Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

domingo, 26 de abril de 2009

PRÓXIMA AULA: 30/04/2009

2º Ano
Na aula anterior trabalhamos com o assunto a Primeira Guerra Mundial. Nesse nosso próximo encontro nos voltaremos para o estudo da História do Brasil, mas especificamente, sobre: A crise da monarquia no Brasil (1870-1889). Será trabalhado ao longo do capítulo as crises que abalaram e por fim derrubaram o Império Brasileiro.
1º e 2º Tempos.
Correção dos exercícios de casa.
Início do Estudo Dirigido. Essa aula (30/04) terá como dinâmica a formação de um grupo único, onde serão discutidos entre os alunos, o tema da aula. A avaliação será dada de acordo com a participação individual, no que se refere a forma que fez a leitura do capítulo (dúvidas para serem tiradas em sala) e na cooperação em ajudar os colegas a sanar as suas dúvidas.
Organização da aula.
1º Análise e interpretação do texto
2º Dúvidas
3º Discussão e resolução das dúvidas.
O professor será apenas um mediador.
Essa parte da aula abrangerá parte do primeiro tempo e todo o segundo. Se houver necessidade poderá se estender para o terceiro tempo.
3º Tempo.
Resolução dos exercícios propostos.
Páginas 53 e 54.
Exercícios 1, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 1o.
Correção.
Obs. Dependendo do andamento da aula, nós trabalharemos uma lista de atividades de revisão do conteúdo para a avaliação. Pois na semana da avaliação pretendo que vocês elaborem uma linha do tempo ilustrada. Postagem - 27/04/2009.
Para aprofundamento do tema.
Foi postado no blog uma série de textos, figuras, documentos, vídeos e tabelas que podem ajudar na compreensão dos assuntos que serão abordados no decorrer da aula. Este material encontram-se nas seguintes postagens:
. Cronologia da abolição da escravatura.
Documentos para o 2º ano e Revisão.
. A posição subalterna do Exército Brasileiro.
Atividades para o 2º ano.
. O processo de extinção da escravidão.
Documentos para o 2º ano
. Esquema-Resumo.
Atividades para o 2º ano e Revisão.
. Os quadrinhos como fontes históricas - O fim do Império
Trabalhos, Revisão, Colégio Fluminense de Éden, Vídeos
Sites

# Sobre a Questão Religiosa

http://www.oabsp.org.br/institucional/grandes-causas/a-questao-religiosa

Para aprofundamento do tema:

Aula do professore Jucenir, do Colégio Anglo, com a colaboração de Alfério di Giaimo, Membro da Academia de Letras Maçónicas. Fonte TVAnglo. Vale a pena dar uma passada e assistir a aula.
http://www.angloararaquara.com.br/

Aulas online. História ao Vivo.

# O fim do Império

http://www.libertaria.pro.br/brasil/capitulo11_index.htm

Abaixo encontra-se um vídeo do professor Boris Fausto da USP, sobre o fim do período imperial brasileiro, destacando a questão da mão-de-obra.

CRONOLOGIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Cronologia da abolição da escravatura
1772O julgamento do escravo fugitivo Somersett, abre precedente para que a Justiça britânica não mais apóie a escravidão.
1794 Primeiro país a proibir a escravidão, o Haiti tem sua legislação abolicionista revogada por Napoleão em 1802.
1807 O Parlamento britânico aprova o Abolition Act, que proibia o tráfico de escravos na Inglaterra.
1810Tratado de Aliança e Amizade entre Portugal e Inglaterra. Estabelece a abolição gradual da escravidão e delimita as possessões portuguesas na África como as únicas que poderiam continuar o tráfico.
1823José Bonifácio na Assembléia Constituinte, apresenta uma representação sobre a abolição da escravatura e a emancipação gradual dos escravos.
É aprovada a lei que proíbe a escravidão no Chile.
1826 A Inglaterra impõe ao governo brasileiro o compromisso de decretar a abolição do tráfico em três anos.
1829 Durante o governo de Vicente Guerrero, é decretada a abolição da escravatura no México.
1831Lei Feijó. proíbe o tráfico e considera livres todos os africanos introduzidos no Brasil a partir desta data. A lei foi ignorada e chamada popularmente de “lei para inglês ver”.
1833 É sancionada no Parlamento a extinção da escravatura, que é estendida a todo o Império britânico.
1845 Slave Trade Suppression Act (Bill Aberdeen). Lei britânica que proibia o comércio de escravos entre a África e a América.
1848Em 1794, a convenção republicana francesa votou pela abolição nas suas colônias, mas somente em 1848 os escravos são emancipados.
1850 Lei Eusébio de Queiróz. Proíbe o comércio de escravos para o Brasil.
1854Lei Nabuco de Araújo. Previa sanções para as autoridades que encobrissem o contrabando de escravos. É decretado o fim da escravidão na Venezuela e no Peru.
1865 Com o fim da Guerra de Secessão nos Estados Unidos (1861-1865), o presidente Lincoln declara extinta a escravidão em todo o território norte-americano.
1869 Portugal torna ilegal a escravidão, mas já havia decretado a liberdade dos escravos em seus territórios desde 1854.
1871 Lei do Ventre Livre. Concede liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas os mantém sob a tutela dos seus senhores até atingirem a idade de 21 anos.
1874 Os escravos são emancipados na Costa do Ouro (atual Gana) após a conquista do reino de Axante pelos ingleses.
1880Joaquim Nabuco (deputado de Pernambuco) apresenta à Câmara um projeto de lei propondo a abolição da escravidão com indenização até 1890.
Fundação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão e de seu jornal, O Abolicionista.
1883 Publicação de O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco.
Criação da Confederação Abolicionista / panfleto de André Rebouças, Abolição imediata e sem indenização.
1884 Extinção da escravidão no Ceará.
1885 Lei dos Sexagenários (Saraiva-Cotegipe), que concede liberdade aos escravos com mais de 60 anos.
1886 O tráfico foi oficialmente extinto em Cuba, que passou a receber mão-de-obra chinesa para trabalhar no plantio de cana-de-açúcar.
1887 Quilombo de Jabaquara.
Fundado por José do Patrocínio o jornal abolicionista Cidade do Rio.
1888 Lei Áurea. Extinguiu definitivamente a escravidão no Brasil.
1889Proclamação da República.
1890Acordo com a Inglaterra para proibição do tráfico negreiro e abolição da escravatura na Tunísia.
1894 A Inglaterra decreta em Gâmbia a emancipação gradual da escravidão. Os escravos tornavam-se libertos com a morte do senhor ou mediante pagamento.
1897 A escravidão é abolida em Madagascar. Em Zanzibar, o status legal da escravidão é abolido, mas a proibição da prática só ocorre em 1909.
1901 A Inglaterra torna a escravidão ilegal no sul da Nigéria, mas a abolição no norte do país só ocorre em 1936.
1906 A escravidão é proibida na China.
1928As leis que aboliam a escravidão nas colônias britânicas não eram aplicáveis ao protetorado de Serra Leoa, onde a escravidão só foi considerada ilegal a partir desta data.
1942 A Etiópia manteve a escravidão até esta data, indiferente às pressões abolicionistas internacionais. Só se tornou independente na década de 1930.
1956 Com a retomada de sua soberania, a escravidão no Marrocos foi desaparecendo do reino sem uma legislação específica, e a instituição se extinguiu.
1962 A Arábia Saudita abole o status legal da escravidão.
1980 Na Mauritânia, a lei de 1980 foi a última das quatro tentativas legais de abolir a escravidão no país. Atualmente, ainda há indícios desta instituição no país.
1990 A escravidão foi abolida no Sudão na década de 1950, mas a prática foi retomada nos anos 90 com a guerra civil.

sábado, 25 de abril de 2009

A posição subalterna do Exército brasileiro



Fonte: Faria, O Mosquito, 1870. Biblioteca Nacional.

A SITUAÇÃO SOCIAL DOS MILITARES

Pretendesse qualquer oficial, um alferes, um tenente, por bem reputado que fosse, a mão de qualquer moça de família mais notada pela posição e por seus haveres, eram surpresas, pasmo, sorrisos de compaixão, mil dificuldades, ao passo que todas as portas pressurosas se abriam ante a solicitação de qualquer bacharelzinho saído de fresco das escolas, mas que contava com patronos no Senado, na polçítica e na alta administração.

Visconde de Tunay, 1891

PRESENÇA DE OFICIAIS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS (1853-1889)


Atividades
1. Selecione as informações ou as opiniões essenciais dos textos e/ou documentos
2. Tendo como base as informações acima, responda:
a) A que se deviam o baixo apreço social e a pequena participação política dos militares do Exército durante o Segundo Reinado (1840-1889)?
Para ajudar na compreensão da chamada Questão Militar, o site da revista História Viva traz uma mat´ria com o título Ordem e Progresso, sobre o pensamento positivista de Augusto Comte, sua influência sobre a oficialidade do Exército Brasileiro após a Guerra do Paraguai (1864-1870) e seu papel na elaboração de um projeto político no meio militar.

O PROCESSO DE EXTINÇÃO DA ESCRAVIDÃO


Fonte: Holanda, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. RJ. J. Olympio, 1956.p. 92
O aumento da importação de escravos nos anos imediatamente anteriores à Lei Eusébio de Queirós decorreu da preocupação dos senhores brasileiros com o esperado desfecho das pressões inglesas. A lei, por sua vez, não extinguiu completamente o tráfico, que continuou ilegalmente, mas de forma bastante reduzida e em declínio. Contudo, se o tráfico negreiro declinava, o tráfico interno ganhou impulso, abastacendo as áreas produtoras de café.
A tabela acima é só para complementar as informações do infográfico, já que é bem mais completa.
Na tabela a seguir, podem-se observa os preços médios dos esravos antes da Lei Eusébio de Queirós e após, permitindo-se a constatação de que os custos operacionais dos fazendeiros que utilizam a mão-de-obra escrava tornaram-se inviáveis.

A respeito do encarecimento da mão-de-obra escrva e de seu impacto sobre a própria escravidão, os historiadores Hilário Franco Júnior e Paulo Pan Chacon observaram:
"O desenvolvimento do capitalismo industrial central, gerando a necessidade de uma contínua expansão dos mercados, pressionava no sentido do desaparecimento da mão-de-obra escrava nas suas áreas periféricas. O interesse em ganhar esse mercado potencial é que explica a mudança de posição da Inglaterra diante do escravismo, defendido por ela na época mercantilista e combatido no século XIX.
Além disso, é precisso notar que, apesar da resistência que as idéias abolicionistas provocaram, o fato é que elas foram presentadaas e reivindicadas no Parlamento em que dominava a classe escravista, o que nos leva a perceber que ela própria, ao longo do século XIX, começa a perceber a necessidade de mudar o regime de mão-de-obra. (...)
Dessa forma a escravidão estva condenada a desaparecer em pouco tempo, pois, no Brasil, ao contrário do que aconteceria nos EUA, nunca se conseguiu com sucesso a reprodução do plantel de escravos; as grandes propriedades norte-americanas especializadas na criação não tiveram similares no caso brasileiro. A alta taxa de mortalidade entre os escravos, agravada por uma baixanatalidade, reduzia constantemente a população cativa - ela representava 74% da população total no início do século XIX, 31% em 1850, 15& em 1872 e somente 5% em 1887 - provocando naturalment, a elevação de seu preço, que em média subiu de 300 dólares por escravo em 1835 para 650 em 1875."
Hilário Franco Júnior e Paulo Pan Chacon . História Econômica Geral e do Brasil. São Paulo: Atlas, 1980. p. 269.
A Inglaterra e o fim do tráfico negreiro
"A Inglaterra, até o século VIII, era a grande beneficiária do tráfico negreiro. (...) Os traficantes ingleses vendiam escravos não apenas aos plantadores das colônias britânicas, mas também aos franceses e espanhóis. (...) O retorno era altamente lucrativo, pois os espanhóis pagavam em ouro e prata de suas colônias. (...)
Com a Revolução Industrial, os interesses econômicos ingleses privilegiaram a ampliação de mercados consumidores pra suas manufaturas. Com o objetivo de diminuir o custo de produção, a burguesia, ligada às atividades industriais, desejava que os produtos coloniais fossem vendidos na Grã-Bretanha a preços reduzidos porque poderia pagar salários mais baixos. Por conta deste processo, o tráfico negreiro não ocupava mais o lugar de destaque que outrora alcançara na economia brtânica.
(Neves e Machado, 1999)
As duas visões acima reflentem posições historiográficas onde certos autores estabelecem vínculos diretos entre a campanha abolicionista e os interesses dos grupos industriais ingleses.
Os artigos abaixo fora extraídos do site da Revista de História da Biblioteca Nacional. Edição maio de 2008, número 32. Acesso 26/04/2009
GUERRA DE VERSÕES
Robert Daibert Jr.
Desde a metade do século XIX a monarquia mostrou-se disposta a aprovar projetos abolicionistas. Em meio ao aumento da violência em conflitos entre escravos e senhores, as leis do Ventre Livre (1871) e dos Sexagenários (1885) buscavam manter a grande produção agrícola e preservar a ordem social.
Este processo fez crescer a oposição dos proprietários escravocratas, que engrossavam as fileiras republicanas. Ao afastar-se deles, a monarquia se preparava para construir uma nova base de legitimidade, sintonizada com grupos emergentes (como os setores médios urbanos) e com as expectativas gerais da população. Para isso, investiu pesado na propaganda que associava a abolição a uma ação exclusiva da princesa Isabel. Uma espécie de febre monarquista, de natureza cultural e religiosa, foi difundida naquele momento. Valendo-se de concepções de realeza herdadas da África, foi natural para os negros adotar essa idéia da abolição como uma redenção concedida pela monarquia. Ela se espalhou pelos espaços da cultura popular, fortalecida em seu caráter místico e africanizado.
Após a queda da monarquia, a República tentou ligar-se à memória da abolição. Seu principal argumento era a recusa do Exército em capturar os escravos fugidos. Reivindicava-se, assim, o reconhecimento dos republicanos militares como atores da abolição e redentores da pátria livre. Nos manuais escolares, o ensino da história da abolição exaltava como heróis republicanos Silva Jardim e Deodoro da Fonseca. Nas comemorações oficiais da abolição, o 13 de maio e o 15 de novembro eram apresentados como datas complementares de um mesmo processo de modernização do país, marcos de uma nova era que proporcionou o exercício pleno da cidadania, abrindo as portas do Brasil ao progresso e à civilização. De modo complementar, ligavam o sistema monárquico à escravidão e ao atraso do país, além de silenciar o nome da princesa Isabel no processo de aprovação do projeto convertido em lei.
Mas a estratégia não conquistou os libertos e os afro-descendentes. Houve derramamento de sangue e tentativas de resistência após a proclamação da República. O novo regime foi assombrado por fuzilamentos em massa, espancamentos de negros fiéis à sua “Redentora”, prisão e deportação de líderes da Guarda Negra (espécie de milícia organizada para defender a monarquia e a princesa Isabel) e conflitos com ex-escravos que se recusavam a trabalhar para fazendeiros republicanos. Muitos negros, convencidos de que deviam sua liberdade ao trono, tornavam-se mártires pela monarquia. Conseqüentemente, foram esquecidos pela República.
ROBERT DAIBERT JÚNIOR é professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e autor de "Isabel, a "redentora" dos escravos: Uma história da princesa entre olhares negros e brancos (1846-1988). (Bauru: Editora do Sagrado Coração - EDUSC, 2004)"

EM NOME DE DEUS
José Murilo de Carvalho
Foi muito diferente o papel exercido pela religião e pelas igrejas nos movimentos abolicionistas dos Estados Unidos e do Brasil.
O mais forte componente dos abolicionismos britânico e norte-americano foi justamente a convicção religiosa. Os quakers foram pioneiros na luta contra a escravidão na Grã-Bretanha. Esse grupo religioso puritano, conhecido como Sociedade dos Amigos, engajou-se na luta desde o final do século XVII. Apesar de não haver condenação da escravidão na Bíblia, eles decidiram que sua prática era incompatível com o princípio da igualdade de todos os homens perante Deus. Aliados a outros religiosos, organizaram-se em sociedades abolicionistas, mobilizaram a opinião pública e pressionaram o Parlamento para aprovar medidas contra a escravidão. Em 1807, esses militantes conseguiram sua primeira grande vitória quando o Parlamento decretou o fim do tráfico de escravos.
A atuação dos quakers estendeu-se aos Estados Unidos, onde a luta foi muito mais dura, pois lá a escravidão estava dentro do país. Mesmo assim, na década de 1830 já funcionavam várias sociedades abolicionistas, todas movidas por valores puritanos e organizadas por quakers, metodistas e batistas. A mais importante foi a American Anti-Slavery Society, criada em 1833. No Brasil, nem o pensamento abolicionista se baseou na religião, nem a Igreja Católica se empenhou na causa. Pelo contrário, padres e ordens religiosas eram coniventes e cúmplices da escravidão. A Bíblia, argumentava-se, não proibia a escravidão e, afinal, o que importava era a liberdade da alma livre do pecado, e não a liberdade civil. Além disso, padres eram empregados do Estado, cujos interesses tinham dificuldade em contrariar. Nosso abolicionismo baseou-se antes em razões políticas e humanistas.
Esse contraste ajuda a entender por que, nos Estados Unidos, a abolição foi seguida de forte ação a favor dos ex-escravos, sobretudo nos campos da educação, dos direitos políticos e do acesso à propriedade da terra. Entre nós, nada foi feito, nem pelo Estado, nem pela Igreja, nem pelos particulares.
José Murilo de Carvalho é professor titular da UFRJ e autor de Dom Pedro II: Ser ou não ser (São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

SENSIBILIDADE INGLESA
Manolo Florentino
Quando se trata de avaliar os motivos da pressão inglesa pelo fim do tráfico atlântico de escravos, paira nos bancos escolares do ensino médio o estigma do “Ocidentalismo” – crença que reduz a civilização ocidental a uma massa de parasitas sem alma, decadentes, ambiciosos, desenraizados, descrentes e insensíveis.
Não podem ser levadas a sério teses que vinculam a ação britânica a imaginárias crises econômicas do cativeiro no Caribe na passagem do século XVIII para o seguinte. O tráfico seguia lucrativo e não passava pela cabeça de nenhum líder inglês sério que a demanda americana por bens britânicos pudesse aumentar com o fim da escravidão. Mas tudo isso continua a ser ensinado aos nossos filhos e netos.
O abolicionismo britânico tinha natureza cultural e política. Na vanguarda do movimento estavam ativistas que não abriam mão da crença na unidade do gênero humano, com destaque para os quakers, que rejeitavam o uso da violência com o mesmo empenho com que recusavam qualquer sacramento ou hierarquia eclesiástica.
Tratando-se de convencer por meio da palavra e de petições antiescravistas, ajudava contar com uma sólida tradição parlamentar, desfrutar de liberdade de imprensa e circular pela eficiente rede inglesa de comunicações. Mas o pulo do gato do mais ambicioso projeto de persuasão política surgido no Ocidente antes do advento do marketing moderno foi insistir no sofrimento do africano como metáfora do arbítrio vivido pelo inglês comum – o único meio de escamotear o fator racial que os apartava.
O rapto de cidadãos reproduzia as tripulações da mais poderosa Marinha do mundo – dezenas de milhares de homens foram capturados por gangues armadas do serviço naval durante as guerras napoleônicas. Do mesmo modo, ainda no plano das sensibilidades, as terríveis condições materiais das primeiras gerações de operários britânicos estabeleciam pontes entre as trajetórias do inglês comum e as dos milhares de escravos capturados na África. Eis o fermento para a abolição do tráfico em 1807, da escravidão na década de 1830 e da legitimação moral dos aprisionamentos feitos pela Royal Navy até a segunda metade do século.
Claro que tudo isso justificou as posteriores conquistas coloniais na África e na Ásia. Mas a aventura abolicionista britânica bem merece uma estátua em cada uma das praças mais importantes das antigas sociedades escravistas das Américas.
MANOLO FLORENTINO É professor de História da UFRJ e autor do livro "Em costas negras: Uma história do tráfico entre a África e o Rio de Janeiro (São Paulo: Companhia das Letras, 2002, 2ª ED.)"

ESQUEMA-RESUMO



Fonte: Vicentini, Cláudio. História para o Ensino Médio: História Geral e do Brasil/Cláudio Vicentino, Gianpaolo Dorigo. SP: Scipione,2005
Atividades.
Descreva o esquema-resumo acima e, no final, formule um parágrafo sobre o papel e a situação dos setores populares, médios e urbanos no encerramento do Império e na queda de D. Pedro II.
Chave de correção
Para ajudar na resposta siga a dica abaixo.
Na descrição do esquema-resumo, é necessário salientar o papel dos setores sociais que tiveram maior influência nos desdobramentos políticos que culminaram na Proclamação da República. Essa atividade é importante por permitir trabalhar a questão da escravidão, da cidadania, da diversidade social e dos direitos.

ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA


Fonte:www.sokarinhos.com.br/HISTORIA/histbr_42.htm

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Charge de Bordalo. Publicada em O Mosquito em setembro de 1875, dom Pedro II dá a mão à palmatoria a Igreja. Trata-se de uma alusão à anistia concedida pelo imperador aos bispos de Olinda e Belém, protagonistas da "Questão Religiosa".
Fonte: Arruda e Piletti. Toda a História. História Geral e do Brasil. Ed. Ática, p. 293.
Essa imagem esta sendo postada pela sua dificuldade de ser encontrada na rede. Um abraço.