotografia tirada em 1942 por Hildegard Rosenthal (1913-1990). Na imagem dessa autora nascida em Zurique, importará mais a cena simpática de um florista de jaleco branco e boné vendendo um buquê a uma mulher ou a série de outros vendedores de jaleco às suas costas, trabalhando sob um outro outdoor, o do filme Pérfida, com a “atriz número 1” Bette Davis? Um historiador terá muito que considerar sobre o tempo em questão ao analisar os detalhes da cena. Na foto repousam vestígios da cidade esquecida, de sua contraditória polidez.
O que Kossoy pretende fazer, então, é ouvir os anônimos da história, porque com eles estaria a verdade escondida do universo fotográfico. Hildegard Rosenthal era uma espécie de autoridade invisível neste mundo de espelhos quando o crítico Walter Zanini a redescobriu, em 1974. Kossoy quer colocar à luz muitos fotógrafos como ela. Anseia pelo ressurgimento de autores sem assinatura que teriam construído um padrão imagético para o Brasil. Eles seriam capazes de nos contar sobre o tempo que passa, diz Kossoy, citando o historiador marxista Eric Hobsbawm.
Para Kossoy, trata-se também de dessacralizar a neutralidade fotográfica como a entendiam, ou entendem, os cientificistas, responsáveis por transformá-la, às vezes, em documento tedioso. A fotografia não contém toda a verdade, sustenta. Ela é uma representação e pode, por conta dessa característica, ser manipulada por quem dela se servir. Aconteceu em 1871, durante a guerra franco-prussiana, de a fotografia ter encontrado um emprego pioneiro enquanto instrumento de identificação. Retratados durante o breve período de resistência, os defensores da Comuna de Paris foram identificados pela polícia graças a montagens fotográficas. Com o tempo, as atrocidades pelas quais responderam com a morte revelaram-se falsificações. “Para tanto teriam sido empregadas, na elaboração das montagens, fotografias de indivíduos tiradas anteriormente ao evento”, escreve Kossoy. “Essa guerra inaugura, pois, diferentes usos do testemunho fotográfico enquanto evidência documental.”

À primeira vista, é difícil crer que estejam sorrindo, depois da derrota em um episódio do que ficou conhecido como a Intentona Comunista, os militares que, em 1935, dão-se os braços na direção da câmera anônima. Kossoy explica que a foto foi tirada na tarde de 27 de novembro, por ocasião da rendição desses rebeldes. A imagem os mostra caminhando na Praia Vermelha em direção aos veículos que os levariam à prisão. “Esta manifestação de alegria, tal como se acha registrada na foto, causou indignação”, escreve. Foi publicada nos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. A Polícia Militar escreveu, sobre os oficiais revoltosos, que eram “cínicos, feras, criminosos”, já que sorriam depois de terem “sacrificado brutalmente vidas moças e felizes”. Estávamos a dois anos da instauração do Estado Novo e as circunstâncias que cercam a obtenção da foto surgem insuficientemente explicadas.
As tramas da criação fotográfica têm muito a dizer a um historiador. Kossoy chama o que faz de arqueologia das imagens. Por meio de vestígios, do paradigma indiciário criado por Carlo Ginzburg, ele chega a uma resposta histórica para a fotografia solitária. Crê em um significado contextual para toda foto. Tanto que repreende com algum inconformismo o uso livre que as agências fotográficas fazem das imagens de arquivo para fins estranhos à sua concepção. Para ele, são “geladeiras da memória” onde é operada a morte do tempo histórico da criação e onde se dá sua ressurreição para diferentes contextos, numa reciclagem do tempo que ele classifica como insólita.
Mas o que pensar diante de imagens que transcendam o papel documental? Quando Claude Lévi-Strauss apresenta, em Saudades de São Paulo, parelhas de bois puxando redes na Praia Grande, não coloca em primeiro plano a inspiração poética baseada no uso do espaço e da luz? A foto diz por si, livre da necessidade de acesso às palavras contextuais do etnólogo que a produziu. O mesmo se dá em uma foto de Carlos Moreira contida na exposição Eu Olhei Tanto, na qual duas crianças parecem acenar ao navio no Porto de Santos. Moreira informa que as personagens retratadas não acenavam, de fato, no instante em que a foto se deu, o que provaria sua convicção de que a realidade de uma imagem é criada inteiramente pelo fotógrafo. As fotos de Moreira, como aquelas dos grandes autores, talvez rompam a barreira do tempo e, sem a necessidade de expor vestígios, mostrem-se pelo que singularmente representam. O que dizer das obras que respondem de forma direta à criação de um artista original?



Edição. 21. 09/11/2007

Acesso: 22/01/2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

REVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL DO PORTO 1820 - VISÃO PORTUGUESA.

Razões da revolução – A ambiguidade política de D. João contribuía para manter aquela situação anómala, pois mesmo após a libertação de Portugal o soberano continuava no Brasil. Além disso, as medidas de D. João que deram ampla liberdade económica ao Brasil estavam prejudicando o comércio português, levando a economia a uma situação desesperadora.
A revolução foi liderada por Manuel Fernandes Tomás, que, na cidade do Porto, em 1818, criou uma associação liberal, inspirada no exemplo da Revolução Francesa. Essa associação contava com a participação de treze membros e recebeu o nome de Sinédrio. Em fins de 1820, além de elementos militares, reunia também membros da clero. Em Agosto do mesmo ano foi lançado um manifesto à nação, de autoria de Fernandes Tomás.
A revolução propriamente dita eclodiu em 24 de Agosto de 1820, e os rebeldes imediatamente formaram um governo: a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino. A revolução, de início limitada ao Porto, mais tarde chegou a Lisboa, tornando-se um movimento nacional.
O historiador português António Sérgio assim resume os acontecimentos: “Em Portugal governava Beresford (...) Quando, em 1820, o general inglês foi ao Brasil, o Porto sublevou-se. Os oficiais britânicos receberam ordem de retirar; não se permitiu o desembarque de Beresford, à volta do Rio; e nomeou-se uma nova regência, convocando-se uma assembleia para elaborar uma constituição (...). A Inglaterra insistiu com o rei para que voltasse para a metrópole, o que ele fez, deixando no governo do Brasil o filho mais velho, D. Pedro. Chegando a Lisboa, o monarca jurou a Constituição; mas a rainha, D. Carlota Joaquina, e o filho mais novo, D. Miguel, puseram-se à frente do partido absolutista”.

Revoluções em Portugal e tentativas de recolonizar o Brasil
Reacções à Política de D. João

Nova onda revolucionária – Com a abertura dos portos (1808) o Brasil conquistou a almeja­da liberdade económica e, com a sua elevação à categoria de Reino Unido, deixava de ser, for­malmente, uma colónia. Mas o que isso, de fato, representou para o Brasil?
Para o homem comum - sem falar nos escravos - praticamente nada. Quanto aos grandes proprietários esclavagistas, embora beneficiados pela abertura dos portos, continuavam tão afastados das decisões políticas quanto antes. Mesmo no caso da abertura dos portos, devemos considerar que esses mesmos grandes proprietários continuavam dependentes dos comerciantes portugueses como sempre haviam sido.
É necessário considerar ainda outro ponto: para as demais províncias do Brasil não havia muita diferença em serem governadas de Lisboa ou do Rio de Janeiro. Para elas, a vinda da família real não tinha alterado em nada a sua situação.
Esses são alguns dos factores que desencadearam em 1817, no nordeste, uma revolução de carácter anticolonial e separatista.
Três anos depois, em 1820, outra revolução eclodiu em Portugal, por razões inversas.
Embora as medidas de D. João no Brasil fossem consideradas insuficientes para os brasileiros, em Portugal elas foram, ao contrário, consideradas excessivas, pois os comerciantes haviam perdido a vantagem do monopólio mercantil.
Apesar de motivadas por razões opostas, as duas revoluções inspiravam-se no liberalismo: a do nordeste definiu-se predominantemente como anticolonialista e a de Portugal, como antiabsolutista e, ao mesmo tempo, recolonizadora.

A Revolução de 1817

A persistência dos privilégios – As contradições da política joanina foram sentidas com particular intensidade no nordeste, onde os interesses colonialistas estavam mais fortemente enraizados. Os comerciantes portugueses, instalados nos principais portos nordestinos, continuavam tão monopolistas quanto antes, de modo que os lucros produzidos nas áreas rurais continuaram a se transferir para os comerciantes. Esse quadro se agravou por volta de 1817, com uma crise económica que teve a sua origem na queda do preço internacional do açúcar e do algodão - principais produtos de exportação do nordeste.

Tensões sociais – Com isso afloraram as tensões sociais. Contra os comerciantes portugueses protestavam os grandes senhores rurais e toda a massa de homens livres não proprietários. Entretanto, essas duas últimas camadas sociais opunham-se ao domino comercial português por motivos inteiramente diferentes: quanto para os grandes senhores a questão era sobretudo política, pois aspiravam ao autogoverno e à liberdade económica, para os homens livres não proprietários, era a sua própria sobre­vivência que estava em jogo, pois o monopólio comercial português encarecia os géneros de primeira necessidade. Por isso, tendiam a ser mais radicais e lutavam não só pelo fim do regi­me colonial, mas também esperavam alterar a própria ordem social da colónia em favor de maior igualdade entre seus membros.

O quadro ideológico – A Revolução de 1817, apesar dos factores específicos apontados, não foi um acontecimento isolado. Ela se inspirou na corrente do pensamento iluminista e liberal, tal como acontecia, por esse mesmo tempo, com a luta pela independência na América espanhola e com as revoluções burguesas contra o Antigo Regime na Europa.
Nascido em 1752 e formado em medicina em Montpellier, na França, o padre Manuel de Arruda Câmara foi, no final do século XVIII, um importante propagador do pensamento iluminista em Pernambuco. O padre João Ri­beiro, que iria participar da Revolução de 1817, era um de seus principais discípulos.

O Areópago de Itambé – Ao padre Arruda Câmara deveu-se, aparentemente, a fundação de uma sociedade secreta o Areópago de Itambé, em fins do século XVIII, com as mesmas características das lojas maçónicas que apareceram posteriormente. O Areópago de Itambé, como outras sociedades secretas, foi um centro de propagação de ideais anticolonialistas e, ao contrário da maçonaria, não admitia europeus em seus quadros.

O Seminário de Olinda – Outro importante foco de propagação dos ideais emancipacionistas foi o Seminário de Olinda, fundado pelo bispo D. José da Cunha de Azeredo Coutinho, em 16 de Fevereiro de 1800. Um de seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro, conhecido como padre Miguelinho, foi um dos participantes da Revolução de 1817.

A conspiração dos Suassunas – Expressando os ideais libertários em Pernambuco, ocorreu em 1801 a conspiração dos Suassunas, que, entre outras coisas, preconizava tomar Napoleão como protector. Encontram-se aqui os germes da Revolução de 1817. Os principais líderes da conspiração foram os três irmãos, Francisco de Paula, Luís Francisco de Paula e José Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque, sendo o primeiro o dono do engenho Suassuna, nome pelo qual ficou conhecida a conspiração. Todavia, esse episódio é pouco conhecido, por não ter ultrapassado o plano das tramas e porque a devassa ocorreu sigilosamente, dada a importância dos implicados. Mas o fracasso da conspiração trouxe consequências imediatas, como o fechamento do Areópago de Itambé em 1802, que, no entanto, ressurgiu em seguida com o nome de Academia dos Suassunas, cuja sede era o próprio engenho dos antigos inconfidentes de 1801. Apesar das repressões, o espírito de contestação difundido pelas sociedades secretas e pelo Seminário de Olinda não se desfez, ganhar do, ao contrário, novos e numerosos adeptos.

A elite atuante – Formou-se por esse tempo uma elite actuante, formada no espírito do Areópago e disposta a colocar em prática as suas ideias. A fermentação revolucionária, que vinha do início do século, deu origem, em 1817, a uma conspiração inúmeras vezes denunciada. Dentre as figuras representativas destacavam-se o padre João Ribeiro, António Carlos Ribeiro de Andrade - ouvidor-mór de Olinda e irmão de José Bonifácio -, o erudito padre Miguelinho e o comerciante Domingos José Martins, que tramavam abertamente contra a opressão colonial. Domingos José Martins, ex-comerciante em Londres, homem de espírito prático, parece ter conhecido o célebre revolucionário venezuelano Francisco de Miranda, de quem se diz ter recebido influências decisivas. Participou ainda Frei Caneca, que se tornaria célebre ao liderar uma revolta contra D. Pedro I - a Confederação do Equador (1823 - 1824).

A eclosão da revolta – Em 6 de Março de 1817, depois de repetidas denúncias, o governo resolveu agir, destacando o marechal José Roberto para deter os civis. O brigadeiro Barbosa de Castro e seu ajudante, tenente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti, encarregaram-se do sector militar da revolta, no qual encontraram resistência. O brigadeiro e seu ajudante foram mortos pelo capitão José de Barros Lima, vulgo Leão Coroado.
Tomado de surpresa, o movimento poderia ter sido desmantelado. Contudo, a inesperada resistência do sector militar da rebelião e a firme decisão de um de seus líderes, o capitão Pedro Pedroso, fizeram o movimento triunfar. O governador Caetano Montenegro, refugiado numa fortaleza, capitulou com o marechal José Roberto. Sua vida foi poupada, permitindo-se a sua partida para o Rio de Janeiro.

O governo provisório – No dia 7 de Março de 1817 (portanto, no dia seguinte à inesperada resistência militar) os rebeldes formaram o governo provisório, constituído da seguinte maneira: Manuel Correia de Araújo como representante da agricultura; Domingos José Martins como representante do comércio; padre João Ribeiro, representando o clero; José Luís de Mendonça, representante da magistratura; Domingos Teotónio Jorge, representante das Forças Armadas.
Esse primeiro governo, formado pela elite colonial dominante, era secretariado pelo padre Miguelinho e auxiliado por José Carlos Mayrink da Silva Ferrão. Foi criado um Conselho de Estado, constituído pela elite intelectual pernambucana: António de Morais e Silva, José Pereira Caldas, Deão Reinaldo Luís Ferreira Portugal, Gervásio Pires Ferreira. e António Carlos Ribeiro de Andrade. Instalou-se, assim, um governo republicano; adoptou-se uma bandeira; substituiu se o tratamento pessoal tradicional pelo de "patriota" e "vós", numa consciente imitação da Revolução Francesa; elaborou-se, enfim, a Lei Orgânica.

A Lei Orgânica – As aspirações revolucionárias foram incorporadas à Lei Orgânica. Esse documento tratava dos seguintes itens, entre outros: liberdade de consciência ("É proibido a todos os patriotas inquietar e perseguir alguém por motivo de consciência"); liberdade de imprensa, ressalvando os ataques à religião e à Constituição; tolerância religiosa, muito embora a religião católica fosse reconhecida como oficial e seu clero "assalariado pelo Estado”. Os estrangeiros aqui estabelecidos que dessem provas de adesão se­riam considerados "patriotas"; e o governo provisório duraria até a elaboração da Constituição do Estado, por uma Assembleia Constituinte, a ser convocada dentro de um ano.
Além do que ficou estabelecido na Lei Orgânica, várias outras medidas de carácter popular foram tomadas, como, por exemplo, a abolição dos tributos que oneravam os géneros de primeira necessidade.

A propagação – A revolução pernambucana difundiu-se para outras regiões: na Paraíba, em 16 de Março, a revolução triunfou sob a liderança de Amaro Gomes Coutinho. Em 28 de Março, o senhor de engenho André de Albuquerque Maranhão venceu no Rio Grande do Norte. Ali, José Martiniano de Alencar - pai do famoso romancista José de Alencar - foi enviado como emissário para o Ceará, mas foi preso e conduzido a Salvador. O padre José Inácio de Abreu e Lima - conhecido como padre Roma - chegou à Bahia como emissário, mas foi preso e fuzilado pelo governador conde dos Arcos. Com a preocupação de obter apoio internacional, emissários foram envia­dos também ao exterior. António Gonçalves da Cruz - vulgo Cabuga - e Domingos Pires Ferreira incumbiram-se de ir aos Estados Uni­dos pedir auxílio e oferecer aos comerciantes norte-americanos, por vinte anos, os géneros de Pernambuco, livres de direitos; Félix Tavares de Lima foi mandado à Argentina, e o negociante inglês Kesner foi enviado à Inglaterra a fim de conseguir a adesão de Hipólito José da Costa, do Correio Braziliense.

A repressão – Na Bahia, tão logo se soube da rebelião, o governador D. Marcos Noronha e Brito, conde dos Arcos, montou a repressão por terra e por mar. D. João, por sua vez, dirigiu pessoalmente os preparativos da tropa a ser co­mandada pelo coronel Luís do Rego Barreto - futuro governador de Pernambuco. A onda repressora abrangeu Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em Pernambuco, o bloqueio forçou a formação de um governo revolucionário de caráter ditatorial, com plenos poderes conferidos a Domingos Teotônio Jorge, a fim de resistir eficazmente ao assédio. Contudo, no dia 19 de maio de 1817, a resistência dos rebeldes foi quebrada.

As punições – As punições foram rigorosas: Domingos José Martins, José Luís de Mendonça e padre Miguelinho foram fuzilados em Salvador; no Recife, a comissão militar presidida por Luís do Rego Barreto condenou à forca Domingos Teotónio Jorge, José de Barros Lima, padre Sousa Tenório e António Hemopos. Em 1818, D. João ordenou o encerramento da devassa, libertando aqueles sem culpa formada. Os restantes 117 prisioneiros na Bahia, afinal libertos, foram amnistiados após a Revolução do Porto (1820).


A Revolução Liberal do Porto (1820)

Situação de Portugal – Desde a transferência da Corte para o Brasil, Portugal vivia uma situação incómoda: em 1808 foi invadido por Napoleão; posteriormente, com a expulsão dos franceses, passou a viver sob a directa tutela inglesa. Até 1820 Portugal foi governado por Lord Beresford.

Razões da revolução – A ambiguidade política de D. João contribuía para manter aquela situação anómala, pois mesmo após a libertação de Portugal o soberano continuava no Brasil. Além disso, as medidas de D. João que deram ampla liberdade económica ao Brasil estavam prejudicando o comércio português, levando a economia a uma situação desesperadora.
A revolução foi liderada por Manuel Fernandes Tomás, que, na cidade do Porto, em 1818, criou uma associação liberal, inspirada no exemplo da Revolução Francesa. Essa associação contava com a participação de treze membros e recebeu o nome de Sinédrio. Em fins de 1820, além de elementos militares, reunia também membros da clero. Em Agosto do mesmo ano foi lançado um manifesto à nação, de autoria de Fernandes Tomás.
A revolução propriamente dita eclodiu em 24 de Agosto de 1820, e os rebeldes imediatamente formaram um governo: a Junta Provisional do Governo Supremo do Reino. A revolução, de início limitada ao Porto, mais tarde chegou a Lisboa, tornando-se um movimento nacional.
O historiador português António Sérgio assim resume os acontecimentos: “Em Portugal governava Beresford (...) Quando, em 1820, o general inglês foi ao Brasil, o Porto sublevou-se. Os oficiais britânicos receberam ordem de retirar; não se permitiu o desembarque de Beresford, à volta do Rio; e nomeou-se uma nova regência, convocando-se uma assembleia para elaborar uma constituição (...). A Inglaterra insistiu com o rei para que voltasse para a metrópole, o que ele fez, deixando no governo do Brasil o filho mais velho, D. Pedro. Chegando a Lisboa, o monarca jurou a Constituição; mas a rainha, D. Carlota Joaquina, e o filho mais novo, D. Miguel, puseram-se à frente do partido absolutista”.

Repercussão da revolução no Brasil – A notícia da revolução do Porto chegou ao Rio de Janeiro em Outubro de 1820. No mês seguinte, D. João tomou conhecimento da adesão de Lisboa. A revolta era mais grave do que se supunha. O rei e seus ministros discutiram o que fazer. D. João oscilava entre dois dos seus principais conselheiros, Tomás António de Vila Nova Portugal e o conde de Palmela. O primeiro opunha-se irredutivelmente às Cortes e defendia a partida do príncipe D. Pedro para Portugal, a fim de acalmar os ânimos revolucionários. O segundo era simpático à revolução e defendia o retorno do próprio rei.
Nesse intervalo, enquanto nada era decidido, a revolução se propagou para o Brasil. Em primeiro lugar, deu-se a adesão do Pará, aos gritos de "Viva a Constituição!". Depois, foi a vez da Bahia: "Abaixo o Absolutismo!". Em Salvador, o entusiasmo chegou às ruas, destacando-se a actuação de Cipriano Barata, com o seu jornal As Sentinelas. Formou-se rapidamente uma Junta Governativa, e o governador da Bahia re­tirou-se para o Rio de Janeiro. Entusiasticamente, a Junta jurou fidelidade à Constituição, que ainda ia ser elaborada em Lisboa.
A notícia dos acontecimentos na Bahia chegou ao Rio. D. João sentiu que ia perder o controle da situação e resolveu agir: através de um decreto, datado de Fevereiro de 1821, decidiu enviar o príncipe real D. Pedro a Portugal, "para ouvir", dizia o decreto, "as representações e queixas dos povos e para estabelecer as reformas, melhoramentos e leis que possam consolidar a Constituição portuguesa" . O mesmo decreto criou, simultaneamente, uma comissão de vinte membros, quase todos brasileiros, para exprimir os interesses específicos do Brasil. O decreto descontentou os colonialistas portugueses, que desejavam o retorno do próprio rei e recusavam a autonomia concedida por D. João ao Brasil. A guarnição militar do Rio, fiel às Cortes, opôs-se ao decreto. A oposição ao rei cresceu do lado "português", sob a iniciativa de um padre, Marcelino José Alves Macamboa, que liderou uma manifestação pública de apoio às Cortes. Na manhã de 26 de Fevereiro de 1821, na praça do Rossio (hoje Tiradentes), civis e militares reuniram­se sob o comando do brigadeiro Francisco Joaquim Carreti, para exigir do rei o juramento à Constituição. D. Pedro compareceu à manifestação e tentou acomodar a situação, porém Macamboa fez conhecer ao rei, através do príncipe real, a exigência do juramento à Constituição e da reforma do ministério, entregando-lhe uma lista de nomes. D. João, a conselho de Tomás António, atendeu às exigências de Macamboa.

Vitória constitucionalista e o retorno de D. João – Finalmente, sem outra alternativa, D. João VI retornou a Portugal, assinando em 7 de março de 1821 um decreto nesse sentido. D. João partiu finalmente no dia 26 de Abril de 1821, nomeando como regente do Brasil seu filho e herdeiro D. Pedro.

O Brasil e as Cortes

Deputados brasileiros nas Cortes – A Revolução do Porto recebeu, em todo o Brasil, adesão imediata. Mas com o seu triunfo anulou-se ao mesmo tempo a possibilidade de reunir as Cortes no Rio de Janeiro, passando toda a competência legislativa para Lisboa. Assim, o decreto régio de 7 de Março de 1821, que determinou a volta do rei a Portugal, estipulou também a eleição de deputa­dos brasileiros a serem enviados às Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa.
As primeiras eleições foram realizadas e, em Agosto de 1821, os primeiros deputados brasileiros começaram a chegar a Lisboa. Os representantes brasileiros eram todos da camada superior e a eles não havia ocorrido ainda a ideia de separação do Brasil, embora permanecessem dispostos a defender as conquistas obtidas durante o governo de D. João VI. O carácter constitucionalista da Revolução do Porto deu à camada dominante senhorial e a seus aliados a ilusão de poder consolidar definitivamente, através de seus representantes nas Cortes de Lisboa, a liberdade de comércio e autonomia administrativa.

A tentativa recolonizadora – As Cortes, entretanto, definiram pouco a pouco sua posição em relação ao Brasil, deixando claro que o objectivo era a recolonização. Dois aspectos atraí­ram particularmente a atenção das Cortes: a penetração inglesa e a autonomia administrativa do Brasil. Foi a partir de Junho de 1821 que essa orientação recolonizadora começou a ganhar força nas Cortes. Em relação à Inglaterra, tratou-se de anular os privilégios concedidos em 1810. Em relação à autonomia administrativa, as Cortes declararam os governos provinciais independentes do Rio de Janeiro com a finalidade de subordiná-los directamente às Cortes. Também foi decidida a transferência para Lisboa do Desembargo do Paço, da Mesa da Consciência e Ordens, do Conselho da Fazenda, da Junta do Comércio e da Casa de Suplicação.

O “partido português” – No Brasil, em virtude da tentativa recolonizadora das Cortes, as posições políticas se definiram. Formou-se o "parti do português", integrado principalmente pelos comerciantes portugueses apoiados pelas guarnições militares, que eram contrários à autonomia administrativa e à abertura económica decretadas por D. João VI.

O “partido brasileiro” – O “partido brasileiro” era integrado principalmente pela aristocracia rural (grandes proprietários esclavagistas) que defendia a manutenção da liberdade económica e da autonomia administrativa conquistadas durante o período joanino. Mas não defendia a separação de Portugal.

Divergências e convergências – Apesar do nome, o partido "português" não era composto exclusivamente de portugueses, da mesma for­ma que o partido "brasileiro" não era integrado somente por brasileiros. No "partido brasileiro" havia também portugueses e até ingleses e franceses. Em essência, esses dois partidos representavam correntes colonialistas ("partido português") e anticolonialistas ("partido brasileiro").
Se essa era a diferença entre ambos, os dois partidos concordavam pelo menos num ponto: nenhum dos dois colocava em questão a estrutura esclavagista da sociedade colonial. Discordando de ambos sobre esse ponto e que surgiria uma outra corrente: a dos liberais radicais. Esta era integrada pelas camadas urbanas, representadas pelos profissionais liberais - médicos, professores, jornalistas, pequenos comerciantes, padres, etc. Com essa tendência, identificavam-se certas facções da aristocracia rural, particularmente da região nordestina, que havia muito tinham perdido a liderança para os grandes proprietários da região sudeste - Rio de Janeiro e São Paulo.

Texto extraído do site: Agrupamento de Escolas Trigal de Santa Maria - Braga - Portugal

Acesso: 19/01/2009.

HOLOCAUSTO

Textos e atividades produzidas pela APH de Portugal sobre o Holocausto Judeu.
Pode-se realizar atividades interdisciplinares, pois alguns documentos estão em Inglês.
Para acessar é só clicar na URL.

EXPANSÃO MARÍTIMA (Atividades)

Segue abaixo textos e atividades elaboradas pelos professores da Associação dos Professores de História (Portugal). O texto é um trabalho sobre a chegada dos produtos orientais na Europa e suas implicações no cotidiano português.
Inserido no texto encontram-se algumas atividades.
Para acessar é só clicar na URL abaixo.

http://www.esnips.com/doc/508f0713-7b40-415a-ada6-7e0d622d6b8d/O-quotidiano-no-tempo-da-expansão

domingo, 18 de janeiro de 2009

O CAPITAL EM QUADRINHOS VOL. 1

Para ter acesso a primeira parte do livro escaneado é só clicar na URL abaixo:
http://www.esnips.com/doc/32eb5911-5e43-418a-b43d-13247be1a1f0/Karl-Marx.-O-Capital-(Vol_1)--Em-Quadrinhos
O objetivo é utilizar as imagens em futuras avaliações.