Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

domingo, 25 de abril de 2010

História - Aula 14 (2 de 2)




Continuação da aula anterior.

História - Aula 14 (1 de 2)






Nesta teleaula você conhecerá o feudalismo. Entenderá porque, durante esse modo de organização social, a Europa perdeu a noção de Estado, se dividindo em muitos reinos. Além disso, aprenderá que na Idade Média a Igreja Católica era o maior poder organizado que existia e que as Cruzadas foram expedições militares organizadas pelos papas para conquistar a Terra Santa: a Palestina.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

História - Aula 11 (2 de 2)

O Império Carolíngio e a Idade Média

Material complementar em vídeo e texto sobre a formação do feudalismo. Este material se relaciona com as primeiras aulas da 5ª série (6° Ano) - Livro Volume 2. Assista ao vídeo e leia o texto e venha preparado para as aulas ou utilize como material de revisão.
Os objetivos dessas aulas são:
► Compreender a origem do feudalismo;
► Caracterizar o feudo como elemento fundamental para o estabelecimento das relações de suserania e vassalagem.
As aulas 14 (1 e 2) completam essa aula (n°11-2)


Império Carolíngio - origens
Das bases da dinastia Merovíngia a Carlos Martel
Gilberto Salomão*Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
O reino que deu origem à França atual nasceu da invasão dos francos, um dos vários povos bárbaros germânicos que, a partir do século 4, penetraram no espaço do antigo Império Romano do Ocidente.Desde o final do século 3 a historiografia registra ações de pirataria dos francos na costa do Mar do Norte, adentrando regiões da Gália romana. Incapaz de detê-los, vivendo um processo de enfraquecimento, o Império Romano havia estabelecido acordos com eles, admitindo-os dentro de seu território, chegando mesmo a conceder, a alguns chefes guerreiros francos, postos de comando no exército, como Merobaudo, que se tornou general do imperador Valentiniano.A intensificação das invasões bárbaras e o conseqüente enfraquecimento definitivo do império abriram espaço para que todas as regiões da Gália fossem sendo ocupadas pelos francos. Coube a um chefe legendário, chamado Meroveu, impor-se sobre os demais chefes francos, estendendo sua hegemonia sobre toda a Gália. Tal poder, entretanto, não foi aceito sem reação dos demais chefes. Foi somente o neto de Meroveu, chamado Clóvis, que conseguiu impor, no final do século 5, sua autoridade efetiva sobre todos os demais chefes, sendo reconhecido como o primeiro rei dos francos. Sua origem, enquanto neto de Meroveu, que teria dado início a esse processo de unificação, deu nome à dinastia por ele fundada, a mais antiga dinastia monárquica da França: a merovíngia.
Conversão ao cristianismo
A unificação das terras ocupadas pelos francos sob o poder de Clóvis só foi obtida em função de um dado fundamental para que se compreenda a própria natureza do reino franco e sua importância ao longo da Idade Média. O povo franco, notadamente Clóvis, foi o primeiro entre os povos germânicos a compreender que seria impossível sua fixação nas regiões do antigo Império Romano sem o apoio - ou ao menos a aceitação - das populações nativas, majoritárias em termos numéricos. Para obter essa aceitação, Clóvis viu-se obrigado a compor politicamente com uma das poucas instituições remanescentes do império, a qual já detinha uma forte ascendência sobre grande parte de sua população: a Igreja Católica.A mitologia cristã salienta um episódio no qual Clóvis teria tido um sonho, decisivo para sua conversão ao cristianismo. O que existe de fato é a certeza de que a conversão de Clóvis ao cristianismo, em 496, e a conseqüente aliança que ele estabeleceu com a Igreja, foi, essa sim, decisiva para a afirmação de sua autoridade. Foi a partir do apoio da Igreja e dos cristãos da Gália que Clóvis pôde derrotar os demais guerreiros francos, impondo-se como rei.
Organização social dos povos germânicos
Entretanto, a partir daí, uma série de características dos povos germânicos foram decisivas para que a monarquia não conseguisse manter um mínimo de centralização efetiva ao longo das décadas seguintes. Mas para uma melhor compreensão dessa situação temos de, primeiramente, compreender a forma original de organização desses povos. As sociedades germânicas haviam evoluído de uma estrutura tribal para a formação de agrupamentos guerreiros, centrados na figura de um chefe que comanda guerreiros livres, os quais se submetem por vontade própria à autoridade daquele que é reconhecido como o indivíduo com maiores condições de comandá-los. Sendo fundamentalmente guerreiros, seus vínculos eram basicamente militares. Não conhecendo uma estrutura institucional de Estado, esses vínculos assumiam um caráter estritamente pessoal, forjado em juramentos de fidelidade e obediência por parte dos guerreiros, em troca da proteção que lhes era concedida pelo chefe. Essa forma de organização chamava-se comitatus, ou grupo de guerra, e teve importante influência na formação da sociedade feudal.A necessidade militar, ligada às conquistas que fazem parte do processo de destruição do Império Romano, levou a um processo de organização desses agrupamentos guerreiros. Longe de um Estado, tal como é concebido atualmente, o que se formou, de um modo geral, foi uma autoridade central, fundamentalmente militar, caracterizando um poder que, em termos genéricos, chamamos de "monárquico". Entretanto, esse poder real era exercido com fortes limitações, submetido ao prestígio pessoal do monarca e à Assembléia de Guerreiros, detentora, em última análise, do poder efetivo.A manutenção desse princípio pessoal de relacionamento faz com que o vínculo entre o rei e os chefes guerreiros mantenha as mesmas características herdadas do comitatus. Os guerreiros submetem-se ao rei pelos mesmos juramentos de fidelidade e obediência, enquanto o rei se obriga a garantir proteção e comando militar.
Bases da nobreza feudal
Esses traços mesclam-se a um aspecto econômico comum aos vários povos germânicos: o fato de terem na agricultura sua atividade básica, sendo o comércio praticamente desprezível. Assim, a questão militar assumiu um papel de sobrevivência cotidiana, ligada à defesa da terra geradora do alimento do qual eles necessitavam. Mais que isso, os chefes guerreiros, num processo de conquista, assumiam uma condição de conquistadores da própria possibilidade de sobrevivência, o que colocava as massas de trabalhadores não guerreiros sob sua direta dependência. Com isso, criou-se uma situação na qual a posse da terra articulou-se necessariamente à capacidade de defendê-la, relegando a massa de não guerreiros à condição de trabalhadores braçais, produtores do alimento em troca da terra e da proteção recebida. Essa relação gerou uma nítida diferenciação social, entre aqueles que trabalham e aqueles que guerreiam, constituindo estes últimos uma elite social e econômica, detentores da terra e do que havia de força militar. Estavam lançadas as bases para a constituição da nobreza feudal.
Descentralização política
Por outro lado, as relações entre esses guerreiros e as autoridades superiores também se fundaram nessas mesmas necessidades e princípios. Considerando-se o rei como autoridade militar suprema, sua condição, em última análise, é a de detentor de todas as terras. Para efetivar a defesa, ele concedia a outros chefes guerreiros o comando de parte dessas terras, além da proteção, mas exigindo, em troca, um juramento de fidelidade, obediência e serviço militar às necessidades do rei. Supondo-se que esse juramento inclua, apenas como um exemplo, que este chefe militar apresente-se ao rei com o auxílio de um determinado grupo de guerreiros armados, ele terá de ter esses guerreiros submissos a ele, da mesma forma que ele é submisso ao rei. Daí a necessidade de ceder-lhes parte de suas terras - e assim sucessivamente.Com isso, criou-se uma estrutura de verticalização das relações políticas e militares. No topo da hierarquia encontra-se o rei, vinculado a chefes guerreiros, os quais se vinculam a outros e assim por diante, num processo cujo efeito final é o estabelecimento de inúmeros domínios pessoais sempre submetidos a uma autoridade superior. Foram esses vínculos que deram origem às relações de suserania e vassalagem, base fundamental das relações entre a nobreza medieval. O próprio Clóvis dividiu o reino em províncias às quais ele o deu nome de condados, nomeando nobres guerreiros, condes, para administrá-las. Com isso, verificou-se uma tendência à descentralização política, tendência essa que se acentuou nas décadas seguintes.Outro aspecto a ser considerado é que, com base no velho costume, segundo o qual o rei é o detentor de todas as terras, o reino passava a ser considerado um bem pessoal, passível de herança como qualquer outro bem. Assim, era natural que o rei dividisse seus domínios entre seus filhos, quando se aproximava da morte.
Os major domus e as invasões islâmicas
O hábito franco de que o herdeiro fosse coroado aos 12 anos de idade, portanto ainda inexperiente para governar, levou ao surgimento dos Administradores do Palácio, ou Prefeitos do Palácio, os Maires du Palais, uma espécie de primeiro-ministro, oriundos de ricas famílias aristocráticas e homens fortes do poder real. Esse título, já num momento posterior, em que a herança da influência romana voltou a ser forte, passou a ser conhecido em sua forma latina: major domus.Dessa forma, tendo seu poder esvaziado pela dispersão entre os chefes locais e pela autoridade crescente dos major domus, o poder do rei tendeu a se tornar meramente decorativo, tanto que os últimos reis merovíngios ficaram conhecidos pela designação de reis indolentes. Seu poder era meramente formal, como chefe militar supremo, condição que numa época de paz não lhe granjeava qualquer autoridade efetiva. Ao mesmo tempo, ao manter vínculos com a nobreza guerreira, coletar tributos e controlar o pouco que havia de administração do reino, o major domus passava a ser a autoridade efetiva. Tal situação atingiu seu ponto mais agudo nas primeiras décadas do século 8, tendo como elemento impulsionador a invasão árabe sobre o território franco.Como sabemos, impulsionados pela religião islâmica, os árabes haviam iniciado, desde o século 7, um amplo processo de conquistas. Contando com a decadência dos impérios Persa e Bizantino, e com a fragilidade dos reinos bárbaros - descentralizados no sul da Itália, no norte da África e na península Ibérica -, os muçulmanos conseguiram, num intervalo de um século após a morte de Maomé, conquistar um gigantesco domínio, que culminou com a conquista da península Ibérica, em 711. A partir daí, o alvo inevitável seria o reino Franco, situado logo a norte. A liderança dos exércitos francos contra os árabes coube, no entanto, não ao rei, mas sim ao major domus Carlos Martel.
Império Carolíngio - apogeu e declínio
Pepino, Carlos Magno e as invasões bárbaras
Gilberto Salomão*Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
A ascensão de Carlos Martel ao cargo de major domus já evidenciara uma situação de dualidade de poder na França. Embora, em princípio, tal cargo fosse uma indicação real, seu pai, Pepino de Heristal, havia conseguido impor seu nome como sucessor, tornando o cargo hereditário, numa estrutura de poder paralelo ao poder monárquico.De qualquer modo, foi sob o comando de Carlos Martel, e sua inequívoca liderança sobre os guerreiros francos, que estes conseguiram derrotar os árabes na batalha de Poitiers, em 732.A vitória teve múltiplos significados para o reino franco. Em primeiro lugar, ela consolidou a aliança entre os francos e a Igreja Católica, já que foram eles os únicos capazes de deter os infiéis que ameaçavam a Cristandade. Em segundo lugar, efeito básico da guerra para um povo germânico, verificou-se um fortalecimento da autoridade central, com a nobreza guerreira unida em torno de um comando centralizador. Por outro lado, lembramos que esse comando está nas mãos não de um rei formal, mas sim de seu major domus, cujo poder, prestígio e liderança sobre a nobreza suplantavam em muito o poder do rei.
Pepino, o BreveFoi o filho de Carlos Martel - chamado de Pepino, o Breve - quem representou a conclusão desse processo. Alegando ser portador de sangue real (afirmava ser filho de Carlos Martel com a rainha Batilde) e contando com o apoio dos nobres e da Igreja, ele depôs o último rei merovíngio, Childerico 3º, e fez-se coroar rei da França no ano de 751. Surgia aí uma nova dinastia, chamada de carolíngia, pelo fato de se originar em Carlos Martel.Foi durante o reinado dos reis carolíngios que os francos atingiram o apogeu de seu poder na Europa. Pepino ampliou a aliança que existia, desde Clóvis, entre os francos e a Igreja. O elemento mais forte dessa ampliação foi a luta movida por Pepino contra os lombardos, que ameaçavam Roma. Detentores de domínios ao norte da Itália, os lombardos, um dos povos germânicos que havia invadido as terras do Império Romano durante o século 5, vinham penetrando cada vez mais para o centro da península, ameaçando Roma e, conseqüentemente, a Igreja. O próprio papa, Estevão 2º, ante o risco de invasão de Roma, fora forçado a se exilar na França. Foi ali que ele coroou Pepino, o Breve como rei dos francos. Foi com apoio militar dos francos que o papa pôde retornar a Roma, com a derrota do rei dos lombardos, Astolfo, e com a Igreja tendo suas propriedades restituídas. Três anos depois, entretanto, Astolfo voltou a atacar Roma. Pepino, o Breve ordenou nova invasão da Itália, derrotando definitivamente os lombardos. Como resultado, os lombardos cederam os territórios de Ravena e de Pentápolis a Pepino, que, juntando-os ao ducado de Roma, doou ao papa Paulo 1º, que substituíra Estevão 2º, originando o Patrimônio de São Pedro, ou Estados Pontifícios.A ação de Pepino, o Breve foi decisiva para a ampliação dos domínios francos. A irreversível aliança estabelecida com o papado foi o fator de justificação ante os fiéis para que aceitassem a dominação franca. Tanto que as conquistas francas, ampliadas de modo drástico no reinado do filho de Pepino, o Breve, Carlos Magno, foram todas elas obtidas com o apoio da Igreja.
Renascimento CarolíngioCarlos Magno assumiu o trono em 768. Empenhou-se em expandir seus domínios, anexando o norte da Itália, em mãos dos lombardos, submetendo a Saxônia, a Baviera e a Bretanha, estabelecendo o controle franco sobre o nordeste da península Ibérica, derrotando os ávaros e obtendo a submissão de boêmios, morávios e croatas. Fez do Reino Franco a mais extensa unidade administrativa da Europa ocidental.Todas essas conquistas foram feitas, repetimos, tendo a Igreja como principal avalizadora e justificadora. Essa condição consolidou-se definitivamente quando, na missa de natal de 800, o papa Leão 3º coroou Carlos Magno Imperador dos Romanos. O título tinha uma conotação essencialmente religiosa, significando o imperador daqueles que seguiam a religião de Roma. Entretanto, acabou assumindo um significado muito maior, de uma ressurreição do Império Romano do Ocidente. Claro que essa ressurreição dava-se em direta aliança com a Igreja Católica, a qual passaria a gozar de uma estrutura política forte para amparar seu crescente poder. Criava-se ali a dicotomia e a complementaridade entre o poder espiritual - representado pela Igreja e centrado na figura do papa - e o poder temporal, terreno, que tinha no imperador sua expressão máxima.A administração do Império seguiu o modelo franco da divisão em condados (cerca de 200), passando os bispos também a exercerem um poder condal em suas cidades. Nas regiões fronteiriças Carlos Magno criou as Marcas, sob o controle de um funcionário, o que originou o termo "marquês". Estas medidas favoreceram o desenvolvimento dos poderes jurídico-militares regionais localizados. Numa tentativa de manter algum controle central, Carlos Magno criou os missi dominici, funcionários que percorriam o império, fiscalizando a administração de condes e bispos. Mais do que eles, entretanto, o verdadeiro responsável pela manutenção de um mínimo de centralização foi o estado de guerra constante que caracterizou o governo de Carlos Magno. Ele multiplicou os domínios e as relações de vassalagem, colocando o rei no alto de uma estrutura minimamente organizada em termos político-militares.A centralização política que parcela da Europa ocidental conheceu depois de mais de três séculos favoreceu um modesto desenvolvimento econômico, incapaz de reverter a ampla organização rural, e promoveu o chamado Renascimento Carolíngio. Escolas foram fundadas, os aristocratas estimulados a alfabetizarem-se, a corte tornou-se um centro de homens sábios e algo do passado cultural romano foi recuperado. O chamado Renascimento Carolíngio foi um fenômeno essencialmente cultural, diretamente apoiado na Igreja Católica.
Fim da dinastia carolíngiaCom a morte de Carlos Magno, em 813, o poder passou para seu filho Luís, o Piedoso, que governou até 840. Fortemente influenciado pela Igreja, Luís foi um monarca fraco. Terras da Igreja e domínios senhoriais conseguiam livrar-se do controle do poder central, tornando-se autônomos e livrando-se do cumprimento de suas obrigações para com o poder central.Seu governo coincidiu também com uma nova onda de invasões, que caracterizaram toda a Europa ocidental do século 9. Vindos da Escandinávia, os vikings e seus navios de quilha rasa subiam os rios, espalhando a morte e a destruição por vastas áreas. Os sarracenos, piratas muçulmanos do norte da África, assolaram as zonas litorâneas da Itália e da França. E os magiares (ou húngaros), cavaleiros nômades das estepes da Ásia central, submeteram o norte da Itália e a Alemanha a contínuas incursões de pilhagem.A morte de Luís significou o fim da unidade imperial. Seus três filhos repartiram o Império no Tratado de Verdun (843). Carlos, o Calvo, ficou com a França Ocidental (que deu origem ao Reino da França); Luís, o Germânico, com a França Oriental (a futura Alemanha); e Lotário, com a França Central, repartida após a sua morte, em 870, entre Carlos e Luís.A autoridade real esfacelou-se rapidamente. Condes, duques e marqueses usurpam os poderes reais e passam a exercê-los em nível local. Em 877, os domínios, chamados então de feudos, tornam-se hereditários. Em 911, o rei Carlos, o Simples, incapaz de deter os ataques vikings, cedeu-lhes o ducado da Normandia, origem de sua outra denominação, normandos. O ano de 911 viu também o fim do ramo germânico dos carolíngios, com a morte de Luís, o Jovem. Em 987, morrendo o último soberano carolíngio da França Ocidental, Luís 5º, os aristocratas escolheram Hugo Capeto, Conde de Paris, como rei.Essa data assinala o fim da dinastia carolíngia sobre a França, dando origem à dinastia capetíngia, que governou o país até o século 14.
Fontes: UOL Educação

Sociedade medieval

Desafios
A ilustração abaixo nos mostra, algumas personagens, que caminharam na Europa durante a Idade Média, onde as relações sociais eram definidas, em sua maioria, em torno da questão da posse da terra. Para compreendermos melhor esse período nada mais interessante do que começar pelas pessoas que lá viviam.
O nosso desafia consiste em:
1) Traçar três linhas (imaginárias) horizontais para destacar os diversos grupos sociais que viviam na Europa da época;
a) Que grupos sociais são esses?
b) Qual era a função de cada um desses grupos sociais na Europa Medieval?
2) Agora trace uma linha vertical, no meio do desenho, e tente descobrir quais grupos viviam no campo e quais viviam nas cidades. Justifique.
3) Escolha um personagem de cada grupo e faça uma pesquisa sobre eles.



4) Escreva um pequeno texto sobre o esquema-resumo abaixo.


Samurai

O vídeo e o texto abaixo tem como objetivo complementar as informações analisadas em sala de aula, sobre o "feudalismo" japonês.


O que é um samurai?
Os samurais desempenharam muitos papéis no Japão: coletores de impostos, servidores do império, arqueiros, militares. Mas se tornaram mais conhecidos como guerreiros.
O que torna um samurai diferente de outros guerreiros em outras partes do mundo? Vestir uma armadura e usar uma espada não é suficiente para transformar-se em um. Apesar dos costumes terem mudado ao longo dos séculos, há quatro regras que sempre definiram um samurai:
o samurai é um guerreiro bem treinado e extremamente habilidoso;
o samurai serve seu daimyo, ou senhor, com absoluta lealdade, até a morte. Esse é o próprio significado da palavra samurai: "aquele que serve";
o samurai é um membro de uma classe de elite, considerado superior a cidadãos comuns e soldados ordinários de infantaria;
a vida do samurai é regida pelo bushidô, um rígido código de guerreiro que coloca a honra acima de tudo.
O tipo e a freqüência dos treinamentos de um samurai dependiam da riqueza de sua família. Em famílias de classe baixa, os filhos eram geralmente enviados às escolas dos vilarejos para receber instrução básica, mas a maior parte de seu treinamento era dado pelos seus pais, irmãos mais velhos ou tios.
Treinar artes marciais era considerado muito importante e o treinamento, freqüentemente começava muito cedo, por volta dos cinco anos. Filhos de famílias ricas eram enviados a academias especiais, onde eram tutelados em literatura, artes e habilidades militares.
A imagem mais familiar que se tem dos samurais é, provavelmente, a de um mestre espadachim empunhando a sua katana com extrema habilidade. Entretanto, nos primeiros séculos de sua existência, os samurais eram mais conhecidos como arqueiros a cavalo. Disparar uma flecha ao mesmo tempo que se monta um cavalo é uma tarefa muito difícil e dominá-la requer anos de prática. Alguns arqueiros praticavam em alvos amarrados a um poste, que poderiam ser balançados para criar um alvo móvel. Por um certo tempo, cachorros vivos eram usados como alvos móveis, até que um xogum (tinha poderes de governante e líder militar) aboliu essa prática cruel.
A arte da espada era ensinada de uma maneira igualmente implacável. Conta-se que um certo mestre atingia seus alunos a qualquer momento do dia ou da noite com uma espada de madeira, até que eles aprendessem a nunca relaxar sua guarda.
Além da habilidade de guerrear, esperava-se que os samurais fossem bem educados em outras áreas, como literatura e história. Durante o período Tokugawa, uma era pacífica, quando os samurais não eram muito necessários como guerreiros, os seus conhecimentos acadêmicos foram especialmente úteis. Entretanto, alguns mestres samurais advertiam seus alunos para não se aterem muito às letras e à pintura, para que não enfraquecessem a mente.
A História dos Samurais
Ninguém sabe com certeza quem foi o primeiro samurai. Historiadores contam que nos séculos V, VI e VII d.C., havia rivalidades entre príncipes e clãs, bem como guerras de sucessão quando um imperador morria. Todavia, a maioria das lutas ocorria contra os nativos das ilhas do Japão, aos quais o Japão Imperial se referia como emishi, ou bárbaros.
Alguns imperadores perceberam que os emishi eram bons lutadores e os recrutaram para lutar em batalhas contra outros clãs ou ordens religiosas rebeldes. Algumas das táticas militares e tradições dos emishi foram incorporadas pelos soldados japoneses e, mais tarde, usadas pelos samurais.
O status do samurai como uma classe de elite vem da proliferação das famílias poderosas que viviam longe da capital, transferindo suas terras e seu prestígio de uma geração para outra por centenas de anos. Os membros dessas famílias de guerreiros ou clãs alcançaram o status de nobreza.
Tradições militares bárbaras se combinaram com o status de elite e o código do guerreiro kyuba no michi para formar o molde do antigo samurai. De acordo com algumas fontes, a palavra samurai apareceu pela primeira vez no século XII. Por um longo tempo, os samurais constituíam a principal força militar usada contra os emishi e outros clãs.
Em 1100, dois poderosos clãs serviam ao Imperador do Japão: o clã Taira e o clã Minamoto. Estas duas famílias se tornaram rivais e, em 1192, Minamoto Yoritomo liderou seu clã à vitória sobre o clã Taira. O imperador, chefe tradicional do governo japonês, declarou Minamoto Yoritomo como xogum, o chefe militar. Mas Yoritomo usou seu novo cargo para tirar do imperador todo o poder político, tornar permanente sua posição de xogum, e montar uma ditadura militar conhecida como bakufu. Assim, os samurais passaram de servos dos daimyos proprietários de terras a regentes do Japão, sob o xogum.
Depois que Yoritomo morreu, sua esposa, Masa-ko, procurou manter o xogunato. Embora não fosse completo, os Hojos, sua família, mantiveram o controle do Japão por mais de 100 anos.
O clã Ashikaga arrancou o controle dos Hojos em 1338. Os Ashikagas falharam ao tentar impor uma autoridade central forte no Japão e os clãs entraram em decadência devido às lutas constantes. Durante esse período, o daimyo construiu castelos impressionantes, com muros, portões e fossos que os tornavam inexpugnáveis.
Este sengoku, ou período de guerra civil, durou até que Tokugawa Ieyaso tomou controle do Japão em 1603. Tokugawa aplicou uma rígida política isolacionista e manteve o controle sobre os daimyos ao forçar suas famílias a viverem na capital, enquanto o próprio daimyo vivia na sua propriedade. Cada daimyo era obrigado a visitar a capital pelo menos uma vez ao ano (daimyos que caíam em desaprovação recebiam propriedades longe da capital, tornando a viagem mais cara e demorada). Isso garantia o controle sobre os daimyos porque suas famílias eram mantidas basicamente como reféns, e as caras viagens anuais os impediam de conseguir demasiado poder econômico.
Tokugawa também proibiu o porte de espadas, exceto pelos samurais. Todas as espadas possuídas por aqueles que não eram samurais eram confiscadas e derretidas para fazer estátuas. Isso marcou os samurais como uma classe muito distinta, acima dos cidadãos comuns.
Durante a paz forçada de Tokugawa, os samurais raramente entravam em combate. Foi durante esse período que os samurais assumiram outras funções, acompanhando seus senhores na ida e na volta da capital, trabalhando como burocratas no bakufu e cobrando tributos em arroz dos vassalos do daimyo.
Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/samurai7.htm

Para saber mais
http://www.ronin47.xpg.com.br/
http://www2.uol.com.br/ohayo/v2.0/anime/materias/jun20_feudal.
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/467/mes/Abril2003

terça-feira, 20 de abril de 2010

Absolutismo II

Material selecionado do site história e história e que deverá ser utilizado como material complementar sobre as aulas relacionadas ao estudo da formação do Estado Moderno e do absolutismo.

As origens medievais do Estado Moderno
por Raquel dos Santos Funari
Sobre a autora [1]
Joseph Strayer, On the Medieval Origins of the Modern State. Princeton Classical Edition, with new forewords by Charles Tilly and William Chester Jordan. Princeton, Princeton University Press, 2005.
“Um homem pode levar uma vida razoavelmente satisfatória sem família, sem um local fixo de residência, sem confissão religiosa; sem o estado, porém, não é nada”. (pg. 09)
A formação do Estado Moderno como Instituição política, tendo à frente um soberano absoluto, muito tem sido discutida entre pesquisadores e estudiosos. Joseph Strayer, professor de História da Universidade de Princeton, ao escrever a obra As origens Medievais do Estado Moderno, buscou o início desta instituição, com o objetivo de explicar o modo pelo qual os estados europeus desenvolveram alguns órgãos para organizar e governar um grande número de pessoas. Este clássico de 1970 é republicado com uma nova introdução. Diversas conferências preferidas na Universidade de Princeton, em 1961, foram reunidas pelo autor em um livro assim como parte de material apresentado no congresso de 1968 do Centro de Estudos Medievais e do Primeiro Renascimento, da Universidade do Estado de Nova York, em Binghamton.
Strayer descreve o processo do desenvolvimento do estado moderno a partir dos reinos medievais da Europa e o conteúdo do livro pode ser dividido em três momentos: 1. como e quando se iniciou esta organização; 2. as necessidades às quais vieram satisfazer; 3. e os princípios do Estado Moderno.
Com relação ao conteúdo do livro, é interessante observar que o autor procura não se concentrar em definições mas em sinais que revelam o processo de constituição do Estado.
A reflexão feita à cerca da cidade-estado e dos impérios mostra-nos a importância destes para a formação dos estados europeus. Além disso, o fato de o feudalismo ter destruído o Império Franco, mas não ter conseguido acabar com todas as instituições sociopolíticas a ele devidas, mostra-nos que o governo era uma coisa distinta dos costumes da comunidade e a consciência dessa diferença foi essencial para a constituição do estado.
O Direito Romano foi utilizado, muitas vezes, como alicerce e justificação para a criação dos estados modernos.
A análise feita com relação aos séculos XIV e XV é muito significativa. Os primeiros dois séculos após 1300 foram particularmente difíceis. Para o autor: “Nenhum governo do século XIV podia ter evitado a depressão, a fome e as pestes, porque os conhecimentos e as técnicas necessárias para isso não existiam”.
Acrescente-se, ainda, o fato que as guerras foram vitais para completar o desenvolvimento de um sistema de estados soberanos. A afirmação a respeito do conceito de representação política ser uma das grandes descobertas dos governos medievais é com certeza, um importante elemento para os especialistas do assunto.
A polêmica discussão à cerca das origens das assembléias representativas na Europa Medieval tem seu ponto alto quando afirma terem sido um entrave para o desenvolvimento dos estados europeus, em função da capacidade que tiveram para manter baixo o montante dos impostos. Para outros autores no entanto, as assembléias medievais constituiriam os germes da democracia moderna em que esses órgãos permitiam aos grupos concretos, os nobres, o clero e a burguesia defender seus interesses de grupo. A.R.MYERS, professor de História Medieval, na Universidade de Liverpool. Por exemplo, ressaltava, no seu estudo sobre Os parlamentos e os estamentos na Europa até 1789 –, adverte-nos na página 164 que “O poder do governante seria irresistível a menos que houvesse grupos independentes, a menos que houvesse mais ligações entre o espírito dos antigos apelos a favor do “Direito dos estamentos” ou “os costumes das províncias” e a vitalidade d governo parlamentar do que é agora popular se admitir. Assim, enquanto Strayer ressalta o aspecto negativo, enquanto entrave das representações medievais, a partir de um outro ponto de vista pode-se observar exatamente o contrário, ou seja, o caráter progressista que a representação parlamentar viria a ter.
Os problemas enfrentados pela burocracia do século XIV tornam-se mais evidente quando o autor demonstra que os departamentos aumentavam sua tendência para se tornarem semi-autônomos, ainda que a autonomia não fosse total e a rotina nem sempre imutáveis. Afirma ainda, por outro lado, que os príncipes e a alta nobreza desconfiavam que as reformas pudessem diminuir o seu poder e os seus rendimentos.
No capítulo três, as informações sobre as chamadas “novas monarquias”, possibilitam ao autor discutir a necessidade de formação de novas instituições, ou em contrapartida, a melhoria do funcionamento das antigas.Strayer nos mostra que “A utilização inteligente dos recursos existentes e o incremento da cooperação entre os soberanos e os seus súditos foram os ingredientes essenciais da “novas monarquias” (pg. 98). Ao final deste capítulo, o último da obra, temos retratada a questão da lealdade pessoal ao soberano, que atingiu o seu ponto culminante com a doutrina do direito divino.
O estudo de Strayer, que avalia em épocas diferentes a importância da organização política, leva o leitor a acompanhar suas informações em uma seqüência de idéias que são enriquecidas com dados fundamentais para a compreensão do estado, tal como ele é hoje constituído. No entanto, para facilitar a leitura, os capítulos poderiam estar divididos em títulos, como por exemplo “A burocracia Medieval e o estado Moderno”. Ou ainda, uma atenção especial poderia se dada à questão dos impostos arrecadados, destacando a maneira como funcionaram e entravaram o desenvolvimento dos estados europeus. Mas as notas ajudam o leitor que queira aprofundar-se em temas específicos facilitando-o encontrar mais rapidamente referências sobre o assunto.
Enfim, a obra proporciona uma visão das origens medievais do estado Moderno e o fato de um assunto tão amplo ser discutido em um número reduzido de páginas, fornece ao leitor informações importantes e os méritos do autor não podem ser deixados de lado, pois se trata de uma obra clássica de erudição.
[1] Licenciada em História, Mestre e Doutoranda em História pela Unicamp, pesquisadora do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.
Fonte: http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=resenhas&id=20#_ftn1

quarta-feira, 7 de abril de 2010

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

OFICINA DA HISTÓRIA
1. Analise os dois mapas acima e procure responder:
a) Que países surgiram a partir da dissolução do Império Austro-Húngaro?
b) A dissolução do I´mpério Russo permitiu a independência de quatro países próximos ao MAr Báltico. Que países foram esses?
c) Que país se tornou independente, entre a Alemanha derrotada e o antigo Império Russo?
d) O que aconteceu coma a Sérvia?
2) "Não eram apenas os banqueiros que aceitavam a interdependência das nações como condição vital no mundo nos primeiros anos do século XX. a revolução nas comunicações exigia cooperação internacional a serviço das novas tecnologias e da burocraciade trânsito e de envio de imagens. (...) A União Internacional do radiotelégrafo, que concedia frequências de transmissão diferentes para a nova invençao do telégrafo sem fio, foi criada em 1906 (...) O mundo do comércio estabelecia suas próprias associações internacionai."
(KEEGAN, John. História Ilustrada da Primeira Guerra Mundial. RJ: Ediouro 2003, pp. 18-19)
De acordo com o texto acima, qual foi o motivo fundamental para que a Primeira Guerra tivesse envolvido tantos países, a ponto de ser apelidada de "Guerra Mundial"?
Respostas nos comentários até o dia 15 e abril de 2010.
As atividades acima, foram extraídas do Livro: SCHMIDT, Mario Furley. Nova História Crítica. SP: Nova Geração 2005, p. 481.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Interdisciplinaridade

Era uma vez um prefeito que recebeu boa verba para instalar uma biblioteca pública. O prefeito pede ao secretário de educação e cultura que coordene a elaboração das listas de livros. Para bibliotecário, ele nomeia um senhor conhecido na cidade como pessoa muito organizada e controladora.
O bibliotecário assume e, logo em seguida, chegam as prateleiras. Dias depois, começam a chegar os livros, que são meticulosamente arrumados. Há poucos dias da inauguração, o prefeito, acompanhado do secretariado, vai visitar a biblioteca.
Ao entrar, todos ficam estarrecidos. O que se via era uma confusão danada de livros misturados pelas prateleiras. Três livros de Biologia, seguido de meia dúzia de romances, depois, três ou quatro livros didáticos de História. Tudo isso seguido de uma enciclopédia. Depois desta, livros de Geografia, mais romances, um livro de gramática...
O prefeito e os secretários se entreolhavam sem saber o que dizer. Foi o secretario de educação quem tomou iniciativa, olhando nos olhos do bibliotecário.
- Homem, você enlouqueceu?
- Claro que não, senhor secretário.
O secretário procurava manter a calma.
- Então, o que significa essa bagunça que você fez com os livros? Tem todo tipo de livro misturado nas prateleiras.
O bibliotecário, com cara de espanto.
- Ah! Não pensei nisso.
- E no que você pensou? Disseram todos, em uníssono.
O bibliotecário assume tom professoral, e dispara.
- Bem, esta biblioteca está perfeitamente organizada segundo a ordem de chegada dos livros que
recebemos. Naquela extremidade inferior esquerda encontra-se o primeiro livro que entrou nesta biblioteca. Ao lado dele o segundo, depois o terceiro, o quarto e assim por diante. Nada, repito, nada, encontra-se fora do lugar.
Essa é uma história inventada.
É bastante absurda, não acham? No entanto, um adolescente que está cursando o 1º ano do ensino médio chega na escola às 7:20 h e tem duas aulas de Matemática, seguidas de uma aula de Geografia e outra de Inglês. Após 20 minutos de intervalo, ele tem uma aula de Química e outra de Biologia. No dia seguinte, a primeira aula é de Língua Portuguesa, a segunda de História...
O que a escola oferece a esse aluno é aquela biblioteca, que ele, quando chega a ter condições, procura entender como foi montada e como pode ser reordenada. Na grande maioria dos casos, os alunos têm que descobrir por conta própria o que houve com a biblioteca. E haja memória para por tudo em ordem. Para superar essa estranha situação em que a escola de educação básica se encontra, por conta de uma organização curricular que hipertrofia a compartimentação do saber, precisamos pensar, entre outros desafios, na construção de propostas didáticas pluridisciplinares e interdisciplinares.
A abordagem interdisciplinar é um dos caminhos que pode levar a um ensino que proporcione
aprendizagens cada vez mais significativas aos nossos alunos. Aprendizagens nas quais os conteúdos disciplinares são organizados de modo a proporcionar aos alunos “as capacidades que lhes permitam responder aos problemas reais em todos os âmbitos de desenvolvimento pessoal, sejam sociais, emocionais ou profissionais”.

Modelo - Diário de tarefas - 5ª Série



Legenda
Tarefa executada / :-)
✔ Parte da tarefa executada / ✔
Tarefa não executada / :-(
Este modelo de DIÁRIO DE TAREFAS será obrigatório a partir do 2° Trimestre do ano de 2010 para a turma 501. Deverá ser anexada na página final do livro didático. Não se trata de uma medida arbitrária, mas sim um princípio, uma regra que permita ao responsável um maior controle das atividades, de casa, dos alunos.
Professor: Alexandre Wilson.

Gabarito das atividades de revisão - 5ª Série


Capítulo 1 O estudo da História e a organização das primeiras sociedades.

12) A domesticação de animais não era possível. O homem ainda não exercia a função de trabalhador, como a de Fred. Também não era possível a construção de casas e nem a utilização de automóveis. Ou seja, nehuma das situações observadas nas gravuras seria possível na Idade da Pedra.

17) Porque, no início, apenas pegavam da natureza aquilo que era necessário para a sobrevivência. Estavam sempre se locomovendo de um lugar para o outro, à medida que esses recursos iriam se esgotando.

19) A

27) As idéias básicas são: o processo da evolução das espécies é gradual e contínuo. Todos os seres vivos descendem, em última instância, de um ancestral comum, e o mecanismo pelo qual os seres mudam ou evoluem é a seleção natural: os indivíduos mais adaptados ao meio ambiente conseguem melhores resultados na luta pela sobrevivência.

Capítulo 2 Processo de utilização, exploração e relação do homem com a terra.

18) Entre as várias hipóteses, a mais provável é a de que os primeiros seres humanos a chegarem à América vieram do norte da Ásia, provavelmente pelo Estreito de Bering.

19) A

23) A terra era de toda a comunidade. Não existia a preocupação com a necessidade de se ter uma propriedade privada. Havia, ainda, respeito pela natureza.

24) A presença dos europeus no Brasil, além de modificar hábitos, como trabalho, vestuário, entre outros, impôs a prática religiosa cristã, através da catequização dos índios.

26)

domingo, 4 de abril de 2010

Mito da Caverna

video

O vídeo acima é a edição, de uma história em quadrinho, elaborada por Maurício de Souza sobre o Mito da Caverna, estrelando Piteco, sua finalidade é facilitar e quem sabe complementar o entendimento do nosso estudo sobre o mesmo mito em sala de aula.
O objetivo de analisarmos tal mito é de termos contato com a forma de pensar dos antigos e mais especificamente dos antigos gregos e a importância do mito para a compreensão de uma visão acerca de um mundo diferente do nosso.
“Platão acreditava que este mundo em que vivemos não passa de uma cópia imperfeita de um outro mundo perfeito que ele chamava de mundo das idéias. Aqui no mundo das aparências permanecemos presos às ilusões, às imagens, às opiniões, às falsas promessas, portanto, a tudo que aprisiona o indivíduo no erro. Através do mito da caverna ele ressalta o papel da filosofia de libertar o ser humano desses grilhões que o aprisionam, trazendo-o para a luz da verdade. Para Platão, o conhecimento da verdade proporcionado pela filosofia nos transporta do mundo das aparências para o mundo das idéias; da caverna para a liberdade; da alienação para a consciência; da morte para a vida”.
Fonte: http://noboteco.wordpress.com/2008/06/24/a-ilha-matrix-e-o-mito-da-caverna/

O Mito da Caverna

Rafael Santana Soares
Platão foi um grande filósofo, e o Mito da Caverna é muito interessante porque reúne as condições psicológicas do ser humano. Podemos observar que a história fala que havia homens aprisionados em uma caverna, e esses homens nunca tinham visto o mundo em sua forma natural, eles apenas viam sombras (a cor cinza da vida).
Conta Platão que um desses homens conseguiu escapar das correntes com que era aprisionado. Esse homem que escapou foi o único que conseguiu ver a realidade, por isso também queria leva-la para os outros que estavam aprisionados dentro da caverna, mas, como eles acreditavam que a verdadeira realidade era aquela das sombras, não confiaram no que aquele homem que dizia conhecer a verdadeira realidade estava dizendo, por isso pegaram-no e o mataram.
Platão elaborou essa fábula para que as pessoas pudessem perceber que há muitas coisas que nós acreditamos em função do nosso modo de pensar. Na historinha em quadrinhos do Piteco, elaborada por Mauricio de Sousa, baseada no Mito da Caverna, o autor faz uma espécie de comparação entre aqueles tempos remotos e hoje, mostrando alguns homens assistindo à televisão. No meu ponto de vista, Platão queria nos mostrar que aqueles homens primitivos se encantavam assistindo às sombras e achavam que a vida deles fosse apenas isso e nada mais, e Mauricio de Sousa retrata que os tempos de hoje estão se tornando semelhantes ao Mito da Caverna, porque do mesmo modo que aqueles homens primitivos ficavam obcecados por aquelas sombras, os homens de hoje em dia estão obcecados pela televisão e por outros meios de comunicação.
A mídia está trazendo danos à saúde da população atual. Por causa da televisão, o índice de obesidade aumentou muito, já que as crianças, os jovens e até mesmo os adultos passam mais tempo diante dela do que cumprindo com suas obrigações. As crianças estão se tornando mais agressivas por causa dos filmes, desenhos e seriados. As novelas levam o sexo para as pessoas de qualquer idade e, por isso, o índice de natalidade aumentou tanto, com as pessoas fazendo filhos cada vez mais cedo. Muitas crianças nunca tiveram um contato maior com a natureza nem com alguns animais porque a televisão mostra essa natureza e esses animais de forma comum, isso traz uma realidade inexistente a essas crianças, tirando assim a curiosidade delas.

O Mito da Caverna

Alexandre Ferreira Prodi
O Mito da Caverna nos leva a pensar em alguns pontos da nossa vida (da minha especificamente). O próprio mito nos revela como nos distraímos com algumas coisas tão banais e fúteis da vida ou, como no mito, com as sombras em 2D. Assim, não analisamos o contexto e a beleza das coisas mais profundamente — ou o dono da sombra. Os personagens prisioneiros ficavam admirando as sombras das pessoas, dos animais, objetos que passavam, mas não viam como eram esses objetos realmente, não podiam ver como as pessoas e os animais eram, sua cor, sua forma, sua aparência, só viam a sombra, e não os donos das sombras. Mas, quando um deles resolveu conhecer o mundo fora da caverna e tentou acordar os outros para a realidade, foi morto, porque achavam que somente aquilo, as sombras, era a realidade, somente aquilo mostrava “o fascinante show da vida”.
No nosso hoje, não é diferente. Como na cômica história de Mauricio de Sousa — As sombras da vida com Piteco —, o homem, o ser humano, tem se voltado para a mídia, para as “fofocas”, “novelas”, “filmes”, entre outras coisas, achando que aquilo que ele está vendo, assistindo, é a mais pura verdade, quando muitas vezes não é. Nada contra as noveleiras ou fofoqueiras de plantão, mas o homem coloca um cabresto em si mesmo, dizendo que somente o que a mídia faz ou mostra é o certo, quando muitas vezes tudo é programado — como, por exemplo, o “famoso” Big Brother, no qual todas as pessoas são contratadas e possuem um roteiro, orientando como fulano ou beltrano devem atuar — ou a informação está errada — as famosas fofocas de Leão Lobo — ou filmes que contam uma realidade totalmente diferente fazem com que a pessoa acredite, por exemplo, em magia, duendes, fantasmas, entre outras coisas.
A pessoa fica tão vidrada na TV ou no rádio ou em outro meio de comunicação qualquer, que não para para observar a realidade à sua volta, não abre os olhos para contemplar a vida. Uma pessoa assim só se movimenta, só vive se for através da mídia e não sai para analisar se aquilo que estão apresentando para ela é verdade, se aconteceu realmente, como foi, se existe mesmo aquilo que foi falado... Não se interessa em descobrir a vida através de outros meios — como em um esporte, um bom livro, uma viagem, um trabalho — ou até mesmo indo ao parque próximo da sua casa, se é que ele sabe que existe um parque perto de sua casa.
Nossa vida não é um mar de rosas, tudo fácil-fácil. Mas, se quisermos que seja, devemos batalhar por isso. Devemos aproveitar cada segundo como se fosse o último, e não ficar somente na figura em 2D, mas nos aprofundar nas formas e nos formatos das coisas em 3D, ou seja, não ficar só nas coisas planas, mas nos aprofundar mais nas coisas da vida, saber os “porquês” e aproveitar os momentos da vida como se fossem os últimos, abrir os olhos para a realidade e ver a vida como ela realmente é.
E, para terminar, uma frase célebre: “Conhece-te a ti mesmo...” ou és um simples vidrado na mídia?
O texto de Alexandre Ferreira Prodi e o de Rafael Santana Soares circulam na internet. Se você sabe quem é o autor, escreva-nos, pois queremos dar os devidos créditos.
Fonte: http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1455

"Ser um Kamikaze..."

Excelente reportagem para problematizar os conteúdos referentes à Segunda Guerra Mundial. Só não tenho o nome e a data exata da publicação.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Revista: Careta


"Careta foi uma revista humorística brasileira que circulou de 1908 a 1960. Periódico de excelente padrão gráfico e editorial foi fundado por Jorge Schmidt e tiveram entre seus colaboradores alguns dos melhores chargistas do país, como Raul e J. Carlos (diretor e ilustrador exclusivo da revista até 1921)".
Fonte: Wikipédia.
A Biblioteca Nacional digitalizou todos os números da revista Careta. Transformando-se assim em uma excelente fonte de consulta de fontes primárias para nós professores, além de uma quase inesgotável fonte de análise da "realidade" política brasileira no período e também para a elaboração de uma série de atividades para e com nossos alunos.
Para acessar o anuário (1908-1960) é só clicar no link (abaixo) e depois escolher o ano e o número.
Abaixo temos um exemplo que pode ser utilizado como atividade em sala de aula, principalmente
os temas: Curral eleitoral, voto de cabresto.
Na imagem seguinte temos o editorial da Revista Careta do dia 16 de novembro de 1929 sobre a participação das mulheres na vida política. Uma excelente oportunidade para trabalhar às questões de gênero e também sobre preconceito. Observe a parte final do editorial, mas politicamente incorreto que isso impossível.
“Em alguns annos, talvez na próxima legislatura apparecerá uma nova bancada: a Bancada Hermaphrodita, para se oppor á dos Assexuados” Escrita da época.


Para ampliar as imagens é só clicar nas mesmas.

Absolutismo





Textos de aprofundamento.
Material complementar relacionado aos assuntos trabalhados em sala de aula com os alunos do 2° Ano do Ensino Médio. (Colégio Fluminense de Éden)


Durante a Baixa Idade Média (séc. X-XV), com as alterações socioeconômicas, decorrentes do renascimento do comércio, da urbanização e do surgimento da burguesia, impulsionou a formação do Estado Nacional.
Durante a Idade Moderna, a Monarquia absoluta ou absolutista, era muito comum, segundo a definição clássica, é a forma de governo onde o Monarca ou Rei exerce o poder absoluto, isto é, independente e superior ao de outros órgãos do Estado. Tem como principal característica o seu detentor estar acima de todos os outros poderes ou de concentrar em si os três poderes do constitucionalismo moderno - legislativo, executivo e judicial.
O Estado característico da época moderna é o absolutista, porque o poder estava concentrado nas mãos do rei e de seus ministros, que monopolizavam a vida política. O Estado absolutista dependia dos impostos e recursos gerados pelas atividades comerciais e manufatureiras, sendo o desenvolvimento das atividades mercantis fatores importantes, incentivando a expansão do mercado e a exploração das colônias.
A sociedade do período moderno é chamada de sociedade de ordens (clero, nobreza e povo), dividida em uma classe de proprietários de terras (clero e nobreza) e uma classe de trabalhadores (servos, assalariados) e uma classe burguesa (mercantil e manufatureira).
O Absolutismo foi o regime da centralização: os soberanos passaram a concentrar todos os poderes, ficando os cidadãos excluídos de qualquer participação e controle na vida pública.
O rei, além de deter o poder executivo, o governo político propriamente dito, detinha o poder de fazer as leis e a justiça. O poder emanava do rei e era por ele exercido. Não havia justiça nem política autônomas.
A base social do Absolutismo era o privilégio: honras, riquezas e poderes eram reservados a um pequeno grupo de pessoas, clero e nobres. Eram: privilégios sociais (acesso exclusivo a cargos, oficialato no exército, colégios, distinção nas vestes); privilégios jurídicos (direito de passar testamento, tribunais e penas especiais); privilégios econômicos (isenções de impostos que recaíam sobre os pobres).

Antigo Regime - a caricatura mostra o terceiro estado miseravel, a nobreza robusta e livre e o clero com uma coruja no chapéu, simbolo da ambição.
Antigo Regime - organização social - o campones carrega a Igreja e a Aristocracia nas costas, dos bolsos dos privilegiados sai os impostos.
Surge na época do absolutismo o processo de formação das nações européias, sobretudo, a francesa e a inglesa. A idéia de Nação estava vinculada à necessidade de apoiar a soberania do monarca, vital para a construção de um Estado forte que deixaria de ser um agregado de feudos para se tornar uma “Nação”, isto é, um Estado em que todos se identificavam e que era governado por um único soberano, o rei absolutista.

O absolutismo francês
O apogeu do processo de centralização política e do estabelecimento do Estado nacional moderno na França se configura com a dinastia dos Bourbons. A dinastia Bourbon tem seu apogeu durante o governo do rei Luís XIV (1643-1715) – o Rei Sol.
Tendo como ministro o cardeal Manzarino, foi estabelecida uma política centralizadora eliminando-se as frondas, associações de nobres e burgueses, opositoras do absolutismo. Quando Luís XIV assume o governo pessoalmente, passou a aplicar a sua máxima “L’Etat c’est moi” (“O Estado sou eu”).

Luís XIV, símbolo do absolutismo europeu, em imagem imponente no quadro de Hyacinthe Rigaud, 1701. Museu do Louvre, França.
Luís XIV, o rei Sol, foi de fato o grande símbolo do absolutismo monárquico europeu. Sua imagem tornou-se simbólica do período monárquico da era moderna. O próprio Luís XIV soube utilizar politicamente sua imagem de senhor absoluto como meio de dominação de sua corte e de seus súditos. Em público ou representado simbolicamente em pinturas e esculturas, sua postura, vestimentas, equipagem e gestos deviam provocar o respeito e mesmo o medo de todos. Sua imagem era um instrumento de poder e servia como representação de sua posição social. Isto fazia reconhecer e afirmava a existência da hierarquia na qual ele estava no topo.

Texto e Contexto
“E somente na minha pessoa que reside o poder soberano... é somente de mim que os meus tribunais recebem a sua existência e a sua autoridade; a plenitude desta autoridade, que eles não exercem senão em meu nome, permanece sempre em mim, e o seu uso nunca pode ser contra mim voltado; toda ordem pública emana de mim, e os direitos e interesses da nação, de que se pretende ousar fazer um corpo separado do Monarca, estão necessariamente unidos com os meus e repousam inteiramente nas minhas mãos.”
(Resposta do Rei Luís XIV ao Parlamento de Paris, em 3.3.1766.)

Em 1685, o seu caráter despótico é fundamentado no princípio “um rei, uma lei, uma fé”. O rei reformulou sua política religiosa, assinou o Édito de Fontainebleau, que anulava o Édito de Nantes (1685), o qual protegia os protestantes (dava liberdade de culto aos huguenotes), desencadeando a perseguição religiosa, agora com o objetivo de unificar a França em um estado nacional sob uma única religião julgando que assim o país ficaria mais estável.
Durante o seu longo reinado, que na prática exerceu de 1661 a 1715 (54 anos), reorganizou e equipou o exército francês, tornando-o o mais poderoso da Europa.Símbolo da grandiosidade econômica e política do Estado, o rei transferiu sua corte para o Palácio de Versalhes, um monumental conjunto arquitetônico construído no século XVII.
Palácio de Versalhes.
O Palácio de Versalhes (em francês Château de Versailles) é um château real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até que a família Real foi forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.
O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente o Governo da França através de um governante absoluto. Todo o poder da França emanava deste centro: ali existiam gabinetes governamentais, tal como as casas de milhares de cortesãos, dos seus acompanhantes e dos funcionários da Corte. Versalhes é famoso não só pelo edifício, mas como símbolo da Monarquia absoluta, a qual Luís XIV sustentou.

O absolutismo inglês
O início da centralização política na Inglaterra ocorreu após as guerras dos Cem Anos (1337-1453)* e das Duas Rosas (1455-1485)**, que possibilitaram a ascensão da dinastia Tudor (1485-1603). Esta, com apoio da burguesia e do Parlamento, instalou o absolutismo no país.
*(teve como causa a invasão da região comercial de Flandres no território francês pelos ingleses, os franceses declaram guerra a Inglaterra).**(pela disputa entre a família Lancaster e a York pela sucessão do trono inglês).Foi Henrique VIII que, sujeitando o Parlamento e realizando a reforma protestante através do Ato de Supremacia (1534), estabeleceu o absolutismo na Inglaterra.
Henrique VIII, alegando querer um herdeiro para o trono da Inglaterra, pretendeu desfazer seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena. Esta atitude de afronta sem precedentes à Igreja Católica valeu-lhe a excomunhão, declarada por Clemente VII em 11 de Julho de 1533.
Henrique decidiu o rompimento com a Igreja Católica Romana, declarou a dissolução dos monastérios, tomando assim muitos dos haveres da Igreja, e formou a Igreja Anglicana (Church of England), da qual se declarou líder. Esta decisão tornou-se oficial com o Ato de Supremacia (Act of Supremacy) de 1534.
Também em 1534, Henrique determinou A Ata de traições (“Treasons Act”), que converteu em alta traição, castigada com a morte, não reconhecer a autoridade do Rei, entre outros casos. Ao Papa foram negadas todas as fontes de ingressos monetários, como o Óbulo de São Pedro, para a sustenção das obras sociais e caritativas do Santo Padre, o Papa.
Também promulgou legislações importantes, como as Union Acts de 1535 e 1542, que unificaram a Inglaterra e Gales como uma só nação.
Elizabeth I, filha de Henrique VIII, assumiu o trono, retomando a política do pai, consolidando o anglicanismo e desenvolvendo uma política mercantilista agressiva, para aumentar o poder inglês nos mares.
Com a morte de Elizabeth I, que não deixou herdeiros, o trono passou ao rei da Escócia, Jaime I, que iniciou a dinastia Stuart. Jaime I uniu a Inglaterra à Escócia. Se sucessor, Carlos I (1625-1648), estabeleceu novos impostos sem a aprovação do Parlamento. Em 1628, o Parlamento sujeitou o rei a “Petição dos Direitos”, que garantia a população contra tributos e detenções ilegais.
Carlos I dissolveu o Parlamento, desencadeando uma guerra civil na Inglaterra. As forças inglesas dividiram-se em dois partidos: os Cavaleiros, partidários do rei; e os Cabeças Redondas (roundheads), defensores do Parlamento. Liderados por Oliver Cromwell, os Cabeças Redondas derrotaram os Cavaleiros, executando o rei e estabelecendo o regime republicano.
Em 1653, Cromwell dissolveu o Parlamento e impôs uma ditadura pessoal, até 1658. Neste período a Inglaterra tornou-se uma grande potência, com o desenvolvimento da indústria naval após a publicação dos Atos de Navegação (1650), protegendo os mercadores ingleses no comércio britânico.
Com a morte de Cromwell, os Stuart retornam ao trono. O rei Jaime II deu continuidade à política de restauração do absolutismo. O seu casamento com uma católica gerou descontentamento entre os partidos do Parlamento, os Whig (burgueses) e os Tory (conservadores, pró-Stuart).
Contrários a um governante católico, ambos os partidos ofereceram o trono a Guilherme de Orange, protestante e casado com uma das filhas de Jaime II. Guilherme invadiu a Inglaterra, expulsou Jaime II, jurou o Bill of Rights (Declaração de Direitos), que estabelecia as bases da monarquia parlamentar, ou seja, a superioridade do Parlamento sobre a do rei. Foi a Revolução Gloriosa.
O Bill of Rights ou Declaração dos direitos inglês é uma lista de direitos. Com ele, a população inglesa passou a ter a liberdade de expressão, a liberdade política(podaim votar em quem quiser), a liberdade individual, a proteção à propriedade e a tolerêancia religiosa(podiam crer em qualquer religião, sem desrespeitar a outra). Consolidava-se, assim, o liberalismo político inglês anunciado por John Locke (1632–1704) filósofo inglês, pai do Liberalismo e do individualismo liberal, e o predominio da burguesia no parlamento, que criaram as condições necessárias ao avanço da industrialização e do capitalismo, no decorrer dos sécs. XVIII e XIX.

O Mercantilismo
Durante o período de constituição das monarquias absolutistas européias, consolidou-se um Estado interventor, que devia atuar em todos os setores da vida nacional. No plano econômico essa intervenção ocorreu através do mercantilismo. O mercantilismo foi a base da economia do absolutismo e estava subordinado à política, isto é, ao poder monárquico.
Mercantilismo é o nome dado a um conjunto de práticas econômicas desenvolvido na Europa na Idade Moderna, entre o século XV e os finais do século XVIII.
O termo Mercantilismo, foi criado pelo economista Adam Smith em 1776, a partir da palavra latina mercari, que significa "gerir um comércio", de mercadorias ou produtos.
O mercantilismo caracterizou-se por ser uma política de controle e incentivo, por meio da qual o Estado buscava garantir o seu desenvolvimento comercial e financeiro.
O Mercantilismo estava diretamente ligado ao absolutismo. Através de medidas político-econômicas mercantilistas, os reis procuravam manter seu absolutismo monárquico e, dessa forma, promover a prosperidade do Estado. Os princípios mercantilistas eram:
►O metalismo: idéia que indica a riqueza e o poder de um Estado à quantidade de metais preciosos por ele acumulados. Foi dentro deste contexto histórico, que a Espanha explorou toneladas de ouro das sociedades indígenas da América como, por exemplo, os maias, incas e astecas;
►Balança comercial favorável: buscava-se manter o nível das exportações superior ao das importações, desta forma entraria mais moedas do que sairia, deixando o país em boa situação financeira;
►Protecionismo Alfandegário ou medidas protecionistas: os reis criavam impostos e taxas para evitar ao máximo a entrada de produtos vindos do exterior, assim, o Estado restringia as importações impondo pesadas taxas alfandegárias, para proteger a produção nacional, era uma forma de estimular a indústria nacional e também evitar a saída de moedas para outros países.
►Colônias de Exploração: a riqueza de um país está diretamente ligada à quantidade de colônias de exploração deste. Neste contexto, destacou-se o processo das expansões marítimas e comerciais das nações européias;
►Pacto Colonial: as colônias européias deveriam fazer comércio apenas com suas metrópoles. Era uma garantia de vender caro e comprar barato, obtendo ainda produtos não encontrados na Europa.
É possível distinguir três modelos principais de mercantilismo: bulionismo ou metalismo, colbertismo ou balança comercial favorável e mercantilismo comercial e marítimo.
►Bulionismo ou metalismo: Na Idade Moderna, Espanha e Portugal buscavam uma balança comercial favorável através do monopólio da estocagem de lingotes de ouro e prata (bullion, em inglês), prática denominada bulionismo.
►Colbertismo: deriva das teorias do ministro das finanças francês Jean-Baptiste Colbert, é o Mercantilismo voltado, sobretudos, para a industrialização e exportação de produtos de luxo.
►Mercantilismo comercial e marítimo: voltado para a exploração das colonias européias, sobretudo, a comercialização das especiarias coloniais asiáticas (pedras preciosas, tecidos de seda, pimenta, cravo, canela, etc.) por parte de Portugal, Espanha, Holanda e, posteriormente, Inglaterra e França.
O Mercantilistmo no século XVI
No final do século XV e durante o XVI, os países ibéricos (Portugal e Espanha) comandaram a economia mercantil européia. Pioneiros no processo de expansão ultramarina, foram beneficiados com as riquezas das terras descobertas, as quais defendiam o seu monopólio através do exclusivo colonial.
O Mercantilismo nos séculos XVII e XVIII
Nos séculos XVII e XVIII, França e Inglaterra passam a liderar a economia mercantilista européia. Na Inglaterra, o Estado estimulou a construção naval, criando uma poderosa marinha mercante, e adotou medidas de proteção de seu comércio marítimo através dos Atos de Navegação (1660), proibindo navios estrangeiros transportar produtos da metrópole e das colônias inglesas.O desenvolvimento naval inglês assegurou o controle das rotas e mercados ultramarinos pela Inglaterra, que dominou o comércio de produtos agrícolas e industriais (Europa, América do Norte) e comércio de contrabando (principalmente no Oriente).

Texto e Contexto
“Nenhuma mercadoria será importada ou exportada dos países, ilhas, plantações ou territórios pertencentes a sua Majestade ou na posse de Sua Majestade na Ásia, América e África senão em barcos que, sem fraude, pertençam a súditos ingleses, irlandeses ou galeses ou então por habitantes destes países. Nenhuma mercadoria produzida ou fabricada no estrangeiro que deva ser importada (…) deve ser embarcada noutros portos que não os do país de origem.”
(Atos de Navegação In: BILLACOIS, F. Documents d’Histoire Moderne. Paris: Armand Colin, 1970, 2 vol., pp. 81-82.)

Na França, sobretudo durante o reinado de Luís XIV (1661-1715), sob a orientação do ministro das finanças Colbert, o Estado incentivou o comércio e a construção naval. A França tornou-se famosa pela excelente qualidade de seus produtos manufatureiros, principalmente os artigos de luxo (jóias, móveis, perfumes, etc.), conquistando o mercado externo.

O Estado Moderno – o Absolutismo e seus teóricos
O Absolutismo é uma teoria política que defende que uma pessoa (em geral, um monarca) deve deter um poder absoluto, isto é, independente de outro órgão, seja ele judicial, legislativo, religioso ou eleitoral. Os teóricos de relevo associados ao absolutismo incluem autores como Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Bossuet e Thomas Hobbes.
Assim, no início da Idade Moderna surgiram teorias justificadoras do Estado Absolutista. O mais importante dos teóricos do absolutismo foi Nicolau Maquiavel, membro do governo dos Médice, de Florença, Itália.
Maquiavel, no livro O Príncipe, aconselha o soberano florentino a que fique acima das considerações morais, mantendo a autonomia política. Para ele, “os fins justificam os meios” e a razão de Estado deve sobrepor-se a tudo, ou seja, o soberano tudo pode fazer pelo bem-estar do país.

Texto e Contexto
Da Crueldade e da Piedade e se É melhor ser Amado que Temido ou melhor ser Temido que Amado.
“Contudo, o Príncipe deve ser ponderado em seu pensamento e ação, não ter medo de si mesmo e proceder de forma equilibrada, com prudência e humanidade, para que a excessiva confiança não o torne incauto, nem a exagerada desconfiança o faça intolerável.Surge daí uma questão: é melhor ser amado que temido ou o inverso? A resposta é que seria de desejar ser ambas as coisas, mas, como é difícil combiná-las, é muito mais seguro ser temido do que amado, quando se tem de desistir de uma das duas. (...) Os homens têm menos receio de ofender a quem se faz amar do que a outro que se faça temer; (...) o temor é mantido pelo medo ao castigo, que nunca te abandona.Quando, porém, o príncipe está em campanha, no comando de uma infinidade de soldados, não precisa absolutamente se preocupar com a fama de cruel, porque, sem esta fama, jamais se mantém um exército unido e disposto à ação.(...) concluo que, como os homens amam segundo sua vontade e temem segundo a vontade do príncipe, deve este contar com o que é seu e não com o que é de outros, empenhando-se apenas em evitar o ódio.”
(MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 2ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. pp. 79-82.)

Thomas Hobbes, em seu livro o Leviatã, justificou a necessidade do Estado despótico. Para Hobbes, na sociedade primitiva ninguém estava sujeito às leis, todos estando em guerra entre si (bellum omnia omnes) – o homem era como um lobo para o próprio homem (homo homini lupus). Posteriormente, o homem dotado da razão e do sentimento de autoconservação buscou unir-se em uma sociedade civil, mediante um contrato segundo o qual cada um cede seus direitos ao soberano.

Capa do livro o Leviatã – o título se refere ao monstro bíblico, do Antigo Testamento do Livro de Jó, que ninguém é bastante ousado para provocá-lo. Em suas mãos os símbolos do poder, a espada (militar) e o cetro real (político).

Texto e Contexto
O Leviatã
“O único caminho para erigir semelhante poder comum, capaz de defendê-lo contra a invasão dos estrangeiros e contra as injúrias alheias (...) é conferir todo o seu poder e fortaleza a um homem ou a uma assembléia de homens, todos os quais, por pluralidade de votos, possam reduzir suas vontades a uma vontade (...) é uma unidade real de tudo isso em uma e mesma pessoa, instruída por pacto de cada homem com os demais (...). E nisso consiste a essência do Estado, que podemos definir assim: uma pessoa de cujos atos uma grande multidão, por pactos mútuos, realizados entre si, foi instituída por cada um como autor, com a finalidade de poder utilizar a fortaleza e meios de todos, da maneira que julgar oportuno para assegurar a paz e a defesa comum. O titular desta pessoa se denomina soberano, e se diz que tem poder soberano; cada um dos que o rodeiam é seu súdito.”
(HOBBES, Thomas. Leviatã. In: MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de textos. s/l: Editora Contexto, s/d. p. 61.).

Jaques Bossuet estabeleceu o princípio do direito divino dos reis, isto é, do poder real emanado de Deus. Segundo Bossuet, a autoridade do rei é sagrada, pois ele age como ministro de Deus na terra, e rebelar-se contra ele é rebelar-se contra Deus. Essa teoria influenciou decisivamente os reis franceses da dinastia Bourbon, sobretudo Luis XIV, o rei sol.

Texto e Contexto
“Todo o poder vem de Deus. Os governantes, pois, agem como ministros de Deus e são seus representantes na terra. O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus... Os reis... são deuses e participam de alguma forma da independência divina”.
(BOSSUET, Jacques. Política Tirada da Sagrada Escritura. In: MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de textos. s/l: Editora Contexto, s/d. p. 62.)

Jean Bodin defendia a “soberania não-partilhada”. Para ele, a soberania real não pode sofrer restrições nem submeter-se a ameaças, pois ela emana de Deus. Assim, o soberano tem o poder de legislar sem precisar de consentimento de quem quer que seja.

Texto e Contexto
“Nada havendo de maior sobre a terra, depois de Deus, que os príncipes soberanos, e sendo por Ele estabelecidos como seus representantes para governarem os outros homens, é necessário lembrar-se de sua qualidade, a fim de respeitar-lhes e reverenciar-lhes a majestade com toda a obediência, a fim de sentir e falar deles com toda a honra, pois quem despreza seu príncipe soberano despreza a Deus, de Quem ele é a imagem na terra.”
(BODIN, Jean. Livros sobre a República. In: MARQUES, Adhemar et al. História Moderna através de textos. s/l: Editora Contexto, s/d. p. 62-63.)

Texto Complementar
A Monarquia
“Entende-se comumente por Monarquia aquele sistema de dirigir [o governo] que se centraliza estavelmente numa só pessoa investida de poderes especialíssimos, exatamente monárquicos, que o colocam claramente acima de todo o conjunto dos governados. (...) Por monarquia, portanto, se entende – na complexa formação histórica deste instinto – um regime substancial mas não exclusivamente monopessoal, baseado no consenso, geralmente fundado em bases hereditárias e dotado daquelas atribuições que a tradição define com o termo de soberania.”
(Norberto Bobbio et al. Dicionário de política. Brasília: Editora da UnB, 1995.)
Poder não-partilhado
“(...) Absolutismo não é sinônimo de arbitrariedade. pessoal é o que os sociólogos políticos chamam hoje de personalização do poder.”
(RÉMOND, René. O Antigo Regime e a Revolução. São Paulo: Cult(...) O absolutismo consiste num poder não-partilhado, concentrado na pessoa do rei. Seu caráter rix, 1974.)


Um outro olhar
A Linhagem para compreender O Estado Absolutista
Perry Anderson analisa o surgimento do Estado Absolutista na Europa, no século XVI, com o objetivo de delinear uma nova perspectiva historiográfica a partir de sua discordância com as abordagens precedentes. Para isso coloca em discussão a união de um “hiato” separado pela historiografia marxista, união essa que se dá através da análise das chamadas “estruturas puras” e “estruturas impuras”, ou seja, uma abordagem levando em consideração a parte teórica e o factual, tendo como objetivo
[...] examinar simultaneamente o absolutismo europeu em geral e em particular: vale dizer, tanto as estruturas puras do Estado absolutista, que o constituem enquanto categoria histórica fundamental, como as variantes impuras, representadas pelas diferentes monarquias específicas da Europa pós-medieval (ANDERSON, 1998, p. 7-8).
Anderson em Linhagens do Estado Absolutista propõe um estudo comparado entre o desenvolvimento do Estado absolutista na Europa, considerando a Europa Ocidental e a Oriental e contrapondo-o com sua própria natureza, ou seja, a gênese de sua formação. Com isso, está propondo o rompimento da distância entre as análises do discurso dos historiadores marxistas e dos filósofos marxistas, visto que ambos elucidavam em seus trabalhos as questões factuais e teóricas de forma compartimentada. O que proporcionava como argumenta o autor, um hiato na historiografia, onde por um lado, constroem-se ou pressupõem-se modelos gerais e abstratos – não apenas para o Estado absolutista, mas, igualmente, da revolução burguesa ou do Estado capitalista –, sem preocupação com suas variações reais; por outro lado exploram-se casos localizados concretos, sem referência às suas implicações e interconexões recíprocas.
O autor analisa três anomalias que marcavam os estudos anteriores acerca da formação dos Estados absolutistas. A primeira divergência apontada pelo autor é a ancestralidade atribuída ao absolutismo, ou seja, o descaso com o processo anterior à formação do Estado absolutista. Anderson demonstra que precedente a esta formação a Europa vivenciou durante os séculos XIV e XV um período de crise da economia e da sociedade, que “[...] marcou as dificuldades e os limites do modo de produção feudal no último período da Idade Média” (ANDERSON, 1998, p. 15), em conseqüência desse processo emergiu no Ocidente o Estado absolutista. A segunda proposta do autor é a complementaridade dos estudos do Ocidente e Oriente, que antes era analisado de um modo geral, privilegiando o Ocidente. Nesse sentido, sugeriu um estudo regional, para compreender as diferenças existentes, nos Estados absolutistas tanto da Europa ocidental quanto oriental, levando em consideração a contribuição da chamada história “a partir de baixo”, uma “história vista a partir de cima” não é menos importante que uma “história vista a partir de baixo”.
A terceira e última divergência apontada e superada pelo autor é a temporalidade existente no processo de formação do Estado absolutista, que ocorre em diferentes períodos da história européia. Anteriormente, seja nos estudos tradicionais, seja nos modernos estudos sociológicos, havia uma homogeneidade temporal, embora os historiadores percebam que há uma diferença, ainda assim parecem obedecer a um “monismo cronológico” (ANDERSON, 1998, p. 10).
Anderson reúne em sua obra as duas formas de análises do Estado absolutista, a parte teórica e factual, de maneira contundente ele mostra a formação deste Estado sob uma perspectiva geral e, em paralelo, aponta às particularidades que ocorrem durante o processo de transição em cada país. Nesse sentido, deixa clarividente que este período envolve uma série de acontecimentos, como por exemplo: a acumulação primitiva de capital, a eclosão da reforma religiosa, a formação das nações, a expansão do imperialismo ultramarino e o advento da industrialização.
O Estado absolutista do Ocidente emergiu no século XVI, após a longa crise das sociedades européias no final da Idade Média (XIV e XV), sendo que tal crise foi responsável por intensas transformações no modo de produção feudal. As monarquias da França, Inglaterra e Espanha serão as primeiras a romperem com a estrutura socioeconômica da sociedade feudal, representando “[...] uma ruptura decisiva com a soberania piramidal e parcelada das formações sociais medievais, com seus sistemas de propriedades e vassalagem” (ANDERSON, 1998 p. 15), caracterizando as transformações nos instrumentos e nas relações de trabalho feudal. Além do que, Anderson aponta um fator relevante para compreender a formação do Estado absolutista, sendo necessário relembrar
[...] que a luta secular entre as classes resolve-se em última instância no nível político da sociedade – e não no nível econômico ou cultural. Em outras palavras, é a construção e a destruição dos estados que sela as modificações básicas nas relações de produção, enquanto subsistirem as classes (ANDERSON, 1998, p. 11).
Alega Anderson que as contradições existentes sobre a natureza histórica das monarquias absolutistas do Ocidente persistem desde que Engels declarou que as monarquias eram um instrumento de equilíbrio entre classes em conflito, “[...] Engels em uma máxima famosa, declarou-as produto de um equilíbrio de classe entre a antiga nobreza feudal e a nova burguesia urbana” (ANDERSON, 1998, p. 15). Já Marx, enxergava a formação dos Estados absolutistas como o fruto do capital burguês, afirmando “[...] repetidamente que as estruturas administrativas dos novos Estados absolutistas eram um instrumento tipicamente burguês”, e prosseguiu considerando que
[...] o poder do estado centralizado, com os seus órgãos onipresentes: exército permanente, polícia, burocracia, clero e magistratura – órgãos forjados segundo o plano de uma divisão do trabalho sistemática e hierárquica – têm sua origem nos tempos da monarquia absoluta, quando serviu à sociedade de classe média nascente, como arma poderosa nas suas lutas contra o feudalismo (ANDERSON, 1998, p. 16).
Segundo o autor as controvérsias acerca dos Estados absolutistas são importantes, pois permitem delimitar as transformações de um modo de produção feudal para um sistema capitalista, sendo que “[...] a solução correta é, na verdade, vital para a compreensão da passagem do feudalismo para o capitalismo na Europa, e dos sistemas políticos que as diferenciaram” (ANDERSON, 1998, p. 17). Assim, todas essas características que compõem a estrutura do Estado absolutista, apresentam-se inicialmente, como características capitalistas, mas considerando o fim da servidão.
As monarquias absolutas introduziram exércitos regulares, uma burocracia permanente, o sistema tributário nacional, a codificação do direito e os primórdios de um mercado unificado. Todas estas características parecem ser eminentemente capitalistas. Uma vez que elas coincidem com o desaparecimento da servidão (ANDERSON, 1998, p. 17).
Nessa perspectiva, tanto Marx e Engels estão corretos em suas respectivas análises. Mas, o fim da servidão não significou o fim das relações feudais no campo, pois
[...] a propriedade agrária aristocrática impedia um mercado livre na terra e a mobilidade efetiva do elemento humano – em outras palavras, enquanto o trabalho não foi separado de suas condições sociais de existência para se transformar em ‘força de trabalho’ –, as relações de produção rurais permaneciam feudais (ANDERSON, 1998, p. 17).
A partir desse momento, Anderson desconstrói todas as perspectivas historiográficas, as quais acreditavam que com o fim da servidão extinguia-se também as relações no campo, constituindo enfim, um Estado absoluto capitalista. Considera que para se entender o surgimento do absolutismo é necessário que se compreenda as transformações que ocorreram entre o Estado aristocrático e a propriedade feudal, um Estado feudal estruturado nas grandes propriedades e no trabalho servil.
Com a comutação generalizada das obrigações, transformadas em rendas monetárias, a unidade celular de opressão política e econômica do campesinato foi gravemente debilitada e ameaçada a dissolução (o final desse processo foi o ‘trabalho’ livre e o ‘contrato salarial’). O poder de classe dos senhores feudais estava assim diretamente em risco com o desaparecimento gradual da servidão. O resultado disso foi um deslocamento da coerção político-legal no sentido ascendente, de uma cúpula centralizada e militarizada – O Estado Absolutista (ANDERSON, 1998, p. 19).
O autor pondera que era um Estado com características capitalistas, mas a autoridade política permanecerá a mesma, do antigo sistema feudal, a aristocracia rural. O que Anderson, deixa bem claro, é que à transformação no modo de produção, ou seja, nos instrumentos e na relação de produção, seria um Estado que se caracteriza por essa transição, no qual a classe dominante seria a aristocracia, “[...] os senhores que permaneceram proprietários dos meios de produção fundamentais em qualquer sociedade pré-industrial eram, certamente, os nobres terratenentes” (ANDERSON, 1998, p. 18). Uma sociedade em que as antigas formas de produção são substituídas por novas formas, ou melhor,
[...] o dinheiro converte-se em capital, o capital em fonte de mais-valia, e a mais-valia transforma-se em capital adicional. A acumulação capitalista que, por sua vez, não se pode realizar enquanto não se encontram acumuladas, nas mãos dos produtores-vendedores, massas consideráveis de capitais e de forças operárias. Todo este movimento parece estar encerrado em um círculo vicioso do qual não se pode sair sem admitir uma acumulação primitiva, anterior à acumulação capitalista, em lugar de ser por ela originada (MARX, 1979, p. 11).
Para Anderson a aristocracia feudal, a mesma classe dominante da época medieval, foi também dominante na fase inicial da modernidade: “[...] essa nobreza passou por profundas metamorfoses nos séculos que se seguiram ao fim da Idade Média: mas desde o princípio até o final da história do absolutismo nunca foi desalojada de seu domínio do poder político” (ANDERSON, 1998, p. 18).
O Estado absolutista do Ocidente, nos dizeres de Anderson, foi um mecanismo criado pela aristocracia feudal para consolidar seus domínios, não foi um arbitro perante um conflito de classes, nem bem fruto do capital burguês, foi
[...] um aparelho de dominação feudal recolocado e reforçado, destinado a sujeitar as massas camponesas à sua posição social tradicional – não obstante e contra os benefícios que elas tinham conquistado com a comutação generalizada de suas obrigações, ele era a nova carapaça política de uma aristocracia atemorizada (ANDERSON, 1998, p. 18).
Anderson argumenta no decorrer de sua obra sobre a periodização do absolutismo no Ocidente, descrevendo como se deu o processo de formação do absolutismo. Primeiramente, observa a relação da nobreza e a monarquia, buscando na Idade Média a compreensão dessa relação. Dessa maneira, descreve que a tensão dessa época deu-se através de uma combinação de suseranos e o rei ungido (rei por direito divino), onde o poder dos suseranos ocupava um papel central dentro desta hierarquia, mas que também era “[...] um componente dominante do modelo monárquico” (ANDERSON, 1998, p. 42), impondo alguns limites ao poder do rei e a base econômica.
Estes senhores feudais, segundo Anderson, exerciam um poder interno a sua terra “particular”, onde os mesmos concentravam seus rendimentos dentro destes domínios. Alem desta forma de rendimento interna a seu feudo o senhor recebia privilégios financeiros “[...] tributos senhoriais cobrados nos mercados e nas rotas de comércio, das contribuições de emergência da igreja e dos rendimentos da justiça real, sob a forma de multas e confiscos” (ANDERSON, 1998, p. 43), que logo se mostraram inadequadas formas de rendimento.
Na busca de uma alternativa para o problema dos rendimentos, a única solução no momento era a procura de créditos, que geralmente provinha de “[...] banqueiros e comerciantes das cidades, que controlavam reservas relativamente amplas”, mas o que “[...] apenas postergava o problema, desde que os banqueiros exigiam em geral garantias seguras sobre as receitas reais, em troca de seus empréstimos” (ANDERSON, 1998, p. 43).
Nessa perspectiva, segundo Anderson, as monarquias medievais, sob a forma descentralizada, impossibilitavam grandes somas em impostos, o que levou “[...] virtualmente as monarquias medievais a convocarem de tempos em tempos os ‘Estados’ de seu reino, a fim de elevarem seus impostos” (ANDERSON, 1998, p. 43). Assim, o próprio conceito de tributação se encontrou ausente da época medieval, mas foi sendo introduzido lentamente na Europa Ocidental. Estes Estados “[...] representavam a nobreza, o clero e os burgueses das cidades e, geralmente, se organizavam em assembléia ou em duas câmaras (magnatas e não-magnatas)” (Anderson, 1998, p. 45). Essas organizações exerciam um papel fiscalizador e, conseqüentemente, tinham o direito de “[...] fornece-lhe seu conselho solene em assuntos concernentes em ambas as partes” (ANDERSON, 1998, p. 45).