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segunda-feira, 9 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Urgência na educação!
Publicado por Paulo Kautscher em 5 abril 2012 às 20:33 em EDUCAÇÃO
Não adianta o governo federal continuar esse antigo jogo de empurra com os demais entes da federação, a respeito de quem seria o responsável por pagar bons salários aos professores. A absoluta maioria dos mais de 5 mil municípios e dos estados não tem como pagar o salário que um novo modelo requer.
Paulo Kliass
O desenvolvimento da vida do ser humano em sociedade fez com que surgisse uma série de setores e atividades, cuja avaliação de critérios de eficiência não pode ser realizada com o instrumental tradicional de viés economicista, de abordagem obtusa e meramente quantitativa. Esse é o caso típico dos chamados “bens públicos”, como a saúde, a educação, a previdência social, o saneamento, a segurança pública e tantos outros.
Exatamente por sua natureza particular e seus efeitos específicos para o conjunto da sociedade, historicamente quase sempre coube ao Estado se responsabilizar por oferecer esse tipo de bens e serviços. As formas de institucionalização desses setores podiam variar segundo cada realidade concreta de país e de setor (administração direta centralizada ou descentralizada, empresas estatais, autarquias, etc), mas sua natureza pública era quase a regra geral.
Mercantilização dos serviços públicos
Durante as décadas de hegemonia do pensamento neoliberal, a sanha privatista passou a atuar também no interior de tais setores, sob o duplo argumento da falsa carência de recursos orçamentários e da suposta ineficiência do Estado em cumprir com suas missões na esfera do econômico.
Assim, o conjunto da sociedade sairia beneficiada com o processo radical de mercantilização da produção e da oferta desses bens. A panacéia adotada pelo mundo afora foi a privatização. Como o modelo de referência era a transformação de cada setor em um mercado idealizado, tudo deveria ser reduzido a termos como fatores de oferta, fatores de demanda e preços. Até os dias de hoje, estamos todos a sofrer os enormes prejuízos de tal opção.
No caso brasileiro, o sucateamento da capacidade financeira e administrativa do setor público ocorreu simultaneamente ao processo de transferência de ramos inteiros para que a oferta dos bens e serviços estatais passasse a ser realizada pelo setor privado. Esse processo provocou substancial perda de qualidade do serviço oferecido e uma restrição crescente de seu acesso pela maioria da população. Isso porque o que antes era considerado um direito universal associado à condição de cidadania, passa agora a ter como requisito de acesso o pagamento do serviço sob a forma monetária.
Não por acaso, os dados estatísticos da ONU e demais organizações multilaterais colocam o Brasil bem atrás de sua posição inicial, quando o critério utilizado deixa de ser apenas o tamanho PIB. Saímos de sexta posição para lá de octagésima quando são introduzidos variáveis como distribuição de renda, saúde e educação, por exemplo.
Não adianta o governo federal continuar esse antigo jogo de empurra com os demais entes da federação, a respeito de quem seria o responsável por pagar bons salários aos professores. A absoluta maioria dos mais de 5 mil municípios e dos estados não tem como pagar o salário que um novo modelo requer.
Paulo Kliass
O desenvolvimento da vida do ser humano em sociedade fez com que surgisse uma série de setores e atividades, cuja avaliação de critérios de eficiência não pode ser realizada com o instrumental tradicional de viés economicista, de abordagem obtusa e meramente quantitativa. Esse é o caso típico dos chamados “bens públicos”, como a saúde, a educação, a previdência social, o saneamento, a segurança pública e tantos outros.
Exatamente por sua natureza particular e seus efeitos específicos para o conjunto da sociedade, historicamente quase sempre coube ao Estado se responsabilizar por oferecer esse tipo de bens e serviços. As formas de institucionalização desses setores podiam variar segundo cada realidade concreta de país e de setor (administração direta centralizada ou descentralizada, empresas estatais, autarquias, etc), mas sua natureza pública era quase a regra geral.
Mercantilização dos serviços públicos
Durante as décadas de hegemonia do pensamento neoliberal, a sanha privatista passou a atuar também no interior de tais setores, sob o duplo argumento da falsa carência de recursos orçamentários e da suposta ineficiência do Estado em cumprir com suas missões na esfera do econômico.
Assim, o conjunto da sociedade sairia beneficiada com o processo radical de mercantilização da produção e da oferta desses bens. A panacéia adotada pelo mundo afora foi a privatização. Como o modelo de referência era a transformação de cada setor em um mercado idealizado, tudo deveria ser reduzido a termos como fatores de oferta, fatores de demanda e preços. Até os dias de hoje, estamos todos a sofrer os enormes prejuízos de tal opção.
No caso brasileiro, o sucateamento da capacidade financeira e administrativa do setor público ocorreu simultaneamente ao processo de transferência de ramos inteiros para que a oferta dos bens e serviços estatais passasse a ser realizada pelo setor privado. Esse processo provocou substancial perda de qualidade do serviço oferecido e uma restrição crescente de seu acesso pela maioria da população. Isso porque o que antes era considerado um direito universal associado à condição de cidadania, passa agora a ter como requisito de acesso o pagamento do serviço sob a forma monetária.
Não por acaso, os dados estatísticos da ONU e demais organizações multilaterais colocam o Brasil bem atrás de sua posição inicial, quando o critério utilizado deixa de ser apenas o tamanho PIB. Saímos de sexta posição para lá de octagésima quando são introduzidos variáveis como distribuição de renda, saúde e educação, por exemplo.
Sucateamento da educação pública
O processo ocorrido na área da educação em nosso País, ao longo das últimas quatro décadas, é bastante emblemático. Paulatinamente, o Estado foi reduzindo sua presença e a qualidade de sua ação na área do ensino fundamental e médio, ao mesmo tempo em que a tendência à mercantilização possibilitou a formação de um amplo setor educacional privado. Um conjunto enorme de escolas e conglomerados educacionais regidos, quase que exclusivamente, pelas regras capitalistas de mercado.
Um importante golpe de misericórdia veio com o abandono das famílias de classe média da opção pela escola pública e a crença de que ensino de qualidade estaria associado à escola privada. A sociedade acabou por perder um significativo instrumento de pressão sobre governos e os políticos em geral, no sentido de exigir melhores condições de ensino. Dentre tantas consequências negativas, vale ressaltar também um novo foco orientador da missão da escola para as crianças e os jovens. Abandonou-se a tradição da formação ampla dos indivíduos e da transmissão do conhecimento. Uma boa escola passa a ser considerada aquela que “garante o sucesso de meu filho no vestibular” e o posterior ingresso no ensino superior.
A realidade da rede pública, via de regra, foi de perda ainda maior de qualidade. A tão sonhada descentralização para estados e municípios não foi acompanhada dos recursos orçamentários necessários e a administração pública federal praticamente se desincumbiu de zelar pela qualidade do ensino oferecido na ponta do sistema. Os resultados podem ser sentidos em todos os tipos de avaliações realizadas. Alunos mal formados, índices expressivos de analfabetismo funcional, professores desmotivados, estrutura física e de apoio administrativa deficiente.
A lógica da contenção das despesas orçamentárias terminou por contaminar também a área da educação. Nem mesmo as reivindicações básicas dos setores historicamente ligadas à área têm sido atendidas, a exemplo de índices mínimos do PIB ou do orçamento para educação. Trata-se de tentativas de incorporar à realidade brasileira padrões de países que lograram dar um salto à frente, em termos de acesso e melhoria da educação de seus cidadãos.
Urgência de um novo modelo
Um importante golpe de misericórdia veio com o abandono das famílias de classe média da opção pela escola pública e a crença de que ensino de qualidade estaria associado à escola privada. A sociedade acabou por perder um significativo instrumento de pressão sobre governos e os políticos em geral, no sentido de exigir melhores condições de ensino. Dentre tantas consequências negativas, vale ressaltar também um novo foco orientador da missão da escola para as crianças e os jovens. Abandonou-se a tradição da formação ampla dos indivíduos e da transmissão do conhecimento. Uma boa escola passa a ser considerada aquela que “garante o sucesso de meu filho no vestibular” e o posterior ingresso no ensino superior.
A realidade da rede pública, via de regra, foi de perda ainda maior de qualidade. A tão sonhada descentralização para estados e municípios não foi acompanhada dos recursos orçamentários necessários e a administração pública federal praticamente se desincumbiu de zelar pela qualidade do ensino oferecido na ponta do sistema. Os resultados podem ser sentidos em todos os tipos de avaliações realizadas. Alunos mal formados, índices expressivos de analfabetismo funcional, professores desmotivados, estrutura física e de apoio administrativa deficiente.
A lógica da contenção das despesas orçamentárias terminou por contaminar também a área da educação. Nem mesmo as reivindicações básicas dos setores historicamente ligadas à área têm sido atendidas, a exemplo de índices mínimos do PIB ou do orçamento para educação. Trata-se de tentativas de incorporar à realidade brasileira padrões de países que lograram dar um salto à frente, em termos de acesso e melhoria da educação de seus cidadãos.
Urgência de um novo modelo
Mas é importante ressaltar que apenas o índice quantitativo não basta. O nosso modelo educacional é antigo e viciado em padrões de acomodação. Tenta-se justificar a carência na qualidade da formação porque os salários dos professores são baixos. Os mecanismos do tipo “aprovação automática” acabam tendo alguma aceitação sob o argumento da pouca estrutura para atender ao volume de alunos. E por aí vai.
Ora, já passou da hora para que a sociedade e os governos passem a encarar a educação efetivamente como prioridade nacional. É sabido que a lógica político-eleitoral acaba priorizando aquilo que o jargão incorporou como “gestão de obras”. A maioria dos parlamentares e dos governantes têm como meta sua reeleição nas próximas eleições. Assim, não consideram “eficiente”, segundo essa ótica estreita e utilitarista, investir em políticas públicas que não lhe dão visibilidade imediata ou no curto prazo. O caso clássico e extremo desse tipo de enfoque são os investimentos em água e esgoto, que ficam invisíveis e correm por baixo do solo. Melhor seria construir pontes, asfaltar ruas, construir hospitais e até mesmo escolas. Mas sempre da perspectiva da “obra pronta” e não do modelo de saúde ou de educação a ser adotado.
A tão necessária “revolução na educação” começa, com certeza, com a alocação de mais verbas para a área. Mas os seus efeitos reais só serão sentidos nas próximas gerações. Infelizmente, e isso é importante reconhecer, a qualidade das anteriores e das atuais já está seriamente comprometida. Daí porque a questão da qualidade dos professores seja essencial. Atualmente, com os baixos salários oferecidos pela rede pública, o fato é que a grande maioria dos bons profissionais formados nas faculdades vão buscar outras opções de emprego. Poucos são os que ficam realmente por uma “abnegação da causa”. E essa realidade deve ser enfrentada de frente e com coragem. Os salários dos professores do ensino médio e fundamental devem ser de outro patamar.
E não se trata de um índice maior ou menor nesta ou naquela campanha salarial. Não! A questão é estrutural. Não adianta o governo federal continuar esse antigo jogo de empurra com os demais entes da federação, a respeito de quem seria o responsável por pagar bons salários aos mestres [1]. A absoluta maioria dos mais de 5 mil municípios não tem condições de pagar a remuneração que um novo modelo requer. O mesmo ocorre com boa parte dos governos dos estados. Nesse caso particular dos vencimentos, é necessário redefinir as condições do atual pacto federativo, para que a esfera federal auxilie os demais nessa empreitada tão urgente.
Outro aspecto essencial diz respeito à inserção da escola no conjunto das referências políticas, culturais e institucionais da comunidade próxima. Isso significa a opção pelo regime de tempo integral das crianças na escola, com o aproveitamento de seu espaço nos horários livre e nos finais de semana. Com todas as observações críticas que possam ser feitas às experiências dos CIEPs (Brizola no estado do Rio de Janeiro) e dos CEUs (Marta na prefeitura de São Paulo), é de algo com inspiração similar que a educação está a exigir.
Esse novo tipo de projeto educacional não pode ser objeto de avaliações meramente quantitativas, para saber de seu potencial e do uso adequado de recursos. É óbvio que o controle da verba pública é necessário e os processos devem ser submetidos a avaliação. Porém, não se trata da velha cartilha da comparação com as despesas e receitas da economia doméstica no final do mês. E menos ainda da avaliação típica das empresas, em sua contabilidade de eficiência baseada na redução dos gastos para aumentar os lucros. Aqui a abordagem deve ser diferente.
A educação é um bem público e seus efeitos deverão ser sentidos para as próximas gerações. A questão não é tanto o foco de cortar gastos no presente, mas de otimizar a sua utilização, fazendo que os resultado sejam potencializados no futuro. O contrato social da opção pelo ensino público e universal pressupõe um compromisso da sociedade em alocar uma parte de seus recursos para a formação de seu próprio futuro, assim como o faz com a saúde e com a previdência social, por exemplo.
Ora, já passou da hora para que a sociedade e os governos passem a encarar a educação efetivamente como prioridade nacional. É sabido que a lógica político-eleitoral acaba priorizando aquilo que o jargão incorporou como “gestão de obras”. A maioria dos parlamentares e dos governantes têm como meta sua reeleição nas próximas eleições. Assim, não consideram “eficiente”, segundo essa ótica estreita e utilitarista, investir em políticas públicas que não lhe dão visibilidade imediata ou no curto prazo. O caso clássico e extremo desse tipo de enfoque são os investimentos em água e esgoto, que ficam invisíveis e correm por baixo do solo. Melhor seria construir pontes, asfaltar ruas, construir hospitais e até mesmo escolas. Mas sempre da perspectiva da “obra pronta” e não do modelo de saúde ou de educação a ser adotado.
A tão necessária “revolução na educação” começa, com certeza, com a alocação de mais verbas para a área. Mas os seus efeitos reais só serão sentidos nas próximas gerações. Infelizmente, e isso é importante reconhecer, a qualidade das anteriores e das atuais já está seriamente comprometida. Daí porque a questão da qualidade dos professores seja essencial. Atualmente, com os baixos salários oferecidos pela rede pública, o fato é que a grande maioria dos bons profissionais formados nas faculdades vão buscar outras opções de emprego. Poucos são os que ficam realmente por uma “abnegação da causa”. E essa realidade deve ser enfrentada de frente e com coragem. Os salários dos professores do ensino médio e fundamental devem ser de outro patamar.
E não se trata de um índice maior ou menor nesta ou naquela campanha salarial. Não! A questão é estrutural. Não adianta o governo federal continuar esse antigo jogo de empurra com os demais entes da federação, a respeito de quem seria o responsável por pagar bons salários aos mestres [1]. A absoluta maioria dos mais de 5 mil municípios não tem condições de pagar a remuneração que um novo modelo requer. O mesmo ocorre com boa parte dos governos dos estados. Nesse caso particular dos vencimentos, é necessário redefinir as condições do atual pacto federativo, para que a esfera federal auxilie os demais nessa empreitada tão urgente.
Outro aspecto essencial diz respeito à inserção da escola no conjunto das referências políticas, culturais e institucionais da comunidade próxima. Isso significa a opção pelo regime de tempo integral das crianças na escola, com o aproveitamento de seu espaço nos horários livre e nos finais de semana. Com todas as observações críticas que possam ser feitas às experiências dos CIEPs (Brizola no estado do Rio de Janeiro) e dos CEUs (Marta na prefeitura de São Paulo), é de algo com inspiração similar que a educação está a exigir.
Esse novo tipo de projeto educacional não pode ser objeto de avaliações meramente quantitativas, para saber de seu potencial e do uso adequado de recursos. É óbvio que o controle da verba pública é necessário e os processos devem ser submetidos a avaliação. Porém, não se trata da velha cartilha da comparação com as despesas e receitas da economia doméstica no final do mês. E menos ainda da avaliação típica das empresas, em sua contabilidade de eficiência baseada na redução dos gastos para aumentar os lucros. Aqui a abordagem deve ser diferente.
A educação é um bem público e seus efeitos deverão ser sentidos para as próximas gerações. A questão não é tanto o foco de cortar gastos no presente, mas de otimizar a sua utilização, fazendo que os resultado sejam potencializados no futuro. O contrato social da opção pelo ensino público e universal pressupõe um compromisso da sociedade em alocar uma parte de seus recursos para a formação de seu próprio futuro, assim como o faz com a saúde e com a previdência social, por exemplo.
NOTA[1]Isso leva a declarações infelizes, como a Cid Gomes, governador do Estado do Ceará, durante uma greve em 2011: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado.”
Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.
Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=...
In:http://www.diariodaclasse.com.br/forum/topic/show?id=3451330%3ATopic%3A61213&xgs=1&xg_source=msg_share_topic
In:http://www.diariodaclasse.com.br/forum/topic/show?id=3451330%3ATopic%3A61213&xgs=1&xg_source=msg_share_topic
domingo, 1 de abril de 2012
Revolução Russa (1917)
Material retirado do livro: Nova História Crítica. Schmidt Mário.
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Atividades para o 9º Ano,
Revolução Russa.
quarta-feira, 21 de março de 2012
As fábulas de Esopo em uma nova versão - Primeira Guerra Mundial
Atividades: Primeira Guerra Mundial
Objetivos: Analisar as imagens e as fábulas relacionando-as com os acontecimentos da Grande Guerra.
Obs. Foi mantida a escrita original (ipsis litteris)
Obs. Foi mantida a escrita original (ipsis litteris)
Esopo e as Fábulas
Esopo nasceu na Frigia, quase seis séculos antes de Cristo. Foi escravo nos primeiros anos da vida em Atenas e Samos. Esopo soube ganhar a estima do filosofo Jadmon( ou Janto de Samos) de quem era escravo. Impressionado com o talento de Esopo, que prelecionava moralidade em forma de apólogos, concedeu-lhe a liberdade. Alforriado, saiu para a Ásia Menor e para Sardes, e ganhou a amizade de Creso (último rei da Lídia da Dinastia Mermnada (560-546 aC), por longos anos.
Foi Esopo enviado à Grécia por Creso e assistiu, no dizer de Plutarco, ao banquete dos sete sábios, em casa de Periandro, tirano de Corinto, um dos sete. Provavelmente foi nesta viagem que ele se esforçou por incutir paciência aos atenienses avexados por Periandro, contando-lhes a fábula das rãs que pediram um rei. Por último, passou a Delphos, onde, conforme as ordens de Creso, devia imolar um grande holocausto a Apolo, e dar a cada habitante considerável quantia.
Irritado, porém, com a cupidez e perfídia dos délficos, reenviou a Creso o dinheiro, que devia repartir pelos moradores, cujo amor próprio exulcerou, aplicandolhes a fábula dos cajados flutuantes. Exasperados pelos escárnios, juraram vingar-se e, neste intento, esconderam na bagagem de Esopo uma taça de ouro pertencente à baixela do templo. Acusado de a ter roubado, Esopo foi perseguido, apalpado, julgado réu, e condenado ao precipício da rocha Hiampéia, à laia de sacrifício.
Fonte: E.M.Campagne, Dicionário de Educação e Ensino, vol. 1, págs. 926-928
A Virtude
Os atenienses levantaram ao talento
de Esopo uma estátua, e colocaram-na,
embora escravo, num pedestal eterno,
para que se saiba que a todos está aberto
o caminho da honra, e que a glória se
atribui, não à linhagem, mas à virtude.
Fedro
O Gênero de Esopo
Na sua fábula intitulada Prologus - Auctor (VV. 1-4), o fabulista latino Fedro escreve:
Exemplis continetur Aesopi genus;
Nec aliud quidquam per fabellas quaeritur
Quam corrigatur error ut mortalium
Acuatque sese diligens industria.
O gênero de Esopo é constituído de exemplos;
e por meio de fábulas não se pretende outra coisa
senão que seja corrigida a ignorância dos mortais
e estimulada a sua atividade consciente.
Esopo nasceu na Frigia, quase seis séculos antes de Cristo. Foi escravo nos primeiros anos da vida em Atenas e Samos. Esopo soube ganhar a estima do filosofo Jadmon( ou Janto de Samos) de quem era escravo. Impressionado com o talento de Esopo, que prelecionava moralidade em forma de apólogos, concedeu-lhe a liberdade. Alforriado, saiu para a Ásia Menor e para Sardes, e ganhou a amizade de Creso (último rei da Lídia da Dinastia Mermnada (560-546 aC), por longos anos.
Foi Esopo enviado à Grécia por Creso e assistiu, no dizer de Plutarco, ao banquete dos sete sábios, em casa de Periandro, tirano de Corinto, um dos sete. Provavelmente foi nesta viagem que ele se esforçou por incutir paciência aos atenienses avexados por Periandro, contando-lhes a fábula das rãs que pediram um rei. Por último, passou a Delphos, onde, conforme as ordens de Creso, devia imolar um grande holocausto a Apolo, e dar a cada habitante considerável quantia.
Irritado, porém, com a cupidez e perfídia dos délficos, reenviou a Creso o dinheiro, que devia repartir pelos moradores, cujo amor próprio exulcerou, aplicandolhes a fábula dos cajados flutuantes. Exasperados pelos escárnios, juraram vingar-se e, neste intento, esconderam na bagagem de Esopo uma taça de ouro pertencente à baixela do templo. Acusado de a ter roubado, Esopo foi perseguido, apalpado, julgado réu, e condenado ao precipício da rocha Hiampéia, à laia de sacrifício.
Fonte: E.M.Campagne, Dicionário de Educação e Ensino, vol. 1, págs. 926-928
A Virtude
Os atenienses levantaram ao talento
de Esopo uma estátua, e colocaram-na,
embora escravo, num pedestal eterno,
para que se saiba que a todos está aberto
o caminho da honra, e que a glória se
atribui, não à linhagem, mas à virtude.
Fedro
O Gênero de Esopo
Na sua fábula intitulada Prologus - Auctor (VV. 1-4), o fabulista latino Fedro escreve:
Exemplis continetur Aesopi genus;
Nec aliud quidquam per fabellas quaeritur
Quam corrigatur error ut mortalium
Acuatque sese diligens industria.
O gênero de Esopo é constituído de exemplos;
e por meio de fábulas não se pretende outra coisa
senão que seja corrigida a ignorância dos mortais
e estimulada a sua atividade consciente.
E em outra fábula, Phaedrus ad Eutychum (VV.33-7), o mesmo autor acrescenta:
Nunc fabularum cur sit inuentum genus
Nunc fabularum cur sit inuentum genus
Breui docebo: Seruitus obnoxia,
Quia, quae uolebat, non audebat dicere,
Affectus próprios in fabellas transtulit,
Calumniamque fictis elusit iocis.
Agora resumidamente ensinarei por que foi inventado o gênero das fábulas: Como a escravidão submissa não ousava dizer o que queria, disfarçava em fábulas os seus próprios sentimentos, esquivando-se da punição com imaginosos divertimentos.
Entretanto, ao que parece, cabe às fábulas esópicas o mérito da primazia em atribuir alegoricamente virtudes e defeitos humanos a determinados animais, como, por exemplo: ao leão, a majestade; à raposa, a velhacaria; ao lobo, a brutalidade; ao camelo, a complacência; à formiga, a previdência.
Entretanto, ao que parece, cabe às fábulas esópicas o mérito da primazia em atribuir alegoricamente virtudes e defeitos humanos a determinados animais, como, por exemplo: ao leão, a majestade; à raposa, a velhacaria; ao lobo, a brutalidade; ao camelo, a complacência; à formiga, a previdência.
Fonte: Anotado do Professor da UFRJ, Manuel Aveleza de Souza "As Fábulas de Esopo", Thex Ed., Rio de Janeiro, 1999, p. XXIX.
As Fábulas de Esopo Modernizadas adaptadas para a 1ª. Guerra mundialTuck`s Post Card
Trata-se de uma série de 6 cartões postais sobre as fábulas de Esopo adaptadas para a primeira guerra mundial. No verso dos cartões há sempre uma explicação resumida da fábula e da histórica aliança dos países em guerra. Com desenhos de F.Sancha, 1915 (circa) segundo o catalogo Neudin "Illustrateurs" , 1991, pag. 380.
1 - O Lobo e a Cegonha (Turquia e Alemanha)
1 - O Lobo e a Cegonha (Turquia e Alemanha)
Veja também:
Esopo e-book
O Estopim da 1ª. Guerra Mundial
Em 29 de junho de 1914, o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro anunciava em suas páginas, um atentado anarquista ocorrido na cidade de Sarajevo:
"O Arquiduque Francisco Fernando e sua esposa acabam de ser vitimas de um atentado. Quando o cortejo em que seguiam os herdeiros do trono imperial marchava em direção à Municipalidade, um tipógrafo, por nome de Cabrinovic , natural de Trebinje (Herzegoniva), arremessou contra a carruagem do Arquiduque uma bomba cheia de pregos e cujo invólucro era constituído por uma garrafa. A bomba, batendo no assento traseiro do carro, caiu no chão e explodiu justamente quando sobre ele passava a segunda carruagem, onde seguiam vários membros da comitiva, entre os quais o coronel Merrido, ajudante de campo do Arquiduque, que foi atingido no pescoço por um estilhaço, e o Conde de Booszu-Waldeck, que também ficou ferido. Além destas também ficaram feridas mais nove pessoas".
"No momento, porém, em que o cortejo dobrava a esquina das ruas Rodolpho e Francisco José, um mancebo, que se destacou bruscamente do público apontou uma pistola browning e desfechou-a quatro vezes contra a carruagem de suas altezas. O Arquiduque, que a principio tinha sido atingido no rosto, ficou mortalmente ferido no lado direito do ventre, ao mesmo tempo em que a Arquiduquesa, com a carótida cortada por outra bala, lhe caía sobre os joelhos."Este episódio ficou conhecido como o estopim da 1ª. Grande guerra.
Esopo e-book
O Estopim da 1ª. Guerra Mundial
Em 29 de junho de 1914, o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro anunciava em suas páginas, um atentado anarquista ocorrido na cidade de Sarajevo:
"O Arquiduque Francisco Fernando e sua esposa acabam de ser vitimas de um atentado. Quando o cortejo em que seguiam os herdeiros do trono imperial marchava em direção à Municipalidade, um tipógrafo, por nome de Cabrinovic , natural de Trebinje (Herzegoniva), arremessou contra a carruagem do Arquiduque uma bomba cheia de pregos e cujo invólucro era constituído por uma garrafa. A bomba, batendo no assento traseiro do carro, caiu no chão e explodiu justamente quando sobre ele passava a segunda carruagem, onde seguiam vários membros da comitiva, entre os quais o coronel Merrido, ajudante de campo do Arquiduque, que foi atingido no pescoço por um estilhaço, e o Conde de Booszu-Waldeck, que também ficou ferido. Além destas também ficaram feridas mais nove pessoas".
"No momento, porém, em que o cortejo dobrava a esquina das ruas Rodolpho e Francisco José, um mancebo, que se destacou bruscamente do público apontou uma pistola browning e desfechou-a quatro vezes contra a carruagem de suas altezas. O Arquiduque, que a principio tinha sido atingido no rosto, ficou mortalmente ferido no lado direito do ventre, ao mesmo tempo em que a Arquiduquesa, com a carótida cortada por outra bala, lhe caía sobre os joelhos."Este episódio ficou conhecido como o estopim da 1ª. Grande guerra.
Obs: Veja detalhes e histórias no Dossiê O Mundo em Armas, publicado na revista de História da Biblioteca Nacional, número 37, outubro 2008, pags. 14-34.
O Brasil na 1ª Guerra Mundial
Repetidos afundamentos de navios mercantes brasileiros, entre outros o Paraná (abril de 1917), o Tijuca ( maio de 1917), o Lapa (também em maio), o Macau (outubro de 1917), levaram o país, em outubro de 1917, a declarar guerra ao império alemão e a seus aliados - o império Austro-Húngaro, o Império Otomano e a Bulgária. O Brasil veio a se juntar aos Aliados, entre eles a França, Reino Unido, Rússia, Grécia, Bélgica, Portugal, Itália, Sérvia, EUA, Japão e Romênia.A frota brasileira, conhecida como DNOG - Divisão Naval em Operações de Guerra - foi formada com 2 cruzadores, 4 contratorpedeiros, 1 rebocador e 1 navio-tênder, para apoio e abastecimento. A missão teve inicio em maio de 1918 saindo a esquadra do porto do Rio de Janeiro e deixando o território brasileiro em 1 de agosto, de Fernando de Noronha em direção a Freetown, em Serra Leoa, na África. Em 25 de agosto, quando rumava para Dakar, na África, escaparam por pouco de um ataque de submarino. Com a missão de patrulhar submarinos germânicos, a esquadra brasileira foi devastada por outro inimigo, quando em 6 de setembro, em Dakar, a gripe espanhola irrompeu com toda a sua virulência, derrubando a tripulação. Deixando Dakar no fim de outubro em direção a Gibraltar com apenas um cruzador e 3 contratorpedeiros, a frota brasileira já estava semi destruída e com vários mortos sem levar um único tiro. Em 10 de novembro de 1918, o restante da esquadra chegou a Gibraltar, mas como dizem que "Deus é brasileiro", no dia seguinte, em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício que pôs fim a guerra.
O Brasil na 1ª Guerra Mundial
Repetidos afundamentos de navios mercantes brasileiros, entre outros o Paraná (abril de 1917), o Tijuca ( maio de 1917), o Lapa (também em maio), o Macau (outubro de 1917), levaram o país, em outubro de 1917, a declarar guerra ao império alemão e a seus aliados - o império Austro-Húngaro, o Império Otomano e a Bulgária. O Brasil veio a se juntar aos Aliados, entre eles a França, Reino Unido, Rússia, Grécia, Bélgica, Portugal, Itália, Sérvia, EUA, Japão e Romênia.A frota brasileira, conhecida como DNOG - Divisão Naval em Operações de Guerra - foi formada com 2 cruzadores, 4 contratorpedeiros, 1 rebocador e 1 navio-tênder, para apoio e abastecimento. A missão teve inicio em maio de 1918 saindo a esquadra do porto do Rio de Janeiro e deixando o território brasileiro em 1 de agosto, de Fernando de Noronha em direção a Freetown, em Serra Leoa, na África. Em 25 de agosto, quando rumava para Dakar, na África, escaparam por pouco de um ataque de submarino. Com a missão de patrulhar submarinos germânicos, a esquadra brasileira foi devastada por outro inimigo, quando em 6 de setembro, em Dakar, a gripe espanhola irrompeu com toda a sua virulência, derrubando a tripulação. Deixando Dakar no fim de outubro em direção a Gibraltar com apenas um cruzador e 3 contratorpedeiros, a frota brasileira já estava semi destruída e com vários mortos sem levar um único tiro. Em 10 de novembro de 1918, o restante da esquadra chegou a Gibraltar, mas como dizem que "Deus é brasileiro", no dia seguinte, em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício que pôs fim a guerra.
Obs: Veja detalhes e outras histórias deste pesadelo no artigo "Pior do que a Guerra", do historiador Francisco Eduardo Alves de Almeida em Revista Histórica da Biblioteca Nacional, número 37, outubro 2008, pags. 30-31.
As Fábulas de Esopo Modernizadas

A Turquia e a Alemanha
O Lobo e a Cegonha
O lobo engasgado pede a cegonha que lhe tire o osso atravessado na garganta; a cegonha o extrai com seu bico e pede recompensa pelo seu trabalho. Mais recompensa!, exclama o lobo, porventura não fostes bastante recompensada quando deixei de devorar a tua cabeça ?Esta imagem aqui se reporta a aliança entre a Alemanha e a Turquia, lembrando que esta terá de se contentar com bem pouco reconhecimento pelos serviços prestados.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa.
O Lôbo e a Cegonha
Barão de Paranapiacaba (trad.)
Vorazes comem lobos;
Nada lhes vence a gana;
Eis o que fez um deles:
Em farta comezaina,
As Fábulas de Esopo Modernizadas

A Turquia e a Alemanha
O Lobo e a Cegonha
O lobo engasgado pede a cegonha que lhe tire o osso atravessado na garganta; a cegonha o extrai com seu bico e pede recompensa pelo seu trabalho. Mais recompensa!, exclama o lobo, porventura não fostes bastante recompensada quando deixei de devorar a tua cabeça ?Esta imagem aqui se reporta a aliança entre a Alemanha e a Turquia, lembrando que esta terá de se contentar com bem pouco reconhecimento pelos serviços prestados.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa.
O Lôbo e a Cegonha
Barão de Paranapiacaba (trad.)
Vorazes comem lobos;
Nada lhes vence a gana;
Eis o que fez um deles:
Em farta comezaina,
Tão sôfrego engolira,
Sua avidez foi tanta,
Que de través lhe fica
Sua avidez foi tanta,
Que de través lhe fica
Um osso na garganta.
Sentindo-se engasgado
E sem poder gritar,
Julgou-se na agonia
E prestes a expirar.
Uma cegonha (ó dita !)
Passa dali vizinha;
Chamada por acenos,
Vem acudi-lo asinha.
Com grande habilidade
Procede à operação;
Retira o osso - e a paga
Requer do comilão.
" A paga ! (exclama o lobo) Comadre!
Estás brincando!
Pois não te deixo livre,
A vida desfrutando ?
Com grande habilidade
Procede à operação;
Retira o osso - e a paga
Requer do comilão.
" A paga ! (exclama o lobo) Comadre!
Estás brincando!
Pois não te deixo livre,
A vida desfrutando ?
Não me saiu dos dentes
Tua cabeça intata ?
Vai-te e das minhas garras

O camponez avarento que tenta enriquecer-se à pressa, e mata a galinha que deita is ovos de ouro, só para se ver privado da sua fonte de riqueza:O comercio marítimo alemão, manancial de tanta riqueza, queda por completo arruinado pela insana cobiça que impeliu a Alemanha a forçar esta guerra sobre a Europa.
Cuida em fugir ingrata !"
A Turquia No Século XVI
(Como o tempo passa e modifica o mundo)
O mais forte Estado que pareça haver ao presente no mundo (século XVI), é o dos turcos: povos igualmente formados na estima das armas e no desprezo das letras. Roma, acho-a mais valorosa antes de tornar-se sábia. As mais belicosas nações dos nossos dias são as mais grosseiras e ignorantes. Servem de prova os citas, os partas e Tamerlão. Quando os Gôdos devastaram a Grécia, o que salvou do fogo todas as bibliotecas foi esta opinião, propalada por um deles: que era mister deixar aos inimigos todos aqueles trastes, próprios para desviá-los do exercício militar e entretê-los em ocupações sedentárias e ociosas. E quando, sem tirar a espada da bainha, o nosso rei Carlos VIII (1470-1498), se viu dono do Reino de Nápoles e de boa parte da Toscana, a atribuíram, os senhores do seu séquito, essa inesperada facilidade de conquista a andarem os príncipes e os nobres da Itália mais ocupados em fazer-se engenhosos e sábios do que vigorosos e guerreiros. (Michel de Montaigne 1533-1592)
Fonte: Montaigne, M. "Seleta dos Ensaios de Montaigne", liv. José Olympio, coleção Rubaiyát, Rio, 1961, vol. 1/3, 303 págs.
A Turquia No Século XVI
(Como o tempo passa e modifica o mundo)
O mais forte Estado que pareça haver ao presente no mundo (século XVI), é o dos turcos: povos igualmente formados na estima das armas e no desprezo das letras. Roma, acho-a mais valorosa antes de tornar-se sábia. As mais belicosas nações dos nossos dias são as mais grosseiras e ignorantes. Servem de prova os citas, os partas e Tamerlão. Quando os Gôdos devastaram a Grécia, o que salvou do fogo todas as bibliotecas foi esta opinião, propalada por um deles: que era mister deixar aos inimigos todos aqueles trastes, próprios para desviá-los do exercício militar e entretê-los em ocupações sedentárias e ociosas. E quando, sem tirar a espada da bainha, o nosso rei Carlos VIII (1470-1498), se viu dono do Reino de Nápoles e de boa parte da Toscana, a atribuíram, os senhores do seu séquito, essa inesperada facilidade de conquista a andarem os príncipes e os nobres da Itália mais ocupados em fazer-se engenhosos e sábios do que vigorosos e guerreiros. (Michel de Montaigne 1533-1592)
Fonte: Montaigne, M. "Seleta dos Ensaios de Montaigne", liv. José Olympio, coleção Rubaiyát, Rio, 1961, vol. 1/3, 303 págs.
A Galinha e os Ovos de Ouro

O camponez avarento que tenta enriquecer-se à pressa, e mata a galinha que deita is ovos de ouro, só para se ver privado da sua fonte de riqueza:O comercio marítimo alemão, manancial de tanta riqueza, queda por completo arruinado pela insana cobiça que impeliu a Alemanha a forçar esta guerra sobre a Europa.
A Galinha que punha Ovos de Ouro
Tudo a avareza perde
Se tudo quer ganhar;
Basta-me, em prova disto,
Um fato aqui narrar.
Deitava uma galinha
Por dia um ovo d'ouro;
Julgou-a o dono um cofre
De perenal tesouro.
Tirou-lhe a vida, abriu-a
E achou o seu ovário
Igual ao das que botam
Qualquer ovo ordinário.
Assim, cedendo à força
Do baixo instinto ávaro,
De motu próprio extingue
O camponez avarento que tenta enriquecer-se à pressa, e mata a galinha que deita is ovos de ouro, só para se ver privado da sua fonte de riqueza:O comercio marítimo alemão, manancial de tanta riqueza, queda por completo arruinado pela insana cobiça que impeliu a Alemanha a forçar esta guerra sobre a Europa.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
A Lebre e a Tartaruga
"Apostemos, disse à lebre
A tartaruga matreira,
"Apostemos, disse à lebre
A tartaruga matreira,
Que eu chego primeiro ao alvo
Do que tu, que és tão ligeira!"
Dado o sinal de partida,
Estando as duas a par,
A tartaruga começa
Lentamente a caminhar.
Lebre, tendo vergonha
De correr diante dela,
Tratando um tal vitória
De peta ou de bagatela,
Deita-se, e dorme o seu pouco;
Ergue-se, e põe-se a observar
De que parte corre o vento,
E depois entra a pastar;
Eis deita uma vista d'olhos
Sobre a caminhante sorna
Inda a vê longe da meta,
E a pastar de novo torna.
Olha; e depois que a vê perto,
Olha; e depois que a vê perto,
Começa a sua carreira;
Mas então apressa os passos
A tartaruga matreira.
À meta chega primeiro,
Apanha o prêmio apressada,
Pregando à lebre vencida
Uma grande surriada.
Não basta só haver posses
Para obter o que intentamos;
É preciso pôr-lhe os meios,
Quando não, atrás ficamos.
O contendor não desprezes

O cão que leva o bocado de carne, vê o seu reflexo nas águas, e arrojando se a sombra, perde o bom bocado:Perdeu a Alemanha a prosperidade tão laboriosamente adquirida, sacrificando-a ao seu devaneio de conquistar o mundo.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa, anotado ipsis litteris do original.
O Cão que pela sombra larga a Prêsa
Um cão passando ia um rio a nado,

A tartaruga que pede a águia para ensiná-la a voar, é levada pela águia aos ares, cae a terra e espedaça-se:A Bulgária, induzida a guerra pela Alemanha , sofrerá a penalidade imposta pela sua tresloucada ambição.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
A Tartaruga e a Águia
Imaginem, uma Tartaruga que mal sabe andar, foi pedir a uma águia que lhe ensinasse a voar. A águia olhou para aquele bicho e viu que a tartaruga não pode voar de jeito nenhum.
Por fraco, se te investir;
Porque um anão acordado
Mata um gigante a dormir.
Curvo Semedo (Trad.)(1766-1838)
A Rapôsa e as Uvas verdes

A raposa esfaimada, não podendo atingir os cachos de uvas maduras , proclama nas uvas verdes, e que não as quer.Os alemães, frustrados na suas tentativas de tomar Paris, Calais, Petrogrado e Verdun, pretendem que seus objetivos não eram taes.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
A Rapôsa e as Uvas
A Rapôsa e as Uvas verdes

A raposa esfaimada, não podendo atingir os cachos de uvas maduras , proclama nas uvas verdes, e que não as quer.Os alemães, frustrados na suas tentativas de tomar Paris, Calais, Petrogrado e Verdun, pretendem que seus objetivos não eram taes.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
A Rapôsa e as Uvas
Contam que certa raposa,
andando muito esfaimada,
viu roxos maduros cachos
pendentes de alta latada.
De bom grado os trincaria,
mas sem lhes poder chegar,
disse: "estão verdes, não prestam,
só cães os podem tragar !"
Eis cai uma parra, quando
prosseguia seu caminho,
e crendo que era algum bago,
volta depressa o focinho.
viu roxos maduros cachos
pendentes de alta latada.
De bom grado os trincaria,
mas sem lhes poder chegar,
disse: "estão verdes, não prestam,
só cães os podem tragar !"
Eis cai uma parra, quando
prosseguia seu caminho,
e crendo que era algum bago,
volta depressa o focinho.
Moral: Quem desdenha quer comprar
Bocage (trad.)(1765-1805)
Bocage (trad.)(1765-1805)
O Cão e sua Sombra

O cão que leva o bocado de carne, vê o seu reflexo nas águas, e arrojando se a sombra, perde o bom bocado:Perdeu a Alemanha a prosperidade tão laboriosamente adquirida, sacrificando-a ao seu devaneio de conquistar o mundo.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa, anotado ipsis litteris do original.
O Cão que pela sombra larga a Prêsa
Um cão passando ia um rio a nado,
E levava de carne um bom bocado;
Via n'água a sua sombra, e, presumindo
Que era outro cão, que dele ia fugindo,
E que presa maior inda levava,
E que presa maior inda levava,
Com fim de lha tirar se arreganhava,
Naquele abrir de boca lhe caía
A carne, e nem mais sombras dela via.
Couto Guerreiro (Trad.)(1720-1793)
A Tartaruga e a Águia
A Tartaruga e a Águia

A tartaruga que pede a águia para ensiná-la a voar, é levada pela águia aos ares, cae a terra e espedaça-se:A Bulgária, induzida a guerra pela Alemanha , sofrerá a penalidade imposta pela sua tresloucada ambição.
Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa,anotado ipsis litteris do original.
A Tartaruga e a Águia
Imaginem, uma Tartaruga que mal sabe andar, foi pedir a uma águia que lhe ensinasse a voar. A águia olhou para aquele bicho e viu que a tartaruga não pode voar de jeito nenhum.
Acontece que ela não é somente um animal casca dura, mas também cabeça dura; e insistiu no pedido. A águia foi perdendo a paciência e como não adiantava falar mais nada, agarrou-a com as suas garras, elevou-se no ar e largou-a de lá de cima. A tartaruga, sem azas e sem juízo, arrebentou-se no chão. Quando soube que uma tartaruga voou, outra maluca foi contatar os patos.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Mais um caso de abuso contra o professor...
Início > Comunidades > Escolas e Cursos > Professores do Estado do RJ > Fórum: > Mais um caso de abuso contra o professor...
Mais um caso de abuso contra o professor...
Recebi esse e-mail de uma colega, infelizmente mais um caso de vitimização de aluno que sobra para o professor...Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011
Mais um caso de abuso contra o professor...
Recebi esse e-mail de uma colega, infelizmente mais um caso de vitimização de aluno que sobra para o professor...Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011
Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)
Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.
Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.Fica cristalina a visão de que, neste país:
NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES
NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃOØ AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM
Alguns exemplos atuais:
Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"...·
Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES.
PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.
Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00…
Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar, formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....
SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:
Ø Educação Física: Futebol;
Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;
Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamentodas "Celebridades"
Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;
Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;
Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...
Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.
Está bom assim? ... eu quero mais!...ESSE É O NOSSO BRASILVejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)
Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida;
Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas;
Ø Professor - R$ 728,00.....................para ........ Preparar para a vida;
Ø Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida;
E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).
IMPORTANTE: Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !...
P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos.
P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos.
Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando!É triste sempre chegarmos aqui com mais um relato ruim, mas acho também que não devemos nos omitir e deixar passar, afinal estamos todos nos mesmo barco e necessitamos com urgência que alguma seja feita...
Abraços a todos.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Boletim Mineiro de História - Inquisição
HISTÓRIA TRUNCADA
A Inquisição não existiu, é invenção dos leigos Por Alberto Dines em 31/10/2011 na edição 666 Incrível, aterrador: o 16º capítulo da serie histórica “Jornais em Pauta”, publicada quinzenalmente pelo Valor Econômico (ver "Um atraso de três séculos"), parece ter sido montado segundo os paradigmas do Dr. Joseph Goebbels, zelosamente imitados pela Academia de Ciências da ex-URSS e inspirados no patriarca do conservadorismo e do fascismo, Joseph de Maistre (1753-1821).
A surpreendente tese: quem impediu o estabelecimento de tipografias e jornais no Brasil antes de 1808 foi a Coroa, o Estado português. Não houve censura episcopal, não houve censura inquisitorial, não houve nenhum “Rol de Livros Proibidos”, não houve Inquisição. O sanguinário aparelho repressor chamado Santo Ofício estabelecido em 1536 e mantido até 1821 em Portugal e territórios ultramarinos é pura ficção. Os cardeais-inquisidores não existiram, os comissários não tinham poder para examinar os livros que chegavam nos navios, a monarquia absolutista portuguesa era a única responsável pelo que poderia ser ensinado e difundido.
A fabricação da mentira torna-se cada vez mais sofisticada não por causa das novas tecnologias per se, mas porque estas tornam as pessoas cada vez menos interessadas em absorver conhecimentos.
Vocação censória
O autor da proeza revisionista e negacionista publicada num dos mais sofisticados suplementos culturais da imprensa brasileira (“Eu&Fim de Semana”, 28/10) valeu-se de um engenhoso e perverso artifício retórico: como na América espanhola as tipografias foram instaladas a partir do século 16 (a primeira, no México, em 1583), o déficit de liberdade na América portuguesa só pode ser atribuído à Corte.
Grande parte do texto, cerca de dois terços, está maliciosamente montado em cima de citações de eminentes historiadores patrícios, genialmente manipuladas para reforçar a ideia de que a Coroa portuguesa é a única vilã do nosso atraso intelectual e jornalístico.
Difícil acreditar que na vasta bibliografia de Sérgio Buarque de Holanda e de Nelson Werneck Sodré não conste qualquer referência ao protagonismo do Santo Ofício (portanto, da igreja católica) no controle dos corações e mentes dos brasileiros e brazilienses. Pinçar na Sociologia da Imprensa Brasileira, de José Marques de Melo, a frase de que no Brasil colonial não havia tipografias “porque não eram necessárias” é, na melhor das hipóteses, um recurso capcioso. Isabel Lustosa é, hoje, a mais diligente e esmerada historiadora da imprensa brasileira, coeditora dos 31 volumes com a reprodução integral do Correio Braziliense e valiosos estudos sobre Hipólito da Costa. Dela, os editores de Valor só encontraram um conceito digno de ser incluído no seu seriado quinzenal: “O Brasil era um dos poucos países do mundo, excetuados os da África e Ásia, que não produziam palavra impressa”.
Onde está dito que a culpa do atraso foi exclusivamente da Coroa? Onde exime ela o Santo Ofício de ser a matriz da nossa vocação censória? Este tipo de trambique argumentativo ficaria muito bem num boletim do Opus Dei, mas discrepa num veículo destinado à formação da elite empresarial brasileira.
“Despotismo esclarecido”
O autor (ou autores) ignora(m) que a Inquisição espanhola, diferentemente da portuguesa, era menos centralizada e menos burocratizada. O Santo Ofício lusitano manteve apenas um tribunal fora do território continental (em Goa, Índia); o espanhol permitiu a instalação de três filiais no Novo Mundo (México, Cartagena, Lima) e, graças à fiscalização descentralizada, podia se dar ao luxo de autorizar a instalação de tipografias para a impressão de obras evangelizadoras, criação de universidades e circulação de periódicos a partir do século 17.
As doutrinas que inspiravam as duas entidades inquisitoriais eram as mesmas, colaboravam ativamente entre si (como atesta o caso da loucura e morte do santista Bartolomeu de Gusmão, o Padre Voador), mas as mentalidades eram diferentes. A Espanha era uma potência europeia e o seu império global deveria contar com uma flexibilidade administrativa que o mirrado reino português só adotou quando a família real fugiu para o Brasil.
Quem encarcerou o padre Antonio Vieira não foi a Coroa portuguesa, mas a Inquisição portuguesa. Quem mandou prender e depois executar o comediógrafo – nascido no Rio de Janeiro – Antonio José da Silva, “O Judeu”, não foi D. João V (satirizado na ópera O Anfitrião, montada em 1736), mas o cardeal inquisidor D. Nuno da Cunha, por meio de uma ordem verbal (como está em seu processo). Quem decidiu que fosse executado num auto da fé não foi a justiça secular, mas os inquisidores que lhe ofereceram o direito de escolher entre o garrote e a fogueira.
Aqui, na colônia portuguesa, bispos e comissários do Santo Ofício mandavam e desmandavam, os governadores obedeciam: cuidavam de defender o território, proteger riquezas e cobrar impostos. O resto ficava por conta dos Familiares do Santo Ofício e, sobretudo, do sistema de delações oriundo dos confessionários. O quadro modificou-se quando esse despotismo clerical foi substituído pelo “despotismo esclarecido” do Marquês de Pombal (1750). Tarde demais, o país estava atrasado 250 anos.
Fim do embargo
O bravo historiador e o prestigioso veículo que ousaram quebrar o tabu relativo à história da imprensa brasileira conseguiram a façanha de manter sob sigilo absoluto, ao longo de 32 semanas consecutivas, o nome do primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, o Correio Braziliense. O nome de seu editor-redator, Hipólito da Costa – o patriarca da imprensa brasileira –, até o fascículo 16 só foi mencionado, de passagem e esguelha, uma única vez. Recorde de secretismo que só encontra rival nas ordens de prisão determinadas pelos tribunais do Santo Ofício.
Hipólito da Costa era funcionário da Coroa, mas por ser maçom foi preso pela Inquisição lisboeta (1802). O relato que publicou em português e inglês sobre os interrogatórios a que foi submetido é uma arrasadora denúncia contra os métodos medievais empregados pelos esbirros inquisitoriais (Narrativa da Perseguição de Hipólito José da Costa, dois volumes, Londres, 1811). O desenvolvimento do Brasil atrasou unicamente por conta do atraso da teocracia portuguesa. A melhor prova está no episódio que resultou no desmantelamento de uma tipografia no Rio de Janeiro (1747-1749) pertencente a um dos melhores impressores portugueses, Antonio Isidoro da Fonseca, misteriosamente transferido para a capital da colônia. Se essa oficina continuasse a sua atividade, a história da multiplicação das ideias no Brasil e a própria história política do país seriam drasticamente diferentes. Para melhor.
O estúpido e devasso D. João V ainda reinava, quem deu a ordem foi o Santo Ofício português, quem a recebeu e executou foi o respectivo comissário que convocou o desgraçado impressor para dizer-lhe que não poderia editar livros e outros escritos.
O documento que confirma a truculência foi encontrado por este observador nos “Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa”. Publicado e analisado em livro (Em Nome da Fé, Editora Perspectiva, 1999), demoradamente exibido no documentário de Silvio Tendler (Preto no Branco – A censura antes da imprensa) e extensamente discutido na série de três programas do Observatório da Imprensa que comemorou os 200 anos da imprensa brasileira (maio-setembro de 2008)
Valor não publicou um equívoco, publicou uma mistificação. Não foi acidental, foi determinação das esferas superiores – ou inspiração divina –, as mesmas que decidiram há três anos que não se devia comemorar o bicentenário da imprensa brasileira para não lembrar o obscurantismo religioso que produziu nossa carência intelectual e jornalística.
Registre-se um avanço: caiu o embargo sobre o assunto. E magicamente descobre-se que o controle religioso aumentou nosso atraso para cinco séculos. Mais precisamente 511 anos (308+200+3). Logo seremos iguais ao Suriname.
http://boletimdehistoria-ricardo.blogspot.com/2011/11/numero-300.html
A surpreendente tese: quem impediu o estabelecimento de tipografias e jornais no Brasil antes de 1808 foi a Coroa, o Estado português. Não houve censura episcopal, não houve censura inquisitorial, não houve nenhum “Rol de Livros Proibidos”, não houve Inquisição. O sanguinário aparelho repressor chamado Santo Ofício estabelecido em 1536 e mantido até 1821 em Portugal e territórios ultramarinos é pura ficção. Os cardeais-inquisidores não existiram, os comissários não tinham poder para examinar os livros que chegavam nos navios, a monarquia absolutista portuguesa era a única responsável pelo que poderia ser ensinado e difundido.
A fabricação da mentira torna-se cada vez mais sofisticada não por causa das novas tecnologias per se, mas porque estas tornam as pessoas cada vez menos interessadas em absorver conhecimentos.
Vocação censória
O autor da proeza revisionista e negacionista publicada num dos mais sofisticados suplementos culturais da imprensa brasileira (“Eu&Fim de Semana”, 28/10) valeu-se de um engenhoso e perverso artifício retórico: como na América espanhola as tipografias foram instaladas a partir do século 16 (a primeira, no México, em 1583), o déficit de liberdade na América portuguesa só pode ser atribuído à Corte.
Grande parte do texto, cerca de dois terços, está maliciosamente montado em cima de citações de eminentes historiadores patrícios, genialmente manipuladas para reforçar a ideia de que a Coroa portuguesa é a única vilã do nosso atraso intelectual e jornalístico.
Difícil acreditar que na vasta bibliografia de Sérgio Buarque de Holanda e de Nelson Werneck Sodré não conste qualquer referência ao protagonismo do Santo Ofício (portanto, da igreja católica) no controle dos corações e mentes dos brasileiros e brazilienses. Pinçar na Sociologia da Imprensa Brasileira, de José Marques de Melo, a frase de que no Brasil colonial não havia tipografias “porque não eram necessárias” é, na melhor das hipóteses, um recurso capcioso. Isabel Lustosa é, hoje, a mais diligente e esmerada historiadora da imprensa brasileira, coeditora dos 31 volumes com a reprodução integral do Correio Braziliense e valiosos estudos sobre Hipólito da Costa. Dela, os editores de Valor só encontraram um conceito digno de ser incluído no seu seriado quinzenal: “O Brasil era um dos poucos países do mundo, excetuados os da África e Ásia, que não produziam palavra impressa”.
Onde está dito que a culpa do atraso foi exclusivamente da Coroa? Onde exime ela o Santo Ofício de ser a matriz da nossa vocação censória? Este tipo de trambique argumentativo ficaria muito bem num boletim do Opus Dei, mas discrepa num veículo destinado à formação da elite empresarial brasileira.
“Despotismo esclarecido”
O autor (ou autores) ignora(m) que a Inquisição espanhola, diferentemente da portuguesa, era menos centralizada e menos burocratizada. O Santo Ofício lusitano manteve apenas um tribunal fora do território continental (em Goa, Índia); o espanhol permitiu a instalação de três filiais no Novo Mundo (México, Cartagena, Lima) e, graças à fiscalização descentralizada, podia se dar ao luxo de autorizar a instalação de tipografias para a impressão de obras evangelizadoras, criação de universidades e circulação de periódicos a partir do século 17.
As doutrinas que inspiravam as duas entidades inquisitoriais eram as mesmas, colaboravam ativamente entre si (como atesta o caso da loucura e morte do santista Bartolomeu de Gusmão, o Padre Voador), mas as mentalidades eram diferentes. A Espanha era uma potência europeia e o seu império global deveria contar com uma flexibilidade administrativa que o mirrado reino português só adotou quando a família real fugiu para o Brasil.
Quem encarcerou o padre Antonio Vieira não foi a Coroa portuguesa, mas a Inquisição portuguesa. Quem mandou prender e depois executar o comediógrafo – nascido no Rio de Janeiro – Antonio José da Silva, “O Judeu”, não foi D. João V (satirizado na ópera O Anfitrião, montada em 1736), mas o cardeal inquisidor D. Nuno da Cunha, por meio de uma ordem verbal (como está em seu processo). Quem decidiu que fosse executado num auto da fé não foi a justiça secular, mas os inquisidores que lhe ofereceram o direito de escolher entre o garrote e a fogueira.
Aqui, na colônia portuguesa, bispos e comissários do Santo Ofício mandavam e desmandavam, os governadores obedeciam: cuidavam de defender o território, proteger riquezas e cobrar impostos. O resto ficava por conta dos Familiares do Santo Ofício e, sobretudo, do sistema de delações oriundo dos confessionários. O quadro modificou-se quando esse despotismo clerical foi substituído pelo “despotismo esclarecido” do Marquês de Pombal (1750). Tarde demais, o país estava atrasado 250 anos.
Fim do embargo
O bravo historiador e o prestigioso veículo que ousaram quebrar o tabu relativo à história da imprensa brasileira conseguiram a façanha de manter sob sigilo absoluto, ao longo de 32 semanas consecutivas, o nome do primeiro periódico a circular sem censura no Brasil e em Portugal, o Correio Braziliense. O nome de seu editor-redator, Hipólito da Costa – o patriarca da imprensa brasileira –, até o fascículo 16 só foi mencionado, de passagem e esguelha, uma única vez. Recorde de secretismo que só encontra rival nas ordens de prisão determinadas pelos tribunais do Santo Ofício.
Hipólito da Costa era funcionário da Coroa, mas por ser maçom foi preso pela Inquisição lisboeta (1802). O relato que publicou em português e inglês sobre os interrogatórios a que foi submetido é uma arrasadora denúncia contra os métodos medievais empregados pelos esbirros inquisitoriais (Narrativa da Perseguição de Hipólito José da Costa, dois volumes, Londres, 1811). O desenvolvimento do Brasil atrasou unicamente por conta do atraso da teocracia portuguesa. A melhor prova está no episódio que resultou no desmantelamento de uma tipografia no Rio de Janeiro (1747-1749) pertencente a um dos melhores impressores portugueses, Antonio Isidoro da Fonseca, misteriosamente transferido para a capital da colônia. Se essa oficina continuasse a sua atividade, a história da multiplicação das ideias no Brasil e a própria história política do país seriam drasticamente diferentes. Para melhor.
O estúpido e devasso D. João V ainda reinava, quem deu a ordem foi o Santo Ofício português, quem a recebeu e executou foi o respectivo comissário que convocou o desgraçado impressor para dizer-lhe que não poderia editar livros e outros escritos.
O documento que confirma a truculência foi encontrado por este observador nos “Cadernos do Promotor da Inquisição de Lisboa”. Publicado e analisado em livro (Em Nome da Fé, Editora Perspectiva, 1999), demoradamente exibido no documentário de Silvio Tendler (Preto no Branco – A censura antes da imprensa) e extensamente discutido na série de três programas do Observatório da Imprensa que comemorou os 200 anos da imprensa brasileira (maio-setembro de 2008)
Valor não publicou um equívoco, publicou uma mistificação. Não foi acidental, foi determinação das esferas superiores – ou inspiração divina –, as mesmas que decidiram há três anos que não se devia comemorar o bicentenário da imprensa brasileira para não lembrar o obscurantismo religioso que produziu nossa carência intelectual e jornalística.
Registre-se um avanço: caiu o embargo sobre o assunto. E magicamente descobre-se que o controle religioso aumentou nosso atraso para cinco séculos. Mais precisamente 511 anos (308+200+3). Logo seremos iguais ao Suriname.
http://boletimdehistoria-ricardo.blogspot.com/2011/11/numero-300.html
terça-feira, 11 de outubro de 2011
O que mais eles vão inventar? Novidades da Seeduc -RJ

Holocausto nazista será obrigatório na rede estadual
Rio - Os alunos da rede estadual de ensino terão a partir de agora, mais uma matéria na grade de História,o holocausto nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
A lei aprovada pela Assembléia Legislativa e publicada na edição desta segunda- feira do Diário Oficial determina que seja explicado aos estudantes a morte de milhares de judeus, homossexuais e ciganos naquele período.
De autoria do deputado Gerson Bergher (PSDB),a medida determina que o Conselho Estadual de Educação faça uma abordagem especial no tema.
Segundo o parlamentar a inclusão facilitará o combate à intolerância. “Relembrar, através dos estudo, sobre este episódio, é garantir que não se repita. A perseguição realizada pelo 3º Reich no século passado não é apenas uma questão dos judeus, ciganos e outras minorias perseguidas pelos nazistas, mas uma advertência para as perseguições hoje travadas contra as várias minorias”, argumenta.
http://odia.ig.com.br/portal/educacao/html/2011/10/holocausto_nazista_sera_obrigatorio_na_rede_estadual_198308.html
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