Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil



Certificado de participação
Certificamos que a equipe Argonautas, orientada pelo professor(a) Alexandre Wilson Simões da Silva e composta pelos(as) estudantes Sarah Fiorani, Miceli Bernardes e Caroline da Rocha participou da 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil, tendo concluído as fases 1, 2, 3, 4 e 5 com sucesso.
Prof. Dr. Marcelo Firer
Diretor do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp
Profa. Dra. Cristina Meneguello
Coordenadora da 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil

Aos alunos Caroline Rocha, Miceli Bernardes e Sarah Fiorani, meus parabéns pela dedicação, empenho e vontade de participar de um evento de tal monta.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


Heroes of Hellas 2 - Olympia Deluxe

Recupere uma civilização em declínio com sabedoria e justiça, em Heroes of Hellas 2 - Olympia Deluxe, uma incrível sequência cheia de desafios e surpresas!
Heroes of Hellas 2 - Olympia Deluxe

Recupere uma civilização em declínio com sabedoria e justiça, em Heroes of Hellas 2 - Olympia Deluxe, uma incrível sequência cheia de desafios e surpresas!

CARACTERÍSTICAS
volte à Grécia neste divertido jogo de combine 3 e caça objetos ganhe ouro e invoque os deuses para criar um santuário para o povo divirta-se com oito minijogos variados e envolventes use as imagens do jogo como plano de fundo

REQUISITOS MÍNIMOS DO SISTEMA
Processador: PIII 500 MHz
128 MB RAM
Espaço livre em disco: 50 MB
Placa de vídeo 16-bit de 16MB DirectX

Fonte: http://jogos.super.abril.com.br/lobby_dw.jsp?gid=5960

domingo, 19 de setembro de 2010

Escolas estaduais de referência, Nave e Nata abrem inscrições para 2011
Cadastro é gratuito e deve ser feito pela Internet. Haverá seleção de alunos em 2 etapas
Rio - A Secretaria Estadual de Educação abre segunda-feira as inscrições para escolas de referência da rede, que oferecem Ensino Médio Integrado. São 160 vagas no Núcleo Avançado em Educação (Nave), na Tijuca; 120 para o Núcleo Avançado de Educação em Tecnologia de Alimentos (Nata), em São Gonçalo, e 200 no Colégio Estadual Erich Walter Heiner, Santa Cruz. Os candidatos terão de fazer um ‘vestibulinho’. O cadastro vai até o dia 5 pelo site www.educacao.rj.gov.br. As vagas são para alunos que concluíram o 9º ano do Ensino Fundamental ou a Fase 9 da Educação de Jovens e Adultos, vindos da rede pública federal, estadual ou municipal, com idade entre 13 e 16 anos. A inscrição é gratuita.
Na primeira fase, dia 16, candidatos às três unidades farão provas de múltipla escolha de Língua Portuguesa e Matemática. Na segunda etapa, dia 23 de outubro, acontece o teste de habilidade. O resultado sai dia 5 de novembro.
No Nave, parceria do estado com o Instituto Oi Futuro, o estudante fará o Ensino Médio regular e poderá, no curso, optar entre a formação em técnico em Geração de Multimídia, técnico em Programação de Jogos Digitais ou técnico em Roteiro para Mídias Digitais. No Nata, convênio com o Grupo Pão de Açúcar e a CCPL, o aluno escolhe entre se formar técnico de Leite e Derivados e técnico de Panificação.
Já no Colégio Estadual Erich Walter Heiner, associação com a siderúrgica Thyssenkrupp CSA, o Ensino Médio Integrado é em Administração.
Fonte: http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2010/9/escolas_estaduais_de_referencia_nave_e_nata_abrem_inscricoes_para_2011_110945.html

quinta-feira, 2 de setembro de 2010




Quanto custaria construir as pirâmides atualmente
[02-09-2010]
A Grande pirâmide de Giza é a mais antiga e a única que ainda perdura das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A maior das pirâmides, serviu como tumba ao faraó da quarta dinastia do antigo Egito, Jufu -também conhecido por seu nome grego Quéops- e seu arquiteto foi Hemiunu, um parente de Jufu.

A data estimada do término da Grande Pirâmide é 2570 a.c e foi a primeira e maior das três grandes pirâmides da Necrópoles de Gizé nas imediações do Cairo no Egito e o edifício mais alto do mundo até o século XIX, só superado pelas agulhas da Catedral de Colônia (157 m, construída de 1248 a 1880) e a Torre Eiffel (300 m, erigida em 1889).
O egiptólogo britânico Sir William Matthew Flinders Petrie fez o estudo mais detalhado realizado até o momento a respeito do monumento, sendo suas dimensões as seguintes:
· Altura original = 146,61 m
· Altura atual = 136,86 m
· Ângulo: 51º 50' 35"
· Comprimento dos lados da base é:
o Lado N: 230,364 m
o Lado E: 230,319 m
o Lado S: 230,365 m
o Lado O: 230,342 m
o Média: 230,347 m
Os materiais necessários a sua construção foram os seguintes:
· Quéops: Mas de dois milhões de blocos de pedra calcária de várias toneladas cada uma.
· Quéfren: Um milhão de blocos de pedra calcária de várias toneladas
· Miquerinos: 100 mil blocos.
Para a sua construção foram necessários 100 mil homens e 20 anos, segundo Heródoto, além dos 10 anos para aprovisionar o material. Utilizaram embarcações de vela para o transporte dos blocos e rampas de terra, polias, rolos e alavancass para a construção.
Na atualidade seriam necessários 6 mil homens trabalhando durante 15 anos, com a ajuda de guindastes para elevar os blocos de construção fabricados em concreto visando baraterar o custo das pirâmides.
O custo dos materiais seria de 240 milhões de dólares e o pagamento da mão de obra consumiria 445 milhões de dólares, totalizando 685 milhões (aproximadamente 1,2 bilhões de reais).

domingo, 15 de agosto de 2010

Textos para o teste.

Material de apoio e complementar para o teste do 3° bimestre.

O POPULISMO EM QUESTÃO E A QUESTÃO DO POPULISMO
A CRÍTICA AO CONCEITO DE "POPULISMO". O termo "populismo" tem sido utilizado para caracterizar a política getulista e, por extensão, a prática de importantes políticos no período de 1945 a 1964. De modo simplificado, o conceito de populismo conteria dois ingredientes: de um lado, os líderes populares que manipulam os trabalhadores e, de outro, a massa trabalhadora que se deixa levar "passivamente" por esses líderes. Na época, o terreno comum entre o líder populista e a massa era a legislação trabalhista, considerada a grande obra de Vargas. Assim, populismo e trabalhismo tornavam-se faces da mesma moeda.
Trabalhos historiográficos mais recentes criticam essa concepção "populista" do período, afirmando que a capacidade de manipulação dos líderes era muito limitada e que os trabalhadores não eram criaturas passivas que aceitavam tudo o que vinha "de cima". Ao contrário, tiveram uma participação ativa na criação do trabalhismo, uma das características marcantes do período. Portanto, o conceito de "populismo" não dá conta da realidade e distorce os fatos - é o que concluem alguns estudos atuais.
Em História, como em qualquer outra disciplina, os conceitos estão perpetuamente
sujeitos a revisões e críticas. Como os conceitos são criados ou aprimorados em trabalhos de pesquisa e reflexão, o alvo das críticas são geralmente as obras mais representativas. No caso do populismo, os autores visados pelos críticos são os sociólogos Octávio lanni e Francisco Weffort, autores de “O colapso do populismo e O populismo na política brasileira", respectivamente. É preciso frisar que essas obras são apenas exemplos de uma vasta produção que envolve também outros autores.
A "REINVENÇÃO" DO TRABALHISMO. De acordo com a nova interpretação historiográfica, os trabalhadores tinham perfeita noção de seus interesses e o trabalhismo não foi um produto integralmente getulista. Ao contrário, os trabalhadores interferiram ativamente em sua construção. Em 1960, a participação dos trabalhadores na renda interna urbana foi de 64,9%, índice inferior apenas aos dos Estados Unidos, Inglaterra, Suécia e Noruega. Entre 1954 e 1964, o Brasil testemunhou o maior movimento social de sua história e vivencio ou um processo real de distribuição de renda. No plano político, o levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 1964 em oito capitais revelou que 64% da população "tinha preferência partidária, índice alto mesmo para padrões internacionais. Isso significa que a maioria acreditava no sistema partidário, aceitava-o como instrumento de representação política". Em outras palavras, os trabalhadores estavam lutando ativamente por conquistas políticas, sociais e econômicas, e obtendo resultados positivos. A visão populista do processo é criticada por minimizar essas conquistas.
AÇÃO, MANIPULAÇÃO E CONCESSÃO. Contudo, seria absurdo negar que líderes políticos em geral e os populistas em particular não exercessem influência sobre uma parcela da sociedade. Se não tivessem essa capacidade, não seriam líderes. Líderes, por definição, têm seguidores.
E, se influenciam, os líderes também podem manipular, isto é, iludir e enganar seus liderados. Como ressalta o cientista político Francisco Weffort, "porém, a manipulação nunca foi absoluta". Ele lembra ainda que a idéia de "manipulação absoluta" é característica da "visão liberal elitista '".
Também é verdade que as classes populares não podem ser concebidas como sujeitos absolutamente conscientes de si e de seus interesses, livres de influências e manipulações, dotados da capacidade de agir com a maior coerência e segundo os melhores meios e oportunidades.
Essa visão heróica das classes populares e trabalhadoras é tão irreal como a visão de uma elite política todo-poderosa. Por isso, Weffort afirma que "o populismo foi um modo determinado e concreto de manipulação das classes populares, mas foi também um modo de expressão de suas insatisfações"? Quer dizer, as classes populares agem, mas estão sujeitas a manipulações.
As lideranças populistas certamente manipulavam, mas não estava ao seu alcance cancelar as pressões e reivindicações populares. Quando estas atingiam certo nível, era necessário fazer concessões.
Aquilo que na ótica populista aparecia como concessão, sob a perspectiva dos trabalhadores era conquista. Esse fato não escapou a Weffort, para quem
Vargas, apoiado no controle das funções políticas, "doa" às massas urbanas uma legislação trabalhista que começa a formular-se desde os primeiros anos do Governo Provisório e que se consolida no ano de 1943. São os setores que possuem maior capacidade de pressão sobre o Estado e aqueles que, desde antes de 1930, possuíam alguma tradição de luta; são também os setores disponíveis, para a manipulação política, pois apesar de que as regras do jogo eleitoral estivessem suspensas desde 1937 elas foram as conquistas da revolução de 1930
e continuam a ter uma existência virtual."

As conquistas trabalhistas foram, portanto, conquistas reais, e não simples paliativos. Porém, uma visão equilibrada não pode descartar a ideia de que o populismo não foi mera ficção; o termo designa certo estilo de atuação política característica do período compreendido entre 1930 e 1964.

Fonte: História do Brasil no contexto da história ocidental: ensino médio / Luiz Koshiba, Denise Manzi Frayze Pereira - 8° ed. rev., atual. e ampl. - São Paulo: Atual, 2003.
Nova Ordem Mundial
Depois da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, um dos assuntos mais discutir é o surgimento de uma nova ordem mundial. Quando ela se definiu e o que traz de novo?A nova ordem mundial apresenta uma faceta geopolítica e outra econômica. Na geopolítica, houve uma mudança para um mundo multipolar, onde as potencias impõe mais por seu poder econômico de que bélico. Na economia o que aconteceu de novo foi o processo de globalização e a formação de blocos econômicos supranacionais.
Velha ordem bipolar
Desde 1989, a humanidade começou assistir uma série de eventos que até então eram imagináveis. A queda do Muro de Berlim era impensável, bem como a reunificação da Alemanha Ocidental e da Oriental, em 1990.
O muro que dividia Berlim e a separação da Alemanha, constituíam os principais símbolos da Guerra fria. Apesar da proximidade geográfica, a mesma origem histórica e cultural havia muitas diferenças na Alemanha. De um lado estava a democracia pluripartidária, a hegemonia da propriedade privada e da livre iniciativa, uma sociedade rica, que apresentava altos índices de produtividade. Do outro lado, a ditadura do partido único, a exclusividade da propriedade estatal. O consumo limitado e baixos índices de produtividade. E as diferenças políticas, econômicas e sociais aumentaram cada vez mais. A Alemanha apesar de ser uma só nação, apresentava dói Estados. Era o modelo soviético frente a frente com o modelo norte-americano.Em 1991 houve o fim de outro símbolo da Guerra Fria, o Pacto de Varsóvia. Representantes que faziam parte deste pacto formalizaram a sua dissolução, em Praga, na então Tcheco-Eslováquia. Era o fim do conflito leste x oeste.
Por fim, em dezembro de 1991, foi selada desagregação geopolítica e territorial da União Soviética. O presidente Boris Yeltsin declarou a independência da Rússia, e após isso, se reuniu com os chefes de Estado da Ucrânia e de Belarus, em Minsk. Nesse encontro foi criada a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), substituindo a ex-União Soviética. Composta por doze países que faziam parte da ex-soviética, a CEI é uma aliança de Estados independentes.
Nova ordem multipolar
Hoje no mundo multipolar pós-guerra fria, o poder é medido pela capacidade econômica do país, que envolve disponibilidade de capitais, avanço tecnológico, mão-de-obra qualificada e nível de produtividade. Isso explica a emergência de Japão e Alemanha como potencias, e ao mesmo tempo, a decadência da Rússia. Embora a Rússia seja dona de em poderoso arsenal nuclear, o setor industrial é obsoleto e pouco produtivo, e o país se encontra em crise social, política e econômica.
A China possui uma economia que mais cresce no planeta, isso porque: possui a maior população do mundo, e portanto, um grande mercado consumidor; além de muita mão-de-obra barata, oferecendo facilidades para atração de capitais estrangeiros. Apesar disso também enfrenta sérios problemas internos, principalmente políticos.Assim, podemos afirmar que os países mais poderosos do mundo hoje são os Estados Unidos, Japão e Alemanha.
Outro aspecto de importância é a tendência da globalização em suas várias facetas, tanto em sentido mundial como regional.
Conflito norte x sul
Muitos tem dito com atenção que a nossa ordem mundial é a vitória do capitalismo e da democracia. Alguns argumentavam que o modelo político e econômico estabelecido pelos Estados Unidos se tornaria dominante a tal ponto que não haveria mais conflitos. Que houve uma vitória norte-americana sobre a União Soviética não podemos negar. Mas até mesmo os vencedores apresentam vários problemas econômicos, como por exemplo: elevado déficit público e elevado endividamento interno e externo; isso em parte se deve a corrida armamentista.Assim não devemos nos apressar ao afirmar que o capitalismo o melhor que o socialismo. É preciso primeiro avaliar: melhor para quem?
É bem claro que o capitalismo é mais dinâmico e competitivo. Não podemos nos esquecer, porem, de que os países subdesenvolvidos, com exeção da Coréia do Norte, Cuba e Vietnã são todos capitalistas. Muitos problemas no mundo, foram criados pelo sistema capitalista, como o aumento da pobreza, desemprego e concentração e estes aumentam em todo mundo.Um dos problemas mais sérios é a desigualdade social. Este problema vem se agravando até mesmo em países desenvolvidos. Com o aumento da incorporação de novas tecnologias no processo produtivo, a oferta tem diminuído e isso contribui e muito para se empobrecer a população. Também é cada vez maior o buraco que separa os países ricos dos pobres. Esse é o chamado conflito norte x sul, que é de natureza econômica, é não geopolítica, como era o caso do conflito leste x oeste
http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/arlindojunior/geografia007.asp

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

TAREFA 3



Capítulo 16
A Era dos Impérios
Assunto: O Imperialismo


Tarefa 3
Data para entrega: 19 de agosto de 2010

A tarefa dessa semana consiste em analisar a imagem acima. Após considerar os diversos aspectos da imagem, responda:
a) Identifique os personagens e que países eles representam no desenho? Quais as características que permitiram vocês identificar cada personagem a seu país de origem?
b) A charge se relaciona a que contexto histórico?
c) Quais fatores desencadearam esse contexto?

DESAFIO.
Qual o papel do colonialismo europeu na organização socioeconômica da África atual, caracterizada pela fome, pelo avanço devastador de doenças e pelas constantes guerras.
Obs. Caso queira baixar a atividade em PDF é só acessar a postagem do dia 26 de julho e fazer o download no 4shared.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

RECUPERAÇÃO DA SINAGOGA DE NILOPOLIS.

O vídeo abaixo foi uma indicação do Marcos Davi Duarte da Cunha, membro do Café História

PROJETO JUDEUS EM NILÓPOLIS
Radamés Vieira

Próximo Shtetl: Nilópolis
A partir de 1920, um grupo de cerca de 300 famílias judias se instalou em Nilópolis, na Baixada Fluminense no Estado do Rio de Janeiro. Ali reconstruíram suas vidas em uma colônia, de uma forma muito assemelhada aos Shtetl, aldeias judaicas da Europa oriental, que podem ser muito bem visualizadas na obra do Nobel de literatura Isaac Bashevis Singer.
“Desde os primeiros escritos ficou claro que a literatura de Singer era, antes de tudo, um reflexo de sua infância e adolescência na Polônia. O shtetl é o cenário preferencial, mas os personagens estão longe de ser caricaturais ou ingênuos; o que temos aqui são pessoas à mercê de paixões e fantasias poderosas, inspiradas pelo misticismo e pelo folclore judaicos.” [Moacyr Scliar, in prefácio de 47 contos de Isaac Bashevis Singer (Companhia das Letras,2004)]. Nilópolis não foi muito diferente, apesar de clima e (paisagem) idiossincrasias distintos.
Em Nilópolis, onde essas famílias permaneceram por quase seis décadas, não poderiam deixar de ter os conflitos entre tradição e modernidade, homens e mulheres, riqueza e pobreza, depressão e entusiasmo, razão e misticismo. Diferenças políticas e de interpretação das leis divinas também marcaram encontros e desencontros, amizades e rixas que seriam sempre mediadas por um rabino da capital, o Rio de Janeiro.
A chegada dessas famílias à cidade de Nilópolis coincidiu com o crescimento urbano da cidade, para o que as famílias judias contribuíram em sua efetiva consolidação. Com uma participação ativa na economia da localidade, médicos, alfaiates, pequenos comerciantes, vendedores de porta-em-porta, chamados pelos seus conterrâneos de “clienteltchiks”, cruzavam a rua Mena Barreto, então a principal da cidade, falando Iídiche e oferecendo seus serviços e produtos a outra gente que também chegava àquela época, os migrantes internos, vindos principalmente do interior dos Estados de Minas Gerias, Espírito Santo e do Nordeste do Brasil.
Vamos mostrar também que, na mesma época, floresceu em Nilópolis uma comunidade sírio-libanesa, com basicamente duas grandes famílias, os Sessim David e os Abraão David, que, por características culturais de seus povos mais liberais, se miscigenaram com mais facilidade, tendo inclusive entrado para a política (foram e são vereadores, prefeitos, deputados e líderes de agremiações sócio culturais, como a G.R.E.S. Beija Flor de Nilópolis). Os judeus e os árabes em Nilópolis, conviveram em paz e harmonia, não permitindo que conflitos religiosos e de vizinhança de suas origens afetassem o bem estar comum.
A maioria dos judeus que viveu em Nilópolis já morreu, alguns foram para Israel, e outros se mudaram para Tijuca ou Zona Sul do Rio de Janeiro. Existem poucos remanescentes, (geralmente filhos dos que ali chegaram e acabaram nascendo na cidade), que ainda vivem e têm lembranças desse período. Alguns ilustres, como é o caso da atriz Tereza Rachel e de um dos maiores cancerologistas do Brasil e atual secretário municipal de saúde do Rio de Janeiro, o médico Jacob Kligerman. Outra famosa moradora foi a artista plástica Fayga Ostrower, que faleceu em 2001.

TRADIÇÕES E CULTO
Para manter as tradições magnificamente cantadas pelo personagem central Tevye, [no musical concebido a partir de um conto do escritor ídiche Sholem Aleichem], “Um Violinista no Telhado” (premiado com o Oscar), foi fundada em Nilópolis a sinagoga Tiferet Israel (Beleza de Israel), em fins dos anos 20.
Ela era fundamental para a prática religiosa e aulas da Torá. Nela funcionavam também as escolas de hebraico, Iídiche, além de cultura judaica, que dava um suporte educacional aos filhos dos imigrantes que estudavam em escolas convencionais junto com os não judeus. Era desenvolvida também a pratica de esportes e, em um terreno contíguo, chegou a funcionar um clube esportivo chamado Macabi.
O prédio da sinagoga, construída no estilo holandês pelo Rav Moshe Grymberg, em 1928, apesar de se encontrar em estado de abandono, ainda poderá ser recuperado para a construção de um futuro centro cultural e esportivo, idéia já apoiada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro, além de vir a constituir um forte atrativo turístico na cidade.
A Sinagoga Tiferet Israel foi fundada pelo rabino Isaias Rafaelovistsh, um dos que recebeu o cientista Albert Einstein por ocasião de sua visita ao Brasil, em 1925. Ele era o representante no Rio de Janeiro da JCA ou ICA (Jewish Colonization Association), entidade criada em fins do século XIX em Londres, pelo Barão Maurício Hisrsh, que apoiava as populações judaicas pobres perseguidas, principalmente em suas emigrações.
A passagem desse rabino pelo Brasil também deixou outra marca indelével entre os judeus; a união dos ashkenazim (vindos do centro e leste europeu) com os sefaradim (da península ibérica e que já se encontravam por aqui há mais tempo). Ele foi o responsável pela criação da Comunidade Judaica oficial do Rio de Janeiro, no ano de 1924. Até então havia pouco contato entre eles.
Isaias Rafaelovistsh foi por isso o pioneiro na organização da comunidade judaica como um todo no Brasil.Para entendermos melhor essa dispersão, lembrou a pesquisadora Suzane Worcman em seu livro “Heranças e Lembranças”, (da coleção Quase Catálogo, ARI, CIEC e MIS, 1991) o seguinte:
“A imigração judaica deste período (até a década de 30), não se deu de uma forma organizada, tendo um caráter aleatório e familiar; vinha primeiro um irmão, um pai de família, seguido ou não por outros membros da família. Era uma emigração sem retorno, pois nem as primeiras gerações nem as segundas pensavam em voltar”

MORRER PARA VIVER
Como bem relata em seu livro Os Judeus no Brasil (ed. Civilização Brasileira, 2005), a doutora em História Keila Grinberg fala particularmente de uma grande dificuldade na instalação das comunidades judaicas até o início do século XX. “Um dos aspectos mais difíceis da vida cotidiana dos judeus no Brasil do século XIX era a morte. A morte e as questões práticas a ela relacionadas... A dificuldade maior estava no fato de os cemitérios públicos, constituídos a partir da década de 1850, serem de uso exclusivo dos católicos... Resultado: Os judeus não tinham onde ser enterrados”.
Para resolver essa questão, foi criado, em um terreno separado por um muro contíguo ao cemitério municipal já existente, o cemitério comunal Israelita de Nilópolis, que teve seu primeiro sepultamento em 1935 e até hoje é onde, junto com o Cemitério Israelita do Caju e o Cemitério Israelita de Vila Rosali, descansam os judeus que por aqui morrem. Depois da criação do Estado de Israel em 1948, alguns, por desejo manifestado ainda em vida ou de parentes, foram transladados para Jerusalém.

UM GUETO LIVRE NOS TRÓPICOS
O bairro da Praça Onze, no Rio de Janeiro, teve uma vida judaica dinâmica e ativa no início dos anos de 1920 até fins dos anos de 1940. Samuel Malamud, primeiro Cônsul honorário do Estado de Israel no Brasil, descreve em seu livro Memórias da Praça Onze (Kosmos editora, 1988):
“Dava a impressão de um enorme gueto, sem muralhas ou restrições... Naquele período, a população judaica do Rio de Janeiro crescia diariamente, devido ao enorme afluxo imigratório procedente dos países da Europa Oriental. Aos poucos os imigrantes foram se fixando em todos os bairros da cidade, principalmente da Zona Norte... Chegou, inclusive, a surgir uma comunidade bastante numerosa, formando um vilarejo judaico, no município de Nilópolis, a uma hora de trem do Rio, pela Central do Brasil.”
A relação dos judeus de Nilópolis com os da Praça Onze era muito forte, inclusive em inúmeros casos de parentesco. A praça onze funcionava como uma espécie de matriz para os judeus de outros bairros e cidades próximas ao Rio de Janeiro.Era lá que se instalavam em primeiro lugar os que chegavam da Europa.
Cerimônias religiosas, conflitos, consultas ao rabino, sede de instituições culturais e beneficentes e até mesmo relações comerciais eram ali estabelecidas. Essa comunidade teve fim com a demolição no local para a abertura da Avenida Presidente Vargas em fins dos anos de 1940.

O LIVRO DE ADOLFO
Em seu livro ainda inédito “Judeus no Braisl”, o professor titular de História Medieval da USP, Nachman Falbel, revela que o primeiro livro escrito em iídiche no Brasil “Neie Heimein” – Novos Lares-, do escritor Adolfo Kischinevisky, foi editado em Nilópolis no ano de 1932. Adolfo, que na verdade se chamava Yudel, nasceu em Tiraspol, na Rússia, e veio para o Brasil em 1918, tendo tido uma passagem de nove anos pela Argentina onde exerceu o trabalho de relojoeiro.
Morreu aos 46 anos, em 1936 de infecção generalizada, mas chegou a morar e desenvolver várias atividades sociais, políticas e culturais no Brasil. Além de ter participado ativamente da imprensa judaica do Rio de Janeiro como colaborador. Foi presidente do Centro Israelita de Nilópolis e tomou parte em diversas iniciativas comunitárias. Em seu livro de contos, que pretendemos mostrar no documentário, o autor reflete vários aspectos da vida de imigrantes judeus no Brasil que transmite em sua obra literária.

O LIVRO DE ESTHER
Vivência Judaica em Nilópolis é o título do livro de Esther London, (editora Imago, 1999); uma judia nascida em Ostrowiec, na Polônia e que com apenas 19 anos, em 1935, chegou ao Brasil e em 1939 casou-se com Mojza London, de Nilópolis, onde foi morar e constituiu sua família. Morou lá até 1952, onde teve dois filhos, Pedro e Jack London, e participou ativamente da vida comunitária.
A partir do relato desse livro é que vai se desenrolar o documentário e posteriormente um filme de ficção, com argumento inédito do acadêmico Moacyr Scliar e escrito especialmente para cinema. A direção será do cineasta Roberto Farias, com roteiro de Geraldo Carneiro.
Neste livro constatamos depoimentos pungentes de pessoas que lá viveram. De uma forma simples e direta, a autora reproduz diversos momentos de uma vida que hoje só resta na memória de uns poucos.
Sem explicações acadêmicas ou a pretensão de um estudo de comportamento, a senhora Esther London, uma nonagenária lúcida e com incrível poder de articulação de pensamentos e lembranças, desenhou no livro uma tela literária tal qual Carlos Scliar, outro imigrante judeu no Brasil, fazia com seus pincéis em suas telas.
Apesar de ter sofrido um AVC em 2003, e de ter dois filhos e netos, faz questão de morar só (em Copacabana) e continuar a administrar a própria vida, bem no estilo matriarcal comumente encontrado no povo Judeu. E é com ela que tomaremos o primeiro depoimento de um documentário para televisão que servirá de base para o roteiro do filme.

Para maiores informações acesse o site: Judeus em Nilópolis.
http://www.judeusemnilopolis.com.br/release/detalhes-offline.htm