Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

Mostrando postagens com marcador Diário de classe - CNEC - 8ª Série (9º Ano). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Diário de classe - CNEC - 8ª Série (9º Ano). Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Reportagens da Revista Veja (Bomba Atômica)



Artigos publicados na Revista Veja.
Abaixo encontramos uma série de artigos publicados na Revista Veja e que poderão lhes ajudar na avaliação do 2° Trimestre.
Um grande abraço.
Sugestão: procure sempre, outras fontes de informações, para comparar os dados, impressões e ideias presentes nos textos que você lê.

O japonês que amava a bomba
O ministro da Defesa do Japão renuncia depois de dizer que os ataques atômicos a Hiroshima e Nagasaki foram inevitáveis
No início do século passado, impulsionado por um militarismo agressivo, o Japão lançou-se numa ofensiva de conquistas na Ásia só encerrada com a derrota para os Estados Unidos, em 1945. A brutalidade do imperialismo nipônico ainda azeda as relações do país com a China e a Coréia. Dentro do Japão, contudo, o assunto é tabu. Ao contrário da Alemanha, o Japão tende a negar seus crimes do passado. As bombas atômicas que mataram mais de 200.000 civis nas cidades de Hiroshima e Nagasaki no fim da II Guerra Mundial – um dos mais tristes episódios da história moderna – permitiram ao país cultuar uma visão unilateral dos acontecimentos, a de que a hecatombe faz do povo japonês uma vítima especial do conflito. No início da semana passada, o ministro da Defesa, Fumio Kyuma, fugiu ao padrão ao sustentar que as bombas atômicas foram inevitáveis.
Em palestra numa universidade, Kyuma disse que, se o ataque atômico não tivesse ocorrido, a guerra teria se prolongado e permitido à União Soviética ocupar metade do arquipélago japonês. Não importa que tal visão seja compartilhada por muitos historiadores. O ministro foi massacrado pela oposição, por acadêmicos, jornalistas e forçado a renunciar. Fiel à tradição nipônica, ele terminou por curvar-se num pedido público de desculpas. Talvez a única convicção compartilhada pela direita e pela esquerda japonesa seja a de que o Japão está marcado para sempre pelo horror do ataque atômico. Após a derrota da Alemanha, os Estados Unidos tiveram de decidir entre duas estratégias para a guerra no Pacífico. A primeira seria um conflito convencional. Pelas estimativas do Pentágono, levaria à morte de 1 milhão de pessoas, sendo 200.000 soldados americanos, e prolongaria a guerra por um ano. O presidente Harry Truman optou pelo uso da arma atômica, recém-desenvolvida. A escolha de cidades com grandes populações civis foi proposital, para ampliar o efeito psicológico do ataque. O Japão rendeu-se seis dias depois da bomba de Nagasaki.
Um ataque nuclear é hoje visto como moralmente inaceitável em qualquer situação. Isso não era tão evidente nos anos 40. Mesmo os efeitos da radiatividade só seriam plenamente conhecidos na década seguinte. Mais tarde, a ameaça de destruição mútua durante a Guerra Fria ajudou a produzir os tratados de não-proliferação nuclear e, de forma torta, inibiu o uso de bombas atômicas. Infelizmente, a cautela está agora ameaçada pelos esforços de dois países párias, o Irã e a Coréia do Norte, para entrar no clube das armas nucleares. Deles só se pode esperar o pior.

Pesadelo que não tem fim
Vinte anos depois do acidente de Chernobyl, a radioatividade ainda faz vítimas entre a população e na natureza do Leste Europeu
A energia nuclear é responsável por 16% da eletricidade consumida no mundo – e também por alguns dos piores pesadelos da humanidade. A concretização de um deles, o acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, completou vinte anos na semana passada. A data foi lembrada em cerimônias na capital, Kiev, e em várias cidades do país. Procissões saíram às ruas para homenagear os milhares de pessoas mortas de doenças relacionadas à radiação nuclear desde que um reator da usina explodiu, liberando 100 vezes mais radioatividade do que a bomba lançada pelos americanos em Hiroshima na II Guerra. Nas regiões contaminadas na Ucrânia e nas vizinhas Bielo-Rússia e Rússia, hoje a incidência de câncer na tireóide e de mama é excepcionalmente alta, assim como as anomalias genéticas em recém-nascidos. A população sob risco, estimada em 7 milhões de pessoas, vive sob o impacto psicológico do medo: é possível que os efeitos da radiação perdurem por décadas, ou séculos, e que no futuro possam causar outros tipos de doença.
O acidente de Chernobyl, que se tornaria o maior desastre nuclear da história, ocorreu na madrugada do dia 26 de abril, durante um teste de rotina do reator número 4 da usina. Por um erro dos técnicos, o processo de reação nuclear em cadeia se descontrolou, aquecendo a água que deveria resfriar o reator. Seguiram-se uma explosão e um incêndio que durou dez dias, espalhando toneladas de material radioativo por uma área de 150.000 quilômetros quadrados. Nada menos de 3.500 homens participaram do combate às chamas, tentando apressadamente isolar o material radioativo com areia e chumbo. No dia seguinte à explosão, 350.000 pessoas foram evacuadas das áreas de mais alto risco, inclusive na cidade de Pripyat, erguida nos anos 70 para abrigar os trabalhadores da usina. Na época do desastre de Chernobyl, a Ucrânia fazia parte da União Soviética. Apesar da gravidade da situação, o Kremlin, que tinha por norma ocultar as más notícias sob o tapete, demorou três dias para admitir que o acidente havia acontecido. Só o fez depois que satélites espiões americanos identificaram o incêndio e a nuvem radioativa alcançou os países escandinavos.
A usina de Chernobyl tornou-se uma assombração nuclear para a Ucrânia e para o mundo. Os escombros do reator número 4 – e parte do material radioativo que ele abrigava – foram selados com uma enorme estrutura de cimento, batizada de sarcófago, que agora começa a apresentar rachaduras. Quando chove, as substâncias radioativas vazam para fora da construção. Como a retirada desse material seria uma empreitada de altíssimo risco, há em curso um projeto, bancado por um consórcio de países, para construir um sarcófago mais moderno e seguro. Ele teria o tamanho de um ginásio de esportes e custaria 1,1 bilhão de dólares. A área num raio de 30 quilômetros em torno de Chernobyl continua interditada e cercada de arame farpado. Muita gente que morava no local, no entanto, principalmente os que hoje são idosos, desafia a proibição e se instala na chamada área de exclusão, plantando em terra ainda contaminada e bebendo água radioativa. Em grande parte, ao retornar a seus antigos lares, essas pessoas fogem das comunidades formadas nas regiões vizinhas pela população evacuada da área de Chernobyl vinte anos atrás. Hoje, segundo estatísticas da Agência Internacional de Energia Atômica, há nessas comunidades graves problemas sociais. Os índices de alcoolismo, desemprego e divórcio são altíssimos. Um número elevado de seus integrantes sofre de problemas emocionais causados pela possibilidade iminente de contrair câncer e outras doenças provocadas pela radiação nuclear a que foram – ou ainda são – submetidos.
Na área em volta de Chernobyl, a natureza pouco a pouco volta a ocupar seu espaço. Sem a presença do homem, árvores, plantas e animais se multiplicam com um vigor que espanta os cientistas e ao mesmo tempo os preocupa, já que várias espécies sofreram mutações. "Nas áreas mais contaminadas, 20% dos pássaros apresentam despigmentação na plumagem, causada pela morte das células responsáveis pela cor das penas", disse a VEJA o biólogo americano Timothy Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul, que há seis anos estuda a natureza na zona de exclusão de Chernobyl. "Além disso, os galhos das árvores crescem num padrão desordenado", ele completa. Ainda é cedo para medir a dimensão exata dos estragos que o desastre de Chernobyl causou e vai continuar causando. A contaminação nuclear é um fenômeno relativamente novo, e parte de seus efeitos ainda é desconhecida. Quando os americanos fizeram os primeiros testes com bombas nucleares, nos anos 40, sabia-se tão pouco sobre os riscos de contaminação que o espetáculo do cogumelo atômico se erguendo rumo ao céu tinha como testemunhas soldados que não usavam nenhum tipo de proteção contra a radiação.
A ação da radioatividade em seres humanos só pôde ser plenamente avaliada a partir das bombas lançadas pelos americanos nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. As explosões mataram instantaneamente 120.000 pessoas. Nos anos seguintes, a ação residual da radiação causou mortes por cânceres e por doenças cardiovasculares e respiratórias. Os efeitos da radioatividade dissiparam-se desde então, e as duas cidades são hoje localidades prósperas em que a mortandade provocada pelas bombas sobrevive apenas na memória. O mesmo ocorre com o Atol de Bikini, um grupo de 23 ilhas no Oceano Pacífico que nas décadas de 40 e 50 foi palco de uma série de testes com bombas nucleares. Em 1954, os Estados Unidos detonaram nas Ilhas Bikini sua mais poderosa bomba nuclear, 1.000 vezes mais potente que a de Hiroshima. A Bravo, como era chamada, espalhou radiação por uma área de 8.000 quilômetros quadrados, atingindo nativos e militares. O local permaneceu isolado até 1996, quando relatórios de instituições como o Departamento de Energia dos Estados Unidos declararam o atol livre de radiações perigosas. Hoje, as Ilhas Bikini são um excelente local para a prática de mergulho esportivo e atraem turistas do mundo inteiro.
Os cientistas avaliam que o caso de Chernobyl é completamente diferente. Se uma bomba atômica é lançada sobre uma cidade, a população imediatamente é exposta a uma combinação de raios gama e nêutrons – todos os tecidos do corpo recebem essa carga de maneira uniforme. Em Chernobyl, à exceção do que ocorreu com aqueles que se encontravam próximos à usina no dia do acidente, a contaminação ocorre nos órgãos internos, por isótopos radioativos. Dessa forma, cada um dos tecidos recebe uma dose diferente de radiação. "É preciso um estudo exaustivo dos casos de contaminação e morte em Chernobyl para que se possa prever o que vai acontecer no futuro com as populações atingidas", alertam os biólogos Dillwyn Williams e Keith Baverstock numa recente edição da revista científica Nature. Até hoje, porém, muito pouco foi investigado sobre as conseqüências da radiação de Chernobyl. No Japão, a partir dos anos 50, a fundação Radiation Effects Research examinou mais de 100.000 sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki para entender seus efeitos no organismo humano. No caso de Chernobyl, não se tem sequer uma estatística confiável sobre o número de vítimas fatais que o acidente provocou.

Encontro marcado
O mundo dá sinais de que a paciência com o Irã está chegando ao fim. Afinal, o que os aiatolás querem com o seu programa nuclear?
Informações da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) sugerem que o Irã está tendo problemas com a sua tecnologia de enriquecer urânio. O país, se for assim, só poderia fabricar uma bomba atômica a partir de 2010, quiçá em 2015. A conclusão não é suficiente para causar alívio. A mera hipótese de os aiatolás xiitas um dia terem o domínio dessa tecnologia bélica coloca o mundo em suspenso. Em princípio, a bomba nuclear iraniana é uma ameaça para todos os países do Oriente Médio – mas, evidentemente, alguns estão mais preocupados que outros. Um tema freqüente dos discursos do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad é o projeto de riscar Israel do mapa. O Irã também provoca os Estados Unidos fornecendo armas e explosivos para ser usados contra as tropas americanas no Iraque. Por fim, confronta as Nações Unidas, que querem que Teerã permita a inspeção internacional em suas instalações nucleares e suspenda o enriquecimento de urânio, material que pode ser usado numa arma nuclear.
Neste mês, vários foram os sinais de que a paciência ocidental para com o Irã está no fim. A possibilidade de uma ação militar torna-se mais concreta. O ministro das relações exteriores da França, Bernard Kouchner, foi um dos mais enfáticos. "Temos de nos preparar para o pior. E o pior é a guerra", disse ele. Rudolph Giuliani, o candidato do partido republicano com mais chance de enfrentar Hillary Clinton nas eleições americanas, defendeu um ataque preventivo para evitar que o país se torne uma potência nuclear. No Irã, comitês de crise organizados pelo governo já traçam planos de emergência para uma guerra. Rádios e estações de televisão foram orientadas a gravar programas antecipadamente, de forma que tenham o que transmitir caso seus estúdios sejam destruídos ou seus empregados não consigam chegar ao trabalho.
Israel é a nação que mais tem motivos para temer a posse de armas nucleares pelos aiatolás. Não bastassem as ameaças verbais de seus líderes, o Irã dispõe de mísseis capazes de alcançar Israel. Há cinco anos, o ex-presidente iraniano Hashemi Rafsanjani afirmou que bastaria uma única bomba nuclear para liquidar o estado judeu. Ele tem razão. O temor de um ataque arrasador e a dificuldade de os Estados Unidos ingressarem em mais uma empreitada militar antes de resolver a encrenca no Iraque tornam Israel o mais forte candidato a empreender um ataque preventivo às instalações nucleares iranianas. Nesse cenário, os Estados Unidos poderiam entrar mais tarde com bombardeiros B-2 Spirit, que transportam bombas de alto poder destrutivo e não são detectados pelo radar. Poderiam ser usados para persuadir os aiatolás a limitar o alcance de suas represálias a um ataque israelense.
O Irã argumenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente energéticos. O país também é um dos signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o que, a princípio, confirmaria suas intenções pacíficas. O interesse premente do quarto maior produtor de petróleo do mundo no enriquecimento de urânio, no entanto, é algo mais difícil de ser compreendido. Também se sabe que os países candidatos a se tornar potências nucleares não anunciaram suas ambições bélicas antecipadamente. Desde que, em 1968, as cinco potências nucleares da época, Estados Unidos, União Soviética (Rússia), China, Inglaterra e França, assinaram com dezenas de países o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, outras quatro nações passaram a deter armas atômicas. Nenhuma pediu licença para fazer isso. Uma delas é exatamente Israel, que até hoje não admite, mas tampouco desmente, que tenha bombas nucleares. Índia e Paquistão, dois inimigos históricos, também surpreenderam o mundo com seus primeiros testes atômicos. O último foi a Coréia do Norte, que há um ano explodiu uma bomba de pequenas dimensões. Em fevereiro, os norte-coreanos concordaram em retroceder nos seus planos em troca de ajuda econômica. Por que o armamento atômico é aceitável em alguns países, mas não no Irã? A resposta está nas características fanáticas do estado teocrático xiita. "Esses quatro países estão hoje com boas relações com os Estados Unidos e não são considerados uma ameaça", disse a VEJA o cientista político sul-africano Jean du Preez, diretor do Instituto de Estudos Internacionais Monterey, na Califórnia. "O Irã, ao contrário, é a bola da vez."
A partir do momento em que um país consegue enriquecer o urânio de forma controlada, são necessários entre três e quatro anos para que possa ter uma bomba nuclear. O Irã afirma que já cumpriu satisfatoriamente a primeira etapa, um feito desacreditado por inspetores. A posse de armas nucleares pelo Irã, caso venha a ocorrer, mudaria brutalmente o equilíbrio de poder no Oriente Médio. Não apenas Israel correria perigo. O poder militar crescente dos aiatolás espalha o pânico entre seus vizinhos árabes de maioria sunita, a vertente majoritária do Islã. Em setembro, o egípcio Mohamed El-Baradei, diretor da Aiea, deu um prazo de mais três meses para que o Irã finalmente elucide a parte secreta de seu programa nuclear. Em um discurso proferido na Assembléia-Geral da ONU, em Nova York, na semana passada, Ahmadinejad deu de ombros e considerou a discussão um "caso encerrado". Por enquanto, governos europeus e o americano planejaram sanções econômicas mais firmes para pressionar os iranianos. O Congresso americano aprovou uma punição para empresas estrangeiras com filiais nos Estados Unidos que decidam investir no Irã. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, anunciou uma lei que proíbe investimentos de empresas do seu estado no país dos aiatolás. Na sexta-feira, dia 28, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha declararam que vão esperar até novembro para decidir se adotam sanções mais severas. Ahmadinejad terá, assim, mais algum tempo para convencer todo o mundo de que não alimenta más intenções. Ou, então, para preparar uma surpresa.

Mais um maluco com a bomba
O ditador norte-coreano Kim Jong-II fez seu primeiro teste nuclear e pode desencadear uma corrida armamentista se a ONU não o punir como exemplo
A Coréia do Norte testou sua bomba nuclear no domingo 8. A comunidade internacional reagiu com furor, num raro consenso de que o regime de Pyongyang deve ser punido pela ousadia. Como fazer isso é outra história. Exceto pelo Japão, que cortou de imediato o comércio bilateral, é difícil um acordo sobre a resposta adequada. Na sexta-feira passada, o Conselho de Segurança das Nações Unidas examinava uma resolução impondo sanções econômicas à Coréia do Norte. Proposto pelos Estados Unidos, o texto é relativamente ameno (não sugere ações militares, por exemplo), mas a China e a Rússia ainda querem mais tempo para negociações diplomáticas. O que se tem agora são dois problemas num só. O primeiro, mais geral, diz respeito à proliferação de armas nucleares – os entraves existentes simplesmente não estão funcionando. O segundo é a Coréia do Norte propriamente dita. Ninguém sabe a que grau de insanidade os caciques desse país miserável e sem amigos estão dispostos para manter em pé seu modelo excêntrico de comunismo.
Não se deve confundir a aparência amalucada de Kim Jong-II, o ditador norte-coreano, com falta de determinação. Seu cabelo pintado é penteado em forma de penacho. Usa saltos altos para disfarçar a pouca altura. Ele é tratado como "Estimado Líder" (seu pai, de quem herdou o poder, era o "Grande Líder"). Há uma década, o ditador usa com habilidade seu programa nuclear para obter vantagens dos Estados Unidos, do Japão e da Coréia do Sul. A estratégia transformou seu país no maior receptor de ajuda internacional em alimentos. Para acalmá-lo, o Japão aumentou o comércio bilateral e fez por lá alguns investimentos. A Coréia do Sul adotou uma política de aproximação e ajuda econômica chamada de "Raio de Sol". A China, o único amigo do regime norte-coreano, fez o que pôde para convencê-lo a moderar o comportamento.
Há algumas explicações para, apesar de todos esses benefícios, Kim Jong-II ter decidido desafiar a comunidade internacional. A primeira é a hostilidade do presidente americano George W. Bush, que o identifica como um dos vértices do eixo do mal. É fácil imaginar o susto que a deposição de Saddam Hussein causou em Pyongyang. O regime norte-coreano vive um dilema causado pelo próprio anacronismo. Mesmo que disso dependa sua sobrevivência, não tem coragem sequer de cogitar de uma abertura econômica sob o rígido controle do Partido Comunista, como fez a vizinha China. Prefere rugir e ameaçar os vizinhos. Em julho, já tinha demonstrado seus maus modos com testes de mísseis capazes de atingir o Japão.
O que fazer? Sanções econômicas não dão bons resultados contra regimes fora-da-lei. A possibilidade de os chineses cortarem o envio de comida para a Coréia do Norte teria efeitos desastrosos para a população – metade dos alimentos consumidos no país vem da China –, mas isso não parece preocupar o governo norte-coreano. "Kim Jong-Il não vai desistir da bomba porque acredita que a sobrevivência de seu regime depende da demonstração de força", disse a VEJA o historiador americano Ted Galen Carpenter, autor do livro O Enigma Coreano. Uma ação militar é impensável. Não há como os Estados Unidos localizarem e destruírem todas as instalações nucleares norte-coreanas. Em caso de guerra, Seul, a capital sul-coreana, localizada a 50 quilômetros da cerca que divide as duas Coréias, seria facilmente arrasada pela artilharia norte-coreana.
O teste subterrâneo realizado a 110 quilômetros da fronteira com a China foi registrado pelos sismógrafos como muito fraco, colocando em dúvida a qualidade da bomba nuclear norte-coreana ou até mesmo sua existência. De qualquer forma, o artefato deve ser grande e pesado. Serão necessários alguns anos de trabalho para que seja reduzido de forma a caber num míssil de longo alcance. No momento, o maior perigo é o mau exemplo. A experiência norte-coreana e a reação internacional ao desafio estão sendo acompanhadas atentamente pelos aiatolás do Irã, outro regime fora-da-lei ansioso por se armar com ogivas nucleares. Entre todos os países que realizaram testes nucleares, apenas a África do Sul desistiu da bomba atômica. Em vão, Estados Unidos, China, Rússia, Inglaterra e França – os sócios originais do clube atômico e, não por coincidência, também os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – tentam impedir a proliferação do armamento nuclear. Com a Coréia do Norte, sobe para nove o número de países com esse tipo de arsenal. Israel e Índia armaram-se nos anos 70, seguidos pelo Paquistão, que testou sua bomba em 1998. Foi o Paquistão, por sinal, que vendeu tecnologia nuclear à Coréia do Norte e ao Irã. As maiores potências acabaram por aceitar o arsenal de Israel (o país, que se estima ter 200 ogivas, jamais admitiu ter armas nucleares), da Índia e do Paquistão. Em parte, isso se deve ao fato de esses países terem se armado contra inimigos bem definidos e possuírem governos respeitáveis. Com a Coréia do Norte e o Irã, ambos ditaduras imprevisíveis, a situação se torna muito mais perigosa.
O temor causado pelos norte-coreanos pode levar a Coréia do Sul e o Japão a procurarem armamento equivalente. Os aiatolás atômicos provocariam uma corrida armamentista no Oriente Médio. Turquia e Egito já anunciaram planos de construir reatores nucleares, teoricamente para fins pacíficos. "A partir do momento em que uma nação sabe fazer o combustível nuclear, o custo para construir a bomba é de apenas algumas dezenas de milhões de dólares", disse a VEJA o americano Henry Sokolski, diretor executivo do Centro para Educação em Política de Não-Proliferação, em Washington. O maior incentivo para a popularização dos arsenais nucleares é justamente o fato de serem uma opção barata em comparação ao custo de montar e treinar um enorme Exército com armas modernas. A Coréia do Norte tem um Exército de 1,1 milhão de homens, o equivalente a 5% de sua população. Mas os soldados são mal armados e mal alimentados. Com a bomba, Kim Jong-II ganha poder de barganha contra a pressão internacional para abrir seu regime fracassado.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CNEC: Aula - 24/03/2010 (8ª Série)

A nossa aula de hoje teve início com uma rápida esquematização dos conceitos analisados e estudados na aula anterior, que foram:
Positivismo;
►Darwinismo Social;
►Republica da Espada;
►Encilhamento;
►Revolta da Armada;
►Revolução Federalista.
Ao elaborarmos essa breve esquematização organizamos os assuntos que tendo como base o nosso livro didático, trabalharíamos em sala. Os assuntos principais seriam as características políticas e econômicas da chamada República Oligárquica (1894-1930).Para isso discutimos o conceito de oligarquia: Governo de poucas pessoas. Ocorre quando um pequeno grupo de pessoas de uma família, de um grupo econômico ou de um partido governa um país, estado ou município. Uma das características desta forma de governo é que os interesses políticos e econômicos do grupo que está no poder prevalecem sobre os da maioria.A partir dessa análise, buscamos perceber como essas oligarquias influenciaram a vida política, econômica e social do Brasil nas primeiras décadas do século XIX e também como essas oligarquias se relacionaram entre si e entre o Estado para se manterem no poder. Para isso foi elaborado um resumo esquemático:
►Âmbito Federal:
Política do café-com-leite.
►Âmbito Estadual:
Política dos Governadores.
Como foi dito em sala de aula, a política dos governadores consistia basicamente num acordo entre o presidente da República e os governadores dos Estados, visando fortalecer ambas as partes. Seriam admitidos no poder Legislativo federal apenas os deputados que representassem a situação em seus respectivos Estados. Após as eleições, a Comissão Verificadora de Poderes, controlada pelo Executivo federal, "diplomava" ou "degolava" os candidatos eleitos, conforme fossem ou não partidários do governo de seu Estado. Em troca, a Câmara dos Deputados eleita e "diplomada" daria todo o apoio às iniciativas do governo federal. Através desse sistema, as oligarquias estaduais mantiveram-se no poder durante décadas e, ao mesmo tempo, ficou assegurado o predomínio político de São Paulo e Minas Gerais, os dois Estados economicamente mais fortes e com maior representação no Congresso.
►Âmbito Municipal:
Coronelismo:
Curral eleitoral. Lugar para onde se transportam e onde permanecem, são alimentados e festejados os eleitores, em dia da eleição, a fim de exercer sobre eles estrito controle os chefes políticos e cabos eleitorais, evitando sua contaminação pelos adversários. Os eleitores assim confinados só deixam o "curral" na hora de depositar o voto nas urnas, sob estritas instruções e vigilância de chefes e cabos eleitorais e seus prepostos.
Voto de Cabresto. Diz-se do voto dado pelo eleitor aos candidatos que lhe são inculcados por um chefe político ou cabo eleitoral, sem que o votante – denominado “eleitor de cabresto” – saiba exatamente em quem vota, ou por que vota. Tais eleitores são transportados para “currais eleitorais”, onde são alimentados e festejados, e de onde somente saem na hora de depositar o voto na seção eleitoral.
Para se divertir










Para pensar!



Voto de cabresto em nova roupagem
Em um passado nem tão remoto em épocas eleitorais de nosso Brasil via-se a figura lamentável dos coronéis, fazendeiros de grande poder econômico que utilizavam sua força e poder para coagir o eleitorado a votar em determinado candidato. Capangas usavam e abusavam da violência e tratavam de garantir que ninguém fraudaria a vontade dos poderosos. Esta prática recebia a alcunha de voto de cabresto. No entanto, é inegável que a evolução das idéias humanas quebrou inúmeros absurdos do passado, mas como todo processo evolutivo é lento e responde à moralização dos cidadãos, o voto de cabresto ainda existe, embora em outra roupagem, mais light, sem violência física e sem capangas por perto. O voto de cabresto hoje se faz de maneira psicológica, atuando junto às necessidades do eleitor. Uma bolsa isso, um auxílio aquilo, uma cesta básica, uma promessa... Olha, não vote em tal candidato, o benefício poderá ser cortado. Pense bem antes de votar, o candidato do partido A é da oposição, deixe-o de lado, senão... Sim, não há mais o coronel, mas há o engravatado que semeia o medo, a desesperança e limita o raciocínio do cidadão. Desapareceu o capanga, mas surgiu o cabo eleitoral participando ativamente da campanha, abraçando os necessitados, visitando lares menos abastados, acariciando crianças, mostrando-se a imagem e figura da simpatia; uma simpatia de fachada que conquista as carentes mães da periferia. O cabresto hoje é feito de promessas vazias e evasivas, sem compromisso com a sinceridade e sem qualquer envolvimento com o bem coletivo. Um cabresto que não desfere pontapés, mas alimenta a ignorância. Um cabresto que uiva silencioso e pisoteia nas agruras humanas. Quando será que desaparecerá o cabresto? Difícil saber, porquanto o cidadão comum também atua no seio da sociedade alimentando essa nefasta tendência de manipulação do poder. É o empresário que pensa somente em seus lucros esquecendo-se dos funcionários. São os funcionários que lesam a empresa "enrolando" no serviço passando minutos ou horas a fio envolvidos com as maravilhas da internet. São as pessoas que agem como se o mundo fosse dos espertos desrespeitando os mais elementares direitos do semelhante. Em realidade o cabresto começa aqui embaixo, em nós mesmos. Os governantes apenas manifestam as tendências de nossa sociedade. Se formos desonestos, eles também serão. Por isso o cabresto começa no fura fila, no troco a mais não devolvido, no produto comercializado acima do preço justo. "Veja que pechincha!!! Está barato!!!! Aproveite! E há vendedores orgulhosos com seu desempenho, gabando-se: "Fiz ótimo negócio, empurrei por alto preço esta mercadoria encalhada há anos". Sim, é o cabresto manifestando-se por intermédio do verbo, enganando, ferindo direitos, prejudicando o outro... Um cabresto bem vestido, um cabresto de terno e gravata, sorridente e simpático. Ah, os coronéis não se foram, o cabresto não se foi, é uma ilusão considerar grandes guinadas na sociedade sem a evolução moral do cidadão. Ou melhoramos como pessoas coibindo más inclinações ou o voto de cabresto permanecerá por muitas e muitas eleições. Pensemos nisso.
Wellington Balbo
Publicação: http://www.paralerepensar.com.br/ 24/09/2008
Economia cafeeira.
Ao analisarmos a economia brasileira nos primeiros anos da República nos deparamos com a importância o café que já assumia lugar de destaque desde: “os meados do século XVIII esse produto era considerado uma especiaria entre os consumidores europeus. Ao longo desse período, o seu consumo ganhou proporções cada vez mais consideráveis. De acordo com alguns estudiosos, essa planta chegou ao Brasil pela Guiana Francesa nas mãos do tenente-coronel Francisco de Melo Palheta. Na segunda metade do século XVIII, por volta de 1760, foram registrados os primeiros relatos noticiando a formação de plantações na cidade do Rio de Janeiro. Na região da Baixada Fluminense as melhores condições de plantio foram encontradas ao longo de uma série de pântanos e brejos ali encontrados. No final desse mesmo século, as regiões cariocas da Tijuca, do Corcovado e do morro da Gávea estavam completamente tomadas pelas plantações de café.”
Mas o período que interessa ao nosso estudo é a economia do café na República Oligárquica e para isso analisamos um gráfico que cobria os anos de 1895 e 1925 no que se refere à participação do café no total das exportações do Brasil:

O Convênio de Taubaté (1906)
Estipulou:
►Um preço mínimo para o café;
►O pedido de empréstimos externos;
►A compra de excedentes;
►Lei contra novas plantações;
►Criação de um fundo para a estabilização do câmbio (caixa de conversão) com o objetivo de impedir que a moeda nacional fosse valorizada.
Analisamos ainda a chamada Belle Époque.
No Brasil, por exemplo, este período tem início em 1889, com a Proclamação da República, e vai até 1922, quando explode o Movimento Modernista, com a realização da Semana da Arte Moderna na cidade de São Paulo. A Belle Époque brasileira é, no entanto, instaurada lentamente no país, por meio de uma breve introdução que começa em meados de 1880, e depois ainda sobrevive até 1925, sendo aos poucos minada por novos movimentos culturais. Esta era é até hoje relembrada como uma época de florescimento total do belo, de transformações, avanços e paz entre o território francês, onde este movimento se centralizou, e os países europeus mais próximos. Surgem novas descobertas e tecnologias, e o cenário cultural fervilha com o aparecimento dos cabarés, do cancan, do cinema. A face artística é subvertida com o nascimento do Impressionismo e da Art Nouveau. Em outras terras a arte e a arquitetura nascentes neste momento são conhecidas como obras de estilo ‘Belle Époque’. No Brasil a ligação com a França é profunda nesta fase da História. Entre os membros da elite brasileira, era inconcebível não ir a Paris ao menos uma vez por ano, para estar sempre a par das mais recentes inovações. Em meados do século XIX, cinco importantes mostras internacionais organizadas na cidade-luz indicaram as novas inclinações estéticas aos artistas de todo o mundo.
Fonte: http://www.infoescola.com/artes/belle-epoque/
E terminamos o assunto do dia com a análise das doutrinas sociais que surgiram na Europa do século XIX, e suas influências no Brasil, para "combater" o capitalismo. São elas:
►Anarquismo, que exerceu, na Primeira República, uma influência determinante sobre o movimento operário, negava toda forma de autoridade e de organização político-partidária. A luta dos anarquistas tinha caráter econômico e era baseada no enfrentamento direto com os patrões.
► Anarco-sindicalismo; adaptação no Brasil do anarquismo, já que os sindicatos passaram a ter grande importância. O anarco-sindicalismo e seus seguidores usavam a chamada ação direta. Boicotavam a produção, sabotavam as máquinas e faziam greves. Aliás, a greve foi a arma decisiva do anarquismo no Brasil. A imprensa também foi muito utilizada pelos anarco-sindicalistas. A partir de 1922, a força dos anarco-sindicalistas começou a diminuir. Entrava em cena o Partido Comunista.
► Comunistas, seu partido foi criado no ano de 1922 no rastro da vitória da Revolução Russa de 1917 (Bolchevique). Ao contrário dos anarquistas, os comunistas transferiram a luta dos trabalhadores da esfera econômica para a política, com a defesa da hegemonia do partido. Os comunistas, diferentemente dos anarquistas, defendiam a ocupação dos órgãos estatais pelos membros do partido.
Terminamos o nosso encontro de hoje comentando sobre a importância da qualificação para a inserção dos jovens no mercado de trabalho e as diferenças entre o mercado de trabalho e do trabalhador nas décadas passadas e nos dias de hoje.

Correção atividade casa.
Exercícios 2 e 3 da página 28.
2) Um exemplo é o trecho a seguir, com a respectiva explicação.
“Eis aqui os novos Bancos
Que vão dar um dinheirão!
Libras, dollars, marcos, francos
Vamos ter em profusão!” Nesse caso, os bancos
liberaram dinheiro, na expectativa de reavê-lo posteriormente, tendo grande lucro sob as transações financeiras.
3) Atualmente, a economia brasileira vive uma situação quase única no mundo: existe uma grande demanda por nossas exportações em função do crescimento mundial e, por outro lado, enfrentamos um nível de juros elevadíssimo, o que impede um crescimento econômico mais elevado e, portanto, a demanda por importações. Com o resultado, acumulamos saldos comerciais recordes e uma forte entrada de capital de fora, levando à valorização da taxa de câmbio. Além disso, há a competição com a China, que vem elevando continuamente sua produtividade industrial, sem que os salários cresçam na mesma proporção. Internamente, os empresários ainda enfrentam uma contínua elevação da carga tributária, com o medíocre crescimento da economia no ano passado e com a piora nas condições de infra-estrutura. Considerando os altos impostos um grande problema na economia do Brasil, uma das alternativas seria uma reforma tributária, a fim de diminuir as taxas de juros.

Exercícios 16 e 19 da página 45 e 46
16) O darwinismo social apregoava que havia uma seleção natural dos seres. Os fortes comandariam os fracos. Assim, pode-se concluir que a miséria e a pobreza existentes no Brasil, no início do século XX, eram fatores naturais, pois os fracos não conseguiriam superar as dificuldades mantendo-se na sua insignificância moral, social e econômica.
19) D

× Para casa ficou a leitura dos movimentos sociais na Primeira República e os exercícios 4 e 6 (pag. 32) e 7 e 8 (pag. 34)
DESAFIO
Tendo como base o que foi estudado sobre a República Oligárquica no Brasil, identifique na imagem abaixo um erro - dentro do contexto estudado.

quarta-feira, 17 de março de 2010

CNEC: Aula - 17/03/2010 (8ª Série)

Caros alunos do 9º Ano.
Iniciamos a aula de hoje com uma revisão do primeiro capítulo, mas fizemos essa revisão de forma diferente, através de um jogo. E através desse jogo trabalhamos os principais conceitos e objetivos tratados durante as nossas aulas anteriores.
No segundo momento analisamos de forma sucinta os principais pontos da aula anterior e a partir daí começamos um novo capítulo do nosso livro: Os primeiros anos da República no Brasil. Nesse capítulo será analisado, uma série de acontecimentos relacionados, não só ao processo de formação da República Brasileira e as mudanças e permanências em relação ao período imperial, como também os diversos movimentos de contestação a esse novo modelo político.
Para darmos inicio ao assunto analisamos algumas ideias desenvolvidas na Europa e que influenciaram aqueles que nos legaram uma nova forma de governo, a República, mesmo que essa não fosse “... a República dos nossos sonhos”
Nesse tópico as ideias analisadas foram:
► O Positivismo do francês Augusto Comte;
► O Darwinismo Social do inglês Herbert Spencer.
Ao analisarmos essas duas ideias voltamos ao pensamento darwinista de evolução e seleção natural e com isso vimos as suas influências na organização da sociedade pós-industrial e as suas relações com a proclamação da República Brasileira.
Trabalhamos também os primeiros anos da República Brasileira, mais especificamente a: República da Espada, que recebeu esse nome devido aos nossos dois primeiro presidentes pertencerem as Forças Armadas.
São eles:
☼ Deodoro da Fonseca;
☼ Floriano Peixoto.
No governo do Marechal Deodoro, destacamos dois aspectos importantes, um no plano econômico e outro no plano político. No primeiro analisamos o encilhamento, suas causas e consequências e no segundo aspecto analisamos a primeira Constituição Republicana do Brasil.
No governo do Floriano Peixoto, analisamos a Revolta da Armada e a Revolta ou Revolução Federalista.
Para terminarmos foram passados quatro (4) exercícios para a aula 10, 11, 12 e 17. A correção das atividades de aula encontram-se abaixo.
10. (a)
11. (c)
12. (d)
17. O projeto delineado por Rui Barbosa, o então ministro da economia, recebeu o nome de
Encilhamento. Nesse período, houve uma grande emissão de papel moeda, a fim de incentivar a industrialização no Brasil. No entanto, muitas empresas-fantasma e boicotes desencadearam uma crise sem precedentes na economia. A inflação e a dívida externa cresceram, levando ao fim o Encilhamento
.
►Para casa as atividades foram:
Exercícios 2 e 3 da página 28;
Obs. No exercício 3 foi pedido que se privilegiasse os seguintes tópicos:
Exportação;
Juros elevados;
Carga tributária elevada.
Exercícios 16 e 19 das páginas 45 e 46.

sábado, 13 de março de 2010

CNEC: Aula - 10/03/2010 (8ª Série)

Fazenda Ibicaba no século XIX



No início do nosso encontro (aula do dia 10 de março) elaboramos no quadro uma síntese dos assuntos trabalhados na aula anterior.
► A construção da identidade nacional e a vitória de uma determinada visão de nação em que o índio foi idealizado como herói nacional;
► O surgimento de novos grupos sociais;
► Realismo;
► Poesia engajada;
► Revolução industrial ► problemas:
× Urbanização descontrolada;
× Problemas de saneamento;
× As condições de vida do proletariado;
× Baixos salários.
Após essa síntese passamos a trabalhar com o assunto principal da nossa aula com o objetivo de analisar os fatores externos para a vinda dos imigrantes (os fatores internos foram analisados nas aulas anteriores) e as transformações ocorridas com o estabelecimento desses novos grupos no território brasileiro.
Ao analisarmos o processo de imigração, relembramos os fatores internos e algumas soluções encontradas pelos fazendeiros, principalmente os do Oeste Paulista, antes mesmo da promulgação da Lei Eusébio de Queiros.
Vejamos algumas dessas soluções:
* 1947 – Senador Vergueiro contrata imigrantes europeus através do Sistema de Parcerias;

O tratamento aos colonos na fazenda do Senador Vergueiro
O diplomata suíço J.J. Von Tschuidi indignara-se na década de 1860 com a forma pela qual eram tratados os colonos nas fazendas de Vergueiro:
“Fez assim da fazenda um Estado dentro do próprio Estado, recorrendo, entretanto, ao poder público, quando se sentia incapaz de resistir eficazmente às ameaças, como aconteceu na ocasião da revolta do ano de 1857. Vergueiro chegou ao cúmulo de mandar imprimir moeda papel em forma de notas de banco, para com tal moeda pagar colonos. Tenho em mãos a nota nº 836, no valor de 1 mil-réis. Mas Vergueiro fez também imprimir notas de 2 e de 5 mil-réis. Fazia por este meio circular dinheiro que de fato não possuía, resgatando-o quando lhe entrava algum numerário. Mas os colonos eram obrigados a pagar-lhe juros sobre este dinheiro fictício!”
Abaixo temos um trecho de um livro escrito por um imigrante suíço que veio trabalhar na Fazenda Ibicaba, do senador Vergueiro, e se tornou o líder da revolta de 1856 contra os maus tratos sofridos pelos colonos.
“Eu próprio fui vítima, em dado momento, da febre de emigrar. Por longo tempo cogitei, mas sem resultado, em dirigir-me aos Estados Unidos. Por fim certas circunstâncias vieram facilitar uma colocação na colônia da província brasileira de São Paulo. Em companhia de numerosos outros emigrantes embarquei na primavera de 1855 para essa terra, mas não tardei em chegar a convicções de que tantos outros arrancaram aqueles lamentos ‘Desta vez estou perdido!’ O mais triste é quando se chega a descobrir isso, quando percebemos que uma nova escravidão nos submergiu e que essa escravidão é mais difícil de escapar-se do que à tradicional, que de há longa data jungiu os negros africanos. À medida que essa conclusão se formava em meu espírito, crescia também em mim o desejo de me socorrer e aos meus pobres companheiros”.
A seguir reproduzo o comentário da Princesa Isabel em visita, no dia 17 de novembro, a Fazenda Ibicaba em 1884:
"a terra aqui, é tão boa para o café, chamada de terra roxa. É excelente para plantações, mas terrível para os entes humanos. O colarinho, que se põe de manhã limpo, à noite está amarelo, se não chove. Se chove, tudo escorrega e gruda nos pés e nas rodas dos carros. A Fazenda Ibicaba tem muita nomeada e merecida. Dona Maria Umbelina Vergueiro foi quem nos recebeu, É muito agradável e dizem ter sido linda. O marido, infelizmente, não pode se achar aí nestes dias ...."
Fonte: http://www.aprovincia.com/padrao.aspx?texto.aspx?idContent=4529&idContentSection=709
* 1950 – Lei Eusébio de Queiros;
* 1950 – Lei de terras;
► Tráfico Interno (Escravos que vinham dos decadentes engenhos nordestinos)
*1871 – Migração subvencionada;
► Colonato.
► Lei do Ventre Livre;
* 1885 – Lei do Sexagenário;
* 1888 – Lei Áurea.
Ao término da análise dos objetivos da aula, iniciamos a preparação de uma atividade em que após a leitura do capítulo do livro, os alunos elaboraram uma série de questões do tipo falso / verdadeiro para que na próxima aula possamos fazer uma revisão final do capítulo através de uma atividade lúdica.
Obs.: apenas os alunos que entregaram as atividades poderão participar do jogo, jogo esse que valerá como parte da avaliação do trimestre.

Para saber mais.
Site oficial da Fazenda Ibicaba: http://www.fazendaibicaba.com.br/principal.html
Desafio:
Estabeleça a relação entre a Lei Eusébio de Queirós e a Lei de Terras estabelecidas no processo da extinção do tráfico negreiro e no início da imigração européia.
Respostas nos comentários.
Não deixem de participar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

CNEC: Aula - 03/03/2010 (8ª Série)

Na aula de hoje analisamos em um primeiro momento as transformações ocorridas com a vinda da Família Real Portuguesa e a construção de uma identidade nacional após o 7 de setembro e utilizamos como elemento norteador para o debate: O que é ser brasileiro hoje?, o que nos diferencia das outras nacionalidades?. Vimos também que a busca por uma “identidade" brasileira se relaciona com as tradições, com a religião, com a cultura e com a natureza e que esses foram os meios para a criação de uma identidade ideal, que se materializou no índio heróico e em uma natureza paradisíaca e que tudo isso foi elaborado anteriormente e externamente com o Romantismo.
Ainda nesse primeiro momento, discutimos porque o negro e o branco não se tornaram heróis da nação brasileira, através de um texto de Willian R. Cereja e Thereza C. Magalhães, extraído do livro Literatura Brasileira logo após fizemos uma atividade sobre a questão e que foi completada com uma análise dos diversos grupos sociais que compunham a sociedade brasileira no final do século XIX.
Fechamos a aula com uma rápida análise da poesia engajada e a sua contemporânea: a música engajada elaboramos também uma linha do tempo relacionada ao Período Imperial brasileiro e realizamos uma série de exercícios do final do capítulo – 11, 12, 14 e 15 e para casa, além dos trabalhos, ficaram os exercícios 17, 18, 21, 24, 25, 26 e 27.
Para isso foi pedido o trabalho onde os alunos deveriam ouvir uma série de músicas para relacioná-la com as características da poesia engajada, que seria "aquela que é escrita em prol de uma causa política ou ideológica, procurando conscientizar a população e despertar a contestação” Sistema de Ensino CNEC, p. 14. E cuja data para entrega é 24/03. Outro trabalho, esse em grupo, para a mesma data é a atividade 6 da página 10 do seu livro didático.
As letras e músicas são:
Veraneio Vascaína
Para não dizer que não falei de flores
http://letras.terra.com.br/charlie-brown-jr/64460/
A carne
500 Anos
Colégio Público
Os conceitos trabalhados na aula foram:
* Identidade;
* Realismo;
* Revolução Industrial;
* Doutrinas Sociais.

Temas importantes:
* Lei Eusébio de Queiroz;
* Lei de Terras;
* As transformações da vida humana após a Revolução Industrial;
* As características e objetivos do Realismo;
* OS diversos grupos sociais.
Gabarito:
11 Letra C - V-F-V-V-F
12 Letra C - 22
14 Letra C - A abolição da escravatura foi concretizada em 1888, com a Lei Áurea. No entanto, leis anteriores, como a Lei Eusébio de Queirós, a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários, melhoraram as condições de vida da maioria dos negros, tornando a abolição dispensável.
15 Letra E - 62