Vida de professor da rede pública

Súplica Cearense

sábado, 28 de fevereiro de 2009

RESISTÊNCIA NEGRA

ZUMBI



Curta do Barão do Pirapora (Rodrigo Ayres de Araújo)sobre a saga de Zumbi de Palmares comemorando o Dia da Consciencia Negra, 20 de novembro
Fonte: http://www.youtube.com/user/acmestudio

INSTRUÇÕES PARA A ATIVIDADE
1. Onde se localiza a Serra da Barriga?
http://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_da_Barriga
http://www.palmares.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=99
http://www.overmundo.com.br/overblog/serra-da-barriga-historia-que-a-terra-conta
2. Qual a sua importância, geográfica, para a construção do Quilombo?
http://www.quilombodospalmares.org.br/index.php?sec=historia_serra_barriga
3. Tendo como fonte de consulta o site abaixo, o vídeo acima, o que foi trabalhado em sala de aula, o texto da revista veja e a crítica ao artigo, postado abaixo, argumente contra ou a favor da ideia de uma república palmarina.
http://www.unicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/arq_hist_estrat/rep_palmares.html
4. Utilizando as mesmas fontes de informação da questão de número 3, escreva um texto argumentativo e critico sobre a questão Palmarina.
Como fazer um texto argumentativo. http://www.pucrs.br/gpt/argumentativo.php
OBS. O(s) endereço(s) em baixo de cada pergunta é para, se necessário, utilizar como fonte de consulta.
História
O enigma de Zumbi
Estudos recentes sobre o herói da luta contra a escravidão mostram que ele próprio pode ter sido dono de escravos no quilombo dos Palmares
Idéia exóticaNegro retratado no Brasil do século XVII pelo pintor holandês Albert Eckhout: na época, o conceito de igualdade entre os homens não existia na África


Idéia exótica
Negro retratado no Brasil do século XVII pelo pintor holandês Albert Eckhout: na época, o conceito de igualdade entre os homens não existia na África

Na próxima quinta-feira, 262 cidades brasileiras comemoram o Dia da Consciência Negra, data que evoca a morte de Zumbi dos Palmares. Último líder do maior dos quilombos, os povoados formados por negros fugidos do cativeiro no Brasil colonial, Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, quase dois anos depois de as tropas do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho praticamente destruírem Palmares. Ao longo dos séculos, Zumbi se tornou uma figura mítica, festejado como o herói da luta contra a escravidão. O que realmente se sabe dele, como personagem histórico, é muito pouco. Seu nome aparece apenas em oito documentos da época, incluindo uma carta do governador de Pernambuco anunciando sua morte. Como ocorre com Tiradentes e outros heróis históricos que servem à celebração de uma causa, a figura de Zumbi que passou à posteridade é idealizada. Ao longo do século XX, principalmente nos anos 60 e 70, sob influência do pensamento marxista, Palmares foi retratada por muitos historiadores como uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado entre os habitantes dos povoados. Uma série de pesquisas elaboradas nos últimos anos mostra que a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares ensinada nos livros didáticos tem muitas distorções. Muito do que se conta sobre sua atuação à frente do quilombo é incompatível com as circunstâncias históricas da época. O objetivo desses estudos não é colocar em xeque a figura simbólica de Zumbi, mas traçar um quadro realista, documentado, do homem e de seu tempo.
Os novos estudos sobre Palmares concluem que o quilombo, situado onde hoje é o estado de Alagoas, não era um paraíso de liberdade, não lutava contra o sistema de escravidão nem era tão isolado da sociedade colonial quanto se pensava. O retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séquito de escravos para uso próprio. "É uma mistificação dizer que havia igualdade em Palmares", afirma o historiador Ronaldo Vainfas, professor da Universidade Federal Fluminense e autor do Dicionário do Brasil Colonial. "Zumbi e os grandes generais do quilombo lutavam contra a escravidão de si próprios, mas também possuíam escravos", ele completa. Não faz muito sentido falar em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus. Nas culturas africanas, eram impensáveis. Desde a Antiguidade e principalmente depois da conquista árabe no norte da África, a partir do século VII, os africanos vendiam escravos em grandes caravanas que cruzavam o Deserto do Saara. Na época de Zumbi, a região do Congo e de Angola, de onde veio a maioria dos escravos de Palmares, tinha reis venerados como se fossem divinos. Muitos desses monarcas se aliavam aos portugueses e enriqueciam com a venda de súditos destinados à escravidão.

A caça e o caçador
Zumbi e o bandeirante Domingos Jorge Velho, que destruiu Palmares: a escassez de documentos favoreceu versões romantizadas de como era a vida no quilombo

"Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo na cultura da África", diz o historiador carioca Manolo Florentino, autor do livro Em Costas Negras, uma das primeiras obras a analisar a história do Brasil com base nos costumes africanos. Zumbi, segundo os novos estudos sobre Palmares, seria descendente de uma classe de guerreiros africanos que ora ajudava os portugueses na captura de escravos, ora os combatia. Quando enviados ao Brasil como escravos, os nobres africanos freqüentemente formavam sociedades próprias – uma delas pode ter sido Palmares. Para chegar a esse novo retrato de Zumbi e do quilombo, os historiadores analisaram as revoltas escravas partindo de modelos parecidos que ocorreram em outros lugares da América e da África. Também voltaram às cartas, relatos e documentos da época, mostrando como cada historiografia montou o quilombo que queria.
O principal historiador a reinterpretar o que ocorreu nos quilombos é o carioca Flávio dos Santos Gomes. Ele escreve no livro Histórias de Quilombolas: "Ao contrário de muitos estudos dos anos 1960 e 1970, as investigações mais recentes procuraram se aproximar do diálogo com a literatura internacional sobre o tema, ressaltando reflexões sobre cultura, família e protesto escravo no Caribe e no sul dos Estados Unidos". Atendo-se às fontes primárias e ao modo de pensar da época, os historiadores agora podem garimpar os mitos de Palmares que foram construídos no século XX.
O novo quilombo dos Palmares
Estudos recentes mudam a visão que predominouno século XX sobre os povoados
O que se pensava
• O quilombo era uma sociedade igualitária, com uso livre da terra e poder de decisão compartilhado
• Zumbi lutava contra a escravidão
• Zumbi foi criado por um padre, recebeu o nome de Francisco e aprendeu latim
• Ganga-Zumba, líder que antecedeu Zumbi, traiu o quilombo ao fechar acordo com os portugueses
O que se pensa hoje
• Havia em Palmares uma hierarquia, com servos e reis tão poderosos quanto os da África
• Zumbi e outros chefes tinham seus próprios escravos
• As cartas em que um padre daria detalhes da infância de Zumbi provavelmente foram forjadas
• Ao romper o acordo com Portugal, Zumbi pode ter precipitado a destruição do quilombo


HISTÓRIA EM PROJETOS
Domingo, 23 de Novembro de 2008
A Veja realmente enlouqueceu: Zumbi, "caçador de negro"
Caros professores, transcrevo a leitura crítica do professor Mário Maestri sobre mais uma matéria da Veja travestida de jornalismo. Será que a Veja criará algum dia limites para tantos absurdos? Fonte. História em Projetos.
Zumbi caçador de negro
Escrito por Mário Maestri
19-Nov-2008
A proposta de existência de escravidão em Palmares foi apresentada enfaticamente pela grande mídia quando das celebrações do terceiro centenário da destruição da Confederação e morte de seu último dirigente, em 1995. Seus objetivos eram encontrar gancho para a abordagem do transcurso e dessacralizar o sucesso referencial do movimento negro e do mundo do trabalho, naturalizando a opressão através da idéia de que os oprimidos também oprimem, logo e quando podem.
Em 1995, a discussão sobre a escravidão palmarina gorou apenas devido ao sucesso midiático do bate-boca sobre a eventual homossexualidade de Zumbi. Desde então, a afirmação retorna intermitentemente na mídia e em estudos historiográficos, sem que documentação histórica probatória seja apresentada. Continuamos a contar somente com frágeis referências a cativos que, libertados à força pelos palmarinos, adquiririam a plena cidadania apenas após recrutarem outros cativos para os quilombos.
Contribui igualmente para essa despropositada afirmação a frouxidão conceitual e epistemológica atual das ciências sociais, devido à quase geral renúncia à idéia do passado como fenômeno objetivo capaz de ser reconstituído essencialmente pela ciência histórica. A historiografia tem sido reduzida à mera reconstituição literária do ocorrido, e o passado à realidade maleável segundo os interesses do presente.
Saltos lógicos
Na falta de documentação, apóia-se a tese da escravidão quilombola na provável retomada de práticas escravistas africanas nos mucambos da serra do Barriga. A equação é simples: se na África tinha, por que diachos não teria também aqui? Destaque-se que a equação traz imbricada a velha apologia de que os negreiros apenas transferiam os homens e mulheres de uma escravidão de bárbaros para a servidão cristã e civilizada na América. E sem nem mesmo pagarem a passagem!
O artigo "O enigma de Zumbi", de Leandro Narloch, publicado na indefectível Veja (19 de novembro), após lembrar que a idéia de Palmares libertário surgiu nos anos 1960 e 70 sob "influência do pensamento marxista", afirma que, nos "novos estudos", o "retrato que emerge de Zumbi é o de um rei guerreiro que, como muitos líderes africanos do século XVII, tinha um séqüito de escravos para uso próprio". Folga dizer que o jornalista se cuidou em não citar os referidos "novos estudos".
A defesa da escravidão palmarina apoiou-se no silogismo de que não haveria sentido em falar "em igualdade e liberdade numa sociedade do século XVII porque, nessa época, esses conceitos não estavam consolidados entre os europeus" e seriam "impensáveis" nas culturas africanas. Corroborando a proposta, o historiador Manolo Florentino, autor de livro de título sugestivo – Paz das senzalas –, reconstrói o passado a partir de pinote lógico apoiado em premissas fajutas: "Não se sabe a proporção de escravos que serviam os quilombolas, mas é muito natural [sic] que eles tenham existido, já que a escravidão era um costume fortíssimo [sic] na cultura da África.".
Servidão doméstica
Por ignorância e oportunismo, os negreiros europeus identficaram como escravidão as múltiplas formas de servidão doméstica da África pré-colonial. Prisioneiros de guerra, condenados da justiça, indivíduos sem famílias, estrangeiros etc. eram incorporados às famílias extensas, com obrigações e direitos delimitados. Casavam, tinham bens, integravam a comunidade e, em poucas gerações, extinguia-se a lembrança da origem inferior. A posse comunitária da terra e o caráter semi-natural da economia impediam que tais formas de dominação se degradassem na exploração escravista americana, regida pelo açoite de mercado de fome pantagruélica. Identificar servidão africana e escravidão colonial é procedimento analítico inaceitável.
O caráter relativamente benigno daquela servidão devia-se em boa parte à incapacidade e falta de sentido nas sociedades domésticas africanas em investirem substancialmente recursos na subjugação desses agregados. Fenômeno ainda mais premente em comunidades de resistência, como os quilombos, que dependiam do consenso para furtarem-se aos ataques permanentes dos escravistas. É até interessante imaginar os mocambeiros ocupados no combate aos escravistas e de olho nos seus cativos, para que não fugissem e se ... aquilombassem!
E, mesmo que a África tivesse sido sociedade escravista – então, por que exportaria cativos? –, deduzir instituições do Novo Mundo de instituições da África Negra é outro tropeço epistemológico primário. Os quilombos palmarinos e todos os demais foram instituições americanas, e não africanas, nascidas da oposição à escravidão. Quando muito, e nem sempre, eles reelaboraram elementos culturais africanos, já que era materialmente impossível restaurar, no Brasil, a vida do continente negro.
Um Novo Mundo
Os próprios títulos angolanos utilizados em Palmares – nzumbi, nganga nzumba etc. – ganharam no Brasil conteúdos diversos aos que tinham na África. Nesse sentido, como já foi exaustivamente proposto, fenômenos como o kilombo dos yagas, nos sertões da atual Angola, muito pouco têm a ver, no essencial, com o fenômeno identicamente nomeado no Brasil escravista.
Entre as inúmeras sandices do jornalista da Veja, destaca-se certamente a pérola de que o palmarino "não lutava contra o sistema da escravidão". Proposta que reduz aquela população e todos os quilombolas à situação de verdadeiros energúmenos, já que viviam, apenas por querer, metidos na mata, em cima dos serros, por entre cobras e lagartos, longe das maravilhosas praias de areias brancas das Alagoas da época!
Desde os anos 1950, autores como Benjamin Péret, Clóvis Moura, Édison Carneiro, José Alípio Goulart, Décio Freitas empreenderam detidos estudos sobre as comunidades quilombolas que realçaram as inevitáveis contradições entre os mocambeiros e o interesse que tinham em manter-se distante dos escravizadores, sem perder a possibilidade de estabelecer trocas com os mesmos. Tudo isso tem, no mínimo, meio século de vida.
Sobretudo, esses e tantos outros autores sugeriram e apontaram o que foi essencial e único na experiência quilombola, nos limites determinadas pelas condições materiais da época: seu caráter necessariamente libertário, já que eram comunidades em contradição insuperável com a opressão escravista – desculpem- a formulação marxista. Uma liberdade que se materializava nas solas dos pés dos fujões e nos braços armados dos quilombolas, e não em discussões conceituais sobre a igualdade e a liberdade cívica entre os homens, em quimbundo ou latim!
Mário Maestri é historiador e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net
FONTE: http://historiaemprojetos.blogspot.com/search?q=zumbi

MERCANTILISMO

Aulinha de História do Professor e Cartunista Rodrigo Araújo de Piedade-SP. Sobre o Mercantilismo.

Fonte: http://www.youtube.com/user/acmestudio

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

DESCOBRIMENTOS

Aula de história do professor barão do pirapora, apresentando sua versão sobre o descobrimento do Brasil, uma versão resumida para caber no you tube.
Boa parte das informações anteriores da carta de caminha, pesquisei do varnhaggen e do Chiavenato. Tive dicas do Eduardo Bueno, quando fui expor essa versão animada em quadrinhos em Porto Seguro. O desenho é uma série de citações de varios autores, a base é a influência dos judeus no descobrimento. Alguns sotaques eu deixei com jeito de brasileiro (como fazem os americanos, mas ninguém reclama) para identificarem melhor, como o caso do Cabral.
O protagonista é de um lugar indefinido, imaginei ele um árabe da peninsula ibérica, um cristão novo, errante e tal. O negócio do ouro eu li na carta do Pero Vaz, e realmente o Vasco está falando com sotaque português
Fonte:http://www.youtube.com/user/acmestudio

RESENHA: MANIFESTO COMUNISTA


RESENHA DO MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA
RESENHA: Manifesto do Partido Comunista Escrito por Karl Marx e Friedrich Engels em dezembro de 1847 - janeiro de 1848. Publicado pela primeira vez em Londres em fevereiro de 1848. Publicado de acordo com o texto da edição soviética em espanhol de 1951, traduzida da edição alemã de 1848. Confrontado com a edição inglesa de 1888, editada por Friedrich Engels.
Da forma como estava sendo conduzido o capitalismo, não foi surpresa que surgisse um documento tão contundente como o Manifesto do Partido Comunista, trazendo esperança e progresso a situação dos trabalhadores. Motivou diversos movimentos de trabalhadores, que ajudou a amenizar os problemas relacionados a absurda exploração que sofriam há várias décadas, ao enfatizar a igualdade entre os homens e ao afirmar que os pobres, os pequenos, os explorados, enfim os proletariado também podem ser senhores de suas vidas.
Documento histórico foi testemunha da rebeldia do seres humanos. Com um texto racional, apaixonante e irônico deixa transparecer a origem comum com homens e mulheres de outros tempos.
A inquietação que agitou Liga dos Comunistas, reunida em Londres no ano de 1847, não foi diferente do que incendiou corações e mentes na luta contra a escravidão em todos os tempos, seja na servidão medieval ou no obscurantismo religioso ou em todas as formas de opressão.Encomendado a Marx e a Engels, intelectuais então quase desconhecidos, um de 30 e o outro de 28 anos, a elaboração do Manifesto saiu com um texto claro e objetivo. Portanto, o Manifesto Comunista é um conjunto afirmativo de idéias, de "verdades" em que os revolucionários da época acreditavam, por conterem, segundo eles, elementos científicos e um tanto economicistas, necessários para a compreensão das transformações sociais. Nesse sentido, o Manifesto é mais um monumento do que um documento pétreo, determinante, forte com palavras e frases que queriam ter o poder de uma arma para mudar o mundo, colocando se no lugar "da velha sociedade burguesa uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada membro é a condição para o desenvolvimento de todos."Com uma estrutura simples, O Manifesto constitui-se de uma breve introdução, três capítulos e uma rápida conclusão.
A introdução discorre sobre o medo que o comunismo causa nas classes dominantes de então, representados pela burguesia emergente, igreja e governantes. O medo que o comunismo causa acaba por unir todos os poderosos em uma aliança, satanizando o adversário que causa a desordem, instigando desobediência naqueles que são explorados pelo stato quo. O lado positivo é o reconhecimento do comunismo como uma nova força política emergente, trazendo a necessidade de explicar ao mundo seus objetivos e brecar a deturpação daqueles que a criticam.A primeira parte, "Burgueses e Proletários", resume a história da humanidade desde de tempos antigos até os dias de então, descrevendo as duas classes sociais que dominam o cenário. A grande contribuição deste capítulo talvez seja a descrição das enormes transformações que a burguesia industrial provocava no mundo, representando "na história um papel essencialmente revolucionário". Com sincera admiração, Marx e Engels relatam o fenômeno da “mundialização” que a burguesia implementava, globalizando o comércio, a navegação, os meios de comunicação. “A burguesia suprime cada vez mais a dispersão dos meios de produção, da propriedade e da população. Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos. A conseqüência necessária dessas transformações foi a centralização política. Províncias independentes, apenas ligadas por débeis laços federativos, possuindo interesses, leis, governos e tarifas aduaneiras diferentes, foram reunidas em uma só nação, com um só governo, uma só lei, um só interesse nacional de classe, uma só barreira alfandegária. “O Manifesto anteviu o que ocorre no mundo atual como o densevolvimento capitalista liberou forças produtivas nunca vistas, "mais colossais e variadas que todas as gerações passadas em seu conjunto". O poder do capital que submete o trabalho é anunciado e nos faz pensar no mundo globalizado em que vivemos.A revolução tecnológica e científica a que assistimos concentrado nas mãos de grandes conglomerados capitalistas, não passa da continuação daquela descrita no Manifesto, que "criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, que os aquedutos romanos e as catedrais góticas; conduziu expedições maiores que as antigas migrações de povos e cruzadas". Um elogio ao dinamismo da burguesia? Talvez? Mas vemos o antagonismo quando nos defrontamos com o trecho: ”Basta mencionar as crises comerciais que, repetindo-se periodicamente, ameaçam cada vez mais a existência da sociedade burguesa. Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças produtivas já desenvolvidas.”Em outro momento parecer dúbio: “Com o desenvolvimento da burguesia, isto é, do capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho, e que só encontram trabalho na medida em que este aumenta o capital.”
Chega a ser cruel com os desempregados, os mendigos, os marginalizados, "essa escória das camadas mais baixas da sociedade" que podem ser arrastada por uma revolução proletária, mas, por suas condições de vida, está predisposta a "vender-se à reação". O que se subentende que somente os operários fabris são capazes levar adiante a desejada revolução.A relativização do papel dos comunistas junto ao proletariado é o aspecto mais interessante da parte II, intitulada "Proletários e Comunistas".
Com o fortalecimento do Movimento Comunista por toda a Europa, começam a surgir contestações ao que pregava os comunistas. O próprio Manisfeto se incumbe de argumentar sobre mentiras espalhadas pelos críticos ao movimento. O manifesto passa a se defender das criticas que lhe são impostas, tais como “a abolição da propriedade privada, da supressão da liberdade do indivíduo, da perda da cultura, da liberdade, dos direitos, da abolição da família, substituindo a educação doméstica pela educação social”. ”As declamações burguesas sobre a família e a educação, sobre os doces laços que unem a criança aos pais, tornam-se cada vez mais repugnantes à medida que a grande indústria destrói todos os laços familiares do proletário e transforma as crianças em simples objetos de comércio, em simples instrumentos de trabalho.”
Todavia, listava algumas medidas que poderiam ser postas em praticas em países mais avançados, tais como: “Expropriação da propriedade latifundiária e emprego da renda da terra em proveito do Estado, imposto fortemente progressivo, abolição do direito de herança, confisco da propriedade de todos os emigrados e sediciosos, centralização do crédito nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital do Estado e com o monopólio, centralização de todos os meios de transporte, trabalho obrigatório para todos, organização de exércitos industriais, particularmente para a agricultura. A parte III, denominada "Literatura Socialista e Comunista" faz fortes críticas às diferentes correntes socialistas da época.
O Manifesto atribua, sem qualquer humildade, aos comunistas maiores poder de decisão, lucidez e liderança do que às outras “facções” que buscam representar o proletariado, seus objetivos são tidos como comuns: a organização dos proletários para a conquista do poder político e a destruição de supremacia burguesa. O Manifesto, usando até de ironia, critica três tipos de socialismo da época: o "socialismo reacionário", "socialismo conservador e burguês" e o "socialismo e comunismo crítico-utópico adotadas naquele momento pelos comunistas, na França, na Suíça, na Polônia e na Alemanha, Estados Unidos e Rússia”. Chega a citar a França: “Nos países como a França, onde os camponeses constituem bem mais da metade da população, são naturais que os escritores que se batiam pelo proletariado contra a burguesia, aplicassem à sua crítica do regime burguês critérios pequeno-burgueses e camponeses e defendessem a causa operária do ponto de vista da pequena burguesia. Desse modo se formou o socialismo pequeno-burguês.” E Alemanha: “Nas condições alemãs, a literatura francesa perdeu toda significação prática imediata e tomou um caráter puramente literário”. “Introduziram suas insanidades filosóficas no original francês. Por exemplo, sob a crítica francesa das funções do dinheiro, escreveram da "alienação humana"; sob a crítica francesa do Estado burguês, escreveram "eliminação do poder da universidade abstrata", e assim por diante.”
Ao terminar com a celebre frase: "PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS!"
Acaba por ameaçar os conservadores ao desejar que "as classes dominantes tremam diante da idéia de uma revolução comunista".

Aluno:USP - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
- EACHBASILIO – email: ildeu.pereira@usp.br
Acesso: 28/02/2009.

DESENHO DISNEY. NAZISMO

ATIVIDADE DE CASA - INDIVIDUAL

Desenho animado feito pelos estúdios Disney, 1943, sobre a Alemanha nazista.

INSTRUÇÕES PARA AVALIAÇÃO.

1. Assista ao desenho;
2. Descreva as características do ideário nazista presentes no desenho;
3. Escolha um dos membros do governo nazista e escreva uma pequena biografia.
4. Quais os símbolos nazistas você identifica no desenho? Descreva-os.
5. O que é a nazilândia?
6. O que você achou do desenho? Ele, o desenho, contribuiu de alguma forma para o seu aprendizado? Justifique.

7. Data para a entrga do exercício: 02/04/2009.

8. Respostas via e-mail. wsshist@gmail.com

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

LULA X COLLOR (1989)

Debate entre os candidatos a presidência.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Para acessar o primeiro volume do capital em quadrinhos basta clicar na URL baixo.

http://www.esnips.com/doc/32eb5911-5e43-418a-b43d-13247be1a1f0/Karl-Marx.-O-Capital-(Vol_1)--Em-Quadrinhos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A IGREJA - EDUCAÇÃO NO SÉCULO XII

Uma escola no século XII

"Volta-te agora para o outro lado e vê. Eu estou voltado e vejo. que vê você? Eu vejo uma reunião de estudantes; seu número é grande, há de todas as idades; há crianças, adolescentes, moços e velhos. Seus estudos são diferentes; uns exercitam sua língua inculta a pronunciar novas palavras e a produzir sons que lhes são insólitos. outros aprendem, em seguida, ouvindo, as inflexções do termo, sua composição e sua derivação; depois eles os pronunciam entre si e, repetindo-os, gravam-nos em sua memória. outros trabalham com um estilete em tábuas revestidas com cera. outros traçam com mão sábia, sobre membranas, diversas figuras de cores diferentes. Outros, inflamados por um zelo mais ardente, parecem ocupados com assuntos mais sérios; discutem entre si, e se esforçam para com suas razões e artifícios colocarem em cheque uns aos outros. Vejo alguns que estão mergulhados nos cálculos. Outros, a tanger uma corda esticada sobre um pedaço de madeira, tirando delas melodias variadas. outros, com o auxílio de certos instrumentos, o curso e a posição dos astros e a revolução dos céus. outros tratando da natureza das plantas, da constituição dos homens, das propriedades e virtudes de todas as coisas."

Hugues de Saint-Victor, De Vanitate mundi, I, II; ed. Migne, P.L., CLXXV, col. 709, apud J. Clemente, op.cit., p. 299. in. Modo de Produção Feudal. Org. Jaime Pinsky. Glopbal Editora. p.125.

BIBLIOGRAFIA - EDUCAÇÃO



Professor, Não Deixe a Peteca Cair!: 63 Idéias para Aulas Criativas
Simão De Miranda Editora: PAPIRUS EDITORA ISBN: 8530807723 Ano: 2005
Esse livro tem como objetivo convidar o professor a refletir sobre seu papel e sua prática, incentivando-o a implementar, em sala de aula, estratégias que favoreçam o desenvolvimento da criatividade e da afetividade do aluno. Como o autor destaca, o afeto é uma condição necessária ao desenvolvimento das habilidades intelectuais e acadêmicas. Desse modo, o aluno motivado, interessado e com autoconceito positivo tende a apresentar um desempenho mais criativo e empreendedor. Mais do que oferecer diversas idéias para tornar a aula mais atraente, o livro incentiva o professor não só a revisá-las, como também a elaborar suas próprias estratégias criativas e afetivas. Assim, além de resgatar o prazer de ensinar, estimula o educador a experimentar novas formas de pensar e atuar.

Fonte: http://simao-de-miranda.comprar-livro.com.br/livros/1853080772/

A nossa biblioteca - C.E. Rubens Farrulla - adquiriu recentemente esse livro. Vale a pena conferir.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

GUERRA DO CONTESTADO

DOUTRINAS SOCIAIS


O manifesto acima, está relacionado ao movimento punk.
De quais doutrinas sociais que suriram no século XIX, o movimento punk é "herdeiro"? Justifique.

Para responder, se necessário, consulte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Punk
Resposta via e-mail: wsshist@gmail.com

SEM COMENTÁRIOS 2


PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - PARTE 1

Vídeo postado no youtube, sobre a Primeira Guerra Mundial, por estudantes do Ensino Médio. Vale como uma aula de revisão. Essa é a primeira parte.

O RIO DE JANEIRO NO SÉCULO XX

MOVIMENTOS SOCIAIS URBANOS
O endereço abaixo e um vídeo sobre as reformas urbanas durante o governo Pereira Passos no início do século XIX.
http://cafehistoria.ning.com/video/o-bota-abaixo-de-pereira
Ou você pode clicar no quadro abaixo.

INSTRUÇÕES
Após assistir o vídeo e ler os comentários, responda:
a) Quais os motivos alegados pelas autoridades para as reformas?
b) Quais foram as consequências dessas reformas para a população do Rio de Janeiro?
c) O que o historiador, Milton Teixeira, quis dizer com essa oração "...mas não posso dizer que tenha sido a cidade ideal para os cariocas." - lembre-se, ao responder essa questão, de inseri-la no seu contexto histórico.
d) Enviar a resposta via e-mail: wsshist@gmail.com
e) Data a combinar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

AULAS NO CINEMA


Deixe as suas impressões no comentário.

SEM COMENTÁRIOS


domingo, 8 de fevereiro de 2009

RPG - DESCOBRIMENTO

RPG para estudar História
Disciplina: História
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Viagens portuguesas dos séculos XV e XVI
Tipo: Jogos
Adolescentes, de modo geral, são curiosos e têm um espírito de aventura aguçado. Que tal desenvolver com seus alunos uma atividade que, além de explorar ao máximo essas características, possibilita que eles aprendam de modo prazeroso?
Pois é... Tudo isso pode acontecer com um jogo de inventar e contar histórias chamado RPG (Role Playing Game), no qual cada participante faz o papel de um personagem. O narrador da história, o mestre, organiza as situações, mas são os participantes que decidem o que cada personagem vai fazer. O mestre conduz a partida, atuando como árbitro e fazendo o papel de todos os outros personagens com quem os jogadores se defrontarão durante a aventura.
O material necessário para se jogar uma aventura pronta é simples: uma história básica, contendo um desafio a ser alcançado pelos personagens, o cenário e os dados de jogar que decidem as batalhas.
Uma aventura pronta ajuda a aprender a dinâmica do jogo e suas regras básicas. O mais interessante, contudo, é o grupo criar suas próprias aventuras, que demandam pesquisa para a criação de cenários, personagens e enredo, que podem ser ambientados em diferentes contextos históricos.
O melhor é que se trata de um jogo de cooperação e não de competição. Para começar, há um material interessante: o livro “O descobrimento do Brasil – RPG para iniciantes”, de Luiz Eduardo Ricon. Além de conter uma aventura pronta inspirada na viagem de Cabral, traz explicações para a criação de outras aventuras, a partir dos dados históricos das viagens portuguesas dos séculos XV e XVI.
Referência bibliográfica:
RICON, Luiz Eduardo. O Descobrimento do Brasil – RPG para Iniciantes. São Paulo: Devir, 1999.
Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

História da Segunda Guerra Mundial
Disciplina: História
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Segunda Guerra Mundial
Tipo: Texto
Uma possibilidade para “revolucionar” a História ensinada nas escolas é tratar os temas “tradicionais” do currículo sob novos enfoques e abordagens, destacando as reflexões que ajudam a iluminar a compreensão do presente e propiciar a construção de uma postura crítica dos alunos.
O livro “História da Segunda Guerra Mundial”, de Marc Ferro, pode favorecer esse tipo de trabalho com o tema. Adepto da história-problema, do esforço dos historiadores em enfrentar as zonas cinzentas na interpretação dos eventos históricos, o autor apresenta onze ensaios (sucintos, daí a possibilidade de uso na escola) sobre questões controversas, pouco estudadas ou abertamente polêmicas da Segunda Guerra Mundial, tais como:
#o extermínio dos judeus – quem sabia e o que sabia? (capítulo 9);
#os diversos tipos de colaboração com o nazismo, em vários países europeus (capítulo 7);
#o mito do jogo duplo na política de Pétain, na França ocupada (capítulo 2);
#os trunfos da resistência (capítulo 8), entre outros.
Para cada ensaio, há uma seção chamada “Documentos”, com transcrições de jornais apresentados nos cinemas, cartas, jornais escritos, panfletos e outros testemunhos do evento em questão, que podem ser lidos e discutidos em classe.
Se o professor desejar discutir, por exemplo, o papel da mídia na formação da opinião pública, pode utilizar o primeiro ensaio para leitura e discussão em pequenos grupos. Nesse ensaio, o autor questiona o funcionamento da propaganda nos dois lados do conflito. Para isso, utiliza-se de um material recentemente incorporado à análise histórica: a produção cinematográfica.
Trata-se de uma rápida análise de filmes de ficção, jornais de tela (que apareciam no meio de filmes de propaganda nazista) e material de propaganda produzidos nos EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Rússia, mostrando como a opinião pública desses países foi preparada para entrar na guerra.
Na Alemanha, especialmente, o cinema foi uma das molas mestras da propaganda nazista, totalmente sob o controle do poder, situação essa que inspirou Charles Chaplin, em “O Grande Ditador” (1939-40), e tantos outros filmes antifascistas, principalmente nos EUA e na ex-URSS. Assim, segundo Marc Ferro, às vésperas do início da guerra, os cineastas desses dois países prepararam a opinião pública para combater o nazismo.
Boa parte desse material está disponível em vídeo e possibilita um interessante trabalho em sala de aula. É possível estabelecer com os alunos um programa de trabalho em etapas, por exemplo:
Etapa 1:
Assistir a dois ou três desses filmes (de países diferentes) e estabelecer comparações entre eles, visando a identificar o contexto histórico, as idéias veiculadas, os conflitos narrados e outras questões ligadas à linguagem específica do cinema. Nesse caso, localizar para análise um filme de propaganda alemã pode ser muito elucidativo, se o professor chamar a atenção dos alunos para os recursos e sutilezas não-verbais, que visam a incutir nos espectadores as idéias nazistas.
Após a projeção de cada filme, é interessante uma primeira troca de impressões com a classe e, em seguida, uma discussão organizada em grupos, seguindo o esquema proposto e elaborando os registros para serem compartilhados. O interessante é que os alunos, ao final do ciclo, estabeleçam semelhanças e diferenças entre os filmes dos diversos países.
Etapa 2:
Para aprofundar as questões suscitadas pelos filmes, nada melhor do que a leitura do livro de Marc Ferro, que pode ser trabalhado em forma de seminário, em que cada grupo se dedica a um dos ensaios, que contam com um roteiro de questões orientadoras da discussão no final (p. 189).
É importante também analisar o rico material iconográfico de cada ensaio: cenas de filmes, cartazes de propaganda nazista ou da resistência, fotografias de combates e muitos outros.Com atividades desse tipo, é possível que os alunos percebam cada vez mais a importância do trabalho da História na formação do cidadão, com o exercício do olhar e análise críticos sobre a diversidade da experiência humana, expressa de várias maneiras.
Referência:
FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Ática, 1995.
Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

DESCOBRIMENTOS

Canções do Descobrimento
Disciplina: História
Ciclo: Ensino Fundamental - 2º Ciclo
Assunto: Conquistas portuguesas, colonização do Brasil
Tipo: Músicas
Começar projetos de trabalho ou novos assuntos com música é sempre um jeito interessante de envolver os alunos. Para introduzir os estudos sobre as conquistas portuguesas, o CD "Madeira que cupim não rói" ("Na pancada do ganzá II"), de Antônio Nóbrega, traz três músicas bem adequadas, de autoria do próprio Antônio Nóbrega e de Wilson Freire:
Chegança – conta a chegada dos portugueses do ponto de vista de um índio, além de afirmar as identidades dos povos indígenas;
Quinto Império – fala dos desafios enfrentados pelos portugueses nas suas viagens pelo mar e de seus compromissos com a Fé e com el-Rei de Portugal;
Olodumare – um canto de dor e morte pelos africanos que vieram escravizados, mas aqui fizeram brotar na terra o seu cheiro, sua cor, seu tambor, sua vida.
Depois de ouvirem, distribua cópias das letras para os alunos. Divida a classe em três grupos e proponha a cada um a discussão sobre uma das letras. Peça para repararem bem: quem é o narrador (aquele que “fala”); do que ele fala; de que tempos e lugares; se a fala expressa algum tipo de conflito e como é resolvido.
Ajude os alunos também a analisarem a música propriamente dita: o ritmo, os instrumentos usados, os sons produzidos, entre outros.Terminando, proponha a cada grupo a apresentação do que foi discutido e a elaboração de uma síntese coletiva, com registro escrito.
Referência:
CD Madeira que cupim não rói (Na pancada do ganzá II), de Antônio Nóbrega, Estúdio Eldorado e Brincante Empreendimentos Artísticos, 1997.
Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Tempos Modernos
Disciplina: História
Ciclo: Ensino Fundamental 2º Ciclo
Assunto: Revolução Industrial
Tipo: Filme
O filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, mostra a vida de um operário da linha de montagem em uma fábrica. A jornada de trabalho é repetitiva, exaustiva e aumentada progressivamente pelo patrão. A intensidade do movimento das máquinas é tanta, que o personagem é engolido pelas engrenagens e, como se não bastasse, é confundido com um líder trabalhista e vai parar na cadeia.
Com muito humor, Chaplin mostra o drama do desemprego, a exploração da força de trabalho, o antagonismo entre capital e trabalho e o movimento sindical.
O professor pode propor para a classe um roteiro prévio de observação do filme e que os alunos se inscrevam em grupos a partir de cada aspecto a ser observado.
Por exemplo:
Grupo 1 - Observar, no decorrer do filme, a relação entre patrão e empregado;
Grupo 2 - Procurar perceber por que o personagem foi preso;
Grupo 3 - Prestar atenção, durante o filme, como é o trabalho na fábrica e como o operário se sente;
Grupo 4 - Observar, na história, fatos e situações semelhantes ou diferentes das que vivemos hoje.
Após a projeção, as questões observadas devem ser socializadas e as informações organizadas. O professor discute e estabelece relações com os alunos sobre:
O processo de industrialização: vantagens e desvantagens;
As relações de trabalho no sistema capitalista;
O que mudou e o que permanece.
Para concluir, pode associar o estudo da Revolução Industrial à área de Geografia: a indústria e o espaço no qual se instala; a ação das multinacionais no país etc.
Referência:"Tempos Modernos", de Charles Chaplin. Estados Unidos, 1936, 87 minutos.O filme focaliza a vida urbana nos Estados Unidos dos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão leva grande parte da população ao desemprego e à fome. Trata-se de uma crítica à “modernidade” e à sociedade industrial, caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. Carlitos, figura central do filme, ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista.
Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

Escravidão.

O trabalho escravo no Brasil

Disciplina: História
Ciclo: Ensino Fundamental 2º Ciclo
Assunto: Escravismo
Tipo: Artes Visuais

A proposta apresentada a seguir pode iniciar um diálogo e uma reflexão sobre as origens do trabalho compulsório no Brasil (escravidão, principalmente negra), entre alunos de 6ª ou 7ª série.
A classe deve ser organizada em roda e o professor inicia o trabalho perguntando sobre o significado da palavra escravidão. Porém, os alunos não devem expressar suas idéias oralmente e sim com uma palavra escrita, um gesto ou desenho.
Em seguida, o professor apresenta a figura “A Negra”, de Tarsila do Amaral, podendo ampliá-la para facilitar a observação dos alunos. Com a imagem em mãos, estabelece comparações com a produção do grupo e verifica a opinião dos alunos sobre a negra idealizada pela artista, perguntando se ela representa de fato a condição dos negros da atualidade ou a que estereótipo corresponde.
Inicia-se, então, um debate com os alunos sobre a situação atual dos negros em nosso país. Como apoio para essa discussão, podem-se utilizar textos, situações que os alunos apresentarem (que envolvam preconceito e diversidade de oportunidades), fragmentos de músicas, como “O Teu Cabelo não Nega”, ou ainda trechos de livros, como Macunaíma, de Mário de Andrade (Exemplos de textos que podem ser utilizados no final da postagem).
É importante que o professor mostre que palavras ou expressões podem assumir diferentes sentidos, conforme a situação em que estão sendo empregadas. Por exemplo, falar que “a situação está preta” não implica necessariamente em racismo, pois desde o tempo das cavernas o ser humano teme a falta de luz, por representar perigo. Já em expressões como “isso é coisa de negro”, fica claro o conteúdo racista.
O professor também deve lembrar que a escravidão no Brasil não ocorreu apenas com os negros. Não podemos esquecer dos índios, escravizados quando os portugueses chegaram ao Brasil. Além disso, o preconceito racial também se estende a outros “não brancos”, como os próprios índios, os árabes etc. Caso o professor queira aprofundar o trabalho, pode ampliar o tema introduzindo a questão do preconceito em geral e da intolerância com a diversidade étnica e cultural.
Para concluir a atividade, pode-se solicitar a elaboração de um texto coletivo, com o registro das idéias dos alunos em relação à atividade desenvolvida, que dará ao professor subsídios para estabelecer conexões entre a situação de agora e a experimentada pelos escravos a partir do século XVI.
A atividade pode ser realizada de forma interdisciplinar, contando com os professores de Educação Artística e Língua Portuguesa. Como projeto interdisciplinar pode, por exemplo, contar com a montagem de uma peça teatral ou a exposição de telas produzidas pelos alunos a partir do tema.
O professor de Educação Artística pode ressaltar técnicas variadas de composição artística e promover a apreciação, comparação e releitura de outros quadros da própria Tarsila do Amaral ou de outros artistas, introduzindo um estudo sobre o Modernismo e a questão da identidade nacional.
Já o professor de Língua Portuguesa pode discutir textos narrativos e poesias, visando à produção escrita dos alunos e ao desenvolvimento de suas habilidades, seja com teatro, pintura, concurso de poesias, ou ainda saraus e o que mais a criatividade permitir. No entanto, deve-se ficar atento aos objetivos da atividade, para não haver dispersão nem afastamento da proposta de trabalho.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede
TEXTOS ANEXOS:
I) "Fragmento"
O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho... Quando o herói saiu do banho estava loiro e de olhos azuizinhos, a água lavava o pretume dele.(Macunaíma, Mário de Andrade)
II) "O Teu Cabelo Não Nega"
O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata eu quero é teu amor
(Música carnavalesca)
III) "Imagens da Escravidão Urbana"
O vaivém dos negros, no Rio de Janeiro - capital do império -, foi captado em diferentes tempos, locais e situações pelos artistas e cronistas. Na condição de escravos libertos, contribuíram para o burburinho das cenas urbanas, tomando conta do cais do porto, das ruas, chafarizes, feiras, vendas e mercados. [...]
Já a vida cotidiana do branco desenrola-se no isolamento, para dentro das casas. Isso é notório, principalmente em relação às mulheres, que levavam uma vida social limitada, contida pelos valores morais e tradições herdadas da Península Ibérica. Vez ou outra foram flagradas à janela ou sacada pelo olhar aguçado do viajante.
Seus raros passeios se restringiam às idas à missa, às visitas de cerimônia e às eventuais festas, sempre, é claro, acompanhadas pelo chefe da família. Mulher honrada se resguardava dos olhares curiosos, escondendo-se por trás das cortinas das cadeirinhas, hábito que serviu de tema para imagens crônicas dos visitantes estrangeiros.
O uso da cadeirinha persistiu ao longo do século; e, nesta sua trajetória, era comum a mulher ser carregada por negros uniformizados de libré e casaca enfeitada com galões dourados. Mas sempre descalços, como manda a tradição para escravos. [...]
Referindo-se a cidade de Salvador, Avé-Lallemant comenta: "[...] tudo parece negro: negros na praia, negros na cidade, negros na parte baixa, negros nos bairros altos. Tudo que corre, grita, trabalha, tudo que transporta e carrega é negro".
(KOSSOY, Boris & CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Olhar Europeu - O Negro na Iconografia Brasileira do Século XIX. São Paulo: EDUSP, 1994. Texto citado e adaptado em: FARACO, Carlos Emílio. Linguagem Nova - 7ª Série. São Paulo: Ática, p.42.)
IV) "O Dicionário"
Entrei na biblioteca e abri o dicionário do Aurélio. Procurei a palavra negro e entre seus significados estavam estes: "sujo, encardido", "triste", "maldito". Mais embaixo vinha negrura, palavra que podia ser associada à idéia de crueldade, perversidade, ruindade, falta, erro, culpa. Saí da sala achando que ser negro não era muito bom não.
Passei pela secretaria e uma moça falava em tom de desespero. "A coisa está preta!" Pensei então: "Assim eu não vou querer ser nem negra e nem preta".
Mas aí me empinei toda e fui perguntar à professora se não estava errado o dicionário e as pessoas falarem que o escuro é ruim. A professora também era escura e disse: "É preciso prestar atenção à semântica! Ela é uma prática para justificar a superioridade de uma população sobre outra, desprezando-a cotidianamente em pequenas fórmulas de associações negativas".
Com o tempo, entendi direitinho: o sentido que nós damos às palavras indica o modo como vemos o mundo, traduz o que achamos das coisas. Se alguém diz, por exemplo, que fulano "fez um serviço de preto", isso quer dizer que no fundo a pessoa acha que todas as pessoas negras sempre fazem trabalhos malfeitos. E isso por acaso é verdade? (Não, é racismo.)
Com o tempo, entendi também que o dia só existe se existe a noite. E que os dois são iguais. Sombra é bom quando tem muita luz e luz é bom quando está muito escuro. O petróleo é negro e não é sujo, o carvão é preto e faz fumaça branca, e eu pensei em tantos opostos que se equilibram que... deu um branco na minha cabeça!
(LIMA, Heloísa P. Histórias de Preta. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998. p.54)
Fonte: EducaRede

MOVIMENTOS SOCIAIS NA REPÚBLICA VELHA 3

A Guerra de Canudos
Disciplina: História
Ciclo: Ensino Fundamental - 2º Ciclo
Assunto: Movimentos sociais, luta pela terra no BrasilTipo: Filme
Quando se busca estudar a História do Brasil para além dos fatos e feitos do oficialismo, deparamos-nos com eventos que permitem construir e compreender outros pontos de vista da mesma história, como no caso de Canudos.
No sertão da Bahia, no final do século XIX, já em plena República, um grupo de sertanejos liderados por Antonio Conselheiro edifica o Arraial de Canudos e nele deposita seus sonhos de vida digna, com muito trabalho e orações. Esses excluídos da ordem social latifundiária, que experimentam um projeto diferente de vida, mais coletivo e compartilhado, são atacados por forças governamentais. Defendem-se bravamente e acabam dizimados, restando alguns sobreviventes – idosos e crianças.
O longa-metragem "Guerra de Canudos", de Sérgio Rezende, embora com enredo de ficção, permite uma discussão interessante a respeito dessa guerra e de suas motivações. Após a projeção do filme e da retomada de algumas cenas para melhor compreensão, podem-se sugerir as seguintes questões para discussão em pequenos grupos:
*O cotidiano no Arraial de Canudos: o que mais incomodou?
*A condição de “fanáticos religiosos” atribuída aos sertanejos: o que ela ocultava?
*A quem interessava a destruição de Canudos? Por quê?
Por fim, numa discussão coletiva, os alunos apresentam e organizam suas idéias, verificando possíveis aproximações e depois fazem uma síntese individualmente.
Em tempo: chame a atenção dos alunos para a bela trilha sonora composta por Edu Lobo.
Referência:Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende.
Brasil, 1997, 165 minutos.
Em 1893, Antônio Conselheiro e seguidores passam a representar uma ameaça à República que acaba de ser proclamada. O envio de destacamentos militares para destruí-los leva esses sertanejos a lutarem para defender seus lares, mas a nova ordem não aceita o desafio. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruí-los. Esses fatos são vistos pela ótica de uma família, que tem opiniões conflitante sobre o líder do movimento.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

IDADE MODERNA. GRANDES NAVEGAÇÕES

AS GRANDES NAVEGAÇÕES E O DESCOBRIMENTO DO BRASIL

Esse plano de aula está baseado na revista Veja: A aventura do descobrimento.
Caso necessitem da revista é só entrar em contato.

Objetivos
Compreender a complexidade do momento histórico que originou o movimento das grandes navegações.
Atividades
1. Um elemento importante para compreender a expansão marítima européia dos séculos XV e XVI foi o apoio e a ação política dos Estados nacionais centralizados, em formação nessa época. Nicolau Maquiavel (1469-1527), autor de O Príncipe, foi um dos primeiros a defender a necessidade do fortalecimento de um Estado centralizado e duradouro para o desenvolvimento e a expansão de uma nação. Como explica o pensador italiano Antonio Gramsci, Maquiavel "mostra como deve ser o Príncipe para levar um povo à fundação do novo Estado, e o desenvolvimento é conduzido com rigor lógico, com relevo científico". Analise com seus alunos, apoiado no texto "A Realidade Crua do Poder", entrevista baseada em fragmentos de O Príncipe, os seguintes aspectos: - Que pontos são propostos com destaque por Maquiavel para a fundação do Estado e da ação política modernos? - Qual era a realidade política dos Estados ibéricos naquele momento histórico? - Que relação há entre as idéias de Maquiavel e as condições políticas de Portugal e Espanha?
2. Após a discussão de caráter mais abrangente realizada na questão anterior, recupere com a turma, a partir das reportagens "A conquista do Mar Oceano' (págs. 42 e 43), "O Salto de Qualidade" (págs. 48 e 49) e "Santa Cruz é Nossa" (págs. 54 a 56), a ação efetiva (recursos financeiros, tecnologia, apoio político e militar, entre outros fatores) dos Estados espanhol e português para o desenvolvimento da expansão marítima.
3. Desde o século XI, a Europa feudal passou por mudanças que atingiram todas as esferas da vida - relações políticas, econômicas, culturais, religiosas e a própria visão de mundo. Como resultado, nos séculos XV e XVI o universo medieval estava em colapso, enquanto o capitalismo dava seus passos iniciais. Com base nas reportagens "Admirável Mundo Novo" (págs. 24 e 25), "O Império Ataca" (págs. 60 a 63) e "Guinada no Mercado" (págs. 76 a 78), procure reconstruir os aspectos mais importantes da economia da Europa e o impacto deles para o restante do planeta.
4. Muitos cronistas registraram as tremendas dificuldades que os navegadores europeus enfrentavam em suas longas viagens ao Oriente, à África e à América nos séculos XV e XVI. Um deles, o artesão calvinista francês Jean de Léry, nos deixou um magnífico relato no livro Viagem à Terra do Brasil: "O sol é fortíssimo e, além do calor que padecíamos, não tínhamos, fora das parcas refeições, água doce nem outra bebida em quantidade suficiente. Sofríamos assim tão cruelmente a sede que cheguei quase a perder a respiração (...)". Apoiado nesse relato, no quadro "Uma Equipe Multinacional" (págs. 28 e 29) e nas reportagens "A Conquista do Mar Oceano", "A Vastidão das Águas do Sul" (págs. 44 a 46) e "Profissão de Alto Risco" (págs. 58 e 59), procure recriar com seus alunos o cotidiano de quem enfrentou essas viagens rumo ao desconhecido.
5. Para os viajantes europeus dos séculos XV e XVI, os oceanos e as terras recém-descobertos estavam repletos de mistérios e mitos, originários da Idade Média e influenciados pelo catolicismo. Como observou o historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda em seu livro Visão do Paraíso, "mesmo quando não se mostrou ao alcance dos olhos mortais (...) [a Visão do Paraíso] esteve continuamente na imaginação de navegadores, exploradores e povoadores do hemisfério ocidental". Baseado na afirmação de Sérgio Buarque e na reportagem "Admirável Mundo Novo", coloque em discussão as características desses mitos e lendas, a exemplo da existência de um paraíso criado por Deus e perdido em terras desconhecidas, provavelmente na América.
6. Quando os europeus chegaram ao novo continente encontraram diversas sociedades organizadas de maneiras distintas. A estranheza das primeiras impressões manifestou-se de vários modos, das relações cordiais à violência e à intolerância. A partir das reportagens "Uma Terra Graciosa, um Povo Gentil" (págs. 26 a 31), "A Crônica do Achamento" (págs. 36 a 39) e "Paraíso ou Inferno?" (pág. 86), proponha que seus alunos: - Utilizem a seguinte frase de Sérgio Buarque de Holanda para debater as relações entre europeus e ameríndios: "É o confronto de duas humanidades diversas, tão heterogêneas, tão verdadeiramente ignorantes, agora sim, uma da outra, que não deixa de impor-se entre elas uma intolerância mortal" (trecho de O Extremo Oeste); - Analisem o seguinte texto do português Gabriel Soares de Souza (1540-1592), na obra Tratado Descritivo do Brasil em 1578, no qual um comentário sobre a fala dos tupinambás traduz a visão eurocêntrica dos colonizadores: "(...) Faltam-lhes três letras das do ABC (...) Se não têm F é porque não têm fé (...). E se não têm L na sua pronunciação é porque não têm lei alguma que guardar, nem preceito para se governarem (...) E se não têm R na sua pronunciação é porque não têm Rei que os reja, e a quem obedeçam (...)".
7. O termo globalização vem sendo usado para explicar, positiva e negativamente, a realidade que vivemos. Discuta essa questão com seus alunos. Use o especial de VEJA para traçar um paralelo entre o atual processo de expansão e o dos séculos XV e XVI.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

ATIVIDADES: PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Atividade: Imagem e texto como fontes históricas

Nas trincheiras de Verdun – França

..."Com os pés enterrados, sacudo pedaços de barro gelado que me pesam nas mãos... Retomo a minha marcha, as pernas abertas, atravessando a terra mole desbarrancada, sondando prudentemente a lama que esconde buracos. Apesar de tudo, às vezes, o lugar onde lancei meu impulso se desmancha, o barro puxa minha perna, a agarra, a paralisa; tenho que fazer um grande esforço para libertá-la. Do fundo do buraco que logo se encheu de água, meu pé tira uma confusão de fios onde reconheço a linha telefônica.
Soldados em tricheira, Verdun, França
Justamente aí aparece o telefonista encarregado de consertar as linhas, tem o rosto contraído pelas agulhas geladas da chuva:"Que caos! Não sobrou nada aí dentro! Só barro e cadáveres!". Sim, cadáveres. Os mortos nos combates de outono, que haviam sido enterrados superficialmente na barreira de proteção da trincheira, aparecem aos pedaços nos desprendimentos de terra".
Fonte: Texto adaptado de Paul Tuffrau. 1914-1918, quatre années sur le front : Carnets d'un combattant. Paris: Imago, 2004.

Para saber mais:
Durante 10 meses, ao redor de 300 dias, do 21 de fevereiro ao 19 de dezembro de 1916, alemães e franceses protagonizaram na Primeira Guerra Mundial aquela que foi considerada a mais longa, violenta e mortífera de todas as batalhas que a história militar registrou. Travada ao redor da antiga cidadela de Verdun, em território francês, ela passou a ser, para aqueles que dela participaram, sinônimo de inferno, o Inferno de Verdun. Uma hecatombe que devorou durante o ano de 1916 a vida e a saúde de mais de 700 mil soldados. Cifra de baixas impressionante, tratando-se de uma só batalha, mais do que em qualquer outro momento da história.
Fonte: Voltaire Schilling – O inferno de Verdun. In: - Acesso em Junho de 2006.

Temos dois testemunhos da guerra de trincheiras. Na foto, vemos soldados no front de Verdun. O texto foi escrito por um soldado francês.

1. Descreva a fotografia. Onde estão os soldados? O que estão fazendo? Em que condições está o local?

2. Faça um breve resumo do texto de Paul Truffau.

3. Relacione o texto com a foto, inserindo-os em seu contexto histórico (o front ocidental na 1ª Guerra).

4. Escreva uma pequena redação imaginando a você mesmo em uma trincheira da 1ª Guerra Mundial.

A HISTÓRIA SECRETA DO BRASIL


O descobrimento planejado do Brasil
e a tomada de posse da terra prometida

Deus quer; o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste, desvendando a espuma.
(Mar Português – Possessio maris – I. O Infante Fernando Pessoa, Mensagem)

Versão meio louca sobre o "descobrimento" do Brasil.

Ao longo deste capítulo, serão abordadas questões extremamente importantes e, infelizmente, pouco conhecidas. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que o Brasil não foi "descoberto" em 22 de abril de 1500, conforme regularmente se ensina (e se comemora) e que a missa aqui celebrada em 26 de abril também não foi a primeira.
Em seguida, convém registrar que o "descobrimento" não se deu por acaso, como se costuma (ou se costumava) ensinar nos livros escolares; foi, ao contrário, cuidadosamente planejado pelos reis templários portugueses, que tinham conhecimento da existência destas terras do outro lado do Atlântico e sabiam das correntes marítimas para a elas chegar muito antes das primeiras navegações lusitanas.
Em terceiro lugar, é preciso retificar que o principal motivo para as grandes navegações não foi de ordem econômica, como costumeiramente se acre-dita; ao contrário, o projeto dos descobrimentos obedeceu, antes de tudo, a uma motivação espiritual - dentro do plano dos cavaleiros da Ordem do Templo ou de Cristo de chegar à Terra da Promissão, à Grande Ilha Sagrada ou Ilha Imperecível, onde seria feito, de acordo com as profecias , o Reino de Deus na Terra.
Em quarto, o nome Brasil não veio de pau-brasil (cor de brasa) como se ensina e, sim, é uma denominação que já existia antes da oficialização da descoberta, significando "terra abençoada".
Finalmente, quem nos colonizou não foram só bandidos degredados e gente da pior espécie, conforme se afirma injusta e inveridicamente; ao contrário, o Brasil foi povoado principalmente por uma elite constituída por cristãos-novos, cavaleiros templários e pessoas perseguidas ( degredadas) por questões ideológicas ou religiosas, como os festeiros do Divino.Vamos ver esses cinco aspectos um por um.
1343: Portugal Anuncia ao Papa a "Descoberta" da Ilha do Brasil
Oficialmente, sabe-se que os portugueses já no ano de 1343 ou antes dele aqui estiveram, enviados pelo rei de Portugal Afonso IV, filho de D. Dinis.
Afirma-nos Roberto Costa Pinho que "o primeiro registro da Ilha Brasil encontra-se na Carta Náutica do cartógrafo genovês Angel Dalorto, elaborada em 1325, onde ela figura a oeste da costa sul da Irlanda, 175 anos antes do Brasil ser oficialmente descoberto." 98
Como podia um cartógrafo genovês saber da existência desta terra, que os irlandeses da época passaram depois a chamar de Ilha de São Brandão? De duas maneiras: ou porque teve acesso a mapas existentes (como os dos templários) – assunto de que falaremos mais à frente - ou porque, já nessa época, navegadores portugueses, orientados por genoveses, cruzavam os mares e aportavam no Novo Mundo.
Esta última hipótese sem dúvida é plausível, pois convém lembrar que o rei D. Dinis, de Portugal, nascido em 1260 e considerado o pai do projeto dos descobrimentos, contratou navegadores genoveses para construção da primeira armada portuguesa, com vistas às navegações marítimas futuras. Foi este monarca que plantou pinhais pelo reino, para fornecer a madeira necessária ao feitio das embarcações.
O ano de 1325, em que apareceu a Carta Náutica de Ângelo Dalorto, foi também o ano em que morreu D. Dinis, subindo ao trono seu filho Afonso IV. Dezoito anos após a morte de D. Dinis, em 1343, foi oficiada ao papa a descoberta da Ínsula Brasil, conforme registra Felipe Cocuzza:
"Sancho Brandão foi o navegador português que, a mando de D. Afonso IV chegou ao Brasil na Idade Média, conforme atesta Assis Cintra, em seu livro "Revelações Históricas para o Centenário", em 1923. Essa navegação foi informada por D. Afonso IV ao papa Clemente VI em carta de 12 de fevereiro de 1343, acompanhada de um mapa com a inscrição de "Ínsula do Brasil ou de Brandam". O nome Sancho, de Sanctius, o mais santo, ajudou a convergência para São Brandão". 99
Segundo este mesmo autor, mapas e textos europeus da Idade Média, entre eles o célebre "The Canterbury Tales", de Geolfroy Chaucer (1380) ligam sempre o nome do Brasil ao de Portugal, às vezes dando idéia inequívoca de posse: Brasil de Portugal.
Esta "descoberta" de 1500 foi, portanto, uma "tomada de posse", uma vez que os reis templários de Portugal já sabiam da existência destas terras muito antes dessa navegação ordenada pelo rei Afonso IV, aliás preparada pelo seu pai, D. Dinis, chamado por Fernando Pessoa de "plantador de naus".
O Plano da "Descoberta"
Se quem conseguiu primeiramente sucesso nas navegações portuguesas foram os reis D. Dinis e Afonso IV, o monarca que ficou com a fama dos descobrimentos foi D. Manuel, o Venturoso, pois foi ele quem tratou da oficialização perante o mundo da descoberta do Brasil. O alegado "descobrimento casual" foi, na verdade, resultado de um plano cuidadosamente preparado durante séculos pelos reis templários lusitanos.
Foi esse plano que levou o rei D. Dinis a reflorestar Portugal, plantando os pinhais para fornecer madeira para as embarcações, duzentos anos antes do "descobrimento" oficial, e a criar a primeira armada portuguesa, com auxílio de navegadores genoveses. Depois disso, os reis dele descendentes continuaram o projeto de chegada à "terra prometida".
Os mapas e registros dessa terra e das correntes marítimas para a ela chegar (oriundos dos navegadores fenícios e hebreus), juntamente com profecias detalhadas sobre esse longínquo mundo, teriam passado ao poder dos cavaleiros templários quando, no século XII, fundaram a Ordem do Templo
em Jerusalém, no mesmo local onde antes se situara o templo de Salomão, conforme vimos nos capítulos 5, 6 e 7 deste livro.
A Origem Templário (Espiritual ) dos Descobrmentos
É do conhecimento das pessoas mais evoluídas que existem aspectos, ou mesmo fatos na História, ou ainda até a própria História que são deliberadamente omitidos ou ocultados por razões de quem tem o poder ou de quem quer se proteger dele.
Acreditar, como é ensinado por exemplo no Brasil, que seu descobrimento se deve a uma chegada fortuita e, mais, que o interesse pelo monopólio das especiarias motivou a expansão marítima portuguesa e os descobrimentos é ter, como diz Antônio Quadros, a visão limitada das pessoas que só enxergam até onde a miopia do dinheiro lhes permite.
Assim como o Império Romano se deveu ao estoicismo, Portugal do século XV ao XVI foi dono da metade do planeta e ainda invencível em terra e nos mares porque tinha um alvo muito além do mero interesse pelas riquezas, que certamente houve.
O Porto do Cálice ou Porto do Graal (Portugal), país templário por excelência, era naquele período um conjunto de forças e aspirações superiores condensados num só sentido: a expansão da fé de Cristo e a formação do Reino do Espírito Santo, baseado na tradição templária, com sua visão joanina, fundamentada na doutrina de Gioachino di Fiori sobre o advento da Terceira Idade - impelia-os a fé no destino de uma pátria messiânica portuguesa.
O principal móvel secreto dos descobrimentos, como bem assinalam Antônio Quadros e outros autores, foi de ordem espiritual: o desejo de construir o Quinto Império ou reino do Espírito Santo no mundo. Para tanto, conforme mostramos em nosso livro, ambicionavam chegar à Grande Ilha que, segundo as profecias, estaria destinada para tal propósito.
Rainer Daenhardt, historiador alemão, afirma que não é por acaso que os grandes navegadores portugueses dos séculos XV e XVI eram membros das ordens de Cristo e de Avis, nem é por motivos fortuitos que levavam em suas embarcações a cruz da Ordem de Cristo nas velas.
"A expansão do mundo português não foi o resultado ocasional de aventureiros que se lançaram à procura de conquistas de novas rotas marítimas para enriquecerem rapidamente e de qualquer maneira. Na História escrita por mãos portuguesas não houve a aniquilação sistemática de povos, religiões ou culturas, ao primeiro contato, como a extinção dos astecas, no México, dos Incas no Peru e dos Guanches nas Canários, por exemplo. Com a Ordem de Cristo foi tudo diferente. " 100
Para esse escritor, a expansão portuguesa não foi sempre pacífica, mas de qualquer modo, uma pequena nação pôde escrever páginas significativas i
na História da Humanidade, sem impor extermínio de populações. Foram cavaleiros iniciados que navegaram por todos os mares e levantaram padrões com símbolos da Ordem de Cristo, da Cruz de Avis e da Cruz das Quinas, circundada pelo escudo dos castelos.
Afirma Daenhardt que a orientação da Ordem de Cristo, que supervisionava toda a expansão marítima, imprimiu uma vontade férrea à atuação portuguesa, liderada por cavaleiros iniciados, vivos exemplos de uma interpretação da fé, bem diferente da missão que lhes estava destinada. Essa já era a força da "Fé de Portugal".
Brasil Não Veio de "Pau-Brasil"
Conforme foi afirmado anteriormente, o nome Ilha Brasil já existia antes do descobrimento oficial do Brasil por Pedro Álvares Cabral – quando, em 1343 o navegador Sancho Brandão representou o continente com o nome de Ínsula Brasil ou Brandam.
O pesquisador Felipe Cocuzza explica que "durante a Idade Média, a lendária Ilha Brasil povoou a poesia, os mapas, as tradições, as profecias e o folclore. A palavra Brasil tem duas etimologias convergentes: o germânico brasa, que passou ao Latim e ao Português, de onde veio a designação pau-brasil, devido à cor vermelha e o celta BRAS ou BRES, paralelo ao inglês BLESS que significa benção; prende-se ainda ao hebraico BRACHA (ch aspirado como em alemão) também com o sentido de benção e ao sânscrito BRHAMA da raiz BRITH, expandir, irradiar; brilhar, com o sentido de Deus, benção, suma ventura. Portanto, Ilha Brasil quer dizer Ilha Abençoada."101
Livres-Pensadores, não Degredados
Diversos autores apontam que uma das maiores injustiças feitas ao Brasil é dizer que foi povoado por degredados, gente da pior espécie. Ao mesmo tempo, a história ensinada nos bancos escolares salienta, é claro, que os Estados Unidos foram colonizados por pessoas da melhor espécie. Autores como Cocuzza, Varnhagen, João Francisco Lisboa, entre outros, desmentiram essas duas falsidades infelizmente arraigadas na mente do povo por força de um ensino errôneo.
Na verdade, a maior parte dos degredados não eram prisioneiros de crime comum, mas livres-pensadores perseguidos por motivos ideológicos (Inquisição) como cristãos novos e humanistas. Não nos podemos esquecer, em honra dos portugueses, do belo trabalho efetuado pelos jesuítas (Nóbrega. Anchieta) com suas missões, e pelos franciscanos da Ordem Terceira. As duas ordens religiosas trouxeram ao Brasil a tolerância racial, o culto ao Espírito Santo, a Festa do Divino e o sonho de realizar o Reino de Deus na Terra.
Saliente-se o povoamento feito por levas de famílias açorianas que se fixaram no Rio Grande do Sul - ou que fundaram, entre outros Estados, o do Espírito Santo, cuja capital, significativamente, chama-se Vitória.
Entre os degredados vindos ao Brasil, para felicidade de nossa terra, estavam os festeiros do Divino, que na Europa estavam sendo perseguidos pela Inquisição por anunciarem o futuro Império do Espírito Santo. Neste país, eles organizaram as festas que existem com pujança até os dias de hoje.
Constitui portanto uma insensatez dizer que foi má sorte para o Brasil ter sido colonizado pelos portugueses; que seria melhor termos sido colonizados pelos ingleses, franceses, holandeses, etc. É só ver o racismo, a intolerância e o clima insuportável existente nas terras colonizadas por tais países, para suspirarmos aliviados por termos sido um país descoberto e povoado por lusitanos.
Vespúcio descobre o Paraíso Terresre
Américo Vespúcio (1452 a 1512), cosmógrafo e navegador, é um dos nomes mais importantes da história da descoberta do Novo Mundo. Graças às suas cartas, que se difundiram em forma de folhetins de sucesso e encantaram a Europa renascentista, as terras descobertas receberam o nome de América. Das quatro viagens que Vespúcio realizou, esteve no Brasil em três delas, comparando nosso país ao "paraíso terrestre":
"(...) fomos à terra e descobrimo-la tão cheia de árvores que era coisa maravilhosa, não somente a grandeza delas, mas seu verdor e cheiro suave, que delas saía e dava tanto conforto ao olfato que grande recreio tiramos disso. E o que vi aqui foi uma feíssima coisa de pássaros de diversas formas, e cores, e tantos papagaios que era deslumbrante; alguns coroados como carmim, outros verdes, e cor limão, e outros negros, e encarnados, e o canto dos pássaros que estava nas árvores era coisa tão suave, e de tanta melodia, que nos acontece muitas vezes estarmos parados pela doçura deles. E a mata é de tanta beleza e suavidade que pensávamos estar no paraíso terrestre. (...) Naquele país tal multidão de gente encontramos que ninguém enumerar poderia, como se lê no Apocalipse: gente digo mansa e tratável." 102
Foi baseado nos relatos de Américo Vespúcio que Thomas Morus escreveu Utopia, que depois influenciou Jean Jacques Rousseau com a sua teoria do bom selvagem.

98 PINHO, Roberto Costa. Museu Aberto dos Descobrimentos – Portugal, Mito e História em Busca da Outra Banda da Terra. Editado por Fundação Quadrilátero dos Descobrimentos, FIESP, São Paulo, p.118.
99 COCUZZA, Felipe, A Mística da Amazônia, Zohar Editora, São Paulo, 1992, p.71.
100 DAENHARDT, Rainer. Missão Templário dos Descobrimentos. Edições Nova Acrópole, Lisboa, 1ª Edição, Maio de 1991, p. 26.
101 COCUZZA, Felipe. Amazônia Mística, op. cit, p. 71.
102 VESPÚCIO, Américo. Novo Mundo - Cartas de Viagens e Descobertas. (A Visão do Paraíso) – L & PM Ltda., Porto Alegre, 1984 (contracapa).

DA SÉRIE: HISTÓRIA E POESIA

“FAZENDEIRO DE CANA”
Minha terra tem palmeiras? Não.
Minha terra tem engenhocas de rapadura e cachaça
e açúcar marrom, tiqui.
Minha terra tem palmeiras? nho, para o gasto.
Canavial se alastra pela serra do Onça,
vai ao Mutum, ao Sarcundo,
clareia Morro Escuro, Queixadas, Sete Cachoeiras.
Capitão-do-Mato enverdece de cana madura,
tem cheiro de parati do Bananal e no Lava,
no Piçarrão, nas Cobras, no Toco,
no Alegre, na Mumbaça.
Tem rolete de cana chamando para chupar
nas Abóboras, no Quenta-Sol, nas Botas.
Tem cana caiana e cana crioula,
cana-pitu, cana rajada, cana-do-governo
e muitas outras canas de garapas,
e bagaço para os porcos em assembléia grunhidora
diante da moenda
movida gravemente pela junta de bois
de sólida tristeza e resignação.
As fazendas misturam dor e consolo
em caldo verde-garrafa
e sessenta mil-reis de imposto fazendeiro.



Mapas Primeira Guerra Mundial1




MOVIMENTOS SOCIAIS NA REPÚBLICA VELHA 1

A representação da população de Canudos


A representação da população de Canudos pode revelar questões históricas do Brasil nessa época.

Durante o estudo das rebeliões que marcaram a República Velha, temos uma série de confrontos que estabeleceram os entraves e problemas para a consolidação do regime republicano no país. O primeiro desses levantes aconteceu no interior da Bahia, local onde um pregador religioso de nome Antônio Conselheiro reuniu um vasto grupo de seguidores que formaram uma comunidade autônoma na região do rio Vaza-Barris.
Nesse episódio específico, é interessante o professor salientar como o conflito que deu origem à chamada Guerra de Canudos não se iniciou pela ação de um grupo interessado em se colocar contra as autoridades da época. Ao contrário disso, as batalhas que aconteceram entre o povoado formado por Conselheiro e as forças do Exército tiveram seu início pela ação própria do governo. A partir desse dado, podemos perguntar ao aluno como o governo se voltou contra a população que deveria representar.
Essa questão pode ser de grande valia para que os alunos, por exemplo, entendam o porquê esse período é costumeiramente lembrado como a época em que as oligarquias tomavam o poder. Partindo da própria significação do termo “oligarquia”, que quer dizer “governo de poucos”, o professor pode demonstrar que o Estado republicano não tinha compromissos em atender os interesses do povo, mas antes, dos grandes proprietários. Dessa maneira, o aluno pode compreender como foi possível o Estado abrir fogo contra aqueles que deveria representar.
Para que essa noção seja devidamente reforçada, o professor pode ainda trabalhar com um interessante trecho da obra “Cangaceiros e fanáticos”, do pesquisador Rui Facó. Com o uso dessa obra, o professor pode mostrar aos seus alunos como havia um claro interesse em difamar preconceituosamente a população de Canudos por meio de acusações e adjetivos que pudessem justificar a ação governamental. Para tanto, sugerimos a utilização do seguinte trecho:
"(...) despacho de Salvador transmitia informações prestadas por um “respeitável cavalheiro vindo das regiões de Canudos”, o qual dizia se encontrarem entre os adeptos do Conselheiro “sertanejos fanáticos pelo interesses, que para ali se dirigiam acreditando na idéia do comunismo, tão apregoada pelo Conselheiro”. E adiantava este dado significativo: “sobe a sessenta o número de fazendas tomadas pelos conselheiristas em toda a circunscrição”. (...)
Na leitura desse pequeno trecho, o professor pode pedir uma interpretação em que o enredo seja explorado de nova forma. Um dos pontos a ser problematizado envolve, por exemplo, a idéia de que um “respeitável cavaleiro” teria informações exatas e seguras sobre a comunidade de Canudos. Seria interessante pensar, no contexto das oligarquias, como seria essa personagem histórica dotada de virtudes. Em outras palavras, quais seriam os “sinais de respeito” ou valores morais correntes no final do século XIX.
Posteriormente, o professor poderia ainda discutir de que formas a personagem citada no texto teria condições para afirmar que a população de Canudos teria conhecimento de algum pressuposto do ideário comunista. Seria isso uma constatação infundada ou uma maneira de justificar o repúdio a esse povoado associando a uma ideologia criticada e temida por expressivos setores da sociedade dessa época.
Com a formulação de um texto auxiliar, os alunos podem assim estabelecer uma clara percepção do caráter oligárquico dos governos da época por meio da campanha difamatória que dominou os meios de comunicação da época. A hegemonia das elites não se restringia às ações de caráter político, bem como incidia sob outros aspectos da sociedade vigente. Dessa forma, os alunos podem compreender de que maneira os sertanejos de Canudos eram representados.

MAPAS E HISTÓRIA

Olhando os mapas como documentos

Os mapas podem ser utilizados como grandes fontes de compreensão da História.
A cartografia é um dos mais ricos ramos de conhecimento trabalhado pela Geografia e por outras áreas afins. Por meio de um mapa podemos obter informações sobre o clima, a hidrografia, a população, a dimensão territorial, relevo e outros dados sobre determinada região. Em primeira análise, podemos ver nesse tipo de recurso uma importante fonte de informação sobre dados que auxiliam o desenvolvimento do conhecimento geográfico.
Contudo, o professor de História também pode utilizar dos mapas para salientar questões referentes aos valores históricos de uma época, dando outra dimensão sobre esse interessante recurso. Para exemplificar esse tipo de possibilidade sugerimos a elaboração de uma aula onde o professor exponha diferentes mapas ressaltando os valores desses grandes quadros que aparentemente almejam representar o mundo a sua volta.
Para tanto, indicamos o uso de um mapa do século XIII e um mapa do século XVIII. Por meio de uma análise comparativa, o professor tem a oportunidade de historicizar o valor ocupado pelos mapas antes e depois do processo de expansão marítimo-comercial e apresentar aos alunos como cada mapa dialoga com os valores históricos de seu tempo. Primeiramente, o professor pode expor o mapa “Mapa do Salmo”, de 1260, encontrado em uma versão do livro bíblico de Salmos, fabricado na Inglaterra.
FIGURA 01 – MAPA DO SALMO (1260)

Por meio desse antigo mapa, o professor pode demonstrar a dimensão do mundo conhecido até aquela época. Além disso, existe uma gama de imagens que pode nos mostrar um pouco do pensamento do século XIII. Na primeira visualização, temos a figura de Jesus Cristo e de anjos demonstrando o forte elemento religioso dessa época. Sua mão levantada representa o derramamento de bênçãos ao mundo e os anjos reforçam a idéia de intervenção do mundo espiritual sob o mundo terreno.
Além disso, a ausência do continente americano ressalta as limitações impostas por uma época em que as grandes navegações não haviam ocorrido e o homem medieval ainda não possuía uma visão mais ampla do mundo que o cercava. Paralelamente, o posicionamento central da Europa incide diretamente em outro valor em que o Velho Mundo é visto como ponto de partida da civilização. Esse tipo de distinção é percebido também pela presença de feras aquáticas presentes na base desse mesmo mapa.
Os lugares longínquos estão afastados da Europa que, por sua vez, ocupa uma posição mais próxima do “Senhor”. Nesse tipo de interpretação podemos ter uma visão eurocêntrica também percebida em um outro relevante detalhe deste documento cartográfico. Logo abaixo da grande figura de Cristo, há um pequeno círculo tomado por um rosto masculino e feminino. Na verdade, essas duas personagens do mapa representam Adão e Eva que, segundo a narrativa bíblica, teriam dado origem à raça humana.
Por fim, o trabalho com esses elementos do mapa medieval deve ser contraposto a um mapa francês do século XVIII, intitulado “Mappe-Monde”, de 1707, produzido por Guillermo Delisle (1675-1726).

FIGURA 02 – MAPPE-MONDE (1707)

Nesse segundo documento, temos uma representação que incorpora novas regiões descobertas pelo processo de expansão marítimo-comercial, que inclui boa parte do continente americano, uma percepção mais ampla sobre a Ásia e a África; e a descoberta de novos espaços na Oceania. Além disso, vemos no brasão superior do mapa a procedência do material, que fora produzido pela “Academia Real de Ciências”, e que indica o financiamento do Estado a esse novo tipo de conhecimento.
Em contraposição ao primeiro mapa, não temos a marcante presença de elementos de natureza religiosa, o que demonstra as claras conseqüências trazidas pelos valores humanistas e racionalistas elaborados desde o Renascimento. O conhecido “desencantamento do mundo” se manifesta pela objetividade que vigora na esfera do conhecimento durante a Idade Moderna. Com isso, uma nova visão do espaço e novos valores podem ser contrapostos nesse rico exercício interpretativo.
OBS: Caso o professor queira versões mais ampliadas desses mapas, recomendamos uma pesquisa pela internet de ambos, a partir do nome dado a cada um deles.
Acesso: 02/02/2009