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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

1ª Olimpíada Nacional de História

Para os alunos que desejam participar da 1ª Olimpíada Nacional de História. Essa é a primeira parte da pré-seleção.
As respostas deverão ser enviadas por e-mail até o dia 25/08.
“As manchetes dos jornais do mundo estão cheias de palavras conhecidas: AlQaeda, Iraque, Kosovo, Ruanda, gulag, globalização e terrorismo. Elas lembram imagens instantâneas aos leitores, e essas imagens foram cri a das para nós por nossos líderes políticos e pelos comentaristas do cenário mundial. Para muitos, o mundo de hoje é uma luta entre as forças do bem e do mal. E todos nós de seja mos estar do lado do bem. Apesar de eventualmente debatermos a sabedoria de certas políticas para combater o mal, tendemos a não ter dúvidas de que é preciso combatê-lo e, com frequência, não temos nenhuma dúvida quanto a quem e o que o encarna”
(WALLERSTEIN, Immanuel. A política do universalismo hoje em dia. In: O universalismo europeu. A retórica do poder. São Paulo: Boitempo, 2007, p.25).
“Immanuel Wallerstein destaca-se como um dos maiores críticos da globalização capita lista e da política internacional dos Estados Unidos, ao lado de intelectuais como Noam Chomsky e Pierre Bourdieu. Sustenta, com razão, que a história do sistema capitalista mundial moderno tem sido, em grande parte, a história da expansão dos povos e dos Estados europeus pelo restante do planeta, por meio da conquista militar, exploração econômica e injustiças em massa, sob o argumento de que tal expansão disseminou ou
dissemina ‘algo invariavelmente chama do de civilização, crescimento e desenvolvimento econômico ou progresso’”
(MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. Apresentação. In: WALLERSTEIN, I. Op.cit.).
É bem sabido que o período pós-Segunda Guerra Mundial inaugura uma longa fase na qual se consolida a hegemonia dos Estados Unidos no concerto político e econômico internacional. As disputas que foram protagoniza das por este país e pela União Soviética (hoje extinta) foram responsáveis, em grande medida, por múltiplas situações de tensão político-militar nas décadas que se seguiram ao desfecho do maior conflito arma do internacional de que a história teve notícia. A desestruturação da União Soviética, a partir da segunda metade dos anos 1980, e, com ela, a perda de sentido da “bipolaridade” (EUA x URSS), tão presente durante o período da “Guerra Fria”, acarretou uma nova configuração das forças políticas, econômicas e militares a partir da última década do século XX. Para alguns intérpretes dos acontecimentos, estava decretado o “fim das ideologias”, e a oposição entre “capitalismo” e “socialismo”, que tanto as motivou para estes críticos, perdia completamente o sentido.

Tendo em vista este amplo cenário histórico da contemporaneidade, que se inicia em 1945 e se desenrola até os dias de hoje, e os seus conhecimentos sobre o período, responda às questões abaixo.
a) Cite e comente pelo menos duas diferentes maneiras pelas quais se manifestou o fenômeno da “Guerra Fria”.
b) Com a desestruturação do “Império Soviético” (URSS), no final dos anos 1980 e no início dos anos 1990, quais foram os desdobramentos dessa cri se para a região do Leste Europeu, agora fragmentado? Como se organizaram os Estados pós-comunistas desde a última década do século XX?
c) Que argumentos podem ser apresentados para sustentar a idéia de que a hegemonia dos Estados Unidos sofre, hoje, uma crise sem precedentes? Cite dois sinais que ajudam a confirmar essa hipótese.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

1ª Olimpíada Nacional de História

Para os alunos que desejam participar da 1ª Olimpíada Nacional de História. Essa é a segunda parte da pré-seleção.
As respostas deverão ser enviadas por e-mail até o dia 25/08.
Crises do Sistema Capitalista
Leia as avaliações abaixo, que foram feitas por importantes intelectuais nacionais e estrangeiros, acerca da crise financeira e econômica vivida pelo sistema capitalista mundial nos dias de hoje.
“Já faz alguns anos que os Estados Unidos vêm perdendo sua posição hegemônica dentro da economia global. Eles perderam sua dominância na manufatura nas décadas de 70 e 80, e agora estão perdendo sua dominância nas finanças, bem como sua influência política e autoridade moral (que estão sendo parcialmente recuperadas agora, pela eleição de Obama). A única coisa que restou é o poder militar, e ele é limitado em terra, como vemos no Iraque e no Afeganistão.”
(David Harvey, in: IHU On-Line, n. 287, São Leopoldo, 30 de março de 2009, p. 6.)
“A redução da atividade econômica, promovida pela crise, oferece uma espécie de trégua na guerra que o capital trava contra a preservação da natureza. Pode ser uma tré gua, mas jamais a paz. Como uma parte não desprezível da humanidade ainda carece de meios para satisfazer suas necessidades essenciais, um modo de produção que vise ao bem-estar de todos não pode abrir mão do crescimento econômico.”
(Paul Singer, in: IHU On-Line, n. 287, São Leopoldo, 30 de março de 2009, p. 8.)
“Nos países emergentes, a situação é muito variável. Nações com um forte mercado interno e uma boa balança comercial podem dirigir o crescimento das exportações aos consumos privados, mas principalmente públicos.”
(Mario Deaglio, in: IHU On-Line, n. 287, São Leopoldo, 30 de março de 2009, p. 14.)
“A crise atual, apesar de suas especificidades e gravidade, não nos ensina nada do que já não sabíamos há muito tempo. O capitalismo é essencialmente um sistema irracional, instável e injusto.”
(Reinaldo Gonçalves, in: IHU On-Line, n. 287, São Leopol do, 30 de março de 2009, p.20)

A partir da leitura das opiniões acima, sobre a crise que o Capitalismo vem sofrendo neste início do século XXI, e de seus conhecimentos sobre a história do século XX, responda às questões abaixo formuladas:
a) Comparando a crise econômica e financeira atual com a crise que abalou profundamente o capitalismo no final dos anos vinte do século passado (“Crise de 1929”), cite três diferenças significativas entre a circunstância atual e aquele momento da história, especialmente para os Estados Unidos.
b) Cite três ações que o atual governo do Presidente Lula implementou como decorrência da crise internacional e que têm por objetivo diminuir o impacto da crise na economia e na sociedade brasileira.
c) Que motivações (cite pelo menos duas) podem ser elencadas para o desencadeamento da crise
Literatura e crise.
– (...) A dificuldade da situação está em que esta nova estrutura da indústria se baseia num estímulo permanente do desejo de mais, mais, mais coisas. Enquanto o povo responder ao estímulo que a propaganda incessante e habilíssima organizou, a indústria crescerá, as empresas distribuirão dividendos, suas ações se conservarão em alta na Bolsa. O consumo intensíssimo constitui o alicerce da prosperidade. No dia, porém, em que o eretismo do consumo fraquejar, teremos uma crise catastrófica, de proporções jamais imaginadas.
– Poderá fraquejar? perguntei especulativamente, porque não via nenhum sintoma disso.
– Acho que vai fraquejar, que é fatal a crise. O ímpeto do “mais” deu no excessivo. O mal-estar por excesso de coisas, que você sente, todos acabarão sentindo. Tudo cansa, até ter.
O que estamos assistindo na América de após-guerra é uma verdadeira bacanal de consumo. Pura orgia. A liquidação do próprio homem elevada à categoria de ciência é sereia que tem conseguido manter em estado de frenesi a ânsia de adquirir coisas, úteis ou inúteis, boas ou más, desejadas realmente ou compradas por arrastamento. Vejo, entretanto, um ponto perigoso no sistema. O povo já está comprando a crédito, já está sacando sobre o futuro. O operário que adquire uma geladeira para pagar em vinte meses, está usando, como se fosse dinheiro, a probabilidade de manter-se no gozo daquele salário durante vinte meses. Venha uma perturbação econômica qualquer, tenha esse operário o seu ganho diminuído ou suprimido – e desabará sobre a América um cataclisma econômico de proporções únicas, capaz de refletir-se desastrosamente no mundo inteiro.
(LOBATO, José Bento Monteiro. América, 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1955.)



JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Com base nos textos e em seus conhecimentos, responda ao que se pede:
a) Os três textos (a charge, o trecho do livro de Monteiro Lobato e o poema de Carlos Drummond de Andrade) abordam o mesmo tema, a crise, seja ela econômica, social ou pessoal. Cite duas diferenças e uma semelhança entre esses textos.
Um abraço e boa avaliação.