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Súplica Cearense

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sábado, 2 de março de 2013

COLÉGIO ESTADUAL RUBENS FARRULLA
3º ANO DO ENSINO MÉDIO



ASSUNTO: BRASIL - REPÚBLICA VELHA: MUDANÇAS POLÍTICAS E SOCIAIS.

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES:

Comparar os significados geo-histórico das organizações políticas e socioeconômicas em escala local e regional;
Correlacionar o conceito de cidadania no Brasil republicano com as organizações políticas e socioeconômicas do período.

Como combinado na aula anterior, estou postando os vídeos e o resumo da aula a partir do texto abaixo.

A República, os primeiros tempos (1889-1897)


"Antes de tudo, o Reinado era o Imperador. Decerto ele não governa diretamente e por si mesmo, cinge-se à Constituição e às reformas do sistema parlamentar, mas como ele só é arbitro da vez de cada partido e de cada estadista, e como está em suas mãos o fazer e desfazer os ministérios, o poder é praticamente dele."
Joaquim Nabuco – Um Estadista do Império, V. 2, p. 1086.

Para os republicanos, a monarquia brasileira, tendo D. Pedro II no trono, era uma anomalia nas Américas. De fato, dos regimes políticos existentes no Novo Mundo desde a independência, somente o dos Bragança era coroado. O restante deles era de repúblicas. A começar pelos Estados Unidos da América, republica desde 1787.
A única explicação que encontravam para isto era a existência do regime escravista. O imperador nada mais representava do que os interesses dos proprietários de escravos espalhados por todo o país: do Oiapoque ao Chuí (a maior extensão de um império escravista desde o desaparecimento do Império Romano, no século 4). O Brasil, durante a vigência do tráfico negreiro, calcula-se, absorvera 40% da mão de obra cativa vinda da África Negra.
Com a política de lenta desescravização adotada pelo regime (Lei Eusébio de Queirós, de 1850; Lei do Ventre Livre, de 1871; Lei Sexagenária, de 1885), que culminou na Lei Áurea de 13 de maio de 1888, o império gradativamente deixava para trás a sua razão de existir. O reinado dos Bragança era a face política da escravidão. A Casa Reinante era o prolongamento da Casa Grande. Quando as senzalas foram abertas e os cativos, por fim, emancipados, a função da Coroa deixou de existir.
Além disso, a presença do poder do imperador, no entender dos críticos, sufocava o país, mantinha-o longe das suas possibilidades e potencialidades. O trono travava tudo. Os republicanos sentiam a palpitação das novas idéias que não paravam de vir de fora: o positivismo de Comte, o evolucionismo de Spencer, o socialismo de Fourier e Proudhom, a bacteriologia do dr. Pasteur. Tudo isto parecia empacar no marasmo da vida cultural, na sensação de imobilismo que predominava no cenário político e social brasileiro do século que findava e que tão bem refletido estava nas novelas de Machado de Assis, com seus "homens-sem-ação". A isso somou-se a Questão Militar.

A Questão Militar
A Guerra do Paraguai (1865-1870) projetara o poder do Exército, mais do que o da Marinha. Todavia, o império desconsiderou isso. Os ministros civis, os barões do império, temiam que prestigiar os oficiais era estimulá-los a dar um golpe de estado (esta foi uma das razões de, terminada a guerra, não haver desfile da vitória pelas ruas do Rio de Janeiro, em 1870).
Muitos militares brasileiros, ao lutarem ao lado dos argentinos e dos uruguaios, envergonhados da persistência da escravidão e dos batalhões de negros sob seu comando, firmaram posição a favor da abolição e da república.
Também os fez inclinar pela causa republicana a influência francesa. O imperador Napoleão III fracassara miseravelmente na Guerra Franco-prussiana, de 1870, deixando-se até a ser capturado em Sedan, em setembro daquele mesmo ano. Em seguida, chegaram notícias ao Brasil da queda do Segundo Império (1852-1870) e sua substituição pela Terceira República francesa (1871-1940).
Ora, as forças brasileiras eram muito influenciadas pela doutrina militar importada de Paris e também por tudo o que ocorria na França, inclusive a idéia republicana do soldado-cidadão. Herdada da Revolução Francesa de 1789, essa doutrina defendia a posição de que um oficial, sem abandonar os princípios da hierarquia e da disciplina, devia interessar-se pelas questões políticas e sociais da sua pátria. Não só isso, tinha por igual "a obrigação de intervir no processo político nacional no sentido de conseguir o fim da corrupção e o restabelecimento da ordem moral conspurcada pela elite civil" (John Schulz - O exército na política, p.87).
No Brasil não era possível ignorar o problema da escravidão, assim foi inevitável que militares começassem a se envolver com a "Questão Servil", como se dizia então. O caso mais exemplar foi o do tenente-coronel Senna Madureira que apoiou a greve dos jangadeiros do Ceará contra o tráfico de escravos no porto de Fortaleza e que foi disciplinarmente punido por isto, em janeiro de 1887. Antes disso, ainda em 1883, ele fizera fama polemizando pela imprensa com o senador Marquês do Paranaguá, devido a um projeto de reforma militar.
Do envolvimento de muitos deles com as questões públicas e com o abolicionismo foi um passo para chegarem à república. De 1883 a 1889, multiplicaram-se os atritos entre os militares e os políticos do império, fazendo com que a tensão entre os quartéis e a liderança civil fosse constante.

A idéia da República
A idéia de implantar uma república no Brasil não era uma fantasia. Ao contrário, no transcorrer do século 19, ocorreram movimentos pró-republicanos. O primeiro deles foi a Confederação do Equador (agosto-novembro de 1824), que sublevou grande parte do Nordeste brasileiro, a república de Frei Caneca, fuzilado pelo império em 1825.
Outro foi a Revolução Farroupilha (1835-1845), logo acompanhada pela proclamação da República do Piratini, feita pelo general Netto, em 1836. República esta que, presidida por Bento Gonçalves, somente foi revogada pela Paz do Poncho Verde (em Dom Pedrito/RS), assinada em 1º de março 1845. Por igual, outras insurreições da época da Regência até a Revolução Praieira de 1849 tinham fortes tintas republicanas.
E, anterior a elas todas, o levante planejado por Tiradentes nas Minas Gerais contra o domínio português, nos finais do século 18, se bem sucedido, terminaria por igual na implantação de uma república de modelo norte-americano e não na fundação de uma monarquia cabocla. Para os republicanos, o alferes José da Silva Xavier era o primeiro prócer da República Brasileira que se viu por fim implantada no Quinze de Novembro.

Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/11/16/000.htm

DESAFIOS
(Atividade extra: valor 2,0 pontos.
Data da entrega: até o dia 25 de março)

A Proclamação da República foi retratada no livro Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Protagonistas do romance, os gêmeos Pedro e Paulo divergem em tudo, exceto na admiração pela mesma mulher, Flora. Paulo é republicano; Pedro, imperialista.

No capítulo XXXVI,  A discórdia não é tão feia como se pinta, é descrito um raro momento de acordo entre os gêmeos, em relação a Flora:
Não há mister tremer, tanto mais que a discórdia dos dous começou por um simples acordo, naquela noite. Costeavam a praia, calados, pensando só, até que ambos, como se falassem para si, soltaram esta frase única:
—Está ficando bem bonita.
E voltando-se um para outro:
—Quem?
Ambos sorriram; acharam pico ao simultâneo da reflexão e da pergunta. Sei que este fenômeno é tal qual o do capítulo XXV, quando eles disseram da idade, mas não me culpem a mim; eram gêmeos, podiam ter o falar gêmeo.
A seguir, diante da visão da praia e do céu, cada um imagina um cenário diferente, correspondente à sua tendência política:
A imaginação os levou então ao futuro, a um futuro brilhante com ele é em tal idade.


Botafogo teria um papel histórico, uma enseada imperial para Pedro, uma Veneza republicana para Paulo sem doge, nem conselho dos dez, ou então um doge com outro título, um simples presidente, que se casaria em nome do povo com este pequenino Adriático. Talvez o doge fosse ele mesmo. Esta possibilidade, apesar dos anos verdes, enfunou a alma do moço.
Paulo viu-se à testa de uma república, em que o antigo e o moderno, o futuro e o passado se mesclassem, uma Roma nova, uma Convenção Nacional, a República Francesa e os Estados Unidos da América.
Pedro, à sua parte, construía a meio caminho como um palácio para a representação nacional, outro para o imperador, e via-se a si mesmo ministro e presidente do conselho. Falava, dominava o tumulto e as opiniões, arrancava um voto à Câmara dos Deputados ou então expedia um decreto de dissolução. É uma minúcia, mas merece inseri-la aqui: Pedro, sonhando com o governo, pensava especialmente nos decretos de dissolução. Via-se em casa, com o ato assinado, referendado, copiado, mandado aos jornais e às Câmaras, lido pelos secretários, arquivado na secretaria, e os deputados saindo cabisbaixos, alguns resmungando, outros irados. Só ele estava tranqüilo, no gabinete, recebendo os amigos que iam cumprimentá-lo e pedir os recados para a província.
Outro episódio do livro que retrata a Proclamação da República não tem a ver com os gêmeos. Trata-se da tabuleta da Confeitaria do Império, mandada pintar alguns dias antes pelo dono, Custódio. Ao saber das notícias sobre a revolução e queda do Império, Custódio tenta interromper a pintura da tabuleta, mas o pintor já a tinha terminado. Como ficar com uma tabuleta desatualizada de um dia para outro? O Conselheiro Aires sugere-lhe o nome "Confeitaria da República", mas o comerciante objeta que podia haver uma reviravolta.

Ambos ponderam sobre a escolha de um nome definitivo, que não dê mais despesas com a troca de tabuleta e que mantenha a respeitabilidade e confiança no estabelecimento. "Confeitaria do Governo" não podia ser, afinal todo governo tem uma oposição; "Confeitaria do Catete", o nome da rua, também não, já que nela havia outra.

Por fim, optam por "Confeitaria do Custódio", pois:
Muita gente certamente lhe não conhecia a casa por outra designação. Um nome, o próprio nome do dono, não tinha significação política ou figuração história, ódio nem amor, nada que chamasse a atenção dos dois regimes, e conseguintemente que pusesse em perigo os seus pastéis de Santa Clara, menos ainda a vida do proprietário e dos empregados. Por que é que não adotava esse alvitre? Gastava alguma coisa com a troca de uma palavra por outra, Custódio em vez de Império, mas as revoluções trazem sempre despesas.


O episódio da tabuleta é narrado nos capítulos XLIX – Tabuleta velha, L – O tinteiro de Evaristo, LXII – “Pare no D.” e LXIII – Tabuleta nova.


ASSIS, Machado. Esaú e Jacó. Texto integral aqui.
Extraído: http://livronasala.blogspot.com.br/2011/11/proclamacao-da-republica.html

1) Explique o significado da República para muitas pessoas na época da Proclamação com base no texto acima. Para essas pessoas a república era uma forma de governo que "veio para ficar" ou poderia ser algo transitório?

2) O proprietário da "Confeitaria do Império", no trecho selecionado, parece mais preocupado com seu prejuízo pessoal (o pagamento do pintor) do que com as transformações políticas do país naquele momento. Elabore um pequeno texto sobre a importância da participação na vida política do país. em seguida, escreva um pequeno discurso para convencer os moradores de sua região sobre o papel de cada um na transformação da sua comunidade.

Respostas nos comentários ou via e-mail (wsshist@gmail.com).





quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Antiguidade Clássica.

ESPARTA
O artigo abaixo publicado na Revista Superinteressante será utilizado para comparar com o material utilizado em sala de aula sobre a cidade de Esparta.
O objetivo é analisar as informações da revista, de divulgação científica, que vem sofrendo uma série de críticas, com o material de uso didático e outros artigos.
Data: 18/03/2010.



Cidade da grécia :a outra Esparta
Ela era mais democrática do que se imagina e tão heróica quanto as lendas contam. Conheça a verdade da cidade mais controversa da Grécia antiga
por Texto Reinaldo José Lopes
Mesmo para os turistas do Império Romano, gente mais do que acostumada a espetáculos sangrentos, aquela era uma atração especial. O sucesso era tanto que, por volta do ano 200 da nossa era, até a construção de um anfiteatro em volta do templo foi autorizada, para que os visitantes pudessem acompanhar cada detalhe do ritual. Um adolescente nu tentava apanhar o queijo depositado sobre o altar da deusa Ártemis, enquanto um dos sacerdotes o chicoteava sem dó, fazendo o sangue espirrar no altar. O jovem que agüentasse mais era saudado como campeão – isso quando tinha a sorte de sobreviver à cerimônia. Os estrangeiros provavelmente deixavam o anfiteatro romano muito satisfeitos: tinham testemunhado um legítimo costume da lendária cidade-Estado de Esparta.
Para muita gente, a imagem de um adolescente torturado resume à perfeição o significado de Esparta para a história. Na escola, aprendemos que, entre as cidades gregas de 2500 anos atrás, Atenas foi o berço da democracia e da liberdade de pensar e criar que valorizamos tanto, enquanto os espartanos viviam sob um regime totalitário, cuja única preocupação era a guerra, e submetiam os jovens ao treinamento militar mais desumano do planeta. Desse ponto de vista, passar de superpotência grega a parque temático sadomasoquista teria sido um destino mais do que merecido.
Acontece que, assim como a visão dourada de Atenas, essa imagem dos espartanos não passa de caricatura. Embora também esteja repleto de erros históricos (leia a seguir), o filme 300, que acaba de chegar aos cinemas, acerta em cheio ao mostrar que, sem a liderança dos espartanos, a Grécia e talvez boa parte da Europa teriam virado mera província do Império Persa, com conseqüências imprevisíveis para o mundo de hoje. Em 4 grandes batalhas contra os persas, os espartanos ajudaram a proteger o que seria a origem do mundo ocidental. Por mais estranho que isso soe agora, Esparta esteve entre as primeiras cidades gregas a criar um governo constitucional, onde todo cidadão era igual diante da lei, e seus exércitos foram vistos como libertadores perto da ambição de Atenas. Por tudo isso, vale a pena tentar enxergar através das distorções que cercam a cidade mais controversa da Grécia.
Conquistadores
Mito e arqueologia concordam num ponto: Esparta é um produto do primeiro grande desastre da história grega. Até por volta do ano 1200 a.C., o Peloponeso (como é conhecida a região do extremo sul da Grécia, onde fica a cidade) estava cheio de pequenos reinos. Inscrições e objetos achados nos palácios do Peloponeso mostram que seus habitantes já falavam uma forma primitiva de grego e levavam uma vida de luxo, comerciando cerâmica, metais preciosos e marfim com o Egito, a Palestina e a atual Turquia.
Uma onda de invasões e saques, porém, acabou com essa vida mansa. Boa parte dos grandes palácios do Peloponeso foi queimada, e a região voltou a ter um estilo de vida rústico e rural durante cerca de um século. É então que, pouco antes do ano 1000 a.C., como sugerem mudanças na cerâmica e em outros objetos do dia-a-dia, chegou ali um novo povo: os dórios, ancestrais dos espartanos.
Na mitologia grega, a chegada dos dórios ficou conhecida como “o retorno dos filhos de Héracles”. Os descendentes desse herói (conhecido entre nós como Hércules) seriam os legítimos herdeiros dos reinos do Peloponeso, expulsos injustamente de lá. Mas os filhos de Héracles reuniram um exército, formado por 3 tribos do norte da Grécia, e recuperaram no braço o que era seu. A parte da herança é claramente invenção para legitimar a invasão, mas os dó­rios realmente tinham uma origem étnica comum e falavam um dialeto nortista.
Parte dos recém-chegados ocupou a Lacônia, o vale fértil do rio Eurotas, e fundou 4 vilarejos perto de um assentamento da época dos palácios. Por volta do ano 900 a.C., as 4 aldeias se uniram politicamente para formar Esparta. Unificada, a cidade partiu para uma expansão das mais respeitáveis. Toda a Lacônia caiu nas mãos de Esparta: alguns habitantes (provavelmente os que resistiram aos ataques) engrossaram as fileiras dos servos, chamados de “hilotas”, enquanto outras aldeias conseguiram manter a autonomia interna, desde que reconhecessem a soberania espartana. Os moradores desses lugares ficaram conhecidos como periecos (“os que habitam em volta”). A expansão foi até por volta do ano 700 a.C., quando a cidade, sozinha, dominava dois quintos do Peloponeso.
Democráticos
Tantas conquistas, claro, trouxeram prosperidade. “Historiadores como o francês Claude Mossé consideram que, já no século 7 a.C., Esparta tem uma aristocracia amante das artes e desenvolve atividades comerciais marítimas”, diz a historiadora Maria Aparecida de Oliveira Silva, autora do livro Plutarco Historiador. Os poetas e músicos de Esparta ficaram conhecidos na Grécia inteira, e sua elite levava uma vida luxuosa, com finos objetos de bronze e metais preciosos fabricados localmente ou importados da Ásia. No entanto, há indícios de que só alguns espartanos se beneficiaram de verdade com as vitórias, virando senhores do grosso das novas terras, enquanto outros empobreciam. Em outras palavras: tensão social – que veio acompanhada por problemas militares para conter as constantes rebeliões.
A tradição espartana, que chegou até nós por relatos de historiadores como Heródoto, Xenofonte e Plutarco, diz que a solução para esses problemas foi bolada pelo sábio Licurgo, tio e tutor de um dos reis da cidade. Ele teria implantado uma reforma política profunda. Todos os cidadãos – ou seja, todos os homens livres de Esparta – passaram a eleger os 28 membros da Gerúsia, o Conselho dos Anciãos, encarregado de elaborar as leis da cidade. Os reis continuaram a ter uma série de privilégios simbólicos (o mais bizarro era o direito de ficar com a pele e o lombo de todos os animais sacrificados aos deuses), mas, na prática, viraram simples generais hereditários. O poder de decisão final ficava nas mãos do damos – o povo, versão dória da palavra que é uma das raízes do termo “democracia”.
Reunidos em assembléia, os homens de Esparta podiam aprovar ou vetar as propostas da Gerúsia, usando um método que parece ter saído de um programa de auditório – o “sim” ou o “não” ganhava dependendo da quantidade de barulho produzida de cada lado. Houve também uma reforma agrária: cada espartano recebeu um lote de terra suficiente para sustentar sua família. A reforma se completou mais tarde com o surgimento dos éforos, 5 magistrados eleitos anualmente por todos os espartanos que, na prática, passaram a deter a maior parte do poder de executar as leis.
Na época em que foi criado, esse sistema era revolucionário. O Oriente Médio ainda era dominado por monarcas absolutos, considerados semideuses. Atenas, futuro símbolo da democracia, estava nas mãos de um grupo minúsculo de famílias nobres e ricas, assim como outras cidades gregas. Esparta parece ter inventado a idéia de que mesmo um plebeu pobre tinha o direito de eleger seus representantes e ser eleito, e de que ninguém, nem mesmo os reis, estava acima da lei. Não é só conversa: a história espartana está cheia de relatos sobre soberanos que pisaram na bola e foram presos ou exilados. Os hilotas e periecos, é verdade, continuavam sem direitos políticos – mas o mesmo valia para a massa de escravos em todas as outras cidades gregas.
A partir daí, numa sociedade quase democrática, começou a se criar a futura fama de Esparta como potência militar. Também por volta do século 7 a.C., os gregos passavam por uma revolução na arte da guerra. Antes, o costume era que só os nobres e sua guarda pessoal lutassem, e os combates não passavam de expedições pequenas para roubar o gado ou as mulheres da vila vizinha. Mas a população e a riqueza da Grécia tinham crescido, e os conflitos cresciam na mesma proporção. O ideal era juntar o máximo possível de soldados no campo de batalha. Os exércitos das cidades-Estado passaram a agir como grandes unidades: os guerreiros, usando pesadas armaduras de bronze e lanças, só eram eficazes lutando em conjunto. O escudo protegia só o lado esquerdo de quem o carregava: o outro lado do corpo era resguardado pelo escudo do soldado ao lado. Se alguém fraquejasse, todos eram prejudicados. Ora, se a massa dos cidadãos passa a ser importante na guerra, a cidade não tem como se defender sem eles. Isso coloca um poder considerável nas mãos do damos de Esparta: o povo ganha força para exigir direito de voto ou uma fazenda nos arredores.
O sucesso das reformas foi indiscutível. Enquanto a Grécia inteira passou do século 7 a.C. ao 5 a.C. sofrendo com ditadores e revoluções, Esparta virou um oásis de estabilidade.
Guerreiros
Para manter as conquistas e o sistema político, todo cidadão de Esparta passou a ser preparado desde pequeno para ser um supersoldado. O treinamento era conhecido simplesmente como agogué (“criação”, em grego). “A única descrição da agogué que temos é do ateniense Xenofonte, que escreve tarde, por volta do ano 400 a.C.”, afirma o historiador Paul Cartledge, da Universidade de Cambridge (Rei­no Unido). Segundo Xenofonte, os testes começavam no nascimento: os bebês eram lavados com vinho e levados aos anciãos de seu clã para inspeção. Os disformes ou fracos demais eram abandonados para morrer. (Até aí, nada de mais: todos os gregos praticavam o infanticídio em situações parecidas.) Os meninos ficavam até os 6 anos com a mãe; depois, passavam a ser criados em pequenos grupos por um supervisor, dormindo em barracões, aprendendo a cantar, dançar (exercícios adequados para se acostumar ao ritmo da marcha militar), ler e escrever.
Quando chegava a adolescência, o cabelo dos garotos era raspado. Eram obrigados a usar apenas um manto leve, fizesse chuva ou sol, e a andar descalços o tempo todo. Recebiam pouca comida; podiam complementar a dieta roubando, mas, se fossem apanhados, levavam uma surra terrível. As chibatadas às vezes vinham em rituais religiosos, como o descrito no começo desta reportagem.
Aprendiam a falar só o essencial – daí a expressão “laconismo”, derivada da Lacônia, o vale fértil onde Esparta foi fundada. “Seria mais fácil ouvir as vozes de estátuas de pedra do que as daqueles rapazes”, afirma Xenofonte. Os jovens praticavam a dança e o canto, em cerimônias elaboradas que simulavam os movimentos da guerra. Relacionamentos amorosos entre adolescentes e rapazes mais velhos eram comuns e até incentivados – os adultos eram considerados mentores dos mais novos.
Aos 19 anos, o rapaz se tornava soldado pleno, mas ainda não era considerado cidadão. Deixava crescer o cabelo – todos os espartanos adultos tinham longas madeixas, que enfeitavam com flores. Podia se casar, mas ainda não tinha permissão de passar a noite com a mulher. Isso – junto com os outros privilégios da cidadania, como votar – só era possível quando ele fazia 30 anos. Uma última obrigação o acompanhava pelo resto da vida: fazer diariamente as refeições com sua unidade de combate, geralmente formada por 15 guerreiros espartanos. O prato principal costumava ser a intragável sopa negra, feita com cevada, sangue e carne de porco.
Esse sistema tornava os espartanos resistentes e corajosos, mas sua principal função era criar espírito de equipe. A lenda de que os soldados de Esparta nunca se rendiam ou recuavam é balela: não havia vergonha nenhuma em baixar as armas se essa fosse a ordem do rei ou do general. Abandonar os companheiros é que era considerado intolerável, porque um escudo a menos na formação significava expor todo mundo ao risco de morte.
Não havia glória maior do que tombar na linha da frente, morrendo lado a lado com os companheiros: essa, para os espartanos (e para a maioria dos outros gregos) era a “bela morte”. Mas eles só agiam como camicases quando não havia outra escolha. Uma frase registrada pelo historiador grego Tucídides é emblemática. Perguntaram a um espartano capturado se os colegas mortos tinham sido mais valentes que ele. “As flechas seriam muito espertas se conseguissem distinguir os valentes dos covardes”, retrucou o guerreiro. “Es­sa é uma coisa na qual o filme 300 acerta: ele mostra esse humor negro com o qual os espartanos enfrentavam a guerra”, diz Paul Cartledge.
Outro ponto que sempre se omite sobre Esparta é a condição das mulheres. Elas levaram uma vida bem melhor que as do resto da Grécia. Eram incentivadas a praticar exercícios físicos e a ficar ao ar livre, ao contrário das atenienses, quase sempre trancadas em casa. Também podiam herdar terras. “No entanto, isso não quer dizer necessariamente que as mulheres de Esparta fossem vistas pelos homens de forma diferente das outras gregas”, diz Isabel Romeo, historiadora da UFRJ que estuda o tema. “Para os gregos, a função da mulher era sempre ter filhos saudáveis. A diferença é que os espartanos achavam que, para desempenhar, ela precisava ter uma vida ativa”, afirma.
Defensores
O engraçado é que, embora o Exército espartano fosse mais poderoso do que nunca, a expansão direta da cidade parou. “Esparta temia que as cidades vizinhas apoiassem as revoltas dos servos e procurou alguma forma de convivência pacífica com elas”, diz Robin Osborne, da Universidade de Cambridge. Os espartanos forjaram uma aliança que acabaria englobando todo o Peloponeso. As cidades-Estado tinham voz nas decisões, mas era Esparta a cidade líder, que tinha mais peso na hora de ditar a política externa do bloco e decidir como e quando guerrear.
Essa liderança relativamente democrática acabou sendo providencial para a Grécia. Enquanto as cidades-Estado continuavam brigando entre si, o Império Persa nascia e virava um gigante no Oriente, o grande inimigo dos gregos. Por volta de 540 a.C., as cidades gregas da Ásia caíram nas mãos dos persas. O novo império trouxe paz e estabilidade à região, mas também sufocou os desejos gregos de uma política mais democrática (os persas apoiaram ditadores fantoches por ali). O bolso grego também foi afetado, porque a Pérsia cobrava impostos ferozes e mutilava o comércio. Os gregos da Ásia se revoltaram, com o apoio de Atenas, mas levaram uma sova. A ajuda ateniense era a desculpa perfeita para a Grécia européia ser incluída no alvo das invasões. Assim pensou o rei persa Dario, cujo exército desembarcou perto de Atenas no ano 490 a.C.
Nas primeiras batalhas, os persas foram totalmente derrotados. Mas até as pedras do Eurotas sabiam que a coisa não ia ficar por isso mesmo. Xerxes, filho e sucessor de Dario, jurou vingança e preparou o maior exército que o mundo já tinha visto (talvez 120mil soldados) e a maior marinha (cerca de 1000 barcos) para invadir a Grécia. Nenhum dos súditos do rei tinha muita escolha nessa história: todas as regiões do império tinham de contribuir com sua cota de homens, e a palavra de Xerxes era lei sagrada. Atenas e Esparta (que tinha apoiado os atenienses na primeira invasão) estavam no topo da lista negra de Xerxes. A lenda, reproduzida no filme 300, conta que as duas cidades tinham atirado dentro de um poço os mensageiros do rei, que pediam terra e água como sinal de submissão, dizendo: “Aí tendes terra e água”.
Além de enfrentar o reino mais poderoso da época, a Grécia tinha que lidar com a desunião interna. Na primavera de 480 a.C., quando a segunda onda de invasões persas começou, poucas cidades gregas queriam saber de aliança. “De 700 cidades-Estado que poderiam ter se unido à resistência, só cerca de 30 o fizeram”, diz Cartledge. Dessas poucas cidades corajosas, metade integrava o grupo dos “lacedemônios”, como eram chamados os espartanos e aliados, grupo que hoje nós chamamos de Liga do Peloponeso. “A resistência simplesmente não teria sido possível sem a Liga do Peloponeso”, diz o historiador de Cambridge. A ela se juntaram Atenas e pequenas cidades, como Plataia.
O comando supremo, tanto na terra quanto no mar, ficou nas mãos de Esparta, já que ela era a líder do bloco que formava o coração da resistência. Mais do que o comando, porém, os aliados tinham do seu lado os soldados espartanos, “a infantaria pesada mais bem treinada da Grécia – na verdade, a única infantaria profissional de que os gregos dispunham”, afirma Peter Green, professor da Universidade do Texas em Austin e um dos principais especialistas nos conflitos entre gregos e persas.
Os líderes espartanos nem sempre estiveram à altura de seus guerreiros. Há sinais de que a cidade e os outros membros da liga queriam se arriscar o mínimo possível fora do Peloponeso. Essa é uma das explicações (além da coincidência de um festival religioso, durante o qual Esparta normalmente não guerreava) para o fato de que o rei Leô­nidas tenha levado consigo só 300 espartanos para o desfiladeiro das Termópilas, no centro-norte da Grécia. A missão dos 300, ao lado de cerca de 7 mil aliados gregos, era tentar impedir o avanço de Xerxes em terra, enquanto a frota grega adotava a mesma estratégia no mar, no estreito de Artemísio.
Por 3 dias, Leônidas e os 300 – que foram vistos penteando os longos cabelos com toda a calma quando os primeiros persas surgiram – detiveram forças imensamente superiores e mataram dois irmãos de Xerxes. Mas sua retaguarda não estava bem coberta. Graças a um grego traidor, Leônidas acabou cercado e lutou até a morte com seus homens e mais 1000 voluntários aliados, ganhando tempo para que o resto do exército fugisse. Xerxes mandou decapitar o rei e crucificar seu corpo.
A sorte grega deu uma guinada cerca de um mês depois, quando a frota aliada destroçou as trirremes persas na ilha de Salamina, perto de Atenas. O próprio Xerxes decidiu voltar para a Ásia e, no ano seguinte, suas forças terrestres foram esmagadas pelo sobrinho de Leônidas. Os persas jamais pisariam outra vez na Grécia européia.
Xerxes, ao contrário do que se diz em 300, não era a versão metrossexual do capeta. Em parte, o governo do Irã tem razão em ficar fulo da vida com o filme, como afirmou em nota ofical no começo de março. O domínio persa poderia até ter posto um fim nas eternas briguinhas fúteis entre cidades, que eram a praga da vida grega (pelo menos em termos de progresso econômico). Ao mesmo tempo, porém, ele teria encerrado o primeiro grande experimento de liberdade política e de pensamento da história, forçando os gregos a se curvar a um Grande Rei todo-poderoso. Democrática ou não, Esparta jamais aceitaria o domínio de um só homem que estivesse acima da lei – e se dispôs a lutar para que a Grécia não sofresse esse destino.
Personagens
Depois de botar os estrangeiros para fora, a Grécia pôde viver seu esplendor. Em Atenas, um ano depois de os persas darem no pé, nasceu Sócrates, um dos grandes alicerces da filosofia ocidental, seguido por Platão e Aristóteles. Com os invasores contidos, a obra deles e de pensadores anteriores, como Tales de Mileto e Pitágoras, pôde sobreviver até hoje. Em 438 a.C., no lugar de um antigo templo destruído pelos persas, Atenas construiu o Partenon, símbolo máximo do período clássico grego.
No entanto, já que derramar sangue era como um passatempo para os gregos, as guerras não pararam por ali. As cidades voltariam a lutar entre si: Atenas, poderosa demais depois de vencer os persas, se tornou um império maldoso demais para as cidades conquistadas. Aliados de Atenas mandavam mensagens secretas para os espartanos, suplicando que eles “libertassem a Grécia”. O conflito era só uma questão de tempo – e as alianças passaram as 3 últimas décadas do século 5 a.C. afundadas nele. A guerra terminou com a vitória de Esparta, financiada por ouro persa.
A influência espartana agora dominava a Grécia inteira. Mas, sem o menor tato, os espartanos instalavam governadores militares impopulares ou apoiavam oligarcas que perseguiam os opositores políticos. O resultado? Mais guerra, dessa vez promovida por um novo poder: a cidade de Tebas, ao norte de Atenas. O confronto decisivo entre a desafiante e a campeã aconteceu na Batalha de Leuctra, em 371 a.C. A derrota de Esparta foi completa. A cidade virou ruínas. Tornou-se irrelevante e foi absorvida pelo Império Romano, junto com o resto da Grécia, em 146 a.C.
Diante da arte e do pensamento ateniense, pode parecer que Esparta só teve importância militar. Mas não é de mais voltar a 480 a.C. e ao punhado de homens que ousou se colocar no caminho dos persas. Heródoto diz que um rei espartano exilado, Damárato, acompanhava Xerxes nas Termópilas. O rei persa teria perguntado se os espartanos, sendo tão poucos, ousariam enfrentá-lo. “Rei”, respondeu Damárato, “embora sejam livres, eles não são livres em tudo. Acima deles está a lei, um senhor a quem eles temem muito mais do que os teus servos têm medo de ti. Eles fazem o que a lei ordena, e a sua ordem é esta: não fugir diante de nenhuma multidão de homens, mas ficar em seus postos.” Poucas idéias foram tão capazes de mudar o mundo.

Termópilas - 19 a 21 de agosto de 480 a.C.
“Ficou evidente para todos, e não menos para o próprio Xerxes, que havia muita gente com ele, mas poucos homens de verdade.”
Heródoto
1. Inimigo maior
Com 120 mil guerreiros, os persas invadem a Grécia por uma faixa montanhosa do litoral.
2. defender é preciso
Os 300 guerreiros de Esparta, mais 7 mil aliados, bloqueiam os persas no desfiladeiro das Termópilas. Quem tenta passar é atirado ao mar.
3. derrota inevitável
Depois de 3 dias, um grego traidor guia as forças persas por uma trilha. Os espartanos são atacados pela retaguarda e dizimados.
Peso-pluma
Os persas eram uma infantaria leve. Carregavam escudos mais fracos, lanças curtas e uma espada. A grande arma era o arco, com alcance de 200 metros.
Modelo de herói
Maior herói de Esparta, o rei Leônidas deteve os persas por 3 dias, até ser morto com todos os seus guerreiros.
Nos trinques
Era tradição entre os espartanos pentear os longos cabelos antes da batalha, e também enfeitá-los com grinaldas de flores. Como os outros gregos, eles costumavam entrar em combate cantando.
Turbinado
Com armadura, escudo de bronze ou lança de 3 metros, o soldado de Esparta levava vantagem. O escudo tinha a letra lambda, de Lacedemônia (outro nome de Esparta).
Artemísio - 19 a 21 de agosto de 480 a.C.
“Vendo os bárbaros fazer um crescente com suas naus, preparando-se para envolvê-los por todos os lados, os gregos saíram para enfrentá-los.”
Heródoto
1. Ao ataque!
Os persas avançam contra os gregos com 800 barcos. A idéia é eliminar a frota naval grega e partir para o continente.
2. Abraço de urso
Na defesa, os 300 barcos gregos se juntam para se defender dos persas, que formam uma espécie de tesoura de ataque.
3. Empate técnico
Depois de 3 dias de batalha, tempestades diminuem a superioridade persa. Os gregos recuam para o sul e batalha termina em empate técnico.
Corpo a corpo
Quando o barco inimigo teimava em não afundar, o jeito era invadir o convés e partir para o combate direto.
Triplex
Os barcos de guerra das duas esquadras eram as trirremes: tinham 3 andares, com 50 remadores em cada um. Chegavam a 35 metros de comprimento e 5 metros de largura.
Tropa faraônicaOs egípcios estavam entre as melhores tropas anfíbias do Império Persa. Usavam armaduras com escamas de aço, grandes escudos e lanças, além de ganchos para abordar os navios inimigos.
Nós e os gregos
Como a filosofia explica os heróis
Texto Leandro Narloch
Por que os gregos gostavam tanto de sangue? A Batalha de Termópilas mostra que os jovens da Grécia antiga sonhavam morrer como heróis das lutas. Todo cidadão de respeito, de políticos como Péricles a poetas como Sófocles, participava de batalhas. São muito diferentes, por exemplo, do cristão que tenta levar uma vida pacífica, sem pecar. Mas a razão de os gregos adorarem brigar é muito parecida com a do religioso que não falta a nenhuma missa. Os dois querem atingir a salvação.
No jeito cristão de pensar, a pessoa se salva da morte tendo uma vida baseada no amor e na compaixão. Se viver corretamente, seguirá existindo numa boa na eterna colônia de férias chamada céu. Um motivo e tanto para viver cheio de culpa por qualquer errinho. Mas os gregos viveram antes do cristianismo. Como não acreditavam que alguém, uma pessoa onisciente, tinha criado o Universo, não deviam explicações ou culpa para ninguém maior que eles. E não tinham nenhuma esperança de que se dariam bem depois da morte. O jeito que encontravam para eternizar a vida era pela fama, praticando atos heróicos que ficassem para sempre na história.
“Morrer de forma gloriosa era muito mais importante que ter uma vida longa e pacífica”, diz o filósofo Roberto Bolzani Filho, da USP. Os guerreiros odiavam ser designados para cargos leves, como mensageiro, e competiam para saber qual seria eternizado nos escritos dos poetas. “A glória valia mais que a vida”, diz Fernando Santoro, professor de filosofia antiga da UFRJ.
Já hoje, quando cada vez mais gente acredita que a morte é só um apagar de células, procuramos nos agarrar à vida. Talvez seja por isso que, bem ao contrário dos gregos, fazemos de tudo para fugir do serviço militar, comemos salada e praticamos esporte para viver. Mas claro que ainda temos a noção de pecado dos medievais. E o enorme fascínio dos gregos por heróis.

Salamina - 20 de setembro de 480 a.C.
“Os gregos, qual homens que arpoam atuns ou outro cardume de peixes, esmagavam a cabeça de seus inimigos com remos quebrados.”
Ésquilo
1. Armadilha
Convencidos por uma falsa mensagem dos gregos de que eles fugiriam, os persas partiram para o ataque.
2. Tudo ou nada
Ao entrar nos canais de Salamina, o maior número dos persas deixou de ter valor: ali não era possível manobrar muito.
3. Finta de mestre
Surpresos com a força naval grega, os persas têm seus navios invadidos. Os que chegam à praia são mortos ali mesmo. Os gregos vencem.
De camarote
Xerxes, rei dos persas, mandou montar seu trono em frente a ilha de Salamina para assistir o combate.
Glub glubUm dos meios de vencer uma batalha naval antiga era usar o esporão (o “bico” de bronze do navio) para furar o casco do adversário e levá-lo a afundar.

Para saber mais
História
Heródoto, Prestígio, 2002.
A Guerra do Peloponeso
Donald Kagan, Record, 2006.
The SpartansPaul Cartledge, Penguin, 2003.

Plataia - 27 de agosto de 479 a.C.
“Nesse dia o comandante persa Mardônio pagou o justo preço pela morte de Leônidas; e a mais bela vitória de que temos conhecimento foi obtida por Pausânias.”
Heródoto
1. Retirada confusa
A batalha começou quando os gregos resolveram fingir um recuo. A idéia era dar tempo para tropas de várias cidades se agruparem.
2. Ao ataque
Entusiasmados, os persas cruzaram o rio que os separava dos gregos e atacaram.
3. Derrota final
Parte do Exército grego levou a pior, mas eles agüentaram a pressão e acabaram derrotando os persas de vez.
Cavaleiros do rei
Os cavaleiros persas eram muito importantes nos combates em campo aberto. Usavam arcos e lanças leves, de arremesso, e irritavam o adversário ao fazer ataques rápidos e recuar logo depois.
À moda da Davi
Cercado por 1 000 guerreiros, o general persa Mardônio acabou tendo o crânio esmagado por uma pedra.
Barraca armada
O acampamento persa era uma festa. Havia tendas bem decoradas, peças de ouro e prata e a companhia das concubinas dos chefes.

Fonte imagem 1: Revista Superinteressante (Abril de 2007)
Fonte imagem 2: http://caracadesenhos.zip.net/
Fonte imagem 3: http://muraldosescritores.ning.com/
Fonte do artigo: http://super.abril.com.br/historia/cidade-grecia-outra-esparta-446897.shtml .(Com adaptações).

Atividades:
1) Relacionar as semelhanças e diferenças com o texto utilizado em sala de aula.
2) Identificar as ideias principais.
3) Identificar e explicar os conceitos, ideias e termos presentes no texto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ditadura civil-militar no Brasil contemporâneo

ATIVIDADE EXTRA
Turmas: 3003 & 3004
A atividade tem como objetivo principal analisar o período ditatorial brasileiro a partir de uma música.
Roteiro:
1) Ouvir a música: Apesar de Você: autoria de Chico Buarque.
Interpretado por Maria Bethânia. Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=7MbA2LjyvQo
2) Ler o capítulo 68. (Tópicos 1, 2 e 3).
3) Relacionar a música ao conteúdo do capítulo. abaixo se encontra, um exemplo de análise.
4) Enviar a resposta via e-mail (wsshist@gmail.com) até o dia 6/11/2009.
5) Valor até 3 pontos.
Apesar de Você
Composição: Chico Buarque
Amanhã vai ser outro dia x 3
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão
(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora tenha a finezade "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de virantes do que você pensa
Apesar de você
(Coro3) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você
(Coro4) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá??
Histórico: No mesmo ano em que a seleção brasileira conquistou o tricampeonato mundial, as torturas e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime do general Médici eram constantes. Chico Buarque fez a letra dirigida exatamente à Médici, e enviou aos censores certo de que não passaria. Passou e foi gravada. O compacto atingia a marca de 100 mil quando um jornal insinuou que a música era uma homenagem ao presidente. A gravadora foi invadida e todas as cópias destruídas. Chico foi chamado a um interrogatório para prestar informações e esclarecer que era o “você” mencionado na música. “É uma mulher muito mandona, muito autoritária”, respondeu. A canção só seria regravada em 1978 num álbum que leva o nome do autor da música.

Análise Musical
Amanhã há de ser outro dia
Por Adriana Ficher e Cleide Castro, 3º ano de Rádio e TV

Por meio de metáforas, Chico Buarque criticava o governo dos militares. No ano em que a canção Apesar de Você foi composta, em 1970, o Brasil vivia uma era de opressão e obscuridade política. Reinava a ditadura militar. A censura nos meios de comunicação, promovida pelo governo, proibia e vetava qualquer manifestação artística que contrariasse e subvertesse a ordem vigente.
Camuflando-se por meio de metáforas e temas aparentemente casuais, o compositor e cantor Chico Buarque de Holanda externava, em suas canções, seus pensamentos em relação ao momento histórico e político. Os traços psicológicos, religiosos, sociais e lingüísticos de suas músicas mexem com o imaginário das pessoas e sugerem um aumento da capacidade de ver e sentir os ricos significados pretendidos pelo autor.
Seus versos caracterizam a atmosfera que marcou toda uma geração. Por apresentarem tons pesados, dogmáticos e pedagógicos, diversas canções eram consideradas politicamente perturbadoras ao regime militar.
Chico Buarque, embora viesse de um ambiente privilegiado e culto, manifestou todo seu interesse pelos problemas sociais, econômicos e políticos do país, denunciando-os numa obra de caráter essencialmente popular. Usou a poesia como arma de combate e de resistência à censura, à ditadura e à falta de liberdade de expressão.
O poeta aliou-se ao povo, informando e esclarecendo os acontecimentos. Assim, seria possível transformar a sociedade em que viviam. Para que o público pudesse captar a essência de suas letras, Chico utilizou-se de uma linguagem simples. Implicitamente, o compositor expressava tudo o que julgava necessário ser dito, combatendo uma censura que escravizava as mentes e vetava a liberdade incondicional do ser humano.
Através da análise pretendida da música Apesar de Você, descobrem-se muitos significados ocultos que passaram desapercebidos por muitos ouvidos. As metáforas contextualizaram o momento histórico da época e driblaram os censores por mostrarem letras aparentemente ingênuas e desconjunturais.
Aos ouvintes mais sintonizados com os acontecimentos políticos, restaram diversas alusões que recriaram um ambiente sofrido, o governo tirano, o sentimento geral de revolta e indignação de um povo e a busca pela liberdade política e ideológica.
A canção Apesar de Você foi um marco. Nela, Chico demonstrou todo seu desapontamento em relação ao governo em versos como: "Você vai pagar e é dobrado/ cada lágrima rolada/ nesse meu penar/ apesar de você/ amanhã há de ser/ outro dia/ você vai se dar mal/".
O que propositalmente parecia ser uma fictícia briga de namorados, revela-se, embora implicitamente, um desabusado recado à ditadura. Utilizando-se de metáforas, expressava a revolta com toda a repressão e, também, a esperança de liberdade de um povo submisso, domado pelas diretrizes governamentais. ("Hoje você é quem manda/ falou, tá falado/ não tem discussão").

Fonte: http://www.facasper.com.br/cultura/site/ensaio.php?tabela=&id=55