Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Oficina de História


Visões historiográficas. Oficina: O Reverso das Versões
Quem conta um conto aumenta um ponto...
E quem conta a História do nosso país, quantos pontos aumenta?
É no mínimo intrigante o contraste entre a eterna polêmica historiográfica presente nos meios acadêmicos e as certezas históricas que chegam às escolas.
Por que não dividirmos com nossos alunos não apenas as certezas, mas também as polêmicas?
Esta oficina apresenta três diferentes versões para um dos mais conhecidos episódios da História do Brasil. Compare-as para saber se a proposta é viável para trabalhar com suas turmas.

A independência se fez "no grito"?
Apesar de muito questionada, a versão mais conhecida do processo de independência do Brasil é aquela que apresenta D. Pedro I como nosso herói redentor. Outras interpretações pensam em forças sociais mais amplas e analisam conflitos de interesses desses grupos.
Onde está a verdade? Existe uma verdade? Como nossos alunos podem se posicionar diante de diferentes análises desse e de outros momentos históricos?
Vamos aqui discutir três exemplos de interpretação da independência brasileira, buscando a construção de critérios para o questionamento de diferentes versões historiográficas
DICA
Os textos propostos para análise só farão sentido se os alunos já tiverem discutido o retorno de D. João VI para Portugal e a política de recolonização que a metrópole tenta impor a partir de então.

Versão Pedro Américo
Imagem também conta história?


Em diversos livros e sites há confusão sobre o nome desta tela: alguns autores a chamam de "O Grito do Ipiranga". O nome correto é mesmo Independência ou Morte. Esta pintura encontra-se atualmente no Museu da Cidade de São Paulo.
Óleo sobre tela, 900x510 cm, 1888, de autoria do pintor brasileiro Pedro Américo (1843-1905), feita na cidade italiana de Florença, por encomenda do governo imperial brasileiro.
Segundo essa fonte, como se deu nossa independência?
Já leu as outras versões?
Baú de Ideias
A inclusão de imagens como fonte historiográfica não chega a ser novidade entre historiadores, mas só recentemente chegou à sala de aula...
Bem, antes tarde do que nunca!
Vivemos em uma cultura predominantemente visual: televisão, cinema, revista, computador, internet, jornal, outdoors, cartazes de todos os tipos - enfim, somos bombardeados diariamente por uma quantidade enorme de informações visuais. Todas tentam seduzir - seja para nos convencer de alguma ideia, seja para nos vender alguma mercadoria. A escola não pode mais deixar de incluir a educação do olhar como conteúdo prioritário, até porque os livros didáticos são uma importante fonte de imagens para os alunos. Estas não devem ser apresentadas apenas como ilustração, e sim como mais um recurso para reflexão. Contribuiremos, então, para a formação de um cidadão mais crítico, menos passivo diante das estratégias dos especialistas em sedução pela imagem.
Vale destacar que essa capacidade crítica que estamos nos propondo a estimular não se restringe à comunicação visual. Um exemplo: a prática de apresentar partes selecionadas de um texto, usando reticências (como nos textos analisados nesta oficina), pode ser comparada à edição de imagens pela televisão. Em ambos os casos, estamos recebendo uma mensagem trabalhada segundo a interpretação de uma pessoa. Por mais bem-intencionada que seja a edição, ela não é "a verdade" e sua credibilidade deve sempre ser questionada.
DICA
É importante que os alunos busquem justificar sua interpretação esclarecendo que elementos presentes na pintura permitem essa leitura.
Versão Emília Viotti
O texto apresentado a seguir não está em sua versão integral: retiramos partes que traziam outras discussões paralelas ao tema central. Mesmo que ninguém repare nas reticências, isso pode e deve ser discutido em sala. Será que nos parágrafos omitidos existe alguma informação que mudaria nossa análise? Pode ser interessante disponibilizar a versão integral http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/historia/versoes/downloads/Emiliaviotti.pdf
dos textos discutidos ou, pelo menos, indicar a fonte com clareza. É importante também que o professor explique por que o texto não está completo e que critérios foram utilizados nessa seleção de parágrafos.
Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil
"(...) O temor da população culta e ilustrada diante da perspectiva de agitação das massas explica por que a ideia de realizar a independência com o apoio do príncipe pareceria tão sedutora: permitiriam emancipar a nação do jugo metropolitano (opressão, dominação por parte da metrópole, no caso, Portugal) sem que para isso fosse necessário recorrer à rebelião popular. (...)
A série de medidas tomadas pelas Cortes, a partir de julho de 1821, tinha revelado uma mudança na orientação política, econômica e administrativa em relação ao Brasil, denunciando as intenções recolonizadoras das Cortes. Algumas tentavam anular as regalias que o Tratado de 1810 e outros dispositivos subsequentes tinham concedido aos comerciantes ingleses. (...)
No Rio de Janeiro, já em outubro de 1821, começaram a aparecer pregadas pelas esquinas, "décimas" (estrofes de 10 versos de 7 sílabas, muito populares na época), persuadindo o príncipe que era melhor ser já Pedro I que esperar para ser Pedro IV. (...)
Para D. Pedro havia apenas duas atitudes possíveis: ou obedecia às Cortes e voltava degradado para Portugal, ou rompia definitivamente com eles proclamando a independência. D. Pedro preferiria esta solução. Tomando conhecimento das novas das Cortes, proclamou a 7 de setembro, em São Paulo, a independência do Brasil. (...)
O estudo das biografias dos homens que assumiram a direção do movimento da independência no Rio de Janeiro vem confirmar que representavam as categorias mais importantes da sociedade. Nem todos eram brasileiros de nascimento. Alguns tinham ligações com a Corte de D. João VI. Sua formação se fizera em Portugal. Eram em maioria homens de mais de cinquenta anos. Estavam empenhados em manter a ordem, evitar a anarquia e os "excessos do povo". (...)
A emancipação política realizada pelas categorias dominantes interessadas em assegurar a preservação da ordem estabelecida, cujo único objetivo era romper o sistema colonial no que ele significava de restrição à liberdade de comércio e à autonomia administrativa, não ultrapassaria seus próprios limites. A ordem econômica seria preservada, a escravidão mantida."
COSTA, Emília Viotti da - Introdução ao estudo da emancipação política do Brasil. In: MOTTA, Carlos Guilherme (org.). Brasil em perspectiva. SP: Ditel, 1982.
Jugo metropolitano: opressão, dominação por parte da metrópole. No caso, por parte de Portugal.
Tratado de 1810: reafirmando a abertura dos portos (1808), porém privilegiando o comércio com a Inglaterra, determinou a abertura de um porto franco na ilha de Santa Catarina (o que facilitaria o comércio da Inglaterra com Buenos Aires), com alíquota alfandegária de 15% para produtos britânicos, 16% os produtos portugueses e 24% para os demais países.
Décimas: estrofe de 10 versos de 7 sílabas, muito popular na época.
DICA
É importante que os alunos busquem utilizar suas próprias palavras nessa síntese. Trata-se de uma estratégia para evitar a cópia sem compreensão - quem entende uma ideia deve ser capaz de expressá-la com autonomia.

Baú de Ideias
Fazer a síntese de um texto historiográfico pode não ser tarefa simples para nossos alunos. Afinal, em que momento a leitura é objeto de estudo nas aulas de História? Raramente ensinamos, mas com frequência cobramos, não? Partimos do pressuposto de que o aluno já foi alfabetizado, portanto sabe ler e escrever. Mas sabe mesmo? Todos os tipos de texto?
A proposta é incorporar técnicas de leitura e escrita como conteúdos procedimentais de História. Se for possível levar esse trabalho em parceria com Língua Portuguesa, os resultados podem ser ainda melhores.
Obs.:Conforme sugerem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), além dos conceitos e discussões historiográficas, devem fazer parte dos conteúdos de aprendizagem de História o "saber fazer", isto é, habilidades e estratégias que permitam o estudo daquela disciplina de forma autônoma. Aprender a aprender é a ordem do dia!
Todos sabemos da dificuldade de concretizar parcerias com outros professores da equipe - falta tempo, falta tempo -, mas os ganhos talvez compensem o sacrifício. Não somente o conteúdo de Língua Portuguesa fará mais sentido quando tiver aplicação imediata no estudo de outra disciplina, como também esse trabalho será mais produtivo se os professores - incluindo outras disciplinas como Geografia e Ciências - estiverem caminhando com um mínimo de unidade.
Na
página de downloads, disponibilizamos os seguintes textos:
"Conhecimento dos meios social e cultural", de Jaume Rios, sobre conteúdos procedimentais na área de ciências sociais.
"Fatores determinantres na elaboração dos resumos: maturação ou condições da tarefa?" e "Extraindo informações do texto - algumas considerações sobre marcação formal do tema e legibilidade", ambos de Ângela Kleiman.

Versão Oliveira Lima
O texto apresentado a seguir não está em sua versão integral: retiramos partes que traziam outras discussões paralelas ao tema central. Mesmo que ninguém repare nas reticências, isso pode e deve ser discutido em sala. Será que nos parágrafos omitidos existe alguma informação que mudaria nossa análise? Pode ser interessante disponibilizar a versão integral http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/historia/versoes/downloads/OliveiraLima.pdf dos textos discutidos ou, pelo menos, indicar a fonte com clareza. É importante também que o professor explique por que o texto não está completo e que critérios foram utilizados nessa seleção de parágrafos.

O Grito do Ipiranga
"Dom Pedro partiu para São Paulo com uma mui pequena comitiva: acompanharam-no Luís de Saldanha da Gama, depois marquês de Taubaté, filho do conde da Ponte, veador da Princesa Real, e que lhe servia de secretário político, como na viagem a Minas Gerais; Estevão Ribeiro de Resende, o gentil-homem da câmara Francisco de Castro Canto e Melo, irmão da que foi mais tarde marquesa de Santos e toda poderosa favorita; o já infalível Chalaça - ajudante Francisco Gomes da Silva - que tantos dissabores acarretou a seu amo pela impopularidade que o cercava, e os criados particulares do Paço, João Carlota e João Carvalho. Na Venda Grande juntaram-se ao séquito o tenente-coronel Joaquim Aranha Barreto de Camargo, que o príncipe fez em caminho governador da praça de Santos, e o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, de Minas Gerais, muito seu confidente. (...)
O motivo que se aguardava para o rompimento definitivo, o impulso necessário para esse instante decisivo, foi fornecido pela chegada ao Rio de Janeiro, a 28 de agosto, do brigue Três Corações, trazendo notícias de Lisboa até 3 de julho. (...)
Reunido o conselho de ministros sob a presidência da regente, assentou-se sem discussão ter chegado a hora precisa e almejada e foi despachado para São Paulo o correio Paulo Emílio Bregaro, com a recomendação de José Bonifácio, que bem traduz a impaciência que o dominava, de arrebentar quantos cavalos quisesse para o mais depressa possível alcançar lá o príncipe, sob pena de perder o lugar. Aos papéis oficiais de Lisboa, entre os quais vinha também uma carta de Antônio Carlos, de 2 de julho, muito desanimada com o andamento dos negócios pela atitude hostil das Cortes e da população, juntou José Bonifácio uma carta sua e juntou a Princesa Real outra que Drummond conta haver lido e que diz ter agido poderosamente sobre o espírito de Dom Pedro. (...)
Sabendo por Canto e Melo, que tinha de São Paulo, da chegada dos emissários do Rio, os quais de perto seguiam o gentil-homem da câmara, Dom Pedro adiantou-se ao seu séquito para receber os despachos que lhe foram apresentados pelo oficial portador. Comunicando então à comitiva que as Cortes queriam 'massacrar' o Brasil, arrancou o tope de fita azul claro e encarnado (as cores constitucionais portuguesas antes do azul e branco) que ostentava no chapéu armado, lançou-o por terra e, desembainhando a espada, bradou - 'É tempo! ... Independência ou Morte! ... Estamos separados de Portugal!'"

LIMA, Oliveira - O movimento da Independência, 1821-1822. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997 (1ª edição: 1922)

Veador: como eram chamados os caçadores que atuavam nos montes.
Gentil-homem: um dos cargos da corte imperial do Brasil.
Brigue: antigo navio a vela.

Segundo esta fonte, como se deu nossa independência?

DICA
Em História trabalhamos frequentemente com textos de época, de difícil linguagem. Para não afastarmos nossos alunos, pode ser interessante que o primeiro contato com o texto seja uma leitura conjunta, em sala de aula, com bastante calma. Um bom glossário também pode ser muito útil. Além disso, é importante também que os alunos busquem utilizar suas próprias palavras nessa síntese. Trata-se de uma estratégia para evitar a cópia sem compreensão - quem entende uma ideia deve ser capaz de expressá-la com autonomia.

Análise Crítica dos Textos
Já leu as três versões?
Para melhor compararmos as versões apresentadas, devemos ir além da identificação da ideia principal do texto - devemos analisá-las criticamente. Estaremos tentando desvendar pontos de vista, tendências e interesses políticos e pessoais, confiabilidade das fontes mencionadas, entre outros fatores. Certamente, isso só poderá ser praticado em sala de aula de forma limitada, dada a pouca bagagem de leitura de nossos alunos e mesmo sua pouca experiência de vida. Mas vejamos se o que é possível ainda vale a pena.

Duvidar
Podemos começar nosso questionamento tanto pelo conteúdo do texto historiográfico quanto pelo contexto em que foi produzido.
É um trabalho menos óbvio do que pode parecer à primeira vista. A maior parte dos textos historiográficos apresenta a sua versão como a única verdadeira. E quem é você para duvidar de uma informação que foi publicada e distribuída?
É muito provável que os alunos sintam-se inicialmente incapazes de fazê-lo. Por isso devemos ter cuidado ao escolher os textos a serem trabalhados. É interessante que tenham linguagem relativamente acessível e que suas ideias centrais sejam facilmente identificáveis, e contrastantes com as de outro texto.

DICA
É bom lembrar que quando definimos etapas na análise do texto, estamos apenas usando um artifício para organização do trabalho. É importante ficar claro para os alunos que autoria e contexto são, na prática, inseparáveis, relacionando-se de forma dialética. Esse tipo de abordagem tem a vantagem de destacar que todo texto tem um autor e que sua visão da História nasce de um contexto social e pessoal

Duvidar do autor
Nesta etapa, questionaremos o autor e o contexto histórico de produção do texto. Estaremos, basicamente, tentando compreender o ponto de vista a partir do qual a realidade histórica em discussão foi interpretada.
Algumas perguntas possíveis:
Quem é o autor desse texto?
Tem ligações políticas conhecidas?
Onde trabalha? Onde trabalhou?
Foi financiado por alguma entidade pública ou privada?
Se foi, qual o posicionamento político dessa entidade?
Quando e onde a obra foi escrita? Qual era o contexto político?
Procuramos listar algumas questões possíveis para esse tipo de trabalho. Algumas servirão para analisar as três interpretações desta oficina, outras não. Tente respondê-las e imaginar como os alunos se sentiriam fazendo o mesmo.

Dica
Muitas dessas perguntas não poderão ser respondidas em todas as análises de fontes historiográficas - especialmente pelos alunos, que provavelmente estarão sendo apresentados ao autor pela primeira vez. Também é possível que o próprio professor não tenha essas informações, o que não é vergonha nenhuma: é importante compreendermos a riqueza deste tipo de trabalho, mas também estarmos conscientes das suas limitações no trabalho real do dia-a-dia de sala de aula.

Duvidar das informações
Vamos agora pensar um pouco mais detidamente no conteúdo de cada versão.
Algumas perguntas possíveis:
A argumentação é lógica e coerente?
O autor justifica as afirmações que faz?
Discute outras explicações para o tema?
Nessa versão, quem participa do evento histórico em discussão?
Que papel têm esses personagens?
Que momento do evento histórico é priorizado?
Os dados em que se baseia o trabalho são confiáveis?
O texto é claramente parcial?
Procuramos listar algumas questões possíveis para esse tipo de trabalho. Algumas servirão para analisar as três interpretações desta oficina, outras não.
Tente respondê-las e imaginar como os alunos se sentiriam fazendo o mesmo.

DICA
Obviamente, no nosso dia-a-dia, não temos condições de checar todas as fontes mencionadas nos textos com que trabalhamos, mas é muito importante que nossos alunos comecem a desconfiar de afirmações vagas do tipo "pesquisas indicam...".

Ideias centrais de cada versão
Temos, na verdade, duas visões conflitantes, já que as versões 1 e 3 apresentam uma mesma interpretação, mas em linguagens diferentes. Ambas centram a explicação na figura de D. Pedro I, que estaria indignado com as intenções portuguesas de "massacrar" o Brasil; na descrição dos fatos, privilegiam o momento da proclamação em detrimento de uma análise da situação social.
É importante que esta síntese seja justificada, pelos alunos, com trechos do texto e destaques na pintura. Por exemplo, o último parágrafo do texto de Oliveira Lima detalha a reação de D. Pedro I às notícias recebidas de Portugal e credita a emancipação política do Brasil à sua decisão pessoal. Já na tela de Pedro Américo, é no lugar que o futuro imperador ocupa na composição, no seu gestual, nas suas roupas e no contraste com os outros personagens retratados, que podemos identificar a intenção de destacar sua participação no processo da independência brasileira.
Na versão de Emília Viotti da Costa, a situação social ganha mais peso. D. Pedro proclama a independência por interesses pessoais (parágrafos 3 e 4) e é apoiado pela elite de então, que quer se separar de Portugal - o que é importante para a continuidade dos seus negócios - mas pretende evitar a qualquer custo uma rebelião popular (parágrafos 1, 5 e 6).
Muitas vezes, já nessa primeira etapa do trabalho - identificação das principais ideias de cada autor - o leitor pode sentir-se capaz de optar por uma das versões apresentadas. No caso das três interpretações em discussão, é bem provável que isso aconteça. Ainda assim, vamos discutir as questões propostas na seção "Duvidar", para uma análise um pouco mais cuidadosa dos textos.

Questionando a autoria
Os autores dos textos escolhidos são bastante conhecidos entre os historiadores, mas suas ligações políticas não são tão notórias (um Benito Mussolini seria mais óbvio!), nem foram publicamente financiados nos seus trabalhos (se fosse uma publicação do DIP de Getúlio Vargas já saberíamos alguma coisa sobre o seu conteúdo). O questionamento da autoria, neste caso, não nos levou muito longe...
Na verdade, se esta fosse uma atividade para professores, poderíamos chegar mais "longe" sim: teríamos de discutir com maior profundidade o conjunto da produção historiográfica desses autores e o contexto dessa produção. Como estamos pensando em uma atividade viável no ensino fundamental, optamos conscientemente por uma abordagem que fosse possível dentro das condições reais das salas de aula.
Já na análise da pintura, podemos descobrir alguns dados simples, mas interessantes: o autor fez o quadro fora do Brasil, por encomenda do governo imperial, em um momento de extremo desgaste daquele governo. A parcialidade deste relato é bastante provável, não?

Questionando o conteúdo
Passemos para o conteúdo: nenhum dos textos tem incoerências gritantes, todos mantêm sua lógica interna. Por outro lado, não são apresentados dados ou pesquisas justificando ideias.
O aspecto que mais diferencia as versões pode ser identificado nas perguntas que se referem aos personagens em ação: tanto na tela de Pedro Américo, quanto no texto de Oliveira Lima, o processo da independência envolve apenas o futuro imperador e seus próximos, sendo D. Pedro caracterizado como herói. Já na versão de Emília Viotti, os personagens não são apresentados individualmente, mas como representantes de grupos sociais; a exceção é D. Pedro, que não age como herói, e sim movido por interesses pessoais.

Conclusão?
E então? Quem tem a verdade? Alguém tem a verdade?
Chegamos a um momento delicado do trabalho. Se perguntarmos a opinião do aluno, teremos uma única resposta correta? Certamente que não. Neste caso, vale a coerência da resposta, a justificativa na argumentação e a qualidade da análise das versões.
Devemos lembrar que estamos discutindo temas para os quais nem os especialistas têm uma resposta fechada, quanto mais nossos alunos!

Baú de ideias
O positivismo historiográfico não se relaciona diretamente com os princípios da doutrina de Augusto Comte, mas faz jus ao nome quando valoriza a ciência positiva, buscando aplicar seus princípios à investigação histórica. Desse modo, vai centrar seu trabalho na objetividade dos fatos e buscar sua reconstituição, privilegiando os documentos escritos. Em geral, prioriza a História política, apresentando-a como uma sequência de fatos e personagens.
O tema da independência é apenas um dos muitos possíveis para esse tipo de trabalho. Podemos encontrar textos positivistas e compará-los com abordagens mais atuais sobre praticamente qualquer tema histórico.
Também podemos discutir apenas alguns aspectos das versões historiográficas trabalhadas. Por exemplo, a maior parte dos livros didáticos refere-se ao período jacobino da Revolução Francesa como "fase do terror". Por que não "fase jacobina"?
Qual era a cara de D. João VI - aquela dos retratos da época ou a versão hilária da diretora Carla Camurati, no filme Carlota Joaquina?
Textos de diferentes livros didáticos também podem render uma boa discussão. Pode-se variar bastante, mantendo-se a ideia essencial da não aceitação imediata da informação recebida, do questionamento da ideologia que está por trás de qualquer versão da História.
Já na
página de downloads, disponibilizamos os seguintes textos:
"
Por que o Brasil foi diferente?", de Kenneth Maxwell
"
Ideias de Brasil: formação e problemas (1817 - 1850)", de Carlos Guilherme Mota

DICA
Você considera válido perguntar ao aluno sobre a interpretação com a qual ele mais se identifica? Que objetivos orientam essa questão?
Essa questão pode enriquecer o debate historiográfico desde que o aluno formule argumentos centrados no reconhecimento da metodologia do autor. Mas o que podemos fazer para não cair no "achismo" vazio, calcado em uma simples valoração negativa ou positiva das versões?
Além disso, seria importante também estar atento para o excesso de relativismo histórico, que esvazia por sua vez a discussão da plausibilidade das versões historiográficas.
Diante desses questionamentos, vamos refletir sobre a validade dessa questão no confronto de diferentes interpretações historiográficas?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Evolução humana.

Leia o texto abaixo:
Outra hipótese para a evolução humana
Capacidade de andar sobre dois membros seria herdada de ancestrais que viviam em árvores
A capacidade de andar apenas sobre os dois membros posteriores, característica que diferencia o homem dos outros primatas, tem sua origem geralmente associada a ancestrais que caminhavam no solo sobre quatro patas. Porém, pesquisadores das universidades de Birmingham e Liverpool (Inglaterra) concluíram que o bipedalismo pode ser herança de antepassados ainda mais antigos e que se moviam em galhos. O grupo levantou a hipótese, apresentada em artigo da Science desta semana, após verificar semelhanças na forma de se locomover de orangotangos selvagens da ilha de Sumatra (Indonésia), que passam a maior parte de sua vida em árvores, e dos humanos.
A hipótese mais aceita para a evolução dos primatas diz que os ancestrais de chimpanzés, gorilas e homens teriam descido das árvores para ocupar o solo utilizando ainda os quatro membros para caminhar. Só então o homem teria passado a usar apenas os membros inferiores nessa tarefa. Porém, ao observarem, por cerca de um ano, a postura e os movimentos dos orangotangos em sua rotina, os cientistas ingleses perceberam que a forma de caminhar do homem tem mais semelhanças com as características desenvolvidas por esses animais para se locomover em galhos finos e irregulares do que com a dos primatas considerados nossos ancestrais diretos.
Segundo os pesquisadores, essa nova teoria para a origem do bipedismo é reforçada por fatores históricos. Há cerca de 2 ou 3 milhões de anos, os primeiros ancestrais do homem ocupavam florestas, e não terrenos abertos ou de vegetação rasteira. Além disso, os membros inferiores desses antepassados mais remotos se adaptaram rapidamente à vida terrestre, enquanto seus membros superiores continuaram longos, o que facilitaria a locomoção em galhos. “Ambos os fatos são mais coerentes com a origem do bipedismo em primatas que se locomoviam entre árvores”, diz no artigo uma das realizadoras do estudo, a pesquisadora Susannah Thorpe, da Escola de Biociências da Universidade de Birmingham.
Thorpe explica que nossos ancestrais que habitavam as florestas usavam os braços somente para se balançar entre os galhos, o que lhes trazia inúmeros benefícios. Embora os orangotangos tenham refinado suas habilidades de locomoção com o passar do tempo, o estudo mostrou que o bipedismo teria permitido que os animais se movessem mais facilmente nos mais variados tipos de galhos, o que não acontece com os quadrúpedes.
A pesquisa sugere que, ao descerem das árvores, devido à mudança de clima que dificultou a vida na floresta, os mais antigos antepassados dos homens mantiveram sua forma de andar e passaram a obter sua comida do chão ou de pequenas árvores. Por sua vez, os ancestrais de chimpanzés, gorilas e outros primatas desenvolveram um modo específico de se locomover, apoiando os membros anteriores no chão, para atravessar de uma árvore para outra.
Segundo os pesquisadores, o estudo fornece motivos para que se deixe de lado a dúvida sobre como o homem se tornou bípede, apesar de ainda não haver provas concretas. “Na diversificação da locomoção, foram os primatas do grupo dos chimpanzés, gorilas e seus ancestrais que inovaram; os homens e seus antepassados conservaram as características."
Rodrigues, João Gabriel. Ciência Hoje On-line. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br

Sobre o texto e a postura bípede acima, responda:
a) Quanto à origem da bipedia nos humanos, apresente as duas possíveis hipóteses apresentadas pelos pesquisadores em evolução humana.
b) Explique por que possuir uma postura bípede pode facilitar o deslocamento de um animal por entre as árvores.
c) Explique por que dentro de um raciocínio evolutivo não se pode afirmar que a postura bípede surgiu com o objetivo de liberar as mãos para carregar e manipular objetos.

Fonte da atividade:http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index.aspid_projeto=27&ID_OBJETO=61832&tipo=ob&cp=000000&cb=

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Em Ouro Preto, Laurentino Gomes diz não escrever para historiadores

Escritor e jornalista participou do Fórum das Letras.
Depois de ‘1808’ e ‘1822’, o autor prepara a obra ‘1889’.
Raquel Gondim Do G1 MG
O escritor e jornalista paranaense Laurentino Gomes, autor dos best-sellers ‘1808’ e ‘1822’, participou do Fórum das Letras, em Ouro Preto (MG). Ele falou sobre o papel do escritor em ampliar o acesso à informação e do modo como ele associa o jornalismo e a História. Para Gomes, o sucesso de ‘1808’ e ‘1822’, que retratam, respectivamente, a fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil e o processo de independência brasileiro, se deve ao interesse da sociedade em acompanhar de forma leve e acessível os fatos que marcaram o passado do país. “Uso elementos pitorescos e, às vezes, engraçados para conduzir o leitor a um mergulho mais profundo à sua própria história”, justificou. O autor disse que encara de maneira natural as críticas de alguns historiadores. “Tenho que aprender a conviver com isso. Para algumas pessoas, gera desconforto um jornalista escrever um livro de história que vira best-seller”, comentou. Apesar disso, o escritor disse que, de maneira geral, as obras têm sido bem recebidas entre os historiadores. “Eles estão sendo mais generosos do que eu podia imaginar. Pelo menos em público”, salientou. “Porém, o sucesso no Brasil ainda é muito mal visto”, continuou. Gomes diz que escreve “livros-reportagens de História” e classifica o jornalista como um “historiador do dia a dia”. Para ele, é uma tendência que profissionais de diferentes áreas usem meios acessíveis para transportar suas especialidades ao grande público. “O Drauzio Varella faz isso com a medicina, a Márcia Tiburi com a filosofia e a Ana Beatriz Barbosa Silva fez o mesmo com a psiquiatria ao escrever 'Mentes perigosas'', citou.
Ele destacou o interesse em atingir um público generalizado, a partir de uma linguagem compreensível para todos. “Eu não escrevi os dois títulos para historiadores, mas sim para professores que buscam uma maneira de chamar a atenção dos alunos e para a sociedade em geral”, enfatizou. Conforme ele, este é o mesmo propósito que o impulsionou a começar suas pesquisas para redigir o livro ‘1889’, sobre o Segundo Reinado e a Proclamação da República, seu próximo lançamento. Depois da trilogia, o escritor pretende produzir uma biografia de Dom Pedro I, porém, destacou que há um longo caminho até estar pronto para o gênero. “Teria que mudar a minha forma de trabalho e me dedicar às fontes primárias”, explicou. “Seriam anos de pesquisas no arquivo público”, apontou. O autor comentou sobre como a história e seus personagens se transformam com o passar do tempo, de acordo com o modo que as gerações atuais enxergam as anteriores. “O passado é modificado para atender o presente”, resumiu.

Fonte:http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2010/11/em-ouro-preto-laurentino-gomes-diz-nao-escrever-para-historiadores.html

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O ENEM e à indústria do vestibular

Nicolelis: Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo
por Conceição Lemes

Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.
Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões submeteram-se às provas. O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas. Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.
No teste do sábado, ocorreram dois erros distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.
O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.
“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”
Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação para bolsa do PRO-UNI.
“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte.
“Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura! Como jornalistas que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!
Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (Standart Admissions Test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Entrevista:
Viomundo — De um total de 3,4 milhões de provas aplicadas no sábado, houve problema incontornável em menos de 2 mil. Tem sentido detonar o Enem, como a mídia brasileira tem feito? E dizer que o Enem fracassou, como um ex-ministro da Educação anda alardeando?
Miguel Nicolelis — Sinceramente, de jeito algum — nem um nem outro. O Enem é equivalente ao SAT, dos Estados Unidos. A metodologia usada nas provas é a mesma: a teoria de resposta ao item, ou TRI, que é uma tecnologia de fazer exames. Ela foi criada há 100 anos e está em uso desde a década de 50. Curiosamente, em outubro de 2005, entre as milhões de provas impressas, algumas tinham problema na barra de códigos onde o teste vai ser lido. A entidade que faz o exame não conseguiu controlar, porque esses erros podem acontecer.

Viomundo — A Universidade de Duke utiliza o SAT?
Miguel Nicolelis — Não só a Duke, mas todas as grandes universidades americanas reconhecem o SAT. É quase um consenso nos Estados Unidos. Apenas uma minoria é contra. E o Enem, insisto, é uma adaptação do SAT, que é uma das melhores maneiras de avaliação de conhecimento do mundo. O teste é a melhor forma de avaliar uniformemente alunos submetidos a diferentes metodologias de ensino. É a saída para homogeneizar a avaliação de estudantes provenientes de um sistema federativo de educação, como o americano e o brasileiro, onde os graus de informação, os métodos, as formas como se dão, são diferentes.

Viomundo — Qual a periodicidade do SAT?
Miguel Nicolelis – Aqui, o exame é aplicado sete vezes por ano. O aluno, se quiser, pode fazer três, quatro, cinco, até sete, desde que, claro, pague as provas. No final, apenas a melhor é computada. Vários estudos feitos aqui já demonstraram que o SAT é altamente correlacionado à capacidade mental geral da pessoa.
Todo ano as provas têm uma parte experimental. São questões que não contam nota para a prova. Servem apenas para testar o grau de dificuldade. Outro peculiaridade do sistema americano é a forma de corrigir a prova. É desencorajado o chute.

Viomundo — Explique melhor.
Miguel Nicolelis — Resposta errada perde ponto, resposta em branco, não. Por isso, o aluno pensa muito antes de chutar, pois a probabilidade de ele errar é grande. Então se ele não sabe é preferível não responder do que correr o risco de responder errado.

Viomundo – Interessante …
Miguel Nicolelis – Na verdade, o SAT é a maneira mais honesta, mais democrática de avaliar pessoas de lugares diferentes, com sistemas educacionais diferentes, para tentar padronizar a forma de ingressar na universidade. Aqui, nos EUA, a molecada faz o exame e manda para as faculdades que quer frequentar. E as escolas decidem quem entra, quem não entra. O SAT é um dos componentes para essa avaliação. Dela fazem parte, notas ao longo da vida acadêmica, redação, entrevista…

Viomundo — Nos EUA, tem cursinho para entrar na faculdade?
Miguel Nicolelis — Tem para as pessoas aprenderem a fazer o exame, mas não é aquela loucura da minha época. Era cheio de cursinho para todo lugar no Brasil. Cursinho é uma máquina de fazer dinheiro. Não serve para nada a não ser para fazer o exame. Por isso ouso dizer: só os donos de cursinho e aqueles que não querem democratizar o acesso à universidade podem ter algo contra o Enem.

Viomundo –Mas o fato de a prova ter erros é ruim.
Miguel Nicolelis — Concordo. Mas os erros vão acontecer. Em 1978, quando fiz a Fuvest (vestibular unificado no Estado de São Paulo), teve pergunta eliminada, pois não tinha resposta. Isso acontece desde o tempo em que havia exame para admissão [ao primeiro ginasial, atualmente 5ª série do ensino fundamental) na época das cavernas (risos). Você não tem exame 100% correto o tempo inteiro.
Então, algumas pessoas estão confundindo uma metodologia bem estudada, bastante conhecida e aceita há décadas, com problemas operacionais que acontecem em qualquer processo de impressão de milhões de documentos. Na dimensão que aconteceu no Brasil está dentro das probabilidade de fatalidades.

Viomundo -- Em 2009, também houve problema, lembra-se?
Miguel Nicolelis -- No ano passado foi um furto, foi um crime. O MEC não pode ser condenado por causa de um assalto, que é uma contingência e nada tem a ver com a metodologia do teste.
Só que, infelizmente, gerou problemas operacionais para algumas universidades, que não consideraram a nota do Enem nos seus vestibulares. Isso não quer dizer que elas não entendam ou não aceitam o teste. As provas do Enem são muito mais democráticas, mais racionais e mais bem-feitas do que os vestibulares de qualquer universidade brasileira.
Eu fiz a Fuvest. Naquela época, era um lixo na época em que eu fiz. Não media nada. E, ainda assim, a gente teve de se sujeitar àquilo, para entrar na faculdade a qualquer custo.

Viomundo -- Fez cursinho?
Miguel Nicolelis -- Não. Eu tive o privilégio de estudar numa escola privada boa. Mas muitas pessoas que não tinham educação de alto nível eram obrigadas a recorrer ao cursinho para competir em condições de igualdade.
Mas o cursinho não melhora o aprendizado de ninguém. Cursinho é uma técnica de aprender a maximizar a feitura do exame. É quase um efeito colateral do sistema educacional absurdo que até recentemente tínhamos no Brasil. É um arremedo. É um aborto do sistema educacional que não funciona.

Viomundo -- Qual a sua avaliação do Enem?
Miguel Nicolelis -- É um avanço tremendo. Você retira o estresse do vestibular. Na minha época, e isso acontece muito ainda hoje, o jovem passava os três anos esperando aquele "monstro". De tal sorte, o vestibular transformava o colegial numa câmara de tortura. Uma pressão insuportável. Um inferno tanto para os meninos e meninas quanto para as famílias. Além disso, um sistema humilhante, porque as pessoas que podiam frequentar um colégio privado de alto nível sofriam com o complexo de não poder competir em pé de igualdade. Por isso os cursinhos floresceram e fizeram a riqueza de tanta gente, que agora está metendo o pau no Enem. Evidentemente vários interesses estão sendo contrariados devido ao êxito do Enem.

Viomundo -- Tem muita gente pixando, mesmo.
Miguel Nicolelis -- Todo esse pessoal que pixa acha que sabe do que está falando. Só que não sabe de nada. Exame educacional não é jogo de futebol. Tem metodologia, dados, história. E olha que eu adoro futebol. Sempre que estou no Brasil, vou ao estádio para assistir aos jogos do Palmeiras [Ninguém é perfeito (rs)!] O Brasil fez muito bem em entrar no Enem. É o único jeito de acabar com esse escárnio, com essa ferida que é o vestibular.

Viomundo — Nos EUA, não há vestibular para a universidade. O senhor acha que o Brasil seguirá essa tendência?
Miguel Nicolelis -- Acho que sim. O importante é o seguinte. O Brasil está tentando iniciar esse processo. Quando você inicia um processo dessa magnitude, com milhões fazendo exame, é normal ter problemas operacionais de percurso, problemas operacionais. Isso faz parte do processo.
Nós estamos caminhando para o Enem ser a moeda de troca da inclusão educacional. As crianças vão aprender que não é porque elas fazem cursinho famoso da Avenida Paulista que elas vão ter mais chance de entrar na universidade. Elas vão entrar na universidade pelo que elas acumularam de conhecimento ao longo da vida acadêmica delas. Elas vão poder demonstrar esse conhecimento sem estresse, sem medo, sem complexo de inferioridade. De uma maneira democrática.E, num futuro próximo, tanto as crianças de escolas privadas quanto as de escolas públicas vão começar a entrar nesse jogo em pé de igualdade. Aí, sim vai virar jogo de futebol.
Futebol é uma das poucas coisas no Brasil em que o mérito é implacável. Joga quem sabe jogar. Perna de pau não joga. Não tem espaço. O talento se impõe instantaneamente.
Educação tem de ser a mesma coisa. O talento e a capacidade têm de aflorar naturalmente e todas as pessoas têm de ter a chance de sentar na prova com as mesmas possibilidades.

http://www.viomundo.com.br/entrevistas/nicolelis-so-no-brasil-educacao-e-discutida-por-comentarista-esportivo.html

Rudá Ricci: Enem sofre ofensiva de interesses ligados à indústria do vestibular

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofre uma ofensiva de interesses, segundo o sociólogo e consultor na área de educação Rudá Ricci. Ele enumera grupos e setores do que chama de “indústria do vestibular”, de cursos preparatórios a docentes encarregados de formular as provas. Para ele, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional.

“Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional”, esclarece. Um vestibular nacional do ponto de vista da aplicação e do conteúdo promove um impacto no ensino médio, de modo a reverter problemas dessa faixa da educação.
Para ele, os vestibulares descentralizados, feitos por cada universidade, provocam danos à educação, já que o ensino médio e mesmo o fundamental direcionam-se às provas, e não à formação em sentido mais amplo. “O ensino médio é o maior problema da educação no Brasil, é o primeiro da lista, com mais evasão, em uma profunda falência”, sustenta.
“O Enem faz questões interdisciplinares, é absolutamente técnico, é super sofisticado”, elogia. Os méritos estariam em privilegiar o raciocínio à memorização de conteúdos. Isso permitiria que o ensino aplicado nas escolas fosse além do preparo para enfrentar provas de uma ou outra universidade.
O Enem traz uma “profunda revolução”, na visão de Rudá, “ao combater profundamente a concepção pedagógica e política de vestibulares por universidade”. Ao se aproximar dessa concepção nacional – fato que aconteceu apenas nos últimos anos –, interesses de grupos educacionais foram colocados em xeque, o que desperta ações contrárias.
Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vestibular.
Controle social
Ricci critica a postura do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, e da ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. O sociólogo taxa os comentários feitos pelos especialistas ligados ao PSDB como “oportunismo”. Isso porque, segundo ele, o uso da prova como seleção e seu caráter nacional, hoje criticados pelos tucanos, foram objetivos perseguidos durante a gestão de Renato na pasta, de 1995 a 2002.
O que ele considera como mudança de postura é resultado da disputa política, que faz com que os estudantes passem a rejeitar o exame. “Os jovens não querem mais essa bagunça. E têm razão”, pontua.
“Existe uma movimentação para politizar esse tema; vamos ter o avanço de uma oposição organizada, que junta as forças políticas que perderam a eleição nacional com escolas particulares, cursinhos que têm muito interesse na manutenção do sistema de vestibular”, avalia.
O sociólogo defende o modelo de exame nacional, mas acredita que a fórmula possa ser aprimorada, seja com mais dias de provas, seja com provas aplicadas a cada ano do ensino médio. Ele aponta ainda que houve um desvirtuamento da proposta interdisciplinar e sofisticada, empregada originalmente, em função da necessidade de expandir a prova. Em 2010, foram 4,6 milhões de inscritos.
Ele acredita que a postura de críticas deve-se às diferenças partidárias. “Estão politizando o Enem, politizando o ingresso na universidade e o conteúdo da prova”, lamenta. “Seria interessante ter um órgão que execute o exame sob controle social, não de governo, nem de empresas”, sugere.
“A solução é nós discutirmos nacionalmente esse gerenciamento em um modelo como o americano para o vestibular nacional”, defende. O SAT, usado como método de seleção nos Estados Unidos, é aplicado por agentes privados de modo controlado pelo departamento de educação federal. Além de poder ser aplicado em dias diferentes, cartas de recomendação de professores e outros instrumentos também são considerados na seleção por parte de universidades.

De: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ruda-ricci-enem-sofre-ofensiva-de-interesses-ligados-a-industria-do-vestibular.html

Fonte: http://boletimdehistoria-ricardo.blogspot.com/ Número 253


domingo, 14 de novembro de 2010

Resenha, 1822

1822, Laurentino Gomes. Ed. Nova Fronteira.
O livro 1822 desconsidera investigações e questionamentos que há mais de 30 anos vêm sendo desenvolvidos e divulgados por centenas de pesquisadores brasileiros e portugueses sobre o tema da Independência, dos quais resultaram não só profunda ampliação dos conhecimentos sobre a época como a superação de interpretações correntes.
Dedicado a "professores de História no seu trabalho anônimo de explicar as raízes de um país sem memória", o livro banaliza Saiba a versão mais conservadora e simplificada das complexas circunstâncias nas quais foram delineadas a separação de Portugal e a fundação do Império do Brasil. O fio condutor da narrativa é, aparentemente, a vida de D. Pedro. Entretanto, para fazer uma "reportagem" e contar como o Brasil conseguiu "manter a integridade de seu território e se firmar como nação independente", o autor se fundamentou em duas premissas: para ele, a
Independência foi produto de "sorte, acaso, improvisação", pois a desorganização interna era tamanha que só um "milagre" faria "dar certo" um país "que tinha tudo para dar errado"; desta forma, as decisões cruciais só poderiam ser tomadas por estrangeiros e portugueses -uma princesa austríaca, um militar mercenário inglês, D. Pedro, os deputados das Cortes em Lisboa e um "homem sábio", José Bonifácio, inspirado pelos padrões europeus. Como o próprio autor afirma, o livro é um "mosaico" de personagens e episódios, mas não está livre de equívocos: na cronologia, por exemplo, 12 de outubro de 1823 aparece como data do fechamento da Assembleia Constituinte pelo imperador, quando o correto é I2 de novembro.
Os capítulos não formam propositadamente uma sequência, havendo idas e vindas no tempo e no espaço, e, além disso, a composição do texto pressupõe que a História seja um grande depósito de dados, que o observador arrebanha como quer, e com eles monta um tabuleiro manipulando fragmentos e dando-Ihes a fisionomia que considerar mais adequada ou palatável. A "técnica jornalística" que o autor diz adotar, contudo, não o inocenta do partido que tomou. O enredo apresentado - desmentido por obras que ele mesmo cita e pela literatura atualmente disponível -sugere que o voluntarismo de indivíduos comanda a História, que a sociedade brasileira, tanto no passado quanto no presente, é incapaz de se autogovernar, e que ainda estão por nascer o povo e a nação brasileiros. Edições como esta disparam, sobretudo, um alerta: não educam, desinformam, são conformistas e encontram espaço nos
meios de comunicação.
CECÍLIA HELENA DE SALLES OLIVEIRA É DIRETORA DO MUSEU PAULISTA EPROFESSORA DA USP.
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano 6, n° 62, novembro de 2010. p. 92.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

UMA PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A SALA DE AULA

“Toda vez que um segredo é descoberto, refere-se a um outro segredo num movimento progressivo rumo a um segredo final. Entretanto, não pode haver um segredo final.”
(Umberto Eco)

A sala de aula, espaço por todos chamado de minha, é onde nós nos realizamos.
Em um belo dia nela pela primeira vez entramos. Deslumbrados ficamos. O espaço tão sonhado que nos apontava a um mundo novo, a ser conquistado, a ser desnudado.
Avançamos por esse espaço com as lições que ali nos foram ensinadas. As pedras postas no caminho da vida foram, aos poucos, sendo retiradas com as ferramentas que nos deram dentro da sala de aula.
Outras ferramentas buscamos fora da sala de aula.
Admirávamos aquela pessoa meiga que de tudo sabia, a qual aprendemos a chamar de Tia mesmo sem sermos parentes. Depois de Professora pelas lições passadas. Olhávamos a pessoa meiga com o temor de ser castigado, ou de levarmos alguma “encomenda” direcionada a nossa mãe. Geralmente um pequeno pedaço de papel contendo o que havíamos feito naquela manhã ou tarde. Não sabíamos se era pior carregar o bilhete, escondê-lo, ou cumprir com a obrigação de entregá-lo a Mamãe arcando com as conseqüências do escrito.
Passavam os anos e nós passávamos de ano. Que felicidade. Estávamos na série seguinte. Sentíamos-nos adultos. Homens feitos.
Passavam as férias, viam as aulas.
Lá estávamos nós de volta ao nosso espaço: a sala de aula. Diferente este ano! Não havia em sua parede aqueles cartazes feitos por nós no ano que havia findo. Pelo contrário, eram paredes secas. Não tínhamos mais a professora meiga e o medo do castigo, ou do bilhete. Havia um monte de medos sem bilhetes: eram vários professores e professoras. O medo se multiplicava na proporção do aumento da responsabilidade. A cobrança em casa crescia.
Os grupos de amigos continuavam os mesmos, uma perda aqui ou ali sempre recuperada com uma nova contratação para recompor o elenco das brincadeiras. Havia aumentado o número de aulas junto com a quantidade de disciplinas. Haja tempo para estudar e estudar.
Surgiam os primeiros suspiros. Estes vinham acompanhados de grandes sonhos. Eram as fantasias do namoro nascendo em cada um. Logo se suspirava por uma, no ano seguinte por outra, porque a do ano anterior não tinha visto o suspiro, ou o tinha, simplesmente, ignorado.
Ano após ano aquele espaço chamado de sala de aula, agora minha classe, ia se tornando mais sério. Aumentava a idade, junto aumentava a cobrança paterna. Não mais existiam bilhetes para casa, íamos para casa com uma carta......de suspensão. Era na nossa mente a evolução: tínhamos saído do bilhete reclamatório à carta de suspensão. Alguns “evoluíram” demais: haviam recebido a Carta de Expulsão. Por um tempo cessávamos com as brincadeiras. Era o medo de evoluir mais um pouco.
Anos depois, sem que ninguém notasse, havíamos chegado ao 3º ano, do antigo científico, depois 3º ano do Ensino Médio. Deixemos as nomenclaturas de lado. Era a euforia de fazer o vestibular misturado a euforia de ter conquistado aquele suspiro de anos anteriores. O suspiro tinha virado namoro. Mas tínhamos de estudar para por à prova que a Tia, a Professora, os Professores e Professoras haviam feito o dever de classe, nos faltava fazer o de casa. Ou seja, eles e elas tinham nos ensinado. Passar no vestibular era dever nosso. Quem não passou por isso?
Minutos preciosos de televisão, de jogar bola, de namoro, foram trocados por horas a mais a frente dos livros, das apostilas e, agora com supervisão paternal.
Chegara o dia do exame vestibular. Antecedido que foi por um de angústia e uma noite de insônia. Saímos de casa para tentar um novo sonho: entrar em outra sala de aula. A sala de aula da Universidade. Cedo fomos acordados por uma mãe tensa, que na sua meiguice havia preparado algo leve para comermos antes de sair. A roupa passada nos esperava. Não podíamos sair tarde visto não poder chegar atrasado como nos dias de aula. Deixávamos uma família rezando e nos fazendo ter uma responsabilidade ainda maior. A única possível. Passar no vestibular. Claro que seria uma conquista nossa, mas faria todos da casa mais felizes.
Tensos escutamos pelo já antigo rádio, os nomes sendo lidos um a um, em ordem alfabética e por curso, por uma voz que não sabíamos de quem era. Nem chegava o curso para o qual tínhamos feito, nem chegava o nosso nome. Finalmente o locutor (palavra em desuso) falava em nosso curso. Os primeiros nomes aprovados, felicidades para muitos, tristeza para milhares. Festa em nossa casa. Festa na casa dos amigos. Mas havia alguém do grupo a não passar. Era um elo da corrente que ficava na estrada do tempo, que é a estrada da vida.
Choramos junto o ingresso na Universidade. Somente depois percebemos que todo aquele choro de felicidade, aquelas lágrimas de alegria, era a forma que a sala de aula a nos unir durante tanto tempo seria a mesma a nos separar. Havíamos ingressado na Universidade em cursos diferentes. Salas de aula diferentes. Olhamos-nos de repente: estávamos sós no meio de tanta gente. Esse era o sentimento compartilhado pelos velhos amigos de tantas salas de aula. No início do curso ainda conversávamos bastante. Com o tempo a nova sala de aula foi criando novos amigos, enquanto os velhos amigos tinham cada vez menos tempo para conversar. Eram trabalhos, provas, seminários. Eram novos grupos de amigos. A sala de aula do nosso futuro nos obrigava a conversar menos com nossos amigos de sempre.
Como é paradoxal essa sala de aula.
Era chegado o momento de glória da família. Havíamos terminado o curso universitário. Chegara o dia da aula da saudade, da colação de grau, do baile de formatura. Interessante, durante a aula da saudade se falou em saudade dos amigos feitos na Universidade. Não ouvimos falar dos outros amigos feitos na alfabetização.
Havíamos feito cursos na área de educação, mas basicamente licenciaturas.
Agora era chegada a hora de trabalhar. Trabalhar onde mesmo? Numa sala de aula.
Entrávamos em nossa primeira sala de aula como professores. Difícil dizer qual medo foi maior: o frio na barriga do profissional formado ou do menino que chorou para não ficar na sala de aula quando levado pela mãe.
Dilema nunca resolvido.
Mas estávamos realizados. Éramos profissionais. Éramos professores e agora tínhamos a nossa própria sala de aula.
Havíamos evoluído. De ocupantes de uma sala a proprietários de uma só para minha pessoa (e haja redundância para dizer que temos uma sala de aula).
A sala de aula é o espaço do homem. Do homem que se realizou. Pois todos os profissionais percorreram este caminho nestas linhas ditas. E mesmo aqueles que dizem não trabalhar em uma sala de aula – agradecendo a Deus, ainda por cima -, não sabem que vivem o tempo todo na maior sala de aula da alma humana: a vida.
Parabéns por sua existência sala de aula, obrigado por nos ensinar a viver.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEM CONCURSO FICA DIFÍCIL!!

SEM CONCURSO FICA DIFÍCIL!!
O cara termina o segundo grau e não tem vontade de fazer uma faculdade.
O pai, meio mão de ferro, dá um apertão:
- Ahh, não quer estudar? Bem, perfeito!
Vadio dentro de casa eu não mantenho. Então vai trabalhar!...
O velho, que tem muitos amigos, fala com um deles, que fala com outro, até que ele consegue uma audiência com um político que foi seu colega lá na época de muito tempo atrás:
- Rodriguez, meu velho amigo!...
Tu te lembra do meu filho? Pois é! Terminou o segundo grau e anda meio à toa, não quer estudar...
Será que tu não consegue nada pro rapaz não ficar em casa vagabundeando?
Aos 3 dias, Rodriguez liga:
- Zé, já tenho! Assessor na Comissão de Saúde no Congresso, R$ 9.000,00 por mês, prá começar.
- Tu tá louco!!!!! O guri recém terminou o colégio, não vai querer estudar mais, consegue algo mais abaixo...
Dois dias depois:
- Zé! Secretário de um deputado, salário modesto, R$ 5.000,00, tá bom assim?
- Nãooooo, Rodriguez! Algo com um salário menor, eu quero que o guri tenha vontade de estudar depois....
Consegue outra coisa.
- Olha Zé, a única coisa que eu posso conseguir é um carguinho de ajudante de arquivo, alguma coisa de informática, mas aí o salário é uma merreca, R$ 2.800,00 por mês e nada mais....
- Rodriguez, isso não, por favor, alguma coisa de 500, 600, prá começar.
- Isso é impossível, Zé!!!
- Mas, por que???
- PORQUE ESSES SÃO POR CONCURSO, PARA PROFESSOR, PRECISA TÍTULO SUPERIOR, MESTRADO ETC.... É DIFÍCIL...

Fonte: http://www.raquelrfc.com/2010/11/sem-concurso-fica-dificil.html